Pablo Henrique Costa Marçal (Goiânia, 18 de abril de 1987) é um empresário, influenciador digital e político brasileiro filiado ao Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB). Tornou-se conhecido por vender cursos de desenvolvimento pessoal nas redes sociais, quando se apresentava como "coach", e por sua trajetória política posterior.
Em 2010, foi condenado a quatro anos e cinco meses de prisão por envolvimento com uma quadrilha que desviava dinheiro de contas bancárias de idosos; entretanto, a pena foi prescrita antes do trânsito em julgado. Em 2022, protagonizou uma expedição ao Pico dos Marins, situado na Serra da Mantiqueira, que demandou intervenção do corpo de bombeiros devido à exposição de 32 pessoas a riscos de vida, fato que teve intensa repercussão midiática.
Nas eleições de 2022, foi pré-candidato à presidência da República pelo Partido Republicano da Ordem Social (PROS), mas sua candidatura não foi homologada em razão de divergências internas no partido, que decidiu apoiar Luiz Inácio Lula da Silva. À revelia do partido, Marçal apoiou o candidato à reeleição, Jair Bolsonaro. Também nas eleições gerais de 2022, candidatou-se a deputado federal por São Paulo e obteve 243 mil votos, sendo inicialmente declarado eleito; porém, após questionamento judicial da candidatura, foi considerado não eleito pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Nas eleições municipais de 2024, candidatou-se à prefeitura de São Paulo pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB). Destacou-se pela postura beligerante e pela campanha agressiva através das redes sociais, incluindo acusações não comprovadas contra seus concorrentes. Durante um debate na TV Cultura, foi agredido com uma cadeira por José Luiz Datena após acusá-lo de ser estuprador e fazer uma série de provocações. No dia 4 de outubro de 2024, às vésperas do primeiro turno da eleição, divulgou um laudo falso acusando Guilherme Boulos de ter sido internado por uso de cocaína. A circulação desse documento foi prontamente suspensa pela Justiça Eleitoral e gerou uma condenação por danos morais em 2026. Apesar da expressiva votação, foi derrotado por Nunes e Boulos no primeiro turno. Em 2025, foi condenado em primeira e segunda instâncias pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, por oferecer prêmios em dinheiro e brindes a quem fizesse o recorte de seus conteúdos e conseguisse o maior alcance nas redes sociais, ficando inelegível até 2032. Ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral.
Carreira
Condenação por furto qualificado Em 2010, Pablo Marçal foi condenado em primeira instância a quatro anos e cinco meses de reclusão por envolvimento em uma quadrilha que desviou dinheiro de contas bancárias em 2005, quando tinha 18 anos de idade, tendo sido preso temporariamente também em 2005, durante a investigação.
O grupo criava sites falsos de instituições financeiras e enviava e-mails fraudulentos para roubar informações das vítimas com programas conhecidos como cavalos de Troia. Segundo a investigação, Marçal capturava e-mails de vítimas para um dos líderes, o pastor Danilo de Oliveira, e consertava computadores dos criminosos. Marçal admitiu ter colaborado com o grupo, mas afirmou desconhecer os atos ilícitos, apesar da existência de áudios, obtidos por meio de grampos telefônicos da Polícia Federal, em que Marçal confirmou a um dos chefes da quadrilha que estava capturando os e-mails para os golpistas. Sua pena foi extinta em 2018 por prescrição retroativa.
Expedição ao Pico dos Marins Em 5 de janeiro de 2022, Marçal conduziu 32 pessoas numa escalada ao Pico dos Marins, na Serra da Mantiqueira, em um contexto meteorológico adverso, sem os equipamentos adequados. Devido à chuva, o Corpo de Bombeiros precisou organizar uma operação de resgate ao grupo, com nove horas de duração. Marçal alegou, em sua defesa, que o Corpo de Bombeiros foi acionado por precaução, o que foi contestado por profissionais da corporação. A atitude do empresário foi duramente criticada por autoridades, pela imprensa brasileira e pelo bombeiro Pedro Aihara, que chamou Marçal de "fanfarrão", e que "ele foi totalmente irresponsável". A fim de mostrar os riscos a que a multidão foi exposta, o programa Fantástico levou um grupo de profissionais a uma trilha no Pico dos Marins.
Em consequência dessa atitude, Marçal foi proibido, por medida cautelar, de "realizar qualquer atividade externa, precipuamente na natureza (seja em montanhas, picos, rios, lagos, mares, ou em locais correlatos), por si ou por interposta pessoa, sem prévia e expressa autorização da Polícia Militar". Um inquérito foi aberto pela Polícia Civil por tentativa de homicídio supostamente praticada por Marçal, apesar de tentativas malsucedidas dos oficiais de justiça de intimar o empresário. Entretanto, no parecer do delegado responsável, Marçal não foi apontado como culpado pelo ocorrido e não foi indiciado, sob a justificativa de que os envolvidos agiram por conta própria. O Ministério Público questionou o resultado desse inquérito e a legitimidade do depoimento de algumas testemunhas, que trabalham na empresa de Marçal.
Em maio de 2025, Marçal virou réu em processo sobre o caso.
Curandeirismo Em dezembro de 2021, em Goiânia, Pablo Marçal chegou a tentar curar uma senhora cadeirante diagnosticada com tetraplegia, mas não obteve sucesso em sua tentativa. Em agosto de 2024, durante uma entrevista concedida ao Flow Podcast, Marçal afirmou ter tentado ressuscitar duas pessoas falecidas durante velório. Ele descreveu-se como um "fracassado" por ter realizado orações com o propósito de restituir a vida aos mortos, sem, contudo, obter êxito, ou seja, sem conseguir que os falecidos voltassem à vida.
Condições de trabalho de funcionários Pablo Marçal é proprietário da empresa Plataforma Internacional, que é investigada por desrespeitar as normas sanitárias durante a pandemia de COVID-19, como obrigatoriedade de uso de máscaras e isolamento social.
Bruno da Silva Teixeira, 26 anos, era funcionário da XGrow, parte da Plataforma Internacional, e morreu, após sofrer parada cardíaca, durante um desafio organizado pela empresa. O óbito ocorreu no 15.º quilômetro do percurso, que totalizaria 42 quilômetros, o dobro do proposto inicialmente. A maratona ocorreu poucos dias após Marçal vangloriar-se de ter percorrido 42 quilômetros. O caso está sob investigação da Polícia Civil. Após o caso, funcionários denunciaram que havia pressão dentro da empresa para que fizessem atividades físicas, sob o risco de demissão, e sem solicitação de exames médicos.
Notícias falsas Em janeiro de 2024, Marçal se tornou um meme e foi criticado por sua fala em uma palestra, onde diz que teria identificado uma pane em um helicóptero antes do piloto e então o teria acalmado. Vários usuários acusaram a história de mentirosa, incluindo o especialista em aviação Lito Sousa.
No dia 8 de maio, a Advocacia-Geral da União (AGU) acionou Marçal na Justiça sobre notícias falsas espalhadas sobre a atuação dos militares nas enchentes no Rio Grande do Sul.
Em palestras e entrevistas, Marçal afirmou ter criado um banco chamado General Bank, e a suposta instituição cobraria o valor de 45 reais para abertura de contas no Asaas, uma fintech que não cobra taxas de inscrição. De acordo com o portal Metrópoles, Marçal fez o registro de marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, mas não há registro no Banco Central.
Camizungo Em 2019, em conjunto com o pastor Itamar de Almeida Vieira, promoveu o projeto "Comunidade Sustentável de Camizungo", arrecadando dinheiro pela internet com a alegada finalidade de construir 300 casas no povoado de Camizungo, em Angola. Entretanto, apenas 1,5 milhão dos 4,5 milhões de reais auferidos foram de fato investidos. Marçal explorou politicamente esse projeto, afirmando em debates que tinha experiência para "desfavelizar" o município de São Paulo, entretanto, apenas 30 casas foram construídas.
Política Eleições de 2022
miniatura|Foto de Pablo Marçal registrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições presidenciais no Brasil em 2022
Nas eleições presidenciais de 2022, o PROS anunciou a candidatura de Pablo Marçal à presidência da República, após convenção realizada em 31 de julho de 2022, sob a direção de Marcus Holanda. Seria a primeira candidatura independente do partido, porém, Eurípedes Júnior, que fora recém-empossado presidente do PROS, apresentou nova convenção partidária, que cancelou a candidatura de Marçal e endossou a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva.
Em conversa divulgada pela Folha, Holanda dizia esperar 200 milhões de reais de Marçal, auferidos de vaquinha entre seus seguidores nas redes sociais. A candidatura chegou a receber 485 mil reais em doação de pessoas físicas. Marçal recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral, com posicionamento favorável da Procuradoria-Geral Eleitoral, sob o argumento de que a nova convenção desrespeitou o prazo determinado na legislação. Todavia, o Poder Legislativo indeferiu o recurso e manteve o cancelamento da candidatura, reconhecendo a legitimidade da decisão de Eurípedes Júnior. À revelia do partido, Marçal declarou apoio à reeleição de Jair Bolsonaro. Em junho de 2023, o empresário afirmou ser vítima de perseguições porque "sabem que uma hora vou ser presidente do Brasil".
Enquanto buscava invalidar judicialmente a decisão do partido, Marçal solicitou ao TSE que fosse permitida sua participação no primeiro debate presidencial, organizado pela Band em 28 de agosto de 2022, mas a ministra Maria Claudia Bucchianeri indeferiu o pedido. Em resposta, o ex-presidenciável organizou um protesto em frente à emissora. Apesar da candidatura à presidência sequer ter sido registrada, houve repercussão por veículos de imprensa como a Veja e o português Diário de Notícias, que destacavam o fato de Marçal ter exposto pessoas a risco de vida no Pico dos Marins.
A despeito do cancelamento da candidatura à presidência, Pablo Marçal candidatou-se a deputado federal por São Paulo. A candidatura ocorreu sub judice, pois seu registro fora indeferido pelo TRE-SP ao fim de setembro de 2022. Ainda assim, o empresário foi um dos vinte candidatos mais votados, com 243 mil votos. Em 6 de outubro, uma decisão do TRE-SP aprovou o registro da candidatura e, após retotalização dos votos, Marçal passou, temporariamente, à condição de eleito. Apesar disso, a candidatura foi indeferida pelo Tribunal Superior Eleitoral, e a vaga de Marçal passou a Paulo Teixeira, do PT.
Crimes eleitorais miniatura|upright|Pablo Marçal durante entrevista ao canal TV Brasil Central em 5 de agosto de 2022
Em agosto de 2022, Marçal era recordista em autofinaciamento, tendo doado mais de 500 mil reais à sua própria campanha. Há indícios de que esses valores doados à campanha foram repassados posteriormente às empresas de Pablo Marçal, a fim de ocultar a origem do dinheiro. Alguns dos mandados não chegaram a ser cumpridos, pois apenas uma sala de jogos e uma editora se encontravam no endereço das sedes das empresas. Marçal queixou-se de perseguição política.
Em julho de 2023, no âmbito da Operação Ciclo Fechado, a Polícia Federal executou mandados de busca e apreensão contra Marçal e seus correligionários, para investigar possíveis crimes eleitorais da sua tentativa de candidatura à presidência do Brasil nas eleições de 2022. A operação teve início após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) relatar 42 operações suspeitas nas contas bancárias de Pablo Marçal, que levaram à suspeita de lavagem de dinheiro.