A Classe Stalingrad, designada oficialmente como Projeto 82, foi uma classe de cruzadores de batalha planejada pela Frota Naval Militar Soviética, composta pelo Stalingrad, Moskva e outros dois navios nunca nomeados. As construções das três primeiras embarcações começaram nos Estaleiros Nº 198, 189 e 402, porém nunca foram finalizados. O conceito original para os navios era para que fossem leves e rápidos com o objetivo de interceptar ataques de forças de cruzadores britânicos que poderiam tentar atacar o norte da União Soviética. Os trabalhos de projeto tinham apenas começado quando a Alemanha invadiu a União Soviética em junho de 1941 e o projeto foi consequentemente suspenso.

O projeto foi reavivado entre 1943 e 1944, desta vez com o objetivo de atuar como escoltas de porta-aviões em forças tarefas poderosas que desafiariam cruzadores da Marinha dos Estados Unidos. Desta forma, os navios Classe Stalingrad ficaram maiores e mais poderosos a fim de poderem desempenharem esse novo papel. O projeto enfrentou resistência de seções do estado-maior naval soviético, mas seguiu adiante porque tinha o apoio do ditador Josef Stalin. As construções sofreram atrasos e classe acabou cancelada em 1953 pouco depois da morte de Stalin, com o casco incompleto do Stalingrad sendo usado como alvo de tiro para testes de mísseis antinavio e então desmontado em 1962.

Os cruzadores de batalha da Classe Stalingrad, de acordo com o projeto original, seriam armados com uma bateria principal de nove canhões de 305 milímetros montados em três torres de artilharia triplas. Teriam um comprimento de fora a fora de 273 metros, boca de 32 metros, calado de nove metros e um deslocamento carregado de mais de 42 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão seriam compostos por doze caldeiras a óleo combustível que alimentariam quatro conjuntos de turbinas a vapor, que por sua vez girariam quatro hélices até uma velocidade máxima de 35 nós (65 quilômetros por hora). Os navios teriam um cinturão principal de blindagem com 180 milímetros de espessura.

Desenvolvimento A origem do Projeto 82 data de maio de 1941, quando o Estado-Maior Naval Principal aprovou requerimentos para um cruzador de médio porte entre os cruzadores pesados da Classe Kirov e os cruzadores de batalha da Classe Kronshtadt. Ele deveria enfrentar cruzadores pesados inimigos, destruir cruzadores rápidos, dar apoio aos cruzadores rápidos aliados, estabelecer campos minados, pressionar as baterias costeiras, dar apoio para operações de desembarque e realizar operações contra as linhas de comunicação.

A Frota Naval Militar Soviética desejava para esse fim um navio com deslocamento de vinte mil toneladas ou menos, armado com oito canhões de 203 milímetros e doze de 100 milímetros, uma bateria antiaérea de doze canhões de 37 milímetros e três tubos de torpedo de 533 milímetros. Precisaria ter uma blindagem para aguentar projéteis de 203 milímetros, uma velocidade de não menos de 36 nós (67 quilômetros por hora), autonomia de dez mil milhas náuticas (dezenove mil quilômetros) a vinte nós (37 quilômetros por hora) e ser capaz de levar quatro hidroaviões lançados por duas catapultas. Três projetos preliminares foram propostas, mas apenas um foi capaz de cumprir todas as exigências, mas com um deslocamento de 25 mil toneladas. Os projetistas recomendaram um aumento no armamento principal para 220 milímetros, uma bateria antiaérea fortalecida e reduções na blindagem, velocidade e autonomia. A Alemanha invadiu a União Soviética um mês depois em junho de 1941 e a ideia dos navios foi suspensa.

O projeto foi reavivado em 1943 com novos requerimentos emitidos em 15 de setembro. Estes eram basicamente idênticos aos originais, mas com um a mais: "Proteger operações de porta-aviões e realizar operações conjuntas com eles". Características estimadas eram um deslocamento de vinte a 22 mil toneladas, nove canhões de 210 a 230 milímetros, doze canhões de duplo propósito de 130 milímetros e 32 canhões antiaéreos de 37 milímetros. As exigências de velocidade, autonomia e aeronaves permaneceram as mesmas, porém os tubos de torpedo foram abandonados. Mais de uma dúzia de projetos preliminares foram propostos até maio de 1944, mas nenhum foi considerado aceitável.

Novos requerimentos táticos foram emitidos em novembro de 1944 para um deslocamento mais realista de 25 a 26 mil toneladas, enquanto a velocidade foi reduzida para 33 nós (61 quilômetros por hora) e a autonomia para oito mil milhas náuticas (quinze mil quilômetros). O armamento foi revisado para nove canhões de 220 milímetros, dezesseis canhões de 130 milímetros, 32 canhões de 45 milímetros e vinte canhões de 23 milímetros. Estas últimas foram alteradas em 1945 para armas de 25 milímetros.

O almirante de frota Nikolai Kuznetsov acreditava que esses navios poderiam proteger os planejados porta-aviões soviéticos em mares bravios contra forças de cruzadores da Marinha dos Estados Unidos e defendeu sua construção, mas o Comissariado de Construção Naval hesitou. Este se recusou a iniciar trabalhos detalhados de projeto pela incerteza da situação de construção pós-Segunda Guerra Mundial e porque o escritório de projeto já estava sobrecarregado. A Frota Naval Militar mesmo assim continuou estudar projetos de cruzadores e planejou um programa de construção de dez anos para 1946 a 1955. Os navios eram baseados em operações defensivas na periferia da União Soviética contra grupos de porta-aviões anglo-americanos ao mesmo tempo que submarinos iriam atacar suas linhas de comunicação. Dez cruzadores de batalha foram planejados como parte desse programa de construção. Este foi discutido pelo Politburo em 29 de setembro de 1945 e não houve grandes desacordos sobre os cruzadores, porém o ditador Josef Stalin era a favor de aumentar o tamanho do armamento principal para canhões 305 milímetros, mas não pressionou o assunto quando Kuznetsov expressou resistência.

Um problema maior era a resistência do Comissariado de Construção Naval, que afirmou que seria impossível iniciar a construção de qualquer novo projeto antes de 1950 e que apenas mudanças incrementais poderiam ser feitas nos projetos já em construção. A Frota Naval Militar não enxergava motivos que impediriam o início de obras em 1948 para novas embarcações que refletissem as experiências de guerra. Uma comissão especial liderada Lavrenti Beria foi nomeada para resolver a disputa, ficando em sua maior parte do lado do Comissariado de Construção Naval ao afirmar que a maioria dos navios do programa seriam versões aprimoradas de projetos atuais. Mesmo assim, quatro dos cruzadores de batalha poderiam começar a ser construídos em 1948, dois no Estaleiro Nº 402 em Molotovsk e dois no Estaleiro Nº 444 em Nikolaev, com outros três em 1953 e 1955. Isto foi aprovado em 27 de novembro de 1945 e os trabalhos de detalhamento de projeto começaram em 1946 para navios armados com canhões de 220 e 305 milímetros.

Essa decisão foi confirmada em 28 de janeiro de 1947 por um decreto do Conselho de Ministros. A Frota Naval Militar e o Ministério de Construção Naval tinham filtrado as propostas para apenas três, uma vinda de cada um armadas com canhões de 305 milímetros e uma apresentada em conjunto com armas de 220 milímetros. A proposta do ministério era ligeiramente menor em duas mil toneladas do que a proposta da marinha e tinha um cinturão cinquenta milímetros mais fino, mas de resto era idêntico. A proposta conjunta era duas mil toneladas menor com um armamento secundário reduzido, mas 1,5 nós (2,8 quilômetros por hora) mais rápido. Todas as propostas tinham uma autonomia de seis mil milhas náuticas (onze mil quilômetros) a dezoito nós (33 quilômetros por hora). Eles só forma ser avaliados em março de 1948, provavelmente pela necessidade de coordenar uma reação ao Plano Marshall dos Estados Unidos, com Stalin aprovando o projeto da marinha. Ainda assim houve mais adiamentos pois as especificações detalhadas precisavam ser aprovadas e isso só foi ocorrer em 31 de agosto, provavelmente de decorrência da Ruptura Soviético-Iugoslava e do início do Bloqueio de Berlim, ambos em junho.

Com as especificações aprovadas, o escritório de projeto de navios grandes, o TsKB-17, começou a trabalhar em um esboço que seria apresentado ao Conselho de Ministros antes que um projeto técnico pudesse começar. Quatro alternativos foram completadas até março de 1949, diferindo principalmente no arranjo dos canhões de 130 milímetros e das caldeiras. O TsKB-17 preferia um arranjo e a Frota Naval Militar e o Ministério de Construção Naval concordaram, assim o escritório começou o projeto técnico sem aprovação com o objetivo que a construção dos primeiros dois navios pudesse começar como planejado no terceiro trimestre de 1950. Entretanto, Stalin rejeitou o esboço ao avaliar o projeto em setembro de 1949, ordenando um navio menor e mais rápido capaz de 35 nós (65 quilômetros por hora). O TsKB-17 foi capaz de produzir um projeto técnico preliminar que cumpria as exigências de Stalin até o final do ano, um tempo extraordinariamente rápido para aquilo que deveria ter sido um processo demorado. A explicação mais provável é que os projetistas mantiveram o máximo possível de seu trabalho original e encontraram espaço para as turbinas mais poderosas e mais caldeiras para a velocidade exigida ao deletar duas torres de artilharia de 130 milímetros à ré e seus depósitos de munição, como mostra uma comparação entre os esboços de 1949 e 1951.

A Frota Naval Militar não gostou das alterações feitas para aumentar a velocidade e reduzir o deslocamento para as 36 mil toneladas. Stalin expressou em março de 1950 críticas sobre alguns aspectos dos navios. Ao serem perguntados sobre o propósito dos navios, os oficiais navais responderam que era enfrentar cruzadores pesados inimigos, porém Stalin disse que era para enfrentar cruzadores rápidos: "É necessário aumentar sua velocidade para 35 nós e criar um cruzador que causará pânico entre os cruzadores rápidos inimigos, dispersando-os e destruindo-os". Além disso, ele acreditava que os confrontos ocorreriam próximos de casa: "Vocês não podem copiar cegamente os americanos e ingleses, eles enfrentam condições diferentes, seus navios viajam para longe pelo oceano, fora de contato com suas bases. Não estamos considerando realizando batalhas oceânicas, mas em vez disso lutar próximos de nossos litorais, assim não precisamos de um grande suprimento de munição no navio". Os oficiais navais também não gostaram da redução do armamento secundário feita para acomodar os maquinários maiores e caldeiras, mas Stalin afirmou que a maioria das aeronaves iria atacar os cruzadores de batalha de uma altitude abaixo de 1,5 quilômetro e que a altura máxima de disparo dos canhões de 130 milímetros era bem mais alto. Ele também ordenou a redução das armas antiaéreas menores por acreditar que as escoltas se encarregariam da defesa. Este projeto foi aprovado pelo Conselho de Ministros em 25 de março de 1950.

Isto permitiu que o processo de projeto técnico começasse e ele foi finalizado em dezembro. Avaliações feitas em fevereiro de 1951 pela marinha e ministério levou a mudanças significativas no projeto em abril. A forma original da proa seria similar aos cruzadores rápidos da Classe Chapaiev, mas testes marítimos no primeiro navio da classe revelaram que ele molhava muito à vante, o que prejudicava sua navegabilidade. Consequentemente, a proa da Classe Stalingrad foi alterada radicalmente para ser muito mais curvada e elevada, aumentando o comprimento em quase dez metros. A espessura do cinturão principal foi aumentada de 150 para 180 milímetros, possivelmente em resposta a economias de peso em outros lugares. O projeto final foi enviado para aprovação em 4 de junho de 1951, mas preparações para os desenhos finais já tinham começado.

Projeto Características