Dialonquê (Yalunka, djallonké ou dialonké) é uma língua falada pelos dialonquês, com uma comunidade de aproximadamente 214.000 falantes distribuídos entre a Guiné, Serra Leoa, Mali e Senegal, na região da África Ocidental. Os dialonquês, uma comunidade Mandé intimamente relacionada com os Susu, é encontrado principalmente na Guiné, com concentração significativa em Faraná, e também em comunidades menores em Kouroussa. Além disso, há comunidades dispersas no nordeste de Serra Leoa, sudeste do Senegal e sudoeste do Mali. Esta dispersão geográfica reflete a complexidade linguística que caracteriza o continente africano. No entanto, a língua dialonquê está enfrentando um declínio significativo, tornando-se cada vez menos presente em locais como mesquitas, mercados e reuniões públicas. Pertencente à família linguística nígero-congolesa, o dialonquê possui uma relação estreita com a língua susu.

Etimologia Jalonke o nome nativo da língua, significa "habitantes de Jalom"('Jalom' referindo-se à área montanhosa que inclui o atual Futa Jalom), sendo usado pelos falantes para se referirem à sua linguagem. Nas variedades do Norte e do Sul, a mesma denominação é encontrada, porém com grafias diferentes (dialonké e diallonké, respectivamente). No entanto, o dialonquê foi adotado como termo geral para todas as variedades.

Distribuição A África se destaca por sua notável complexidade linguística, superando qualquer outro continente. Ao longo do tempo, o mapa linguístico do continente evoluiu de uma estrutura mais simples para uma rede intricada de línguas, onde as relações entre elas podem ser representadas por "árvores genealógicas", refletindo uma hierarquia descendente de níveis. Essa complexidade é ainda mais evidente devido às variantes dialetais faladas em vastas áreas, onde há graus variados de intercompreensão entre os falares. O parentesco linguístico e cultural é facilmente perceptível para as comunidades que vivem lado a lado, enquanto as áreas habitadas por diversas etnias diferenciam-se também na análise etimológica da língua e nos fenômenos lexicais.

Recentemente, uma região meridional de afinidade linguística foi denominada como "níger-congo" ou "congo-kordofaniano" por Greenberg, ou "nigrítica" por Murdock. Essa classificação reflete a diversidade e a complexidade das línguas africanas, que podem ser classificadas de várias maneiras, incluindo classificações genéticas, tipológicas e geográficas (dialetos). Guiné: A língua dialonquê é falada principalmente na Guiné, especialmente em Faraná, com cerca de 128.000 falantes.Na Guiné são falados três dialetos sendo eles, sulima (população≈30.000), bafing (população≈10.000) e musaia (população≈36.000). Essa língua desempenha um papel crucial na identidade cultural e linguística das comunidades dialonquês. É utilizada em diversos contextos sociais, desde situações cotidianas até cerimônias tradicionais e manifestações culturais. Mali:A língua dialonquê é falada no sudoeste do Mali, com cerca de 19.000 falantes, desempenhando um papel vital na preservação da identidade cultural das comunidades dialonquês. No Mali são falados dois dialetos, o bafing (população≈10.000) e o fontofa (população≈10.000). A língua é usada em diversos contextos sociais e culturais, desde interações familiares até rituais tradicionais, é uma parte essencial da vida cotidiana no Mali. Senegal:A língua dialonquê é falada por cerca de 15.000 habitantes no sudeste do Senegal. No Senegal há a presença de um dialeto, o bafing (população≈10.000). Apesar de ser uma minoria linguística na região, é valorizada como parte da diversidade linguística e cultural do país. Serra Leoa: A língua dialonquê é falada por quase 52.000 pessoas no nordeste de Serra Leoa e possui dois dialetos presentes, a musaia (população≈36.000) e sulima (população≈30.000). A língua desempenha um papel vital na preservação da identidade cultural das comunidades dialonquês. Usada em diversas situações sociais, desde conversas familiares até eventos comunitários, é uma parte essencial da vida cotidiana nessa região.

História miniaturadaimagem|310x310px|Dialonquês de Guiné

História do povo Os dialonquês, originário da montanhosa Koulikoro ao longo do vale do rio Níger, tem uma história rica e complexa que se entrelaça com a tradição oral susu. De acordo com esta tradição, os dialonquês são associados ao antigo Império Sosso de Sumanguru Cante. No século XI, após a desintegração do Império Sosso, os dialonquês migraram para a região montanhosa do planalto de Futa Jalom, na Guiné, onde se estabeleceram como animistas agrícolas, posteriormente aceitando o Islã|.

Entretanto, no século XVII, a ascensão das teocracias islâmicas apoiadas pelos Fulas resultou no domínio fula sobre a região tradicionalmente ocupada pelos dialonquês. Sob pressão, os dialonquês renunciaram ao Islã, mas enfrentaram uma série de jihads lideradas pelos Fulas, resultando na subjugação dos dialonquês e seu retorno ao Islã em 1778. As jiades contribuíram para a formação do estado Solima dialonquê na Guiné e na fronteira nordeste da Serra Leoa no século XIX. No entanto, durante a desolação dos dialonquês, Almami Samori Touré colaborou com aliados fulas, franceses e tuculores contra os dialonquês, lançando ataques frequentes contra eles. História da língua miniaturadaimagem|236x236px|Bíblia escrita na ortografia dialonquê A África é um continente de rica diversidade linguística, que não apenas define e distingue os diversos grupos étnicos, mas também reflete suas culturas distintas. A relação entre cultura e língua é profunda, já que muitos aspectos culturais dependem da língua para serem expressos especificamente. Historicamente, o multilinguismo nunca foi um obstáculo para os africanos até a chegada dos europeus, cujo objetivo era colonizar, explorar e importar suas ideologias sobre o povo africano. Com a colonização, as línguas africanas foram desmerecidas como "dialetos" pelos colonizadores, que consideravam os africanos como culturalmente inferiores e necessitados de "civilização". Muitas línguas africanas continuam sendo pouco conhecidas, algumas delas não possuem sistemas de escrita padronizados, sendo predominantemente utilizadas na oralidade.

A língua mais comum no Futa Jalom é o fula, uma língua Níger-Congo do ramo atlântico, e tem um status importante na Guiné, falada por cerca de 40% da população. A maioria dos falantes está no Futa Jalom. Durante o reinado de Sékou Touré, o Fula foi usado nas escolas primárias. Os falantes de jalonke são bilíngues em Fula, mas o oposto não é verdadeiro. A influência do casamento interétnico nas atitudes linguísticas é evidente, com jalonke sendo menos transmitido aos filhos em casamentos mistos, especialmente se a mãe for Fula. jalonke está perdendo espaço na esfera pública, com Fula sendo preferido em situações onde há falantes dessa língua.

Fonologia O modelo generativo de fonologia é aplicado à língua dialonquê para explicar seu sistema de sons. Essa abordagem pressupõe que cada enunciado em dialonquê tem uma forma básica subjacente, que passa por uma série de regras ou transformações para se ajustar à realidade fonética que o ouvinte percebe. A forma subjacente é inferida dos dados fonéticos para descrever de maneira precisa o sistema de som da língua.

Esses estudos são úteis para alunos de idiomas, pois ajudam a identificar os padrões sonoros naturais da língua estudada, melhorando assim a pronúncia. Também são úteis para projetos de tradução, auxiliando na criação de um sistema de escrita adequado para a língua e fornecendo evidências de sua suficiência para descrever o idioma.

A fonologia da língua dialonquê é caracterizada por um conjunto de sons consonantais e vocálicos que formam a base do sistema fonológico da língua. Abaixo está uma descrição geral dos sons encontrados na língua dialonquê.:

Consoantes: A língua dialonquê possui um conjunto relativamente rico de consoantes, incluindo sons bilabiais, labiodentais, dentais, alveolares, pós-alveolares, palatais, velares, uvulares e glotais Exemplos de consoantes incluem /p/, /b/, /t/, /d/, /k/, /g/, /s/, /h/, /m/, /n/, /ɲ/, /ŋ/, entre outros. +Quadro consonantal da língua dialonquêbilabiallabiodentallabiovelaralveolarpalatalvelaruvularglotaloclusiva nasalTepefricativaaproximanteaproximante lateral

Distribuição dos fonemas consonantais A oclusiva /p/ e a fricativa /h/ são pouco comuns, principalmente em ideofones e empréstimos. A posição exata de articulação para a faixa entre dentária e pós-alveolar ainda não foi estabelecida. O retalho alveolar /ɾ/ é raro inicialmente, exceto em casos específicos, enquanto o aproximante /j/ é pouco atestado. A fricativa uvular /x/ é predominantemente percebida como surda, com variação na sonorização intervocálica. As consoantes nasais são distintas em quatro locais de articulação, mas apenas ocorrem no início de palavras e intervocalicamente. Apenas /ŋ/ ocorre.

O fonema /h/ é pouco comum, encontrado principalmente em termos religiosos que podem ser emprestados de idiomas como árabe, pular ou malinke. Além disso, o fonema /p/ também é observado principalmente em palavras emprestadas ou partículas enfáticas no final de frases, possivelmente provenientes do pular. Vogais: A língua dialonquê faz uso de um sistema de sete vogais relativamente simples, composto por vogais anteriores, centrais e posteriores, tanto em sons curtos quanto longos, portanto palavras de conteúdo monossilábicas sempre têm uma vogal longa. +Quadro vocálico da língua dialonquêanterior não arredondadoposterior arredondadoabertasemiabertasemifechadafechada

Comprimento das vogais e nasalização A língua dialonquê apresenta distinção no comprimento das vogais, onde palavras monossilábicas sempre têm uma vogal longa, similar a dialonké. Existe uma restrição fonotática que se assemelha à harmonia vocálica em certo grau, mas apenas dentro das raízes monomorfêmicas. A nasalização ocorre por coarticulação em sequências VN, não havendo conjunto de vogais nasalizadas como em dialonké.

O comprimento da vogal é essencial, pois afeta a nasalização em dialonquê, especialmente em raízes nominais de uma sílaba. Embora audível, sua variação fonética e a presença de diferenças tonais dificultam a demonstração de um contraste claro. No entanto, é marcado na ortografia para distinguir entre raízes verbais e substantivos, facilitando a distinção em pares mínimos contrastantes. Isso é crucial para a clareza na escrita, especialmente em línguas como jalunga, dialonquê e susu, onde o tom não é indicado na ortografia.

Exclusão de vogal final: Uma vogal no final de uma palavra precedida por uma vogal nasal e seguido por uma palavra que começa com consoante é excluída. Exceto

1) se a sílaba anterior for nasalizado ou inclui uma vogal longa

2) se a consoante seguinte for nasal silábica.

Tons: O jalonke não demonstra ser uma língua muito tonal, o que é atípico para uma língua Mande, especialmente considerando suas variedades relacionadas, soso e dialonké, que distinguem dois níveis tonais de registro. Experimentos de compreensão mostram que não há uma distinção tonal lexical, corroborando a ausência de tom em jalonke, mesmo para cognatos de línguas próximas. As evidências sugerem que mudanças internas e influências externas, como o bilinguismo e a exposição ao fula, podem ter levado à perda do tom em jalonke. Apesar dos contrastes de tom serem raros, são reconhecidos dois tons distintos: um tom alto e um tom baixo. EXː /tàli-na/ [tànla] (n.escorpião) /táli-na/ [tânla] (n.passarela) Tom alto sobre pronomes com posse alienável, ou seja, coisas que não são inerentemente possuídas, como parentes próximos e partes do corpo. Esse tom é a forma como a língua dialonquê diferencia entre posse e algumas outras estruturas.