Guerra CreekParte da Guerra de 1812 e das Guerras Indígenas Americanas William Weatherford se rendendo a Andrew JacksonData22 de julho de 1813 – 9 de agosto de 1814(1 ano, 2 semanas e 4 dias)Braund 2012, p. 12,165.LocalSul dos Estados UnidosDesfechoVitória americana e aliadaBeligerantesEstados Unidos
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Lower Creeks Cherokees ChoctawRed Stick Creeks
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França Reino Unido Espanha Confederação de TecumsehComandantes e líderes Andrew Jackson John Coffee William McIntosh Pushmataha Mushulatubbee William Weatherford Menawa Peter McQueenForças7 0004 000Baixas~584 mortesnº de feridos desconhecido~1 597 mortes nº de feridos desconhecido A Guerra Creek (1813-1814), também conhecida como Guerra Red Stick e Guerra Civil Creek, foi um conflito regional entre facções opostas dentro da Nação Creek, impérios europeus e os Estados Unidos, tendo por campo de batalha a maior parte do atual estado do Alabama e uma considerável extensão da Costa do Golfo. Os principais conflitos envolveram embates entre a milícia americana e os creeks Red Sticks. O governo americano se aliou com as Nações Choctaw e Cherokee (inimigos tradicionais dos Creeks), junto ao remanescente dos Creeks para dar fim à rebelião.
De acordo com o historiador John K. Mahon, a Guerra Creek "foi uma guerra civil entre os creeks, entre vermelho e branco, e apontou para a separação entre os creeks e os seminoles."Mahon John K. (1967). History of the Second Seminole War 1835-1842, University of Florida Press. P. 22 A guerra também foi parte das extensas Guerras Indígenas Americanas. É usualmente aceita como parte da Guerra de 1812, pelo fato de ter sido influenciada pelos rumos da Guerra de Tecumseh, no Território do Noroeste, envolvendo os mesmos participantes do conflito anglo-americano; e pelo fator dos Red Sticks (tradução literal: bastões vermelhos) terem solicitado o apoio britânico e auxiliaram o avanço do Almirante Cochrane rumo a Nova Orleans.
A guerra começou como um conflito entre a Confederação Creek, porém as unidades milicianas locais se viram a ser rapidamente envolvidas. Comerciantes britânicos na Flórida, bem como o governo espanhol auxiliaram os Red Sticks, fornecendo-lhes armas e suprimentos, pois compartilhavam o interesse de barrar a expansão norte-americana sobre suas terras. A guerra teve seu fim com o Tratado de Fort Jackson, em agosto de 1814, no qual o general Andrew Jackson forçou os creeks a cederem em torno de 93.000 km² nas atuais regiões do centro do Alabama e do sul da Geórgia.Green (1998), Politics of Removal, p. 43
Antecedentes A militância creek ocorreu como resposta ao aumento da invasão territorial e cultural dos Estados Unidos para dentro de suas terras tradicionais. Porém, o título alternativo dado ao conflito de "Guerra Civil Creek" advém das divisões internas na tribo quanto à matérias de ordem geográfica, político-econômica e cultural. No tempo da guerra, os "Upper Creeks" controlavam os rios Coosa, Tallapoosa e Alabama, que conduziam à Mobile, enquanto os "Lower Creeks" controlavam o rio Chattahoochee, o qual flui para a Baía de Apalachicola. Os "Lower Creeks" possuíam parcerias comerciais com os Estados Unidos e, ao contrário dos "Upper Creeks", adotaram mais de suas práticas culturais.Waselkov, 4-5.
Conflito territorial As províncias da Flórida Oriental e Ocidental, governadas por firmas britânicas e hispânicas tais como a Panton, Leslie, and Company, providenciavam a maior parte do comércio entre europeus e a nação Creek. Pensacola e Mobile, na Flórida Espanhola, controlavam os canais dos rios do território do Mississippi.Braund, Deerskins and Duffels.
Conflitos territoriais entre França, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos ao longo da Costa do Golfo - que previamente ajudaram os creeks com a manutenção do controle sobre o grande parte do território do sudeste norte-americano - mudaram-nas dramaticamente em razão das Guerras Napoleônicas; da Rebelião da Flórida Ocidental; e da Guerra de 1812. Isto também tornou o comércio entre os creeks e as respectivas alianças mais tênues.
Nos tratados de Nova York (1790), de Colerain (1796), de Fort Wilkinson (1802), e de Washington (1805), os creeks cederam partes de seus territórios na Geórgia, ao leste do rio Ocmulgee. Em 1804, os Estados Unidos arrogaram a cidade de Mobile, sob o Ato de Mobile. O tratado de 1805 com os creeks também permitiu a criação da Estrada Federal a qual conectava Washington, D.C à mais nova cidade portuária adquirida ─ Nova Orleães, ─ que se estendia parcialmente pelos territórios creeks.
Durante e após a Revolução Americana, os Estados Unidos queriam manter a Linha Índia que foi estabelecida pela Proclamação Real de 1763.
A Linha Índia criou uma fronteira para os assentamentos coloniais com o intuito de prevenir a intrusão em terras indígenas e ajudou o governo estadunidense a manter o controle sobre o comércio dos nativos. Ainda assim, os comerciantes e colonizadores violavam com frequência os termos dos tratados que estabeleceram a Linha, e os assentamentos fronteiriços pelos colonos foram um dos argumentos americanos para a expansão do seu território.
Estes crescentes arrebatamentos territoriais para o oeste das terras creeks (o que incluía partes da Flórida Espanhola), somado à compra da Louisiana (que nem os ingleses nem os espanhóis reconheceram na época), compeliram os governos britânico e espanhol a estreitarem as aliança existente com os creeks. Em 1810, seguindo a Ocupação de Baton Rouge durante a Rebelião da Flórida Ocidental, os Estados Unidos enviaram uma força expedicionária para ocupar Mobile. Como resultado, Mobile foi conjuntamente ocupada por tropas americanas e espanholas até que o Secretário de Guerra, John Armstrong, ordenasse ao general James Wilkinson a forçar os espanhóis a entregarem o controle da cidade em fevereiro de 1813.
O Exército Patriótico capturou partes da Flórida Oriental entre 1811 ─ 1815. Após a rendição de Fort Charlotte, em abril, a Espanha focou na proteção de Pensacola.Owsley, 18-24. Os espanhóis decidiram apoiar os creeks em um ataque aos Estados Unidos e em defesa de sua pátria, mas foram imensamente frustrados por conta de sua posição fraca nas Flóridas e pela falta de suprimentos até mesmo para seu próprio exército.
Assimilação cultural e revivalismo religioso
A fragmentação entre os creeks junto à visões progressistas e nativistas possui raízes que datam de antes do século dezoito, que porém vieram à tona após 1811.Thrower. "Casualties and Consequences of the Creek War," in Rethinking Tohopeka, 12. A militância Red Stick foi uma reação às crises culturais e econômicas na sociedade creek causadas pela sua ocidentalização. A partir do século dezesseis, os creeks estabeleceram alianças econômicas bem sucedidas com os impérios europeus, porém a drástica queda no preço da pele de veado ente 1783 e 1793 tornou mais difícil o pagamento de débitos, enquanto, ao mesmo tempo, o processo de assimilação fez das mercadorias americanas mais necessárias.Braund, 178.
Os Red Sticks, particularmente, resistiram aos programas civilizatórios do Agente Indigenista dos E.U., Benjamin Hawkins, que construíra uma forte aliança entre as aldeias dos Lower Creeks. Alguns do creeks progressistas começaram a adotar os métodos agrícolas americanos à medida que suas caçadas desapareciam, e que mais colonos se assimilavam às tribos e famílias creeks.Michael D. Green, The Politics of Indian Removal: Creek Government and Society in Crisis, Lincoln, Nebraska: University of Nebraska Press, 1985, pp. 38-39, accessed 11 September 2011
Líderes das aldeias Lower Creeks, localizadas onde atualmente se situa oestado da Geórgia, incluíam "Bird Tail King" (Fushatchie Mico), de Cusseta; "Pequeno Príncipe" (Tunstunuggee Hopoi), de Broken Arrow, e William McIntosh (Tunstunuggee Hutkee, 'Cavaleiro Branco'), de Coweta. A maioria dos proeminentes chefes Creeks antes da guerra eram mestiços, tal como William McGillivray e William McIntosh (estes figurando em lados opostos durante o conflito).
Antes da Guerra de 1812, muitos dos políticos norte-americanos viam a remoção como a única alternativa para a assimilação dos nativos na cultura ocidental. Os creeks, por outro lado, misturando sua cultura com a adoção de bens comerciais e termos políticos, não possuíam intenção de abandonar suas terras.Waselkov, 73.
A americanização dos creeks se prevaleceu mais no oeste da Geórgia entre os Lower Creeks do que entre os aldeamentos Upper Creeks, e teve origem em processos internos e externos. A pressão do governo americano e de Benjamin Hawkins em relação à assimilação entrava em contraste com a mais natural mescla cultural que se originava com uma longa tradição de coabitação e apropriação cultural, iniciada com os comerciantes euro-americanos nas terras indígenas.Braund, Deerskins and Duffels, 58.
O líder shawnee, Tecumseh, veio encorajar a população da região a se juntar ao seu movimento para expulsar os americanos dos territórios nativos. Anteriormente, ele uniu as tribos do Noroeste (Ohio e territórios correlatos) para combater os colonos estadunidenses após a Guerra de Independência. Em 1811, Tecumseh e seu irmão Tenskwatawa compareceram ao concílio anual Creek em Tukabatchee. Tecumseh realizou um discurso de uma hora para uma audiência de 5.000 creeks, bem como de uma delegação americana que incluía Hawkins. Embora os americanos declaravam Tecumseh como uma não-ameaça, sua mensagem de resistência às intrusões dos Estados Unidos foi bem recebida entre os creeks e seminoles, especialmente entre os mais conservadores e tradicionais.Owsley, 11-13.
A causa de Tecumseh para a mobilização de recrutas foi impulsionada pelo grande cometa de 1811 e pelos terremotos de Nova Madrid, entre 1811 e 1812, ambos tomados como evidência da sobrenaturalidade dos poderes de Tecumseh. O partido pró-guerra se reuniu entorno de profetas que viajaram com Tecumseh e acabaram ficando junto aos creeks, influenciando líderes religiosos recém-convertidos.Owsley, 14-15. Peter McQueen de Talisi (atual Tallassee, Alabama); Josiah Francis {Hillis Hadjo (Francis, o Profeta)} de Autaga, uma aldeia Koasati; e "Jim Cabeça-Grande" (Cusseta Tustunnuggee) e Paddy Walsh, ambos Alabamas, estavam entre os líderes espirituais que davam respostas às crescentes preocupações e à mensagem profética.Green (1985), Politics of Removal, pp. 40-42 A facção militante se opôs às políticas oficiais do Concílio da Confederação Creek, particularmente no que dizia respeito às relações exteriores com os Estados Unidos. O ascendente partido pró-guerra começou a ser chamado de Red Stick, sendo que na cultura creek, os 'bastões' (sticks) vermelhos simbolizavam a guerra, enquanto os brancos, a paz.Braund, "Red Sticks". Rethinking Tohopeka. 89-93.
A guerra
Os creeks que não apoiavam a guerra se tornaram alvos dos profetas e de seus seguidores, e começaram a serem assassinados durante o sono ou queimados vivos. Guerreiros partidários dos profetas também começaram a atacar as propriedades de seus inimigos, queimando plantações e destruindo rebanhos.Ehle 104-105 A primeira grande ofensiva da guerra civil creek foi o ataque à aldeia Upper Creek e sede do concílio, Tuckabatchee, em 22 de julho de 1813.
Na Geórgia, um grupo de creeks amigáveis pró-guerra, sob o comando de William McIntosh, Big Warrior, e Little Prince, atacou 150 guerreiros Uchee que viajavam ao encontro dos Red Sticks no Território do Mississippi. Após essa ofensiva no começo de outubro de 1813, o grupo queimou várias aldeias Red Sticks antes de se retirarem para Coweta.Owsley, 52.