O SMS Hamburg foi um cruzador rápido operado pela Marinha Imperial Alemã e depois pela sucessora Marinha do Império, sendo a segunda embarcação da Classe Bremen. Sua construção começou em agosto de 1902 nos estaleiros da AG Vulcan em Estetino e foi lançado ao mar em julho de 1903, sendo comissionado na frota alemã em março do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal composta por dez canhões de 105 milímetros em montagens únicas, tinha um deslocamento de mais de três mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 22 nós.
O Bremen serviu nas forças de reconhecimento durante a maior parte do início da sua carreira, frequentemente também escoltando o iate imperial . A Primeira Guerra Mundial começou em 1914 e o navio foi usado junto com flotilhas de submarinos e em várias patrulhas do Mar do Norte. Participou em meados de 1916 da Batalha da Jutlândia, onde enfrentou e foi danificado por cruzador rápidos britânicos. Foi depois disso reduzido a deveres secundários de quartel-general estacionário e alojamento por estar obsoleto, funções que desempenhou até o fim da guerra.
A Alemanha recebeu permissão para manter o Hamburg depois da guerra pelos termos do Tratado de Versalhes. Voltou ao serviço ativo em 1920 e seis anos depois foi transformado em um navio-escola, realizando um cruzeiro de treinamento ao redor do mundo. Em seguida foi descomissionado em março de 1931 e transformado de novo em um alojamento flutuante. Permaneceu nesta função em Kiel até o início de 1944, quando foi afundado por um ataque aéreo britânico na Segunda Guerra Mundial. Seus destroços foram reflutuados após a guerra em 1949 e desmontados em 1956.
Características
thumb|esquerda|240px|Desenho da Classe Bremen A Lei Naval de 1898 previa a substituição das embarcações mais antigas da Marinha Imperial Alemã – corvetas, cruzadores desprotegidos e avisos – com cruzadores rápidos mais modernos. Os primeiros navios a preencherem essa exigência foram aqueles da Classe Gazelle, que tinham sido projetados para atuarem tanto como batedores para a frota quanto embarcações para serviço no império colonial alemão. Isto proporcionou a base para projetos seguintes, começando com a Classe Bremen, projetada entre 1901 e 1903. As principais melhorias desta consistiam em um casco maior que permitia duas caldeiras a mais e consequentemente uma velocidade máxima maior.
O Hamburg tinha 111,1 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 13,3 metros e um calado de 5,28 metros à vante. Seu deslocamento normal era de toneladas, enquanto o deslocamento carregado chegava a toneladas. Seu sistema de propulsão consistia em dez caldeiras a carvão de tubos d'água tipo Marine que alimentavam dois motores de tripla expansão, cada um girando uma hélice. Tinha uma potência indicada de dez mil cavalos-vapor ( aquilowatts) para uma velocidade máxima de 22 nós (41 quilômetros por hora). Podia carregar até 860 toneladas de carvão, o que proporcionava uma autonomia de milhas náuticas ( quilômetros) a uma velocidade de cruzeiro de doze nós (22 quilômetros por hora). Sua tripulação era composta por catorze oficiais e 274 a 287 marinheiros.
O armamento principal era composto por dez canhões calibre 40 de 105 milímetros em montagens únicas, duas lado no castelo de proa, três em cada lateral e duas lado a lado na popa. Para defesa contra barcos torpedeiros haviam dez canhões Maxim de 37 milímetros em montagens individuais. Também tinha dois tubos de torpedo submersos de 450 milímetros, um em cada lateral. Era protegido por um convés blindado curvado de até oitenta milímetros de espessura, tendo laterais inclinadas para baixo a fim de proporcionar alguma proteção extra. A torre de comando tinha laterais de cem milímetros, enquanto os canhões principais eram protegidos por escudos de cinquenta milímetros.
Carreira Início de serviço thumb|240px|O Hohenzollern e o Hamburg na Noruega em 27 de julho de 1904 O Hamburg foi encomendado sob o nome de contrato "K" e seu batimento de quilha ocorreu em agosto de 1902 nos estaleiros da AG Vulcan em Estetino. Foi lançado ao mar durante cerimônias em 25 de julho de 1903, sendo batizado por Johann Heinrich Burchard, primeiro prefeito de Hamburgo, em homenagem à cidade. Uma tripulação do estaleiro levou o navio incompleto para Kiel para passar por sua equipagem. O Hamburg foi o primeiro membro da sua classe a entrar em serviço, sendo comissionado em 8 de março de 1904. O comando naval tinha a intenção de enviar o navio para escoltar o , o iate do imperador Guilherme II, mas atrasos nos seus testes marítimos fizeram com que só se juntasse ao Hohenzollern em junho. O cruzador em seguida operou junto com o iate pelos três meses seguintes, começando com uma viagem de Kiel para Hamburgo, em que Guilherme subiu a bordo do Hohenzollern para acompanhar uma regata. Os dois então fizeram um cruzeiro para a Noruega entre 7 de julho e 9 de agosto. Ao voltarem, o imperador observou manobras da frota no final de agosto e início de setembro a bordo do iate, com o Hamburg o acompanhando.
O cruzador passou a atuar na Unidade de Reconhecimento da frota principal a partir de 28 de setembro, substituindo o cruzador rápido . Operou com a frota principal e iniciou no final do ano um cruzeiro de treinamento pelo Mar Báltico. O Hamburg participou nas rotinas normais de exercícios de unidade e frota em 1905, interrompidos apenas por outra viagem junto com o Hohenzollern para a Heligolândia em março e depois para Pillau e Glücksburg em outubro. Também participou de um cruzeiro com seu irmão SMS Lübeck, este equipado com turbinas a vapor, com o objetivo de avaliar os sistemas de propulsão das duas embarcações. Os anos de 1906 e 1907 transcorreram tranquilamente, com seu tempo sendo ocupado de exércitos com a frota. Durante este período, o capitão de fragata Oskar von Platen-Hallermund serviu como seu oficial comandante de setembro de 1906 até o final de setembro de 1907, quando foi substituído pelo capitão de corveta Ernst von Mann und Edler von Tiechler.
Atividades de rotina thumb|esquerda|240px|Desenho do Hamburg em 1905 por William Frederick Mitchell O Hamburg partiu em fevereiro de 1908 em um cruzeiro de treinamento no Oceano Atlântico junto com os outros navios da Unidade de Reconhecimento. Navegaram até a Espanha, onde visitaram Vigo. O navio novamente escoltou o Hohenzollern de 6 de março a 19 de maio. Os dois, mais o navio de despachos SMS Sleipner, navegaram pelo Mar Mediterrâneo. Pararam em Veneza na Itália e em Corfu na Grécia, partindo em 5 de maio para retornarem à Alemanha. O cruzador retomou seus deveres com a frota, incluindo exercícios de treinamento no Mar do Norte e um cruzeiro com toda a Frota de Alto-Mar. O Hamburg estava programado para ser descomissionado no inverno de 1908 para 1909, assim que o novo cruzador rápido entrasse em serviço. Entretanto, as turbinas a vapor do navio novo tiveram problemas depois dos testes iniciais, forçando o Hamburg a permanecer em serviço por mais um ano. Outro cruzeiro para a Espanha ocorreu em fevereiro de 1909, durante o qual o navio mais uma vez parou em Vigo entre os dias 17 e 23.
Ao voltar foi mais uma vez designado para a escolta do Hohenzollern pelo Mediterrâneo. O Hamburg, Hohenzollern e Sleipner deixaram Kiel em 24 de março e chegaram em Veneza em 4 de abril. Em seguida foram para Corfu em 16 de abril, onde Guilherme e sua família planejavam passar as férias. Relatos nessa época de perseguição contra cristãos armênios no Império Otomano causaram reações pela Europa, com vários países enviando navios para o sul da Anatólia a fim de proteger armênios e europeus na área. O Hamburg foi destacado como parte da operação e navegou em 21 de abril para Mersim, onde chegou quatro dias depois. Juntou-se ao couraçado pré-dreadnought britânico e ao cruzador blindado francês Victor Hugo, com o Lübeck chegando também algum tempo depois. As embarcações enviaram grupos de desembarque para protegerem civis, distribuir alimentos e estabelecer hospitais de campo. A situação se acalmou até meados de maio, com o Hamburg sendo destacado no dia 17 para voltar para casa. Parou no caminho em Porto Saíde no Egito e em Málaga na Espanha, chegando em Kiel em 28 de maio.
O Hamburg voltou para a Unidade de Reconhecimento quando retornou para a Alemanha. Entretanto, pouco depois foi destacado para escoltar o Hohenzollern novamente, desta vez tendo a companhia do novo cruzador blindado . As embarcações deixaram Kiel em 13 de junho e foram para Neufahrwasser, onde Guilherme subiu a bordo do Hohenzollern. Em seguida navegaram pelo Báltico em direção da Finlândia, onde se encontraram com o imperador Nicolau II da Rússia a bordo de seu iate. O Hamburg voltou para Kiel ao final da viagem em 20 de junho. Continuou a operar com o Hohenzollern pelo mês seguinte, incluindo durante uma regata no início de julho que marcou a inauguração de um serviço de balsa de passageiros conjunto teuto-sueco entre as cidades de Sassnitz e Trelleborg. Outro cruzeiro para a Noruega ocorreu de 18 de julho a 3 de agosto, com o cruzador sendo destacado ao voltar a fim de retomar seu serviço com a frota. Participou das manobras anuais da frota entre o final de agosto e início de setembro pela primeira vez em sua carreira. Foi descomissionado em Wilhelmshaven em 15 de setembro, pois nesta época o Dresden finalmente tinha ficado pronto para o serviço.
Passou 1910 e 1911 na reserva, período em que passou por manutenção mas não por reformas. Foi recomissionado em 2 de julho de 1912 para servir de capitânia do segundo em comando da I Flotilha de Submarinos, parte da Inspetoria de Embarcações Torpedeiras. Chegou na unidade em 6 de agosto e participou de treinamentos no Mar do Norte, com as manobras de frota ocorrendo depois entre agosto e setembro. O Hamburg serviu nessa função pelos dois anos seguintes, com o capitão de corveta Hermann Bauer atuando como seu oficial comandante entre novembro de 1913 e março de 1914. Foi transferido em 15 de março de 1914 para a recém-criada Inspetoria de Submarinos.
Primeira Guerra Mundial A Primeira Guerra Mundial começou no final de julho de 1914 e a I Flotilha de Submarinos foi colocada na Heligolândia. O Hamburg e o cruzador rápido SMS Stettin navegaram em direção do Mar do Norte em 6 de agosto junto uma flotilha de submarinos, com o objetivo sendo tentar atrair a frota britânica para que estão então pudesse ser atacada pelos submarinos. A força retornou para o porto em 11 de agosto depois sem terem encontrado um único navio de guerra britânico. Outra operação do tipo ocorreu no dia seguinte, também sem resultar em contatos com embarcações inimigas. O comando naval alemão dissolveu a I e II Flotilhas de Submarinos em 21 de agosto e reorganizou os navios das duas unidades sob o comando de Bauer, que recebeu o título de Líder de Submarinos. O Hamburg permaneceu como capitânia da unidade.
O Hamburg também operou com a Frota de Alto-Mar, geralmente com os cruzadores rápidos do IV Grupo de Reconhecimento. A primeira vez foi no bombardeio das cidades britânicas de Scarborough, Hartlepool e Whitby entre 15 e 16 de dezembro. O IV Grupo de Reconhecimento foi encarregado de escoltar o elemento principal da frota enquanto os cruzadores de batalha do I Grupo de Reconhecimento bombardeavam as cidades; a intenção era também atrair uma parte da frota britânica para ser afundada. O Hamburg, o cruzador blindado e o cruzador rápido SMS Stuttgart encontraram contratorpedeiros britânicos às 6h59min do dia 16. Estes os seguiram até às 7h40min, momento em que o Hamburg e Stuttgart foram destacados para afundá-los. Relatos dos contratorpedeiros fizeram com que o almirante Friedrich von Ingenohl, o comandante da Frota de Alto-Mar, ordenasse que seus navios recuassem. O Roon fez sinal às 8h02min para que os dois cruzadores abandonassem a perseguição a recuassem junto do resto da frota.