A Classe Colorado foi uma classe de couraçados operada pela Marinha dos Estados Unidos, composta pelo , , e . Suas construções começaram durante a Primeira Guerra Mundial nos estaleiros da New York Shipbuilding e Newport News Shipbuilding; os batimentos de quilha ocorreram entre 1917 e 1920, foram lançados ao mar em 1920 e 1921 e comissionados em 1921 e 1923. O projeto da Classe Colorado era essencialmente uma repetição da predecessora Classe Tennessee, com a única grande mudança sendo na bateria principal, que aumentou de canhões de 356 milímetros para armas de 406 milímetros.
Os couraçados da Classe Colorado eram armados com uma bateria principal de oito canhões de 406 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas. Tinham um comprimento de fora a fora de 190 metros, boca de quase trinta metros, calado de pouco mais de nove metros e um deslocamento de mais de 34 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por oito caldeiras a óleo combustível que alimentavam dois turbo geradores, que por sua vez proporcionavam energia para quatro motores elétricos até uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora). Os navios também eram protegidos por um cinturão principal de blindagem com 203 a 343 milímetros de espessura.
O Washington foi cancelado incompleto após a assinatura do Tratado Naval de Washington, sendo deliberadamente afundado em 1924. Os três navios finalizados passaram o período entreguerras realizando exercícios e treinamentos de rotina. O Maryland e o West Virginia estavam presentes no Ataque a Pearl Harbor, com o primeiro sofrendo danos leves, mas o segundo sendo seriamente danificado e afundado. As três embarcações foram modernizadas e colocadas em funções de bombardeio litorâneo nas campanhas das Ilhas Gilbert e Marshall, Ilhas Mariana e Palau, Filipinas e Ilhas Vulcano e Ryukyu. Foram descomissionados em 1947 após o fim da guerra e desmontados em 1959.
Desenvolvimento A construção de couraçados armados com canhões de 406 milímetros foi pensada pelo Conselho Geral da Marinha dos Estados Unidos e pelo Escritório de Construção e Reparo desde pelo menos 1913, pois o aumento do tamanho prometia o dobro da energia cinética sobre os canhões de 305 milímetros em serviço na época e cinquenta por cento a mais do que as armas de 356 milímetros que estavam sendo introduzidas. O canhão de 356 milímetros dominou o projeto de couraçados entre 1913 e 1916, assim como a arma de 305 milímetros tinha feito anteriormente de 1908 a 1910. Entretanto, apesar do Conselho Geral ter aprovado o canhão de 406 milímetros desde pelo menos 1911, George von Lengerke Meyer, o Secretário da Marinha, achou que a arma maior deixaria obsoletos os navios capitais ainda na mesa de projeto. Por este motivo, ele restringiu o Escritório de Armamentos a não proceder além de plantas para um canhão desse tamanho como uma forma de precaução contra desenvolvimentos estrangeiros. Meyer finalmente aprovou a construção de uma arma do tipo em outubro de 1912 e ela foi testada com sucesso em agosto de 1914. Isto, mais notícias não-oficiais em várias publicações sobre novos canhões de 381 e 406 milímetros sendo adotados por Reino Unido, Itália, Alemanha e Japão, fizeram o Conselho Geral considerar cancelar a construção da Classe Pennsylvania em favor de um projeto com armas maiores. Isto significaria um aumento de oito mil toneladas por navio, o dobro do salto da Classe Nevada para a Classe Pennsylvania. Os debates continuaram pelos três anos seguintes. Josephus Daniels, o sucessor de Meyer, barrou qualquer aumento em potencial de custos e ordenou que os elementos de projeto de classes anteriores prosseguissem, porém aceitou um meio-termo em 1917 ao permitir que o armamento fosse aprimorado, mas isto seria a única mudança substancial permitida.
thumb|300px|esquerda|Ilustração de 1917 da Classe Colorado Consequentemente, o projeto da Classe Colorado foi adaptado da predecessora Classe Tennessee; não houve nenhuma diferença significativa entre os dois projetos além do aprimoramento do armamento de doze canhões calibre 50 de 356 milímetros em quatro torres de artilharia triplas para oito canhões calibre 45 de 406 milímetros em quatro torres duplas. A Classe Tennessee, por sua vez, fora o resultado de modificações sobre a predecessora Classe New Mexico, que tinham sido os couraçados norte-americanos mais modernos a atuarem na Primeira Guerra Mundial e tinham chamado a atenção de construtores britânicos. Essa similaridade seria levada adiante para a Classe South Dakota e para a Classe Lexington à medida que os Estados Unidos padronizava ainda mais seus projetos navais. Isto em parte ocorreu devido a experiências adquiridas durante a guerra, quando mais de 250 contratorpedeiros e mais de 450 embarcações antissubmarino precisaram ser construídas rapidamente. A Marinha dos Estados Unidos fez isto em um processo muito semelhante a uma linha de montagem, mantendo um projeto básico por classe com o máximo de padronização. O Ato Naval de 1916 previa a iminente construção de dezesseis couraçados e seis cruzadores de batalha, assim era necessário simplificar a produção a fim de economizar tempo e trabalho.
Mesmo assim, apesar dos couraçados norte-americanos terem sido padronizados o máximo possível, melhoramentos no projeto foram implementados sempre que praticável. A maioria das mudanças na Classe Colorado foram incorporadas ao projeto antes do batimento de quilha. Entretanto, planos para a proteção subaquática, a principal defesa contra torpedos e projéteis que caíssem um pouco antes dos navios mas que conseguissem viajar o suficiente debaixo d'água, não puderam ser finalizados em tempo. O problema era que os testes em ensecadeiras ainda não tinham acabado, em que experimentos provariam que uma série de compartimentos divididos entre aqueles preenchidos por líquido e aqueles vazios seriam uma defesa eficaz contra torpedos. Propostas enviadas para estaleiros salientavam que, caso fossem escolhidos para construírem as embarcações, alterações ao projeto deveriam ser permitidas até três meses depois do início das obras. Isto foi feito a fim de iniciar as construções o mais rápido possível.
Projeto Características thumb|250px|Desenho do West Virginia em 1930 A Classe Colorado era muito similar à Classe Tennessee em aparência e dimensões. Os navios tinham 190,27 metros de comprimento de fora a fora, boca de 29,72 metros e calado de 9,3 metros. Tinham um deslocamento normal de 33,1 mil toneladas, enquanto o deslocamento carregado era de 34 130 toneladas. Assim como as predecessoras Classe New Mexico e Classe Tennessee, a Classe Colorado foi projetada com uma proa clipper com o objetivo de impedir que os couraçados ficassem muito molhados tem mares bravios, também mantendo seus armamentos secundários na superestrutura em vez de no casco superior, como era o caso na Classe Pennsylvania e anteriores, onde as armas costumavam ficar excessivamente molhadas e assim frequentemente inoperantes.
Propulsão Transmissão turbo-elétrica tinha sido utilizada em classes anteriores e foi mantida aqui. As vantagens incluíam a capacidade das turbinas de rodarem em velocidade ideal independentemente das hélices, o que levava a uma maior autonomia e economia de combustível, além de uma maior subdivisão de maquinário, o que melhorava a capacidade dos couraçados de resistirem a torpedos. Cada uma das quatro hélices era girada por um motor elétrico de 5 424 quilowatts, por sua vez impulsionados por dois turbo-geradores de duas fases, estes produzidos pela General Electric para o Maryland e Washington e pela Westinghouse para o Colorado e o West Virgnia. O vapor para os geradores provinha de oito caldeiras de tubos d'água Babcock & Wilcox, cada uma em um compartimento individual. No total, o sistema inteiro produzia 28,9 mil cavalos-vapor (21,3 mil quilowatts) de potência, suficiente para uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora). Os navios podiam carregar até 4 570 toneladas de óleo combustível, o que permitia um autonomia de oito mil milhas náuticas (quinze mil quilômetros) a dez nós (dezenove quilômetros por hora).
Armamento Principal thumb|esquerda|260px|Arranjo e disposição do armamento principal da Classe Colorado Os couraçados da Classe Colorado eram armados com uma bateria principal de oito canhões Marco 1 calibre 45 de 406 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas. Estas eram arranjadas duas à frente da superestrutura e duas à ré, em ambos os casos com uma torre sobreposta à outra. As armas disparavam projéteis perfurantes de 960 quilogramas a uma velocidade de saída de 790 metros por segundo e a uma cadência de tiro de 1,5 disparo por minuto. A uma elevação máxima de trinta graus, os projéteis tinham um alcance máximo de 31,4 quilômetros. O desenvolvimento deste canhão começou em agosto de 1913 usando um canhão Marco 2 de 330 milímetros alargado e realinhado. A promessa era de uma arma que tivesse o dobro da energia de saída dos canhões Marco 7 calibre 50 de 305 milímetros e cinquenta por cento mais que os canhões calibre 45 de 356 milímetros da Classe New York. O primeiro teste de disparo ocorreu em julho de 1914 e pequenas mudanças foram realizadas, com o modelo Marco 1 sendo aprovado em maio de 1916 e sua produção aprovada em janeiro do ano seguinte. Estes canhões foram reconstruídos de acordo com os padrões da Marinha dos Estados Unidos quando a Classe Colorado foi modernizada na década de 1930, sendo redesignados como Marco 5 e Marco 8.
Secundário A bateria secundária originalmente era composta por catorze canhões Marco 15 calibre 51 de 127 milímetros que tinham a intenção de defender os navios de contratorpedeiros. Este número foi reduzido para doze em 1922. Os canhões disparavam projéteis de 23 quilogramas a uma velocidade de saída de 960 metros por segundo e uma cadência de tiro de sete disparos por minuto. A uma elevação de vinte graus o alcance máximo era de 14,5 quilômetros. A arma era extremamente precisa e tinha um espaço de perigo mais longo do que o alcance para alvos a distâncias menores que 2,7 quilômetros. Assim como nas predecessores Classe New Mexico e Classe Tennessee, os canhões ficavam montados em casamatas no convés principal, mas um convés acima do que nas classes anteriores a fim de permitir que continuasse operantes em mares bravios se necessário.
Os Marco 15 foram substituídos no West Virginia em 1942 por dezesseis canhões de duplo-propósito Marco 12 calibre 38 de 127 milímetros em oito torres de artilharia duplas. As armas Marco 15 foram mantidas no Colorado e Maryland, com oito canhões Marco 12 sendo instalados em montagens únicas com escudos; as torres de artilharia duplas não instaladas porque seu estoque estava escasso na época. Estas novas armas disparavam projéteis de 25 quilogramas, tendo um alcance máximo de 15,9 quilômetros e uma altura máxima de disparo de 11,3 quilômetros a uma elevação de 45 graus. Tinham uma elevada cadência de tiro por serem recarregados a mão e por poderem ser facilmente recarregados em qualquer elevação. Projéteis antiaéreos com estopins de proximidade começaram a ser usados em 1943, deixando os canhões ainda mais capazes.
Antiaéreo thumb|240px|O West Virignia em junho de 1944, com várias de suas armas antiaéreas visíveis nas suas laterais e superestrutura