A eleição municipal da cidade brasileira de São Paulo foi realizada em dois turnos. O primeiro ocorreu no dia 6 de outubro de 2024 e o segundo aconteceu no dia 27 de outubro, com o objetivo de eleger um prefeito, um vice-prefeito e 55 vereadores para a administração da cidade paulista. O prefeito titular, Ricardo Nunes, que era vice-prefeito eleito em 2020, assumiu o cargo depois do falecimento do então titular Bruno Covas, do PSDB, em 16 de maio de 2021. Nunes foi reeleito em segundo turno com 59,35% dos votos, vencendo o candidato Guilherme Boulos, que obteve 40,65% dos votos.

Calendário eleitoral

Antecedentes Como possível adversário central de Guilherme Boulos, que liderava todos os cenários previstos para um possível segundo turno, esteve o incumbente no cargo Ricardo Nunes, o qual aparecia em segundo lugar em várias pesquisas e testes pré-eleitorais. O prefeito titular, afiliado ao MDB, era vice-prefeito eleito em 2020, que assumira o comando do Palácio Banespa após o falecimento do então titular Bruno Covas (PSDB), em 16 de maio de 2021, por complicações decorrentes de um câncer. Já o deputado federal Guilherme Boulos, esteve presente no segundo turno das eleições anteriores e não venceu a disputa com Bruno Covas, foi candidato à presidência da República em 2018 e o deputado federal mais votado no estado na sua atual legislatura.

Adversários Além de Boulos e Nunes, foram apresentadas as pré-candidaturas do jornalista José Luiz Datena (Federação PSDB-Cidadania), da deputada federal e ativista Tabata Amaral (PSB) e da economista Marina Helena (NOVO).

O deputado federal Guilherme Boulos tem o apoio oficial do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, notificado em 2024 e, por conseguinte, da FE Brasil, liderada pelo PT.

miniaturadaimagem|Marta, Lula e Boulos em junho de 2024.

No entanto, essa aliança encontrou resistência e oposição por parte de setores do partido no estado, liderados pelo deputado federal Jilmar Tatto. Isso se deve ao voto contrário da Federação PSOL REDE ao chamado "Arcabouço Fiscal" na Câmara dos Deputados, o que poderia causar atrito com os partidos do Centrão, em especial, o MDB e PSD. A presidenta nacional do PSOL, garantiu à imprensa que a legenda irá priorizar a candidatura de Boulos, bem como a de Edmilson Rodrigues, prefeito da capital Belém, no estado do Pará.

Em 5 de agosto de 2023, no Congresso Municipal realizado no Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de São Paulo (SinSaúdeSP), o PT oficializou seu apoio à candidatura de Boulos, e pela primeira vez, o partido não terá um candidato próprio na corrida eleitoral à Prefeitura de São Paulo, indicando meses mais tarde ao cargo de vice de Boulos, a psicóloga, ex-Senadora da República, ex-prefeita e ex-secretária do gabinete de Nunes, Marta Suplicy, que fez sua refiliação ao partido no início do ano seguinte.

thumb|upright|Marta discursando ao lado de Lula durante o segundo turno da eleição presidencial de 2006

Dessa atuação do pró-lulismo e de toda a cúpula do partido, o presidente do PT em São Paulo, Laércio Ribeiro, confirmou que a resistência antes dita pelo deputado Tatto, ela "arrefeceu-se". Para o próprio dirigente, disse que agora o partido precisa manter a frente ampla e firme nas pesquisas e que Boulos deve ter mais "maturidade" para ceder seu espaço nas eleições municipais de 2024. O deputado psolista teve como objetivo ter o partido Avante na sua coligação, mas foi rejeitada, numa decisão que desagradou André Janones, integrante da base governista do Governo Lula, que ainda se declara favorável o apoio do partido ao deputado Boulos. Dessa forma, o Avante com o Agir, irão apoiar a reeleição de Nunes, fazendo do candidato emedebista incumbente ter o maior número de partidos na aliança nessa eleição, ou seja, onze partidos.

Por assim, o deputado psolista Guilherme Boulos conta atualmente com o apoio de Luiza Erundina, Jilmar Tatto (PT), Marina Silva, Marina Helou (REDE), Suêd Haidar (PMB) e Orlando Silva (PCdoB). O Partido dos Trabalhadores, PDT e a Rede Sustentabilidade oficializaram apoio à candidatura de Boulos e formalizaram a Frente Democrática por São Paulo. Políticos como os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, Fernando Haddad, ex-prefeito da cidade, Eduardo Suplicy, vereador mais votado na eleição de 2016, Flávio Dino, governador do estado do Maranhão, Sofia Manzano, Edmilson Costa, Marina Silva e Ciro Gomes, candidatos a presidente da república em 2018, também declararam apoio a chapa do PSOL e tem a ex-prefeita Marta Suplicy como candidata a vice na sua chapa. Boulos também recebe atualmente o apoio de uma série de artistas como Caetano Veloso.

O ex-candidato presidenciável de 2022, Padre Kelmon havia lançado sua pré-candidatura pelo PRTB, porém, a cúpula do partido decidiu substituir ele pelo empresário e influenciador digital Pablo Marçal. Kelmon também tentou, sem sucesso, viabilizar sua pré-candidatura pelo DC, mas retirou-se do certame, declarando apoio ao empresário e ex-MDB, Fernando Fantauzzi, efetivado como representante da legenda na corrida municipal, até também ser dispensado pela legenda em favor de Bebetto Haddad, candidato pelo DC. Até março de 2024, mais duas pré-candidaturas foram lançadas: a do ex-Ministro da Educação do Brasil, Abraham Weintraub (PMB) e do ex-Presidente do Sindicato dos Metroviários da cidade de São Paulo, Altino Prazeres (PSTU).

O incumbente Ricardo Nunes, por sua vez, conta atualmente com o apoio de parte do União Brasil e de todo o PSD, Podemos, Republicanos, PP e Solidariedade. Ele também concretizou um acordo oficial com o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tinha como potenciais pré-candidatos: o deputado federal e ex-ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, e o também deputado federal e filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, na qual ambos declinaram posteriormente. O partido ainda negociou a indicação de uma candidatura a vice, mas enfrentou a concorrência do jornalista, ex-deputado federal e ex-Ministro de Estado da Defesa do Brasil, Aldo Rebelo (ex-PCdoB), que era cotado como o possível companheiro na chapa de Nunes. Todavia, ele desistiu desse cenário na chapa em 5 de junho de 2024, para continuar no secretariado de Nunes e ajudar na campanha do mesmo. Então a coligação decidiu, junto com o Governador do Estado, Tarcísio de Freitas, indicar o coronel Mello Araújo para pré-candidato a vice na chapa de Ricardo Nunes, o que desagradou o senador da República Alexandre Giordano (MDB), que, mais tarde, declarou seu apoio à pré-candidatura de Guilherme Boulos.

No UNIÃO, a aliança com Nunes também enfrenta resistência de parte dos dirigentes do partido, que acenou recentemente eventual apoio à coligação de Boulos. De outro lado, uma ala ligada ao Movimento Brasil Livre também já indicou o deputado Kim Kataguiri como pré-candidato ao cargo após a realização de prévias e pleiteava que a legenda saísse com candidatura própria. O MBL estava em fase de construção, iniciou a construção de uma legenda própria, o Partido Missao, que foi concluido apenas em 2025, ou seja, nas eleições de 2024, Kim Kataguiri ainda estava filiado ao União Brasil. No dia 18 de julho de 2024, Ricardo Nunes teve uma reunião em particular com o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite, afiliado no União, para confirmar que o partido em todo possa apoiá-lo na sua reeleição; uma decisão em que tirou o deputado Kataguiri da corrida eleitoral. Em 02 de agosto, Kataguiri desistiu oficialmente da disputa, alegando ter sido sabotado pelo seu partido.

Em mais outra ala de minoria no partido, defendia o apoio a pré-candidatura de Pablo Marçal, bem como também ocorreu no PL. Essa proposta teria sido motivada por um descontentamento das cúpulas de eleitores destas respectivas legendas com o atual prefeito Nunes. Outro fator motivador foi o bom desempenho de Marçal nas pesquisas eleitorais, publicada em 28 de maio — o pré-candidato do PRTB aparece na terceira posição, com 10,8% das intenções de voto, atrás de Nunes (segundo colocado, com 20,5%) e Boulos liderando na primeira posição, com 37,2%.

Havia uma possibilidade do União Brasil ingressar à coligação do deputado psolista. No entanto, o endosso precisava ser referendado pela direção do partido. O partido faz parte da base de apoio à reeleição de Ricardo Nunes (MDB), mas discutia, com o partido Avante, um possível endosso direto a Boulos ou ao empresário e coach, Pablo Marçal (PRTB). Em consenso, o União Brasil decidiu permanecer o seu apoio à candidatura de Ricardo Nunes.

Em 29 de dezembro de 2023, Boulos confirmou que o PDT de São Paulo iria apoiá-lo e formar coalizão para a corrida à prefeitura. A data escolhida pela legenda para oficializar a aliança foi simbólica: foi no dia 8 de janeiro, também o dia que marcou o primeiro ano dos ataques extremistas em Brasília. O ato de oficialização e apoio ao pré-candidato em 2024 teve, portanto, um tom de reafirmação da polarização política, tanto na cidade, quanto na Grande São Paulo. Tal repercussão nessa corrida eleitoral em São Paulo que é imensa, mostra um dos noticiários em que o aliado do União Brasil, Chiquinho Brazão, maior acusado de mandar assassinar a vereadora carioca Marielle Franco, divulgou à imprensa que utilizou um vídeo contrário ao deputado Boulos para tentar escapar da cassação do seu mandato e filiação ao partido.

Quem também oficializou apoio formal á Guilherme Boulos foi a Rede Sustentabilidade, através da carta pública anunciada em um ato político, ocasião na qual a ministra do Meio Ambiente Marina Silva ressaltou o retorno da esquerda ao executivo municipal paulistano, finalizando em destaque como cenário "imprescindível". De acordo com uma pesquisa recente ao veículo de imprensa Valor Econômico, Boulos é considerado candidato migrante a uma esquerda mais moderada. Por assim, o deputado conta atualmente com o apoio de mais sete partidos: Rede Sustentabilidade (que forma federação com o PSOL), Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), PDT, PCB e PMB.

Disputa interna no PSDB: Perda de vereadores, veto a Nunes e pré-candidatura de Datena O PDT havia lançado antes uma pré-candidatura do jornalista José Luiz Datena. Houve, também, uma série de especulações quanto a uma composição de Datena com Guilherme Boulos na sua chapa, mas tal projeto não foi adiante.

O apresentador da Rede Bandeirantes também foi cotado para uma possível aliança com a deputada Tabata Amaral, na qual comporia uma chapa na condição de candidato a vice-prefeito, representando a Federação PSDB Cidadania. Porém, no dia 15 de maio de 2024, Datena afirmou que abandonou a proposta de ser companheiro de chapa de Amaral, e confirmou com a ala do PSDB paulistano sua pré-candidatura. Essa informação foi reiterada pelo próprio jornalista cerca de 1 mês mais tarde, durante o lançamento da sua pré-candidatura pelo partido. O consultor político da pré-candidatuta de Amaral, Pablo Nobel, deixou o cargo em meados de abril do ano eleitoral. E agora, em uma cúpula do tucanato, pleiteia a deputada Amaral para ser a vice de José Luiz Datena. Esse movimento ganhou força após o jornalista aparecer numericamente em terceiro lugar nas pesquisas recentes de intenção de voto nessa eleição.

Ainda a despeito da Federação PSDB-Cidadania, após um escândalo vindo da eleição direta para a liderança dos tucanos no estado de São Paulo, o deputado estadual Marco Vinholi concordou com o ex-senador José Anibal que tanto o partido quanto a federação não irão apoiar a reeleição de Ricardo Nunes. A aproximação do incumbente emedebista com o ex-Presidente da República, Jair Bolsonaro, foi uma das justificativas e, com isso, o partido iria indicar o vice na chapa.