Principados russos () foram formações estatais da Rússia histórica (séculos XII-XVI) dentro dos Estados modernos da Rússia, Ucrânia, Bielorrússia, parcialmente Polônia, Moldávia, Romênia, Letônia e Estônia. Tornaram-se independentes após o colapso da Rússia de Kiev. Eram chefiados por príncipes das dinastias ruríquidas e Gediminidas.

Às vezes também chamados pelo termo Rússia fragmentada (). Na teoria marxista, a existência de principados independentes é caracterizada como fragmentação feudal.

Visão geral O antigo Estado russo consistia inicialmente em principados tribais, mas como a nobreza local foi expulsa pelos ruríquidas, começaram a surgir principados, liderados por representantes das linhas mais jovens da dinastia governante. O início da divisão em principados como tal é considerado a divisão da Rússia por Jaroslau, o Sábio entre seus filhos (1054). O próximo passo importante foi a decisão do Congresso dos Príncipes de Liubeche “que cada um mantenha sua posse” (1097), mas Vladimir Monômaco e seu filho mais velho e herdeiro Mistislau, "o Grande", por meio de apreensões e casamentos dinásticos, conseguiram devolver todos os principados à submissão a Kiev.

A morte de Mistislau (1132) é considerada o início de um período de fragmentação política (na historiografia marxista soviética - fragmentação feudal), no entanto, por várias décadas o principado de Kiev permaneceu não apenas o centro formal, mas também um poderoso principado, sua influência na periferia não desapareceu, mas apenas enfraqueceu em comparação com o primeiro terço do século XII. Até meados do século, o príncipe de Kiev continuou a governar os principados de Turov, Pereaslávia e Vladimir-Volínia e tinha oponentes e apoiadores em cada região da Rússia.

Se separaram de Kiev os principados de Czernicóvia, Esmolensco, Rostóvia-Susdália, Principados de Muromo-Riazã, Przemisl e Terebovlia e Terra de Novogárdia. Os cronistas começaram a usar o nome de "Terra" para os principados, que anteriormente denotavam apenas a Rússia como um todo (“Terra russa”) ou outros países (“Terra grega”). As Terras atuavam como entes independentes nas relações internacionais e eram governadas por suas próprias dinastias ruríquidas, com algumas exceções: o principado de Kiev e a Terra de Novogárdia não tinham dinastia própria e eram objeto de luta entre príncipes de outras Terras (em Novogárdia, os direitos do príncipe foram severamente limitados em favor da aristocracia boiarda local), e para o principado Galicia-Volínia, após a morte de Romano Mistislaviche, por cerca de 40 anos houve uma guerra entre todos os príncipes do sul da Rússia, terminando com a vitória de Daniel Romanoviche da Volínia. Ao mesmo tempo, a unidade da família principesca e a unidade da Igreja foram preservadas, bem como a ideia de Kiev como formalmente o trono russo mais importante e a Terra de Kiev como propriedade comum de todos os príncipes. No início da invasão mongol (1237), o número total de principados, incluindo apanágios, chegou a 50. O processo de formação de novos principados continuou por toda parte (no século XIV, o número total de principados já era estimado em 250), mas nos séculos XIV-XV, o processo inverso começou a ganhar força, o que resultou na Unificação das Terras russas em torno de dois grandes principados: Moscou e Lituânia.

A seguir, uma breve história desses oito principados (incluindo a República de Novogárdia), que geralmente são destacados pelos pesquisadores nos casos em que a lista completa das Terras russas mencionadas acima não é considerada, nas quais o antigo Estado russo se desfez. Como regra, os principados listados abaixo tinham um território excepcionalmente grande, poder econômico e político, e seus governantes em vários períodos mostraram ambições pan-russas.

República de Novogárdia

Novogárdia saiu do controle dos príncipes de Kiev em 1136. Ao contrário de outras Terras russas, a Terra de Novogárdia tornou-se uma República feudal, cujo líder não era um príncipe, mas um posadnik. O posadnik e o tisiatski eram eleitos por um Veche, enquanto em outras Terras russas o tisiatski era nomeado pelo príncipe. Novogardianos fizeram alianças com alguns dos principados russos para proteger sua independência, e desde o início do século XIII, para combater os inimigos, potências estrangeiras como a Lituânia e os Exércitos católicos que haviam se estabelecido em Terras bálticas.

Em 1333, Novogárdia convidou pela primeira vez um representante da Casa principesca lituana para reinar. Em 1449, com base em um acordo com Moscou, a Paz Eterna, o pei polonês e grão-duque da Lituânia Casimiro IV renunciou a suas reivindicações sobre Novogárdia; em 1456, Basílio II, "o Negro", fez um tratado de paz desigual, a Paz de Yajelbitski, com Novogárdia em Yajelbitski; e em 1478, Ivan III anexou completamente Novogárdia ao seu domínio, abolindo o Veche. Em 1494, em Novogárdia, o Estaleiro Comercial Hanseático foi fechado.

Principado de Vladimir-Susdália / Grão-Ducado de Vladimir

miniaturadaimagem|200x200px|Corte de um príncipe feudal russo. Pintura de Apollinari Vasnetsov Nas crônicas até o século XIII, era geralmente chamado de "Terra de susdália", desde o final do , "Grande Ducado de Vladimir". Na historiografia, é designado pelo termo "Nordeste da Rússia".

Logo depois que o príncipe de Rostove-Susdália, , se estabeleceu como príncipe de Kiev, como resultado de uma longa luta, seu filho André foi para o norte levando consigo o ícone da Mãe de Deus de Vishgorod (1155). André transferiu a capital do principado de Rostove-Susdália para Vladimir e se tornou o primeiro grande duque de Vladimir. Em 1169 ele organizou a captura de Kiev e, nas palavras do historiador russo Basílio Kliuchevski, "segregou a antiguidade do local", tendo colocado seu irmão mais novo, Glebe, no trono de Kiev e permanecendo no trono de Vladimir. Os rostislaviches de Esmolensco, que se estabeleceram nas Terras de Kiev, foram capazes, no entanto, de repelir as tentativas de André de dispor de suas posses (1173). Após a morte de André I, seu irmão mais novo, Usevolodo, saiu vencedor na luta pelo poder, apoiado pelos habitantes das novas cidades da parte sudoeste do principado ("os serfantes-quartos") contra os apoiadores dos antigos boiardos de Rostove-Susdália. No final dos anos 1190, ele conseguiu que sua antiguidade fosse reconhecida por todos os príncipes, exceto Czernicóvia e Polócia. Em 1211, pouco antes de sua morte, surgiu a questão da sucessão: o filho mais velho de Usevolodo, Constantino (casado com a filha do príncipe de Esmolensco, Mistislau) exigiu dar-lhe ambas as cidades, Vladimir e Rostove, e a Jorge dar Susdália. Naquela ocasião, Usevolodo convocou uma assembleia de representantes de vários níveis sociais sobre a questão da sucessão, que confirmou a decisão de Usevolodo de privar Constantino de seus direitos de grão-duque em favor do Jorge: Jorge reinou em Vladimir, e Constantino em Rostove. Essa foi a causa da guerra entre eles após a morte de Usevolodo (1212-1216).

A partir de 1154, o principado de Pereaslávia esteve sob o controle dos príncipes de Vladimir (com exceção de um curto período de 1206-1213).

Os príncipes de Vladimir usaram a dependência da República de Novogárdia no fornecimento de alimentos da Opole agrícola através de Torjok para estender sua influência sobre ela. Além disso, os príncipes de Vladimir usaram suas capacidades militares para proteger Novogárdia de invasões do oeste e, de 1231 a 1333, invariavelmente reinaram em Novogárdia. Como mencionado acima, em 1333 Novogárdia convidou um representante da Casa principesca lituana para reinar pela primeira vez.

Em 1237-1238, o principado de Vladimir foi devastado pelos mongóis. Em 1243, o príncipe Jaroslau Usevolodoviche de Vladimir foi convocado por Batu e reconhecido como o príncipe mais antigo da Rússia. No final da década de 1250, foi feito um censo e começou a exploração sistemática do principado pelos mongóis. Com a morte de seu filho, Alexandre Nevski (1263), Vladimir deixou de ser a residência dos grão-duques. Durante o , principados de apanágios com suas próprias dinastias foram formados em seu território: Belozero, Galícia-Dmitrov, Gorodet, Costroma, Moscou, Pereaslávia, Rostove, Starodub, Susdália, Tuéria, Uglit, Iuriev, Iaroslavl (até 13 principados no total), e no século XIV os príncipes de Tuéria, Moscou e Novogárdia Menor-Susdália começaram a ser intitulados "grandes". Na verdade, o grande ducado de Vladimir, que incluía a cidade de Vladimir com um vasto território na zona de Susdália Opole e o direito de coletar tributos para a Horda de todos os principados do nordeste da Rússia, exceto os grandes, foi concedido a um dos príncipes por um jarlique do Cã da Horda. Desde 1331, o trono de Vladimir foi atribuído à Casa principesca de Moscou, desde 1389 apareceu nos testamentos dos príncipes de Moscou junto com o domínio de Moscou. Em 1428 ocorreu a fusão final do principado de Vladimir com Moscou.

Em 1299, o Metropolita de Toda a Rússia mudou-se de Kiev para Vladimir e em 1327 para Moscou.

Principado de Kiev A morte de Mistislau, "o Grande" (1132), foi seguida por uma luta aberta entre seus irmãos e filhos mais novos, graças à qual os olgoviche de Czernicóvia puderam não apenas restaurar as posições perdidas no período anterior, mas também se juntar à luta por Kiev. Em meados do século XII, ocorreram duas grandes guerras internas (1146-1154 e 1158-1161), como resultado das quais Kiev perdeu o controle direto sobre os principados de Turóvia, Pereaslávia e Vladimir-Volínia.

A própria Terra de Kiev foi fragmentada. A tentativa de Mistislau Iziaslaviche (1167-1169) de concentrar sua gestão em suas mãos causou insatisfação entre os príncipes de apanágio, o que permitiu a criar uma aliança, por cujas forças Kiev foi capturada pela primeira vez na história das guerras civis (1169), enquanto André, tendo estabelecido sua influência no sul, continuou a ocupar o trono de Vladimir.

Em 1181-1194, um duumvirato dos chefes das Casas principescas de Czernicóvia e Esmolensco operou em Kiev. Este período foi marcado pela ausência de luta pelo poder em Kiev e sucesso na Guerra russo-polovetsiana.

Em 1201, Romano Mistislaviche, o governante do principado da Galicia-Volínia, reclamou seus direitos à Terra de Kiev. Durante a luta, Rurique Rostislaviche e seus aliados capturaram Kiev pela segunda vez. Ao mesmo tempo, até a morte de Usevolodo (1212), os príncipes de Vladimir continuaram a influenciar os assuntos do sul da Rússia.

Kiev continuou a ser o centro da luta contra a estepe. Apesar da independência de fato, outros principados (Galícia, Volínia, Turóvia, Esmolensco, Czernicóvia, Seversk, Pereaslávia) enviaram tropas para os fileiras de Kiev. A última mobilização desse tipo foi realizada em 1223 a pedido dos Polovtsi contra um novo inimigo comum - os mongóis. A batalha no rio Kalka, no entanto, foi perdida pelos aliados, o príncipe de Kiev, Mistislau, o Velho, juntamente com 10 mil soldados, morreu, os mongóis invadiram a Rússia após a vitória, embora não tenham chegado imediatamente a Kiev, que era um dos objetivos de sua campanha.

Em 1240, Kiev foi, no entanto, capturada pelos mongóis. Em 1243, Batu deu a devastada Kiev ao príncipe de Vladimir, Jaroslau Usevolodoviche, que foi reconhecido como “o mais antigo de todos os príncipe de língua russa”. Após a morte de Jaroslau, Kiev foi transferido para seu filho - Alexandre Nevski. Esta foi a última menção de Kiev nas crônicas como o centro da Terra russa.

Após a queda do Nogai Ulus (1300), vastos territórios na margem esquerda do Dnieper, incluindo Pereaslávia e Posemie, tornaram-se parte da Terra de Kiev, a dinastia Putivl (descendentes de Esviatoslave Olgoviche) foi estabelecida no principado.

Por volta de 1320 o principado de Kiev caiu sob o domínio do Grão-Ducado da Lituânia e, embora tenha mantido sua integridade, os representantes da dinastia lituana reinaram desde então.

Principado da Galícia-Volínia