Ana Pereira Braga (Peixe, – Goiânia, ), conhecida simplesmente como Ana Braga, foi uma escritora, historiadora, pedagoga, socióloga, jornalista, advogada e ex-política brasileira. Enquanto esteve na política, serviu como vereadora na 1.ª legislatura da Câmara Municipal de Goiânia, entre 1947 e 1951, e deputada estadual por Goiás, no período de 1959 até 1963. Ana Braga serviu ainda como procuradora do Estado de Goiás e primeira-dama de Tocantinópolis e Porangatu, pois foi casada com o médico e político Trajano Machado Gontijo Filho. Foi uma das primeiras mulheres a ingressar na política goiana e era membro e cofundadora da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás. Ana Braga residia em Goiânia e se encontrava aposentada, até sua morte em 20 de junho de 2023.

Primeiros anos Ana Pereira Braga nasceu em Peixe, município pertencente ao estado de Goiás, e mais tarde ao estado de Tocantins, em 29 de novembro de 1923. Seus pais eram Edetina Nunes e Anísio Pereira Braga. Seu avô materno, Joaquim Nunes Pinheiro, era médico. Sua educação foi em múltiplos lugares com variados docentes, como Adelina Gonçalves, onde é Porangatu, Fanny de Oliveira Macedo, no município de Peixe, e de Ana de Oliveira, em Trindade, mas o local onde cursou seu ensino médio foi no Colégio Santa Clara.

Durante a época da formação acadêmica de Braga, Goiás passava por mudanças sociais e políticas, como a Revolução de 1930, a Marcha para o Oeste e o Estado Novo. Além disso, houve a construção da nova capital estadual, Goiânia, sob o governo de Pedro Ludovico Teixeira, que acabaria por se tornar amigo de Ana Braga. Ainda nesse período, Ana Braga se licenciaria em Filosofia pela Universidade Católica de Goiás, além de obter bacharelado em Geografia e História pela mesma faculdade. Ela foi nomeada, por Ludovico Teixeira, professora do Colégio Santa Clara em 1945.

Ela casou em 1951 com Luiz de Queiroz, seu primo, com quem teve 3 filhas. Porém, ficou viúva em 1954, quando Luiz faleceu num acidente na Rodovia Belém-Brasília. Ela casou novamente com Trajano Machado Gontijo, filho em 1960 e divorciou dele em 1979.

Carreira política

Primeira vereadora de Goiânia miniaturadaimagem|Teatro em que, Ana Braga auxiliou na construção, quando vereadora.|esquerda

Após o fim do Estado Novo, Ana Braga participou das eleições municipais de 1946 e venceu como vereadora de Goiânia na 1.ª legislatura da Câmara. Devido às desavenças pessoais com Pedro Ludovico, Ana Pereira filiou-se à União Democrática Nacional, fundando o Diretório Regional da UDN no estado e auxiliou a campanha de governança estadual do companheiro partidário, Coimbra Bueno, em especial no médio norte do Estado.

Ela acabou por vencer e tomar posse em fevereiro do ano seguinte. Em seu mandato, Ana Braga foi responsável por encaminhar projetos de lei como a construção do primeiro necrotério, do albergue municipal, a edificação do primeiro Terminal Rodoviário de Goiânia, auxiliou na construção do Teatro InAcabado e fez campanha ainda em defesa dos filhos de infectados por hanseníase. Como ocorreu a dissolução de todo o órgão do Legislativo no país em 1937, conta-se a partir da legislatura de 1947, no qual Ana Braga era a pessoa mais "ativa", fazendo-a assim a primeira vereadora de Goiânia, junto com outras duas colegas.

Comissão de Interiorização da Capital Federal Ana Braga, na condição de estudante de Direito, viajou até Porto Alegre para difundir a causa da mudança da capital, do Rio de Janeiro para o Planalto central. Ela fundou a Comissão de Interiorização da Capital Federal e aderiu ao Movimento Mudancista.

Deputada estadual por Goiás miniaturadaimagem|direita|Ana Braga Machado Gontijo como Deputada Estadual em 1960, no plenário da Assembleia Legislativa. Em 1958, Ana vence as eleições, com votos, para ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás em sua 4.ª legislatura, pelo Partido Social Democrático. No entanto, acompanhando José Ludovico de Almeida e outros dois deputados estaduais, filiou-se ao Partido Social Progressista, devido o desgaste da imagem do PSD. Nesse mandato, ela conheceu e casou com Trajano Gontijo, com qual teve 4 filhos, tendo sido inscrita na Justiça Eleitoral e eleita como Ana Braga Machado Gontijo. Quando o marido foi eleito prefeito de Tocantinópolis, ela se transferiu para o município, exercendo a função de primeira-dama e deputada estadual, até 1962, quando o marido e ela mudam-se para Porangatu, onde esse seria eleito prefeito em 1976.

Primeira-dama de Porangatu Em 31 de janeiro de 1977, Trajano Machado Gontijo Filho toma posse como prefeito de Porangatu, ao lado da esposa, Ana Braga. Ela teria participação na fundação do Campus da cidade e da reforma e instauração do Centro de Tradições de Porangatu, que anteriormente pertenceu ao primeiro prefeito eleito da cidade, Ângelo Rosa. Esses feitos realizaram-se em 1980, um ano depois de seu divórcio com o médico e prefeito. Ana Braga permaneceu na política filiada à Aliança Renovadora Nacional e mais tarde, ao Partido Democrático Social.

Outros cargos Ana Braga seria foi coordenadora-geral do Departamento de Administração da Secretaria de Economia da Fazenda de Goiás no governo de Iris Rezende e, anteriormente, consultora técnica da Companhia Agrícola do Estado de Goiás do governo de Ary Valadão, nomeada em 1984, além de Diretora do Departamento Estadual de Cultura de Goiânia, em 1973. Em 1989, na gestão de Henrique Santillo, foi a subsecretária da Cultura do Estado realizando a I Exposição de Artes e Folclore de Goiás e o I Festival Internacional de Arte de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Foi a Secretária de Serviços Sociais no governo Irapuan Costa Júnior, sendo responsável por criações de Centros de Serviços Urbanos, em especial em Porangatu.

Carreira jurídica Ana Pereira Braga foi aprovada em um concurso para juíza de direito e promotora de justiça na década de 1950. No entanto, ela nunca assumiu nenhum dos ofícios, pois precisava cuidar das filhas. No interlúdio de sua vereança e seu período como deputada, ela exerceu a função de procuradora do Estado de Goiás. Ela retornou à procuradoria na década de 1960, após o fim do mandato estadual, exercendo o cargo até 1973, quando se aposentou.

Obras As obras literárias de Ana Braga, em ordem cronológica, são as seguintes: +Nome da obra:Data de publicação:Editora:A Comunicação do Médio Norte Goiano1973OrienteNelly Alves de Almeida, escritora e amiga-Comentários à obra literária de Juarez Moreira Filho1983KelpsNossa Senhora de Natividade, padroeira do Tocantins1994CartográficaDom Alano Maria Du Noday, apóstolo do Tocantins1994CartográficaRetalhos2006KelpsMinhas lembranças na expansão da cultura tocantinense - -

Participação em Instituições Culturais miniaturadaimagem|direita|Ana Braga discursando na Assembleia Legislativa de Goiás, durante a criação da AFLAG. Ana Braga era membro da cadeira n.º 4 e cofundadora da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás desde 1970, tendo sido presidente de 1994 até 2001. Ela participou ainda da fundação da Academia Tocantinense de Letras. Além disso, foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás e da Academia Goiana de Letras, na vaga de Eurídice Natal e Silva. Tudo isso se deu devido sua notoriedade como uma das primeiras mulheres a ingressarem na política de Goiás e sua participação na área da educação e letras.

Vida pessoal miniaturadaimagem|direita|Ana Braga, em 2019 , concedendo entrevista à Assembleia Legislativa de Goiás , foto de autoria Denise Xavier. Ana Pereira Braga era católica, tendo sido educada inicialmente em um colégio de irmãs franciscanas. Além disso, era amiga do beato e padre Pelágio Sauter.

Morte Ana Pereira Braga faleceu em Goiânia no dia 20 de junho de 2023, aos 99 anos, de causas naturais. O velório foi no Cemitério Jardim das Palmeiras e o sepultamento ocorreu no Cemitério de Santana, setor Campinas, em cerimônia de Estado.

Em reação, o então presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Romário Policarpo decretou luto três dias. A nota da Câmara, na íntegra foi: A Associação de Procuradores do Estado de Goiás (APEG) manifestou-se por nota de pesar, porque a mesma exerceu a Procuradoria-Geral do Estado.

Devido sua atuação como primeira-dama do Governo Municipal de Trajano Machado (1977-1983), em Porangatu, ela foi homenageada pela Câmara Municipal em uma nota de pesar:

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