George Tucker (Ilha de St. George, 20 de agosto de 1775Condado de Albemarle, 10 de abril de 1861) foi um advogado, político, historiador, autor e educador americano cuja atividade se deu no estado da Virgínia. Nascido nas Bermudas, era filho de Daniel Tucker, o primeiro prefeito de Hamilton, a capital daquele país. Imigrou para a Virgínia aos 20 anos e graduou-se em Direito na Faculdade de William e Mary e, posteriormente, foi admitido na Ordem dos Advogados. Seu primeiro casamento com Mary Farley terminou sem filhos com a morte dela em 1799; ele se casou novamente e teve seis filhos com Maria Carter, que morreu aos 38 anos em 1823. Seu terceiro casamento, que durou 30 anos, foi com Louisa Thompson, que morreu em 1858.
Além de sua atuação jurídica, Tucker escreveu composições distintas para várias publicações. Seus tópicos variaram amplamente do conceitual ao técnico — da escravidão, sufrágio e moralidade à navegação intracostal, salários e serviços bancários. Na política, foi eleito em 1816 para a Câmara dos Representantes da Virgínia por um mandato e trabalhou na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos de 1819 a 1825. Desde a juventude até o início da meia-idade, o estilo de vida social extravagante de Tucker costumava ser perdulário e, ocasionalmente, escandaloso. No entanto, após a conclusão de seu mandato no Congresso, suas publicações eloquentes levaram Thomas Jefferson e James Madison a oferecer-lhe uma nomeação como professor de filosofia moral na recém-fundada Universidade da Virgínia; ele aceitou e ocupou o cargo até 1845.
Suas obras literárias são The Valley of Shenandoah (1824), a primeira ficção da vida colonial na Virgínia, e Voyage to the Moon (1827), que está entre os primeiros romances de ficção científica do país. Ele também publicou a primeira biografia abrangente de Thomas Jefferson em 1837, assim como, em History of the United Stats (1856). As publicações de Tucker e seu trabalho como professor serviram para redimir uma vida anterior de hábitos sem princípios que lhe trouxeram algum descrédito.
Depois de se aposentar, Tucker mudou-se para a Filadélfia, continuando sua pesquisa e dissertando sobre uma variedade de assuntos, que incluíam política monetária e socioeconomia, até sua morte na Virgínia aos 85 anos de idade.
Família e infância em Bermudas George Tucker nasceu em 20 de agosto de 1775, na ilha de St. George, em Bermudas. Ele era o segundo filho de Daniel e Elizabeth Tucker, que eram primos distantes e membros da família Tucker, entre eles, Henry Tucker. Daniel e seus irmãos criaram uma parceria mercantil com uma frota de navios que transportavam mercadorias para a América Britânica, Terra Nova e Índias Ocidentais. Daniel também foi fundador e prefeito do porto de Hamilton, nas Bermudas. Tucker oferece uma descrição sobre seu físico em sua autobiografia: “Eu tinha 5 pés e 10 polegadas (180 cm) de altura e, embora um tanto esguio, bem-proporcionado. Eu tinha grande espírito animal e mobilidade incessante. Meu rosto era um tanto feminino."
Tucker foi escolarizado principalmente por um tutor contratado da Grã-Bretanha e também por Josiah Meigs. Suas leituras foram Tom Jones, The Vicar of Wakefield e Arabian Nights, consideradas, na época, os pilares de uma educação no continente americano. Aos quinze anos de idade, ele ajudou a formar um clube literário, que ele diz ter chamado de Calliopean Society; isso pode ter sido uma imitação do original iniciado anteriormente em Nova Iorque. Tucker, aos 16 anos, começou a estudar o Direito com um advogado bem-sucedido e próspero, George Bascomb. Com a morte de Bascomb, os clientes da empresa pressionaram-no a assumir sua representação, mas sentindo-se bastante desqualificado, ele se recusou e iniciou planos para uma carreira nos Estados Unidos.
De acordo com a autobiografia de Tucker, nessa época, ele encontrou seu primeiro interesse amoroso, por uma prima distante, Nancy Tucker. Quanto mais ele sofria em silêncio com seus sentimentos, mais fortes eles cresciam, até que finalmente ele resolveu visitá-la em casa e fazer sua declaração. À sua chegada, os dois entraram num salão onde ele lhe ofereceu a mão, que foi aceite, tudo em silêncio. Eles continuaram de mãos dadas e língua presa por 10 a 15 minutos, até a entrada de sua mãe, e a visita terminou. Logo depois disso, a menina adoeceu e morreu, deixando-o em luto, que ele descreveu como uma "aflição muito séria". Seis anos se passaram antes que ele manifestasse interesse por outra mulher.
Mudança para os EUA, graduação e primeiro casamento esquerda|miniaturadaimagem|269x269px|Saint-Mamin gravou o retrato do primo de Tucker, St. George Tucker, que lhe forneceu ajuda fundamental Pouco depois da morte de sua mãe em 1795, Tucker partiu para a Filadélfia, com a intenção de continuar seus estudos jurídicos nos Estados Unidos. Ele considerou brevemente Londres para seus estudos, mas descartou a ideia, a fim de otimizar suas chances de "avanço político". Depois de passar um tempo livre com outros bermudenses na capital, ele ficou sem fundos e foi para Williamsburg, na Virgínia, para buscar conselhos e pedir dinheiro emprestado a seu famoso primo, St. George Tucker, uma manobra que ele repetiria. Ele ingressou na Faculdade de William e Mary, onde estudou direito com St. George e se formou após dois anos. Tucker ficou satisfeito com um trabalho acadêmico pouco exigente e uma vida social divertida, pois ganhou acesso às melhores casas por meio de seu primo.
Tucker viajou para Nova Iorque e Filadélfia e, com cartas de apresentação em mãos, pôde se familiarizar ainda mais com seu país adotivo e líderes notáveis, entre eles, o presidente George Washington e os governadores de Nova Iorque, John Jay e George Clinton. Apesar de gostar desta alta sociedade, ele voltou para Williamsburg e lá começou um namoro com Mary Byrd Farley, mulher de muito charme e fortuna, a quem ele pediu em casamento. Embora inicialmente tivesse preferido adiar o casamento até que fosse admitido na advocacia, ele cedeu ao desejo de seu coração, tomou emprestado os fundos necessários de um tio e eles se casaram em abril de 1797. Para ajudar Mary, que sofria de tuberculose crônica, Tucker organizou uma viagem para sua antiga casa em Bermudas. A estada lá não trouxe alívio para Mary em sua doença e confirmou seu desejo de estar na Virgínia. Eles voltaram para Williamsburg, fixando residência, e ele começou a ler para admissão à advocacia, que foi concluída após alguma procrastinação. Afora viagens à Carolina do Norte para cobrar aluguéis da propriedade de sua esposa, Tucker evitou trabalhar, participando de corridas de cavalos em Fredericksburg e frequentando bares da moda com amigos e familiares. Ele conheceu Thomas Jefferson nessa época. Mary nunca se recuperou de suas enfermidades e morreu sem filhos em 1799.
A morte de Mary complicou a vida fácil de Tucker, pois sua propriedade, embora considerável — uma plantação de açúcar, milhares de acres de terra e uma participação na Dismal Swamp Company — estava repleta de problemas judiciais. Depois de uma viagem prolongada para a plantação de açúcar em Antígua, e para a Martinica e em Bermudas, ele voltou para Williamsburg, e então determinou que seu futuro estava na capital do estado vizinho da Virgínia, Richmond, como advogado. Tucker conseguiu salvar apenas parte da fortuna de sua falecida esposa.
Vida em Richmond, segundo casamento, política e escravidão miniaturadaimagem|Maria Carter Tucker, retrato em miniatura de Sully ca. 1805 Tucker chegou a Richmond no verão de 1800 com uma carta de apresentação de St. George ao governador James Monroe. A carta de seu primo retratou com precisão a figura de Tucker e também previu seu futuro lá: "Às melhores qualidades do coração ele une um excelente entendimento, que foi bem cultivado, e um conhecimento muito abrangente do mundo; a natureza o abençoou com um fluxo exuberante de espíritos, que às vezes o traem em atos de leviandade (...)". Tucker efetivamente entrou nos círculos sociais desejados em Richmond, reforçado por uma casa bem mobiliada perto da própria do governador, e logo poderia contar entre seus conhecidos, não apenas o governador (a quem Tucker chamou de "aquele homem lento e maçante"), mas também George Wythe, Edmund Pendleton e George Hay. Tucker, mais tarde, se gabou de que, com exceção de John Adams, ele manteve relações pessoais com todos os presidentes de Washington a Buchanan.
Enquanto estava em Richmond, ele conheceu Charles Carter (1765–1829), que o apresentou à filha Maria Ball Carter — neta de Betty Washington Lewis e descendente de Robert Carter I. Tucker descreveu-a: "sendo uma beleza decidida, ela tinha um rosto distinto por doçura e inteligência, conversava com sensatez e cantava docemente". Eles logo se apaixonaram e, em fevereiro de 1802, ele se casou com Maria, então com dezessete anos e já grávida.
Conquanto Tucker já começasse a escrever para a publicação, como advogado ele era inicialmente deficiente, sendo incapacitado por seu medo de falar no tribunal; mais tarde, ele ganhou a autoconfiança necessária. Posteriormente, Tucker tornou-se membro fundador da Sociedade Histórica e Filosófica da Virgínia (agora Museu de História e Cultura da Virgínia) em Richmond. Este foi um esforço liderado por John Marshall e John Floyd; Tucker foi nomeado para o Comitê Permanente da Sociedade.
Politicamente, Tucker era um republicano Jeffersoniano, ou seja, que se deliciava com a divisão dos federalistas entre John Adams e Alexander Hamilton. Ele juntou-se ao ressentimento em relação às tentativas federalistas de "nomear um presidente" por convenção partidária; com o tempo, ele se tornou um republicano pró-bancário. Certa vez, ele fez um discurso em apoio a um federalista em uma eleição local, e um republicano ferrenho, Lewis Harvey, chamou-o de traidor e mentiroso do partido. Tucker, rotineiramente propenso a um temperamento explosivo, tentou acertar Harvey, mas errou devido à intervenção de uma parte neutra. Assumindo que seu desafio não teve sucesso, Tucker exigiu satisfação, que Harvey aceitou. Tucker organizou cuidadosamente um duelo, estipulando uma distância extraordinária em passos, de modo a diminuir a pontaria superior de seu oponente. Felizmente para Tucker, o duelo foi evitado no último momento — embora não antes de ele completar seu testamento e organizar sua propriedade para sua esposa grávida. Seu primeiro filho, Daniel George, nasceu em 23 de novembro de 1802.
Ponto de vista sobre a escravidão Tucker procurou os principais autores de Richmond para promover seu interesse pela literatura e pelas artes. Uma conspiração de escravos iniciou uma tentativa fútil de destruir a cidade, e ele foi solicitado a publicar um ensaio sugerindo um remédio para a escravidão, intitulado Letter to a Member of the General Assembly of Virginia (1801). A Letter de Tucker expressou sua oposição inicial à escravidão, retratando-a como improdutiva e antieconômica. Ele escreveu que nenhum país "pode atingir grandes alturas em manufaturas, comércio ou agricultura, onde metade da comunidade trabalha de má vontade e a outra metade não trabalha de forma alguma". Ele recomendou que as receitas fossem garantidas (com um imposto sobre os proprietários de escravos) e usadas para criar uma colônia para os escravos a oeste do Mississippi. Ele afirmou ainda que a inferioridade do escravo era resultado do tempo e das circunstâncias, e não da hereditariedade.