Claudia Sheinbaum Pardo (Cidade do México, 24 de junho de 1962) é uma física, engenheira ambiental e política mexicana, atual presidente do México, eleita nas eleições gerais em 2024.
Antes foi chefe de governo da Cidade do México, cargo equivalente a um governador de estado, entre 2018 e 2023. Ela foi eleita em 1º de julho de 2018 como parte da coalizão Juntos Faremos História. Ela é a segunda mulher a ser eleita para este cargo na Cidade do México.
Sheinbaum é Ph.D. em engenharia de energia e autora de mais de 100 artigos e dois livros sobre energia, meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Ela atuou como Secretária do Meio Ambiente da Cidade do México de 2000 a 2006 durante o mandato de Andrés Manuel López Obrador como prefeito, e foi Prefeita de Tlalpan de 2015 a 2017. Ela contribuiu para o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2007. Em 2018, ela foi listada como uma das 100 Mulheres da BBC.
Em 12 de junho de 2023, Sheinbaum renunciou ao cargo de prefeita para buscar a indicação presidencial de Morena nas eleições de 2 de Junho 2024. Em 6 de setembro, Sheinbaum venceu as primárias do partido sobre seu rival mais próximo, o ex-secretário de Relações Exteriores, Marcelo Ebrard. Venceu as eleições com 60% dos votos.
A 2 de junho de 2024, foi eleita a primeira mulher presidente do México. E em 1º de Outubro de 2024 foi empossada oficialmente como presidente do México. Cláudia Sheinbaun também é a primeira descendente de judeus a ocupar o cargo de presidente do México, no entanto, ela mencionou uma vez que apesar de vir de uma família de origem judaica, ela não segue o judaísmo ou qualquer religião em específico.
Início da vida Claudia Sheinbaum Pardo nasceu em uma família judia secular. Seu pai, o químico Carlos Sheinbaum Yoselevitz (1933–2013), era filho de imigrantes asquenazitas provenientes da Lituânia na década de 1920. Sua mãe, a bióloga Annie Pardo Cemo (1940), é filha de pais sefarditas emigrados da Bulgária. Claudia celebrou todos os feriados judaicos na casa de seus avós. Seus pais são cientistas: seu pai, o engenheiro químico Carlos Sheinbaum Yoselevitz, e sua mãe, Annie Pardo Cemo, bióloga, professora emérita da Faculdade de Ciências da Universidade Nacional Autônoma do México. Seu irmão é físico.
Carreira acadêmica Sheinbaum estudou Física na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), onde obteve um diploma de graduação (1989), seguido de um mestrado (1994) e um doutorado (1995) em engenharia de energia. Ela completou o trabalho de sua tese de doutorado em quatro anos (1991/94) no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley em Berkeley, Califórnia, onde analisou o uso de energia no transporte do México, publicou estudos sobre as tendências do uso de energia em edifícios mexicanos e obteve um Ph.D. em engenharia de energia e física.
Em 1995 ingressou no corpo docente do Instituto de Engenharia da UNAM. Ela foi pesquisadora do Instituto de Engenharia e é membro do Sistema Nacional de Investigadores e da Academia Mexicana de Ciências. Em 1999 recebeu o prêmio de melhor jovem pesquisador da UNAM em engenharia e inovação tecnológica.
Em 2006 Sheinbaum voltou à UNAM, após um período no governo, publicando artigos em revistas científicas.
Em 2007, ela se juntou ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) nas Nações Unidas na área de energia e indústria, como coautora colaboradora do tema "Mitigação das mudanças climáticas" para o Quarto Relatório de Avaliação do IPCC. O grupo ganhou o Prêmio Nobel da Paz naquele ano. Em 2013, ela foi coautora do Quinto Relatório de Avaliação do IPCC ao lado de 11 outros especialistas no campo da indústria.
Início da carreira política Durante seu tempo como estudante na Universidade Nacional Autônoma do México, ela foi membro do Consejo Estudiantil Universitario (Conselho Estudantil Universitário), um grupo de estudantes que se tornaria o movimento juvenil fundador do Partido da Revolução Democrática (PRD). esquerda|miniaturadaimagem|251x251px|Manuela Carmena encontra-se com Claudia Sheinbaum, no Palácio de Cibeles. Foi secretária do Meio Ambiente da Cidade do México desde 5 de dezembro de 2000, tendo sido nomeada em 20 de novembro de 2000 para o gabinete do chefe de Governo da Cidade do México, Andrés Manuel López Obrador. Durante seu mandato, que terminou em maio de 2006, ela foi responsável pela construção de um centro de registro eletrônico de veículos para a Cidade do México. Ela também supervisionou a introdução do Metrobus, um ônibus de trânsito rápido com faixas exclusivas, e a construção do segundo andar do Anillo Periférico, o anel viário da Cidade do México.
López Obrador incluiu Sheinbaum em seu gabinete proposto para a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais como parte de sua campanha para as eleições gerais mexicanas de 2012. Em 2014, ela se juntou ao movimento dissidente de López Obrador, que rompeu com o principal partido de esquerda mexicano, o Partido da Revolução Democrática. Ela atuou como Secretária do Meio Ambiente em 2015.
Prefeita de Tlalpan Desde o final de 2015, Sheinbaum atuou como prefeita de Tlalpan. Ela renunciou ao cargo ao receber a indicação de candidatura do prefeito da Cidade do México para a coalizão Juntos Haremos Historia (Juntos Faremos História) composta pelo Movimento de Regeneração Nacional (MORENA), o Partido do Trabalho (PT) e o Partido Encontro Social (PES).
Prefeita da Cidade do México Em 1º de julho de 2018, Sheinbaum foi eleita para um mandato de seis anos como chefe de governo do Distrito Federal da Cidade do México, derrotando outros seis candidatos. Durante a campanha, Sheinbaum foi acusada pelo PAN de ser responsável pelo colapso de uma escola primária em um terremoto de nível 7,1 que matou 19 crianças em 2017. Ela se tornou a primeira da Cidade do México prefeita eleita e sua primeira prefeita judia.Conheça a primeira prefeita eleita da Cidade do México; 25 DE JULHO DE 201805:01 ET; npr.org miniaturadaimagem|258x258px|Depois de assumir o cargo de chefe de governo, Claudia Sheinbaum foi ao Teatro da Cidade do México apresentar seu gabinete.
Posse Em junho de 2019, Sheinbaum anunciou um novo plano ambiental de seis anos. Inclui reduzir a poluição do ar em 30%, plantar 15 milhões de árvores, banir os plásticos descartáveis e promover a reciclagem, construir uma nova estação de separação de resíduos, fornecer serviço de água a todas as casas, construir 100 quilômetros de corredores para uso exclusivo de linhas de trólebus e o sistema Metrobús da Cidade do México e a construção e instalação de aquecedores solares de água e painéis solares.
Seu governo foi caracterizado por questões ecológicas e uma forte política social, criando infraestrutura (transporte para abrir os subúrbios, universidades, etc.) e distribuindo ajuda social nos bairros mais pobres. Em termos de segurança, a taxa de homicídios foi reduzida quase pela metade durante seu mandato.
Em setembro de 2019, Sheinbaum anunciou um investimento de 40 bilhões de pesos (US $ 2 bilhões) para modernizar o metrô da Cidade do México nos próximos cinco anos, incluindo modernização, reforço, novos trens, melhoria de estações, escadas, controle e automação de trens, informações do usuário e sistemas de pagamento.
Sheinbaum foi indicada pela City Mayors Foundation para o prêmio World Mayor em 2021 na América do Norte por lidar com a pandemia de COVID-19 no México.
Desastre da linha 12 do metrô em 2021 Em 3 de maio de 2021, um trem viajava na Linha 12 do Metrô da Cidade do México, quando uma viga que sustentava o viaduto no qual o trem viajava desabou, matando 26 e ferindo mais de 70. Alguns críticos disseram que Sheinbaum e outros líderes deveriam ter trabalhado mais para melhorar a infraestrutura do Metrô. Alguns observadores políticos sugeriram que as consequências políticas do acidente iriam prejudicar a candidatura de Sheinbaum nas eleições presidenciais de 2024, mas ela foi eleita com uma ampla maioria.
Campanha presidencial de 2024
Nomeação
Em 12 de junho de 2023, Sheinbaum anunciou que renunciaria ao cargo de chefe do governo da Cidade do México em 16 de junho para concorrer no processo interno de seleção que escolheria uma candidata presidencial De fato para a coalizão Juntos Fazemos História, composta pela Morena, pelo Partido do Trabalho e pelo Partido Verde Ecologista do México. Surgiram especulações sobre sua nacionalidade após o ex-presidente Vicente Fox referir-se a ela como uma “judaica búlgara”. Em resposta, Sheinbaum divulgou sua certidão de nascimento, comprovando que nasceu na Cidade do México.
O processo interno da coalizão consistiu em cinco pesquisas realizadas de 28 de agosto a 4 de setembro. Em 6 de setembro, Sheinbaum foi declarada vencedora, obtendo 39,38% dos votos e derrotando sua adversária mais próxima, a ex-secretária de Relações Exteriores Marcelo Ebrard, por cerca de 13 pontos. Em 19 de novembro de 2023, Sheinbaum registrou-se como a única pré-candidata de Sigamos Fazendo História, coalizão sucessora de Juntos Fazemos História. Sheinbaum registrou formalmente sua candidatura no Instituto Nacional Eleitoral (INE) em 18 de fevereiro de 2024.
Eleição geral
Em 1º de março de 2024, Sheinbaum lançou sua campanha no Zócalo, apresentando suas propostas e enfatizando seu compromisso em dar continuidade às políticas da López Obrador da Quarta Transformação. Ela se comprometeu a aprovar o "Plano C", um pacote de dezoito emendas constitucionais propostas por López Obrador no início daquele ano, que incluem o aumento do salário mínimo acima da inflação, a elevação dos programas sociais à condição de lei constitucional e a eleição de membros do judiciário por voto popular. Ela também propôs replicar sua estratégia de segurança da Cidade do México em âmbito nacional, introduzir uma emenda constitucional para impedir a reeleição em qualquer cargo eletivo popular e implementar novos programas sociais para estudantes desde a Educação Infantil até o Ensino Médio e para mulheres com idades entre 60 e 64 anos.
Durante os debates e a campanha, Sheinbaum foi acusada por Xóchitl Gálvez, candidata da coalizão de oposição Força e Coração pelo México, de ser responsável pelo colapso do Colegio Rébsamen durante o terremoto de Puebla de 2017, pelo desabamento do viaduto do Metrô da Cidade do México e pelo excesso de mortes durante a pandemia de COVID-19 na Cidade do México.
Pesquisas indicavam consistentemente que Sheinbaum tinha uma vantagem substancial sobre sua principal adversária, Xóchitl Gálvez. Durante os três debates presidenciais, muitos comentaristas elogiaram sua postura calma diante das provocações de Gálvez.
A eleição ocorreu em 2 de junho de 2024, com Sheinbaum sendo projetada como vencedora pela apuração rápida do INE às 11:50 CST, tornando-se a presidente-eleita virtual. Em 6 de junho, os resultados dos distritos confirmaram que Sheinbaum obteve uma vitória esmagadora. Ela recebeu o maior número de votos já registrado para uma candidata na história do México, conquistou 31 dos 32 estados e alcançou a maior porcentagem de votos desde o início das eleições livres e justas no país.
Transição presidencial
Após sua vitória, Sheinbaum reuniu-se com o presidente López Obrador para delinear a transição presidencial e sua agenda legislativa para os primeiros meses de seu governo. Ela detalhou que suas prioridades incluíam novos programas sociais para estudantes do ensino fundamental e mulheres com idades entre 60 e 64 anos, modificações no sistema de pensões para funcionários públicos e a proibição de reeleição para qualquer cargo eletivo popular. Enquanto Sheinbaum manifestava apoio à reforma judicial de López Obrador, ela concordou em abrir nove fóruns de discussão para abordar seus aspectos mais controversos.