miniaturadaimagem|Meteor um dos mais modernos mísseis além do alcance visual atualmente em uso. thumb|300px|O Mitsubishi AAM-4 foi o primeiro míssil BVR operacional a utilizar uma cabeça de busca com radar de varredura eletrônica ativa (AESA).
Um míssil além do alcance visual (em inglês: beyond-visual-range missile, comumente abreviado como míssil BVR ou BVRAAM) é um míssil ar-ar projetado para engajar alvos a distâncias que ultrapassam o campo de visão visual do piloto. Mísseis ar-ar de médio, longo e muito longo alcance enquadram-se nessa categoria. Ao operar em capacidade BVR, o piloto depende dos sensores e sistemas de radar de bordo da aeronave para detectar, identificar, adquirir e acompanhar o alvo eletronicamente. O alcance BVR convencionalmente inicia-se a partir de de distância.
Os mísseis BVR são propulsionados por motores-foguete de combustível sólido (frequentemente com tecnologia de motor-foguete de pulso duplo) ou por uma combinação de acelerador inicial (booster) com motor sustentador do tipo estatorreator (ramjet). Além do alcance cinético estendido, o míssil deve manter a capacidade de rastrear a ameaça a longas distâncias ou adquirir o alvo autonomamente em pleno voo. Modelos BVR de primeiras gerações utilizavam predominantemente o guiamento por radar semi-ativo (SARH), enquanto as armas modernas empregam guiamento ativo por radar (ARH) associado a sistemas de navegação inercial e correções de meio de curso transmitidas via enlace de dados (datalink).
História thumb|Caça JA37 Viggen da Força Aérea Sueca armado com mísseis BVR Skyflash de guiamento por radar semi-ativo sob as asas. thumb|right|Primeiro teste de interceptação com destruição de alvo do AIM-120 AMRAAM no Campo de Mísseis de White Sands, Novo México (1982).
Os primeiros mísseis ar-ar de longo alcance utilizavam sistemas primitivos de guiamento por feixe condutor (beam riding). O modelo norte-americano Sparrow I, instalado nos caças navais F3D Skyknight, tornou-se o primeiro míssil BVR operacional em 1954. Esses primeiros vetores foram rapidamente substituídos por armas dotadas de guiamento por radar semi-ativo (SARH). Nesse método, o radar da aeronave lançadora precisa travar no alvo no modo de acompanhamento de alvo único (STT), emitindo continuamente radiação eletromagnética que a cabeça de busca do míssil capta após refletir na fuselagem do inimigo. A antena da aeronave lançadora deve manter a iluminação do alvo até o momento da detonação, expondo a aeronave a contra-ataques. Mísseis como o AIM-7 Sparrow e o soviético Vympel R-27 (designação OTAN: AA-10 Alamo) utilizam essa tecnologia.
Uma variante do AIM-7 denominada Sparrow III representou a consolidação operacional do guiamento semi-ativo em larga escala. Contudo, o primeiro míssil ar-ar de longo alcance a introduzir uma cabeça de busca com radar ativo terminal em serviço foi o AIM-54 Phoenix, operado pelos caças F-14 Tomcat da Marinha dos Estados Unidos a partir de 1972. Isso dispensou a necessidade de o caça lançador manter o alvo iluminado até o impacto. O Phoenix e o radar AWG-9 do Tomcat dispunham da capacidade de rastrear e engajar múltiplos alvos simultaneamente, recurso exclusivo do binômio F-14/AIM-54 até a introdução do AIM-120 AMRAAM em 1991.
Mísseis modernos do tipo "dispare e esqueça" (fire-and-forget), como o norte-americano AIM-120 AMRAAM e o russo R-77 (designação OTAN: AA-12 Adder), empregam um sistema de navegação inercial (INS) calibrado com dados iniciais do alvo fornecidos pelo caça e recebem correções de trajetória via enlace de dados durante o voo intermediário, ativando seu próprio transceptor de radar ativo apenas nos momentos finais da interceptação. Essa arquitetura tática não exige o travamento estrito do radar de bordo no momento do disparo, reduzindo o tempo de alerta nos sistemas de defesa (RWR) do inimigo e permitindo que o caça manobre livremente ou engaje novos alvos enquanto o míssil se desloca. Mísseis de alcance muito longo, como o Vympel R-33 (designação OTAN: AA-9 Amos) do caça MiG-31, utilizam perfis semelhantes de guiamento inercial intermediário e radar semi-ativo ou ativo terminal.
Determinadas variantes do míssil soviético/russo Vympel R-27 empregam guiamento por radar semi-ativo na fase intermediária e cabeça de busca por infravermelho (IR) na fase terminal (como o R-27T/ET), o que proporciona guiamento passivo imune a contramedidas de chaff nos instantes finais do ataque.
Eficácia operacional thumb|Seção frontal do sensor de radar ativo do míssil R-77 na feira aeroespacial MAKS de 2009. thumb|Caça furtivo Chengdu J-20 com quatro mísseis BVR PL-15 no compartimento interno de armas. Um míssil ar-ar de curto alcance PL-10 é visível no trilho lateral.
A eficácia real dos mísseis ar-ar BVR em combates históricos foi objeto de debates técnicos e doutrinários. Um estudo de 2005 publicado pelo oficial da Força Aérea dos EUA (USAF) Patrick Higby demonstrou que as primeiras gerações de mísseis BVR apresentaram taxas de acerto muito inferiores às expectativas teóricas, a despeito dos elevados custos de desenvolvimento. A necessidade de acomodar radares de grande abertura tornava os caças mais pesados e aumentava o arrasto aerodinâmico, elevando os custos de aquisição e manutenção das frotas. Além disso, as rígidas regras de engajamento (ROE) e as limitações dos sistemas de identificação amigo-inimigo (IFF) forçavam os pilotos a aproximarem-se até a confirmação visual antes de disparar. Entre 1965 e 1982, as forças aéreas ocidentais registraram apenas quatro abates em alcance genuinamente BVR de um total de 528 vitórias aéreas confirmadas; a quase totalidade dos abates naquele período foi obtida por canhões internos ou mísseis de curto alcance dentro do alcance visual (WVR), como o AIM-9 Sidewinder.
O aumento expressivo nos abates BVR durante a Guerra do Golfo (1991) decorreu da maturidade dos radares pulso-Doppler digitais, do apoio tático de aeronaves de alerta aéreo antecipado (AWACS) e de sistemas de reconhecimento não cooperativo de alvos (NCTR) nos caças F-15C, somados à superioridade eletrônica que degradou os radares e as táticas de evasão das forças iraquianas. No século XXI, o desenvolvimento de motores estatorreator (como no míssil europeu Meteor), de matrizes AESA e de sistemas modernos de fusão de dados e enlaces seguros de comunicação ampliou expressivamente a "zona de não fuga" (NEZ) e a probabilidade de destruição (kill probability) dos mísseis BVR modernos.
+ Vitórias ar-ar confirmadas por forças aéreas ocidentais por método de engajamento (estudo de 2005) Período / Conflito Total de abates Canhão Mísseis WVR Mísseis BVR disparados em alcance visual (WVR) Mísseis BVR disparados além do alcance visual (BVR) Observações 1965–1982 (Guerra do Vietnã e conflitos árabe-israelenses) 528 144 308 69 4 Foram efetuados 61 disparos em alcance BVR real, resultando em 4 acertos (taxa de acerto de 6,6%). 1991 (Guerra do Golfo) 41 2 10 8 16 Mísseis disparados em modo BVR obtiveram taxa de acerto de 34%. Em contraste, mísseis WVR atingiram 67% de eficácia. 1994 (Incidente de Banja Luka) 4 0 3 1 0 1999 (Incidente de 5 de janeiro sobre o Iraque) 0 0 0 0 0 Seis mísseis BVR foram disparados (AIM-120, AIM-54 e AIM-7), sem nenhum acerto.
Lista de mísseis BVR
PL-12 (SD-10) PL-15 PL-17 PL-21 (consórcio multinacional) Meteor
MICA RF
Astra BVRAAM
Derby Sky Sting
AAM-4
Faaz
K-100 R-27 R-37 / R-37M R-77
R-Darter
R-33 R-40
Sky Sword II
Gökdoğan
Skyflash
AIM-120 AMRAAM AIM-174B AIM-260 JATM AIM-54 Phoenix AIM-7 Sparrow
Míssil ar-ar de longo alcance de designação não confirmada (similar ao AIM-120 e ao PL-12).
Galeria
Ver também Míssil ar-ar Guiamento ativo por radar Guiamento por radar semi-ativo Zona de não fuga
Referências
Categoria:Mísseis por tipo Categoria:Mísseis ar-ar