Rosângela Lula da Silva, amplamente conhecida como Janja (União da Vitória, 27 de agosto de 1966), é uma socióloga e ativista brasileira. Filiada ao Partido dos Trabalhadores desde 1983, tornou-se a primeira-dama do país em 1.º de janeiro de 2023, em decorrência da terceira posse presidencial de seu marido, Luiz Inácio Lula da Silva, o 39.º presidente do Brasil.

Formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), desenvolveu carreira em projetos de desenvolvimento social, sustentabilidade, comunicação institucional e responsabilidade socioambiental. Trabalhou na administração pública paranaense, prestou serviços em projetos relacionados à construção da Usina Hidrelétrica de Barra Grande e integrou, durante aproximadamente quinze anos, os quadros da Itaipu Binacional, com um período de atuação na Eletrobras.

Janja participou da campanha presidencial de Lula em 2022, especialmente na articulação com artistas, na comunicação digital e na organização de eventos públicos. Após a eleição, integrou as atividades da transição governamental e coordenou aspectos da posse presidencial de 1.º de janeiro de 2023, incluindo o festival cultural realizado em Brasília.

Como primeira-dama, passou a atuar em agendas relacionadas ao enfrentamento da fome e da pobreza, aos direitos das mulheres, à proteção da infância, à vacinação, à cultura, à inclusão social, à sustentabilidade ambiental e ao combate à desinformação. Representou o Brasil ou acompanhou delegações governamentais em reuniões das Nações Unidas, do G20, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Embora tenha adquirido projeção política e diplomática, a função de cônjuge do presidente não constitui cargo público nem possui competências administrativas próprias. Em abril de 2025, a Advocacia-Geral da União publicou orientação normativa estabelecendo que a atuação presidencial do cônjuge possui natureza voluntária, simbólica, social, cultural, cerimonial, política e diplomática, devendo respeitar os princípios da administração pública e as regras de transparência.

Primeiros anos e família

Rosângela da Silva nasceu em 27 de agosto de 1966, no município de União da Vitória, no sul do Paraná. Poucos dias depois de seu nascimento, mudou-se com a família para Curitiba, onde cresceu e realizou a maior parte de sua formação escolar e universitária. É filha de José Clóvis da Silva e Vani Terezinha Ferreira.

Seus pais se separaram quando ela ainda era jovem. A mãe trabalhou como comerciante e permaneceu como uma das principais referências familiares de Janja. Vani Ferreira morreu em 2020, durante a pandemia de COVID-19, fato posteriormente mencionado pela socióloga ao participar de campanhas em defesa da vacinação e da valorização do Sistema Único de Saúde.

Ainda durante a adolescência, Janja aproximou-se de movimentos sociais e de grupos ligados à redemocratização brasileira. Em 1983, aos dezessete anos, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores, fundado três anos antes. No período, participou de atividades relacionadas à campanha das Diretas Já, que reivindicava o restabelecimento da eleição direta para a Presidência da República.

A militância partidária iniciada na juventude antecedeu sua relação pessoal com Lula por mais de três décadas. No PT paranaense, atuou em campanhas eleitorais, encontros partidários e iniciativas de mobilização social. Sua trajetória partidária, contudo, desenvolveu-se principalmente nos bastidores e não incluiu a disputa de cargos eletivos.

Formação acadêmica

Em 1984, ingressou no curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná. Durante a graduação, participou do movimento estudantil e de atividades políticas vinculadas ao processo de redemocratização. Concluiu o curso em 1991, recebendo formação nas áreas de sociologia, ciência política e antropologia.

Posteriormente, realizou especialização em História, com estudos relacionados à cidade e à sociedade brasileira. Também concluiu um curso de MBA em gestão social e sustentabilidade, formação que se relacionou com parte das funções exercidas posteriormente em programas de responsabilidade socioambiental e desenvolvimento territorial.

Em 2011, enquanto integrava os quadros da Itaipu Binacional, participou do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia da Escola Superior de Guerra, constando na relação oficial de diplomados daquele ano como técnica de nível superior.

Carreira profissional

Atuação no Paraná

Após a graduação, Janja exerceu atividades relacionadas à formulação de projetos sociais, à administração pública e à assessoria política. Trabalhou em órgãos do município de Curitiba, em áreas ligadas à saúde e à assistência social, e manteve vínculos profissionais com iniciativas de planejamento e participação comunitária.

Na década de 1990, mudou-se por um período para Ponta Grossa, onde participou de atividades acadêmicas e de projetos comunitários relacionados ao desenvolvimento urbano. Também colaborou com iniciativas da Universidade Estadual de Ponta Grossa e com programas sociais direcionados à população local.

Entre 1996 e 2001, atuou na liderança do Partido dos Trabalhadores na Assembleia Legislativa do Paraná, desenvolvendo atividades de assessoria, organização política e comunicação. A experiência aproximou-a de debates legislativos e da formulação de políticas públicas estaduais, embora ela própria não ocupasse mandato parlamentar.

Projetos socioambientais

No início dos anos 2000, trabalhou em ações de relacionamento comunitário vinculadas à construção da Usina Hidrelétrica de Barra Grande, situada entre os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Suas funções envolveram interlocução com comunidades atingidas, projetos sociais e medidas de desenvolvimento territorial relacionadas à implantação da hidrelétrica.

A experiência em Barra Grande ocorreu em um contexto de controvérsias ambientais e sociais associadas ao empreendimento, incluindo o deslocamento de moradores e a supressão de áreas de vegetação. Não existem, contudo, evidências de que Janja ocupasse cargo decisório no licenciamento ambiental da obra; sua atuação foi concentrada em projetos de caráter social e comunitário.

Itaipu Binacional e Eletrobras

Em 2003, começou a prestar serviços de consultoria à Itaipu Binacional. Dois anos depois, passou a integrar formalmente os quadros da empresa, na qual exerceu funções relacionadas à comunicação institucional, ao desenvolvimento sustentável, à responsabilidade social e à articulação com comunidades da região da usina.

Na Itaipu, trabalhou em programas vinculados ao desenvolvimento regional, incluindo ações de sustentabilidade, educação ambiental, inclusão social e diálogo com organizações da sociedade civil. Também exerceu funções de assessoria junto à direção-geral brasileira da empresa.

Entre 2012 e 2016, foi cedida à Eletrobras, no Rio de Janeiro, onde atuou na área de responsabilidade social e em projetos relacionados à sustentabilidade empresarial. Após esse período, retornou à Itaipu Binacional.

Deixou definitivamente a empresa em janeiro de 2020, após aproximadamente quinze anos de vínculo funcional. Sua saída ocorreu meses depois de ter assumido publicamente o relacionamento com Lula e de ter se mudado para o estado de São Paulo.

Vida pessoal

Relacionamento anterior

Durante a década de 1990, Janja manteve uma união de longa duração com um colega ligado ao meio político e acadêmico paranaense. O relacionamento terminou antes de sua aproximação afetiva com Lula. Ela não teve filhos.

Relacionamento e casamento com Lula

Janja e Lula já se conheciam por meio de atividades do Partido dos Trabalhadores. A aproximação afetiva entre os dois ocorreu em dezembro de 2017, durante um evento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra realizado em Guararema, no interior de São Paulo.

Quando Lula foi preso, em abril de 2018, no âmbito dos processos da Operação Lava Jato, o relacionamento ainda não havia sido anunciado publicamente. Durante os 580 dias em que ele permaneceu na sede da Polícia Federal em Curitiba, Janja participou de visitas e de atividades organizadas nas proximidades do local, incluindo a chamada Vigília Lula Livre.

A existência do relacionamento tornou-se amplamente conhecida em maio de 2019. Após a libertação de Lula, em novembro daquele ano, Janja acompanhou o primeiro pronunciamento do político em Curitiba e passou a comparecer publicamente ao seu lado em compromissos políticos e familiares.

O casal se casou em 18 de maio de 2022, em uma cerimônia realizada em São Paulo e conduzida pelo bispo anglicano Arthur Cavalcante. O evento reuniu familiares, amigos, lideranças políticas e artistas. Lula adotou publicamente o casamento como parte de sua narrativa pessoal durante a campanha presidencial daquele ano, apresentando a relação como símbolo de reconstrução de sua vida após o período de prisão e a morte de sua segunda esposa, Marisa Letícia Lula da Silva, em 2017.

Após o casamento, Rosângela acrescentou “Lula” ao nome civil e passou a assinar Rosângela Lula da Silva. O uso do apelido “Janja”, adotado desde a juventude, permaneceu predominante em sua comunicação pública.

Eleição presidencial de 2022

Janja participou ativamente da campanha que levou Lula ao terceiro mandato presidencial. Diferentemente de primeiras-damas brasileiras que permaneceram afastadas das atividades eleitorais, ela acompanhou comícios, caminhadas, entrevistas e encontros com movimentos sociais, artistas, mulheres e representantes da cultura.

Nos bastidores, exerceu influência sobre a comunicação e a organização de eventos da candidatura. Participou da elaboração de conteúdos para as redes sociais de Lula, sugeriu formatos de apresentação pública e ajudou a estabelecer pontes entre a campanha e personalidades da música, do teatro, do cinema e da televisão.

Sua participação foi particularmente visível em eventos direcionados ao eleitorado feminino. Em discursos e entrevistas, Janja afirmou que pretendia contribuir para uma redefinição da posição de primeira-dama, afastando-se de uma atuação exclusivamente assistencialista e concentrando-se na articulação de políticas públicas e causas sociais.

Durante a campanha, também se envolveu na produção de materiais culturais e audiovisuais. Participou da articulação para a nova versão do jingle “Sem medo de ser feliz” e manteve contato com artistas que declararam apoio à candidatura de Lula.

A eleição foi decidida no segundo turno, em 30 de outubro de 2022. Lula recebeu 50,90% dos votos válidos, derrotando o então presidente Jair Bolsonaro, que obteve 49,10%. Janja acompanhou o discurso da vitória e as primeiras reuniões políticas realizadas após a divulgação do resultado.

Transição presidencial e organização da posse

Após a eleição, Janja participou de atividades da equipe de transição instalada no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília. Embora não tenha sido nomeada para um dos grupos técnicos formais, acompanhou reuniões, articulou encontros com representantes da sociedade civil e participou de decisões relacionadas à comunicação, à cultura e à cerimônia de posse.

Em novembro de 2022, acompanhou Lula à COP27, no Egito, primeira viagem internacional do presidente eleito depois da vitória. A presença no encontro representou o início de sua participação em agendas diplomáticas e ambientais associadas ao novo governo.

Janja coordenou parte dos preparativos da posse presidencial realizada em 1.º de janeiro de 2023. Sua participação envolveu o formato da cerimônia, a programação cultural, o contato com artistas e a concepção do chamado “Festival do Futuro”, organizado na Esplanada dos Ministérios.