Jason Sendwe (Mwanya, 1917 – Albertville, 19 de junho de 1964) foi um político quinxassa-congolês e líder do partido Associação Geral dos Lubas do Catanga (BALUBAKAT). Ocupou o cargo de vice-primeiro-ministro da República Democrática do Congo (então República do Congo) de agosto de 1961 até janeiro de 1963, e foi presidente da Província de Catanga do Norte de setembro de 1963 até sua morte, com uma breve interrupção.

Nascido no Congo Belga em uma família de etnia luba, estudou em escolas metodistas e instituições de enfermagem e iniciou sua carreira como ministro religioso, professor e enfermeiro. Envolveu-se em várias organizações culturais e em 1957 fundou o partido BALUBAKAT para lutar pelos interesses dos lubas. Como nacionalista, acreditava que o Congo deveria permanecer um país unido após o domínio belga. Em maio de 1960, pouco antes da independência do país, foi eleito para a recém-constituída Câmara dos Deputados. Sendwe procurou obter o controle sobre o governo da província de Catanga, mas perdeu uma luta pelo poder contra seu rival, Moïse Tshombe, e a Confederação das Associações Tribais de Catanga (CONAKAT). Ainda assim, o primeiro-ministro Patrice Lumumba o nomeou para o cargo de Comissário de Estado de Catanga.

No início de julho de 1960, Tshombe anunciou a separação de um estado independente de Catanga. Sendwe se opôs ao estado separatista e rejeitou as súplicas de Tshombe para que se juntasse ao governo rebelde. Investido com as responsabilidades do Comissário de Estado pelo Senado, Sendwe tentou, sem sucesso, restaurar o controle do governo central sobre Catanga. Após um período de turbulência, foi nomeado vice-primeiro-ministro em agosto de 1961 para angariar apoio ao governo central em Catanga. Quatro meses depois, foi escolhido Comissário-Geral Extraordinário da província, nominalmente dando-lhe total autoridade sobre a área.

As perspectivas políticas de Sendwe foram severamente prejudicadas em dezembro de 1962, quando o Senado o censurou e forçou sua posterior renúncia do cargo de vice-primeiro-ministro. No ano seguinte, quando Katanga acedeu à autoridade central e Tshombe fugiu para o exílio, o território foi dividido em novas unidades políticas contra a vontade de Sendwe. Apesar de sua insatisfação, assumiu o cargo de presidente de Catanga do Norte em setembro. A corrupção e pobreza na província perturbaram outras autoridades do governo e em janeiro de 1964 ele perdeu o cargo de presidente da BALUBAKAT. Em junho, os rebeldes Simba derrubaram seu governo e o mataram, embora não esteja claro quem foi o responsável final por sua morte. A morte de Sendwe desmoralizou muito os lubas, e sua reputação caiu na obscuridade.

Primeiros anos Jason Sendwe nasceu em 1917 em Mwanya, Território Cabongo, no Congo Belga, em uma família luba. Os lubas eram um grande grupo étnico indígena das regiões de Catanga e Cassai, no Congo. Sendwe era um amigo de infância de Moïse Tshombe. Ele recebeu seis anos de estudos na escola primária dos metodistas, em Cabongo, e quatro anos de educação secundária na Missão Metodista Canene em Camina. Por cinco anos, fez cursos de enfermagem em Stanleyville e na École officielle pour Infirmiers na antiga Élisabethville. Completou seus estudos na École des Assistants Indigènes, de Léopoldville, graduando-se como enfermeiro.

Suas vontades de se tornar médico foram desapontadas pela ausência de escolas de medicina no Congo. Sendwe trabalhou como ministro e professor na Missão Metodista de Canene e, em 1942, ingressou para o serviço da administração colonial como escriturário. Posteriormente, tornou-se enfermeiro e depois assistente médico, trabalhando em Élisabethville, Mutshatsha, Congolo e Cabongo. Foi membro fundador e tesoureiro da organização cultural Amitiés Belgo-Congolaises, tesoureiro da Académie des Beaux-Arts, conselheiro da Association Saint-Luc, conselheiro do Foyer social Léopold III e membro do conselho da Igreja de Cristo no Congo. Casou-se e teve oito filhos.

Carreira política Em 1957, Sendwe fundou e tornou-se presidente da Associação Geral dos Lubas do Catanga (BALUBAKAT), com o objetivo declarado de encorajar a unidade entre os lubas da Província de Catanga. Segundo o jornalista Évariste Kimba, ele conseguiu reunir grande parte do apoio por meio de seu "dinamismo" e interações frequentes com a população. Três princípios sublinharam sua filosofia política: proteção dos lubas, conquista da independência quinxassa-congolesa e a primazia da conciliação na resolução de disputas.

Em 1958, Sendwe participou da Expo de Bruxelas, trabalhando como assistente médico no Centro de Recepção de Pessoal Africano. Posteriormente, juntou-se ao efêmero Mouvement pour le Progres National Congolais, partido formado pelos participantes da exposição. Em 5 de fevereiro de 1959, Sendwe trouxe a BALUBAKAT para o partido da Confederação das Associações Tribais de Catanga (CONAKAT), de Tshombe, com a condição de manter uma autonomia significativa. Inicialmente, compartilhou as posições xenofóbicas do CONAKAT, mas logo ficou preocupado que sua hostilidade em relação aos imigrantes se estendesse aos lubas recém-chegadas. Sendwe também estava preocupado com as estreitas conexões de Tshombe com os belgas e sentia repulsa pela ascensão de vários de seus rivais políticos nas fileiras do partido. A BALUBAKAT começou a formar duas tendências, uma simpatizante da CONAKAT e outra de apoio ao Movimento Nacional Congolês (MNC). Este último foi liderado por Sendwe. Em outubro, enviou uma carta a Balduíno, rei dos belgas, pedindo que se opusesse aos esforços de "desmantelar o imenso país" criado por seus antecessores.

Em novembro de 1959, Sendwe retirou a BALUBAKAT da CONAKAT. Posteriormente, negociou a formação de um "Cartel Katangais" entre a BALUBAKAT e duas outras organizações para competir contra a CONAKAT nas eleições municipais de dezembro de 1959. Sendwe se encontrou com Balduíno em 25 de dezembro. Em janeiro de 1960, Sendwe decidiu que buscaria um Congo independente organizado num estado federal, com um governo central robusto, em contraste com a visão da CONAKAT de uma confederação. Naquele mês, foi a Bruxelas para participar da Mesa Redonda Belgo-Congolesa, uma reunião para discutir o futuro político do Congo Belga. A conferência terminou com a adesão do governo belga às exigências quinxassa-congolesas para a independência da colônia em 30 de junho de 1960.

Protagonismo em cargos públicos Nas eleições nacionais antes da independência da República do Congo em 30 de junho de 1960, Sendwe foi eleito para a Câmara dos Deputados com votos do eleitorado de Élisabethville. A CONAKAT obteve uma ligeira maioria dos assentos na Assembleia Provincial de Catanga, podendo assim determinar a composição do governo provincial. Sendwe pediu que os deputados da BALUBAKAT se abstivessem; quando a assembleia se reuniu em 5 de junho, não havia quórum para votar nas pastas provinciais. A CONAKAT ofereceu a Sendwe o cargo de vice-presidente de Catanga e a responsabilidade de vários ministérios, contudo se recusou a negociar. Em 15 de junho, o Parlamento belga modificou a constituição provisória do Congo para reduzir o número de deputados necessários para um quórum para votar em um governo. Os representantes do Cartel Catangais declararam posteriormente que esperariam pela decisão do governo central quinxassa-congolês após a independência. Naquele mesmo dia, Sendwe assinou um acordo com o líder do MNC Patrice Lumumba, criando uma coalizão no Parlamento para apoiar um governo sob Lumumba. Em troca, a BALUBAKAT receberia algumas pastas ministeriais e Sendwe seria escolhido comissário de Estado de Catanga. Em 19 de junho, uma delegação do partido BALUBAKAT, liderada por Prosper Mwamba Ilunga, viajou secretamente para Léopoldville para se encontrar com Lumumba. Eles o encorajaram a demitir Sendwe se não seguisse suas ordens, e expressaram sua desaprovação na decisão de Sendwe de instruir os deputados da BALUBAKAT a boicotar a Assembleia Provincial de Catanga.

Em 23 de junho, o Cartel Katangais declarou seu governo preferido para Catanga, que colocou Sendwe como Presidente Provincial. Enquanto isso, o CONAKAT votou em seu próprio governo. Apesar disso, Lumumba, como primeiro-ministro, nomeou Sendwe para ser o comissário de Estado de Catanga. O Presidente da Assembleia Provincial de Catanga, Charles Mutaka, ameaçou secessão se a escolha fosse confirmada. No início de julho, Tshombe avançou com a secessão da província com apoio belga, mas buscou ativamente o apoio de Sendwe, na esperança de construir uma coalizão que o traria como vice-presidente de um Catanga independente. Sendwe rejeitou a ideia, rompendo as relações entre eles. O Senado, inicialmente, rejeitou todos os indicados de Lumumba para comissário estadual. No entanto, em 22 de julho, o órgão, por meio de uma ação destinada a transmitir seu desejo de que a autoridade do governo central fosse restabelecida em Catanga, votou para confirmar a nomeação de Sendwe, 42 votos a 4, e sete abstenções. Depois de assumir o papel de comissário de Estado de Catanga, Sendwe tentou em vão restaurar o controle do governo central sobre a província. Suas tentativas de fazê-lo, bem como seu objetivo de intermediar um entendimento entre as legendas BALUBAKAT e CONAKAT a nível nacional, foram frustrados pelo governo belga, que via Sendwe como um instrumento do governo de Lumumba, com quem mantinham relações tensas. esquerda|miniaturadaimagem|Mapa das facções no Congo em 1961, entre eles o Estado do Catanga Sendwe foi escolhido para liderar parte do exército ao norte de Catanga para restabelecer a autoridade do governo central, mas este plano foi dissolvido após a demissão de Lumumba pelo presidente Joseph Kasa-Vubu em setembro. A morte de Lumumba causou turbulência política, e Sendwe foi nomeado pela Câmara como relator de uma comissão de reconciliação encarregada de intermediar um acordo político entre Kasa-Vubu e Lumumba. Enquanto isso, o norte de Catanga rejeitou a liderança de Tshombe e a secessão em favor de Sendwe, que os habitantes viam como um proponente do nacionalismo e um protetor da etnia luba. Sendwe também desfrutou de uma grande popularidade em Élisabethville, representando uma ameaça política significativa para Tshombe. No entanto, muitos no governo central o viam como muito próximo do primeiro-ministro deposto.

Em 19 de outubro, três dias depois que Tshombe concluiu um acordo com o coronel Joseph-Désiré Mobutu para — nas palavras de Mobutu — "neutralizar" Lumumba, Sendwe foi preso por funcionários do governo central. A Organização das Nações Unidas (ONU) garantiu sua libertação com base na imunidade parlamentar. Com seu apoio, Sendwe viajou pelo norte de Catanga para promover a paz e recebeu uma recepção extática dos lubas. Isto encorajou os lubas a manterem a ordem pública e a depositar sua confiança na ONU. Na maior parte, sua viagem melhorou a segurança na região, mas sua presença em Manono, nos dias 2 a 3 de novembro, aumentou as tensões na área. Tshombe denunciou-o como um "perigo público". Enquanto o governo central negociava a transferência de Lumumba para Catanga (onde seria executado na chegada), Tshombe pediu repetidamente para receber Sendwe. Embora ainda concordassem com o plano, os funcionários do governo central, posteriormente, desistiram de seu compromisso de entregá-lo.