Jonas José Marques (Vassouras, 9 de junho de 1928 - Vila Velha, 22 de janeiro de 1979) foi cofundador da Igreja Cristã Maranata, tendo, até os dias atuais, grande proeminência e lugar de destaque na instituição, considerado pelos líderes como profeta.

Na tradição da denominação, é frequentemente lembrado como uma das principais figuras espirituais de seus primeiros anos, sendo considerado por muitos de seus líderes e membros como portador de dons proféticos, de tal modo que sua história está estritamente ligada à história da ICM.

Foi responsável, inclusive, pelo nome da instituição que ajudou a fundar e pela denominação dos locais em que os membros receberiam instruções doutrinárias.

Segundo relatos preservados na memória institucional da igreja, a partir de uma revelação divina, o pastor Jonas disse que o nome da outrora Igreja Cristã Presbiteriana dever-se-ia passar a ser Igreja Cristã Maranata Maanaim. Com auxílio de Gedelti Gueiros, ficou se estabelecido que a Igreja seria denominada “Maranata”, enquanto “Maanaim” passaria a designar os centros de retiros espirituais e ensino doutrinário da denominação.

Biografia Jonas nascera aos 9 de junho de 1928, no município fluminense de Vassouras, sendo filho do Sr. José Marques e da Sra. Paulina Marques. miniaturadaimagem|Casamento de Jonas e Irone Sua formação religiosa ocorreu no contexto do protestantismo evangélico brasileiro da primeira metade do século XX, período marcado pela atuação missionária estrangeira e pela expansão das igrejas congregacionais e presbiterianas no país.

Formou-se teólogo no Seminário Teológico Congregacional do Rio de Janeiro — unidade de Pedra de Guaratiba —, no Estado do Rio de Janeiro, tendo por professor Edward Hemming Dodd, que viria a ser o segundo presidente da Igreja Cristã Maranata.

Membro da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (Igreja Congregacional), foi ordenado pastor em 27 de março de 1954. Quase dois anos depois, em 14 de janeiro de 1956, casou-se com Irone de Amorim, com quem veio a ter três filhas: Marta Lilian, Mirian Raquel e Maria Ester.

Nos primeiros anos de seu ministério, exerceu atividades pastorais e evangelísticas em igrejas congregacionais, destacando-se especialmente por sua atuação na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Renovação carismática Foi pastor da Igreja Congregacional de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Nesse período, segundo relatos posteriores de seus seguidores, Jonas teria vivenciado a chamada “segunda bênção”, isto é, o que os pentecostais identificam como o "batismo com o Espírito Santo", frequentemente associado à manifestação de dons espirituais como a glossolalia.

Essa experiência foi considerada determinante em seu ministério, pois ele a interpretava como resposta às suas orações por um avivamento espiritual. Contudo, tal orientação teológica entrou em tensão com setores da Igreja Congregacional, que não compartilhavam da mesma compreensão acerca das manifestações carismáticas.

A partir desse momento, Jonas passou a dedicar-se à evangelização e à divulgação de sua mensagem em diferentes comunidades evangélicas. Foi nesse contexto que se aproximou da família Gueiros, influente liderança presbiteriana em Vila Velha, no Espírito Santo, provocando posterior cisão na Igreja Presbiteriana do Brasil, contribuindo com o surgimento da Igreja Cristã Maranata.

Profeta da Igreja Cristã Maranata Fundação da Igreja Cristã Maranata

Na década de 1960, conflitos internos na Primeira Igreja Presbiteriana do Brasil em Vila Velha — relacionados à introdução de práticas carismáticas e à liderança local — culminaram em uma cisão e na formação de um novo movimento religioso.

Tendo o irmão de Gedelti Gueiros, reverendo Jedaías Victalino Teixeira Gueiros, perdido a eleição para pastor titular da Primeira Igreja Presbiteriana do Brasil em Vila Velha para o reverendo Sebastião Bittencourt, os Gueiros focaram seus esforços num ponto de pregação na cidade de Vila Velha, a chamada Congregação Presbiteriana da Cruz do Campo (ou Congregação "da Toca").

Na Semana Santa de 1967, o Rev. Sebastião fora impedido de pregar naquela Congregação pelo presbítero regente Alcary Simões e por Itamar Médice, a fim de que Jonas pregasse. O reverendo Sebastião foi impedido por três sábados naquela oportunidade.

Conforme relato de Joel Ribeiro Brinco, testemunhado pelo Sr. Valentim Pinto da Vitória, o Sr. Teodolino Vieira disse ao Rev. Sebastião que "a doutrina pregada na Congregação de Cruz do Campo era a 'busca do batismo com o Espírito Santo e os dons espirituais, de acordo com o Movimento de Renovação Carismática' e que a liderança da Congregação convidava pregador e à revelia do Conselho da Igreja. Ao final, chamou o Pastor de 'Editor de Bula Papal' e responsável por todos os problemas da Igreja Presbiteriana de Vila Velha, por ter vetado uma série de pregações de Jonas Marques na sede da Igreja".

A partir desse episódio, Jonas passou a exercer crescente influência sobre o grupo dissidente, cuja espiritualidade enfatizava manifestações carismáticas, experiências de revelações extraordinárias, vivência mística e expectativas escatológicas.

Em janeiro de 1968, o então presbítero Manoel dos Passos Barros — que posteriormente se tornaria o primeiro presidente da nova denominação — elaborou a ata de fundação da igreja, subscrita por setenta adultos e onze menores oriundos da Primeira Igreja Presbiteriana do Brasil em Vila Velha (PIPBVV).

Atuação em Portugal

Durante a década de 1970, Jonas Marques também participou das primeiras iniciativas de expansão internacional da Igreja Cristã Maranata.

Registros da tradição denominacional indicam que o pastor realizou visitas a Portugal, acompanhado do Dr. Alexandre Gueiros — posteriormente quarto presidente da Igreja Cristã Maranata, primo de Gedelti Gueiros (terceiro presidente) e genro de Edward Hemming Dodd (segundo presidente) —, ocasião em que passaram a ocorrer reuniões com pequenos grupos interessados na mensagem e nas práticas espirituais associadas ao "movimento maranata".

Segundo relatos da própria denominação, algumas dessas reuniões iniciais teriam ocorrido na residência do próprio Alexandre Gueiros, reunindo pessoas que posteriormente contribuiriam para a organização das primeiras comunidades da Igreja Cristã Maranata naquele país.

Essa atuação é frequentemente lembrada pela instituição como parte de seus primeiros esforços missionários no exterior.

Com o passar das décadas, contudo, o movimento viria a conhecer também processos internos de reorganização e ramificação institucional em território português, dos quais resultaram diferentes grupos e denominações oriundos da mesma matriz religiosa, entre eles a Igreja Cristã Maranata (ICM), a Igreja Evangélica Maranata (IEM) e a Igreja Cristã Reformada Avivalista de Portugal (ICR Portugal).

Revelação divina acerca da nomenclatura da denominação Entre os anos de 1978 e 1979, Nesse período, segundo relatos da liderança da igreja, teria recebido uma revelação quanto ao nome da instituição religiosa que ajudara a fundar, oriunda da Primeira Igreja Presbiteriana do Brasil em Vila Velha.

Conforme depoimento de Amadeu Loureiro Lopes, membro da liderança maranática, Jonas procurou Gedelti Gueiros e declarou: “O Senhor me revelou que nós temos que mudar o nome da igreja. O Senhor revelou que o nome da igreja vai ser 'Igreja Maranata Maanaim'".

Ainda segundo o relato, Gedelti teria sugerido organizar a nomenclatura da seguinte forma: “Jonas, vamos colocar em ordem. Maranata é o templo. Os templos serão chamados de Maranata e os Maanains, serão o lugar do retiro espiritual, o lugar para a doutrina".

A partir dessa decisão, consolidou-se a distinção terminológica entre os templos da igreja — chamados “Maranata” — e os centros de ensino e retiros espirituais, denominados “Maanaim”.

Composição musical Segundo a tradição da Igreja Cristã Maranata, Jonas Marques teria vivenciado, pouco antes de sua morte, uma experiência espiritual descrita como um “arrebatamento”, durante a qual teria conversado com um ser celeste e recebido a revelação de que lhe restaria aproximadamente um ano de vida. Após essa experiência, teria composto o hino “Aquilo que fui não sou mais”, posteriormente incorporado às coletâneas de hinos da denominação, na contracapa, em posição destacada:

A composição expressa temas recorrentes da espiritualidade evangélica, como a conversão, a vida transformada pela graça e a esperança escatológica na volta de Cristo, elementos centrais da pregação e da identidade espiritual do movimento religioso maranata.

Morte Jonas falecera aos 22 de janeiro de 1979, aos 50 anos, tendo deixado sua esposa, Irone Amorim, e três filhas.

Na tradição da Igreja Cristã Maranata, seus ensinos, experiências espirituais e registros proféticos são considerados parte importante da formação doutrinária da denominação.

Por essa razão, é frequentemente lembrado por seus seguidores como profeta fundador da Igreja Cristã Maranata, cuja atuação espiritual teria influenciado decisivamente os acontecimentos que marcaram os primeiros anos da instituição.

Homenagens Omunicípio de Vila Velha, no Estado do Espírito Santo — onde se localiza a sede da Igreja Cristã Maranata — alterou a denominação da antiga Rua América do Sul para Rua Pastor Jonas Marques (CEP 29100-280), em homenagem à sua memória e à sua contribuição para a história da denominação.

A via tem início na Rua Henrique Moscoso e estende-se até a Rua Professor Telmo de Souza Torres.

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