alt=Luneta 46 em seu pavilhão|miniaturadaimagem|Luneta 46 A Luneta 46, ou Luneta Equatorial de 46 cm, é o maior telescópio refrator do Brasil. É composta por três lunetas: a principal, com lente objetiva de 45,72 cm de diâmetro, característica responsável pelo nome do qual é conhecida; a guia das câmeras astrofotográficas, com lente objetiva de 24 cm de diâmetro; e a procuradora, com lente objetiva de 10 cm de diâmetro.
História A Luneta 46 foi encomendada em setembro de 1911 por Henrique Morize, diretor do Observatório Nacional na época. O instrumento foi fabricado pela empresa T. Cooke & Sons, com sede em York, na Inglaterra. A compra foi motivada principalmente pela necessidade de melhores instrumentos desse tipo para que o Observatório não ficasse muito atrasado em relação à observatórios internacionais, principalmente os da América Latina. O instrumento era destinado para realizar trabalhos em Astronomia e Astrometria.
De acordo com Henrique Morize, a Luneta 46"possui um poder óptico correspondente ao máximo compatível com o clima de nossa Capital, e não poderia ser utilmente ultrapassado por outro mais poderoso, a não ser que se o removesse para um céu mais límpido e calmo, isto é, distante da Capital"Por conta de defeitos que surgiram durante sua fabricação e à Primeira Guerra Mundial, a entrega do instrumento ao Observatório Nacional atrasou em 10 anos. Um ano antes do instrumento chegar ao Brasil, foi finalizada a construção do pavilhão destinado a abrigá-la, que possui aproximadamente 10 metros de diâmetro. A instalação do instrumento em seu abrigo foi completamente concluída em 1922, ano da inauguração da nova sede do Observatório Nacional no Morro de São Januário, no Rio de Janeiro.
Produção científica A Luneta 46 foi utilizada para observar e registrar vários objetos e fenômenos celestes: asteroides, cometas (entre eles, o Halley), satélites naturais, eclipses, planetas, campos e aglomerados estelares e estrelas. FONSECA, Julliana Vilaça. Divulgação Científica e Preservação no caso da Luneta 46 do Observatório Nacional. 230f. Dissertação (Mestrado Profissional) - Programa de Pós-Graduação em Preservação de Acervos de Ciência e Tecnologia, Museu de Astronomia e Ciências Afins, Rio de Janeiro, 2022. Disponível em: http://site.mast.br/ppact/2022/dissertacao-completa/julliana-fonseca.pdf
Entre 1924 e 1934, o instrumento foi utilizado em um projeto internacional, em cooperação com o Observatório de Johanesburgo, na África do Sul, para observação micrométrica de estrelas duplas.
Entre 1930 e 1951, devido a problemas internos do Observatório Nacional, o uso do instrumento foi interrompido, voltando a ser utilizado em 1958, após uma revisão. Contudo, na década de 1980 a Luneta 46 oficialmente deixou de ser utilizada com finalidades científicas, devido à poluição luminosa e atmosférica do bairro de São Cristóvão. COSTA, Andréa Fernandes. Museu de Ciência: os instrumentos científicos do passado para a educação em ciências hoje. Orientadora: Profa. Dra. Guaracira Gouvêa. 2009. 166 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Programa de Pós-Graduação em Educação, Centro de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro/UNIRIO, Rio de Janeiro, 2009.
Popularização da Ciência A partir da década de 1990, após de deixar de ser utilizada para produção científica, a Luneta 46 passou a ser usada em ações de Popularização da Ciência organizadas pelo Observatório Nacional e pelo Museu de Astronomia e Ciências Afins. Foi usada em eventos tais como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, o Evento Turismo Cultural e a Semana da Astronomia.
Curiosidades
Albert Einstein visitou o instrumento quando veio ao Brasil, em 1925.
Referências
Categoria:Telescópios