A região de Nullarbor é uma região criada para a nomenclatura de meteoritos encontrados em Nullarbor, na Austrália, sendo reconhecida pela Sociedade Meteorítica.
Nullarbor é um dos locais mais populares do mundo para procurar meteoritos, com milhares de espécimes encontrados de 332 classes diferentes. De acordo com as estimativas feitas pelo Museu da Austrália Ocidental em parceria com a EUROMET, até 2015, 55% dos meteoritos encontrados na Austrália vieram de Nullarbor.
Muitos dos meteoritos encontrados na região não se encontram mais em território australiano, pois foram comprados por colecionadores particulares ou transferidos para outros museus.
Geografia miniaturadaimagem|Nullarbor é caracterizado por ser plano, árido e com vegetação rasteira Nullarbor se encontra dentro da Depressão de Eucla, entre a Austrália Ocidental e a Austrália Meridional, que se formou durante o Mioceno. Sua composição geográfica é feita principalmente de rochas de calcário que se estendem por 240 mil km², o que faz com que o terreno seja plano. A vegetação é feita principalmente por arbustos e é considerada no geral constante. O próprio nome "Nullarbor" vem do latim, significando "Sem árvores". O clima é árido, com uma média de chuva que chega ao máximo a 240 mm na região de Mundrabilla.
A grande quantidade de meteoritos encontrados em Nullarbor é explicada pelos fatores geográficos e climáticos da região, que criam uma tendência deles permanecerem no mesmo lugar onde caíram e a se manterem preservados. Na queda, há um grande efeito da atmosfera no meteorito, mas por causa do clima árido, os efeitos do ambiente afetam o meteorito em média por apenas mil anos. Durante o período, desenvolve-se uma crostra de óxidos que protege o interior do meteorito contra os efeitos climáticos. Além disso, a vegetação rasteira facilita a localização de meteoritos. A região também se manteve fisicamente intacta de atividades humanas por 30 mil anos. Por isso, a região é importante para o estudo do clima terrestre e do fluxo de meteoritos na Terra. A única região mais prolífica para se encontrar meteoritos é a Antártica.
História
Museu da Austrália Ocidental miniaturadaimagem|Museu da Austrália Ocidental Uma importante entidade para a coleção de meteoritos no estado foi o Museu da Austrália Ocidental. Em 1881, o reverendo Charles Grenfell Nicolay, geólogo e estudioso autodidata de história natural, havia se tornado conselheiro científico do governo australiano, e ganhou permissão do governador Sir William Robinson para formar uma coleção pública de rochas, minerais e fósseis, que seria o início do Museu Geológico. Em 1889, sua coleção foi transferida para Perth e combinada com a coleção de Henry Page Woodward, outro geólogo do governo. O Museu Geológico acabou agregando outras áreas do conhecimento e mudou de nome diversas vezes, até ser batizado com o nome atual em 1959.
Primeiras descobertas na Austrália Ocidental Os primeiros meteoritos da Austrália Ocidental foram encontrados devido a expansão da agricultura e da mineração no estado. O primeiro encontrado foi Youndegin, cuja massa principal pesa 2.628 kg. Ele é um meteorito de ferro cujo primeiro fragmento (11,7 kg) foi descoberto em 5 de janeiro de 1884 por Alfred Eaton, membro da Polícia Montada, e recebeu seu nome em homenagem ao posto policial a 50 km a noroeste do local. A descoberta chamou a atenção de Nicolay, que ordenou a primeira excursão oficial em busca de outros fragmentos e fez a primeira descrição de meteorito do estado.
A partir de então, diversos meteoritos e crateras de grande importância científica foram descobertas, incluindo o meteorito de Bencubbin, a cratera de Wolf Creek e a cratera de Dalgaranga. As descobertas fizeram que houvesse um crescimento do interesse da comunidade científica no fim dos anos 50 e no início dos anos 60. Físicos da Universidade da Austrália Ocidental passaram a colaborar nos estudos de meteoritos e o Museu da Austrália Ocidental criou o Comitê Consultivo de Meteoritos, para supervisionar a coleção e fazer parcerias com outras instituições quando necessário.
Escola de Minas de Kalgoorlie esquerda|miniaturadaimagem|Escola de Minas original, em Coolgardie. Ela pegou fogo em 1929, e foi transferida para Kalgoorlie A Escola de Minas de Kalgoorlie já possuia meteoritos da Austrália Meridional desde 1915, quando o meteorito Naretha foi descoberto pelo engenheiro surpervisor John Darbyshire, que estava trabalhando na construção do trilho do trem que passaria por Nullarbor.
Devido ao crescimento de interesse pelos meteoritos no estado vizinho, nos anos 60 a Escola de Minas passou a criar sua própria coleção na região, que na época chegou a ter 2% de todos os meteoritos já encontrados no planeta (37 exemplares).
Entre 1963 e 1971, expedições da escola recuperaram 809 meteoritos em Nullarbor.
Família Carlisle A família Carlisle eram caçadores de coelhos que atuavam na região de Nullarbor e já tinham certa experiência em encontrar meteoritos.
Interessado pelas descobertas da Escola de Minas, Harvey Harlow Nininger, renomado colecionador de meteoritos, viajou até o estado para realizar suas buscas. Lá, ele foi introduzido a Albert John Carlisle, que encontrou dois meteoritos para Nininger, sendo um deles o Rawlinna 001, o primeiro meteorito de pallasita encontrado no estado.
Inspirados por Nininger, nos anos seguintes a família doou grandes quantidades de meteoritos, sendo vários deles raros e únicos, para a Escola de Minas de Kalgoorlie, e depois para o Museu da Austrália Ocidental, por causa do Museum Act (1969), lei que transferiu todos os Meteoritos do estado para a coleção real no museu.
Em 1982, Albert foi laureado com a Medalha da Ordem da Austrália por seus serviços na área de meteoritos.
Programa de Recuperação de Meteoritos O número de meteoritos descobertos cresceu, até que houve uma explosão nos anos 90, com a maioria deles sendo encontrados na região de Nullarbor.
Então, em 1986, o Museu da Austrália Ocidental, junto com parceiros como a EUROMET, lançaram o Programa de Recuperação de Meteoritos. O programa foi bem-sucedido e, apenas entre 1992 e 1994, recuperou 600 espécimes.
Desert Fireball Network
Em 2007, a Universidade Curtin instalou um protótipo de uma rede de câmeras conhecidas como Desert Fireball Network na região de Nullarbor com o objetivo de registrar a queda de meteoritos e procurar por um meteorito cometário, para avançar nos estudos sobre a formação do Sistema Solar. O protótipo foi um sucesso, e um meteorito foi encontrado logo no primeiro dia de funcionamento a apenas 100 m do local previsto. Atualmente, o projeto conta com 50 câmeras que cobrem um terço do céu australiano e colabora com projetos como o Observatório Global de Bolas de Fogo.
Em 2022, um meteorito da região foi recuperado pela equipe utilizando um drone e inteligência artificial, sendo um marco tecnológico para a área.
Nomenclatura
Austrália Ocidental miniaturadaimagem|Reigão de nomenclatura da Austrália Ocidental Devido ao grande fluxo de meteoritos encontrados em Nullarbor, os cientistas A. W. R. Bevan, do Departamento de Mineralogia do Museu da Austrália Ocidental, e R. A. Binns, da Divisão de Exploração da Geociência do SCIRO, criaram um sistema de nomenclatura para meteoritos na região localizada na Austrália Ocidental. Nele, a região foi dividida em 47 áreas, e os meteoritos encontrados são denominados com o nome da região e um número. Os meteoritos recuperados antes de 1970 sofreram no máximo pequenas auterações em seus nomes, como no caso de Forrest (a) e (b), que viraram Forrest 001 e 002. +N°Nome da áreaBorda norteBorda sulBorda lesteBorda oeste1Arubiddy31°27'SRodovia Eyre126°00'E125°36'30''E2Balgair31°12'S31°27'S126°14'E125°36'30''E3BoonderooFerrovia Transaustraliana31°27'S124°43'E124°00'E4Boorabie29°00'S29°30'S128°30'E128°00'E5Brambah30°59'S31°23'S128°33'E128°03'E6Camel Donga30°00'S30°26'S127°00'E126°30'E7Carlisle Lakes29°00'S29°30'S127°30'E127°00'E8Colville Lake29°30'S30°00'S127°00'E126°30'E9Deakin30°24'S31°19'30"S129°00'E128°33'E10Forrest30°00'S30°59'S128°15'E127°45'E11Forrest Lakes29°15S30°00'S129°00'E128°30'E12Gunnadorah30°26'SFerrovia Transaustraliana126°22'E125°48'E13HaigFerrovia Transaustraliana31°12'S126°14'E126°00'E14Jubilee Lake29°00'S29°30'S127°00'E126°30'E15Joondulla29°00'S29°15'S129°00'E128°30'E16Kanandah30°26'SFerrovia Transaustraliana125°00'E124°25'E17Kinclaven30°26'SFerrovia Transaustraliana125°48'EÁrea Pastoral18Koolgahbin Road29°30'S30°00'S127°30'E127°00'E19Koonjarra31°27'SÁrea Pastoral124°43'EÁrea Pastoral20KyboFerrovia Transaustraliana31°27'S126°49'E126°14'E21Lake Gidgi29°00'S29°30'S126°30'E126°00'E22Lochaber31°18'SÁrea PastoralÁrea Pastoral124°43'E23Loongana30°00'S30°59'S127°23'E126°49'E24Lynch30°59'S31°27'S127°23'E126°49'E25Madura31°27'SRodovia Eyre127°23'E126°41'E26Mason29°30'S30°00'S128°30'E127°30'E27Moonera31°27'SRodovia Eyre126°41'E126°00'E28Moopina31°19'30"SRodovia Eyre129°00'E128°33'E29Mundrabilla30°00'S30°59'S127°45'E127°23'E30NarethaFerrovia Transaustraliana31°18'S125°00'E124°43'E31Nightshade31°50'SRodovia Eyre125°36'30"E125°13'30"E32Nurina30°26'SFerrovia Transaustraliana126°49'E126°22'E33Nyanga Lake29°30'S30°00'S126°30'E126°00'E34Old Homestead30°58'SÁrea Pastoral128°03'E127°23'E35Pondana31°18'S31°39'S125°36'30"E125°06'E36Premier Downs30°26'SFerrovia TransaustralianaÁrea Pastoral125°19'30"E37RawlinnaFerrovia Transaustraliana31°18'S125°36'30"E125°00'E38Reid30°00'S30°59'S 30°24'S128°30'E 129°00'E128°15'E39Seemore Downs30°26'SFerrovia Transaustraliana125°19'30"E125°00'E40Shell Lakes29°00'S29°30'S128°00'E127°30'E41Sleeper Camp30°00'S30°26'S126°30'E126°00'E42Thylacine HoleÁrea PastoralRodovia Eyre128°19'E127°23'E43Vanesk31°39'SÁrea Pastoral125°36'30"E124°52'E44Virginia31°59'SRodovia EyreI25°13'30"E124°25'E45Wanteen31°23'SÁrea Pastoral128°33'Área Pastoral46WilbanFerrovia Transaustraliana31°12'SI26°00'E125°36'30"E47WoorlbaÁrea PastoralRodovia Eyre124°25'E123°50'E
Austrália Meridional miniaturadaimagem|268x268px|Região de nomenclatura da Austrália Meridional Em junho de 1993, o sistema de nomenclatura foi expandido para a Austrália Meridional por A. W. R. Bevan, do Departamento de Ciências Planetárias do Museu da Austrália Ocidental, e A. Pring, do Departamento de Mineralogia do Museu da Austrália Meridional. Meteoritos encontrados antes de 1989 não foram renomeados. +N°Nome da áreaBorda norteBorda sulBorda lesteBorda oeste1Biduna Blowhole31°00'SGrande Baía Australiana131°30'E131°00'E2Bookabie31°30'SGrande Baía Australiana133°00'E132°30'E3Bunburra31°00'SGrande Baía Australiana129°50'E129°00'E4Choolkooning29°30'S30°00'S130°10'E129°30'E5Colona31°30'SGrande Baía Australiana132°30'E132°00'E6Cook30°00'S31°00'S131°00'E130°15'E7Denman30°30'S31°00'S130°15'E129°50'E8Flood Donga29°15'S30°00'S129°30'E129°00'E9Hughes30°00'S31°00'S129°50'E129°00'E10Ifould Lake30°45'S31°00'S132°30'E132°00'E11Immarna30°15'S30°45'S132°30'E132°00'E12Knardna31°00'SGrande Baía Australiana131°00'E130°15'E13Koonalda31°00'SGrande Baía Australiana130°15'E129°50'E14Lake Dey-Dey29°00'S29°30'S131°30'E131°00'E15Maralinga30°00'S30°15'S132°00'E131°30'E16Maurice Lake29°30'S30°00'S132°00'E131°00'E17Muckera30°00'S30°30'S130°15'E129°50'E18Nurrari Lakes29°00'S29°30'S130°10'E129°30'E19O'Malley30°30'S31°00'S131°30'E131°00'E20Ooldea30°15'S31°00'S132°00'E131°45'E21Serpentine Lakes29°00'S29°15'S129°30'E129°00'E22Tallacootra Lake31°00'S31°30'S132°30'E132°00'E23Warldarie29°30'S30°00'S131°00'E130°10'E24Watson30°15'S31°00'S131°45'E131°30'E25Wyola Lake29°00'S29°30'S131°00'E130°10'E26Yalata31°00'SGrande Baía Australiana132°00'E131°30'E27Yarle Lakes30°00'S30°30'S131°30'E131°00'E
Meteoritos notórios esquerda|miniaturadaimagem|229x229px|A massa principal de Mundrabilla possui 12.4 toneladas
Mundrabilla