A opressão internalizada ocorre quando um grupo oprimido aceita os métodos e incorpora a ideologia opressiva do grupo opressor, contrária ao seu próprio interesse. Um dos pensadores que fizeram uso desse conceito foi Paulo Freire, que caracteriza os oprimidos como seres dúplices:
A opressão internalizada pode se manifestar em um nível individual ou de grupo.David, E. J. R. and Annie O. Derthick. "What Is Internalized Oppression, and so What?." Internalized Oppression: The Psychology of Marginalized Groups., E. J. R. David and E. J. R., (Ed) David, Springer Publishing Co, 2014, pp. 1–30. https://connect.springerpub.com/content/book/978-0-8261-9926-3/part/part01/chapter/ch01 O exemplo clássico fornecido por Freire, em sua Pedagogia do Oprimido, foi o de uma revolta camponesa no Nordeste do Brasil.
Certa feita, um grupo de camponeses armados tomou conta da fazenda. Por razões táticas, eles queriam manter o patrão como refém. No entanto, nenhum camponês foi capaz de manter a guarda sobre o latifundiário, dono da plantação, pois a sua mera presença os assustava. O próprio ato de lutar contra o patrão tinha ativado sentimentos de culpa nos camponeses. Freire conclui que, na verdade, o patrão estava "dentro" deles. A liberdade dos camponeses não dependia apenas de sua liberdade física, como eles haviam inicialmente acreditado. Esses camponeses haviam sido completamente condicionados a obedecer ordens, a se comportar de forma submissa, a saber e manter o seu "lugar", o que eles faziam mesmo quando o patrão não estava mais no poder.
Opressão de minorias específicas “Se as mulheres estão cercadas por pessoas que as veem como subordinadas, incapazes ou sem controle sobre suas ações, é provável que as mulheres passem a se entender de maneira semelhante, mesmo que inconscientemente”. A opressão internalizada promove as crenças de que o eu não pode ser autônomo, é indigno de exercer o poder e é pouco mais que um objeto de gratificação sexual.
A opressão internalizada também pode ocorrer em indivíduos com deficiência, que podem se distanciar de outras pessoas com deficiência para evitar associar-se com aqueles que podem ser vistos pela sociedade como "fracos" ou "preguiçosos".
"Pessoas de cor que internalizam estereótipos sobre criminalidade e desvio moral podem ver a si mesmas como foras da lei" e podem "se envolver em comportamentos que perpetuam ainda mais esses preconceitos".
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