alt=An animation showing the year and location of counties as they joined the alliance.|direita|miniaturadaimagem|upright=2.3| Mapa da adesão cronológica dos países à OTAN A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) é uma aliança militar de 29 países europeus e dois norte-americanos que constitui um sistema de defesa coletiva. O processo de adesão à aliança é regido pelo Artigo 10 do Tratado do Atlântico Norte, que permite apenas o convite de "outros Estados europeus". Os países que desejam aderir devem cumprir certos requisitos e concluir um processo de várias etapas que envolve diálogo político e integração militar. O processo de adesão é supervisionado pelo Conselho do Atlântico Norte, órgão de governo da OTAN.

Após sua formação em 1949 com doze membros fundadores, a OTAN cresceu. Ela incluiu a Grécia e a Turquia em 1952, a Alemanha Ocidental em 1955 e a Espanha em 1982. Após o fim da Guerra Fria e a reunificação da Alemanha em 1990, houve um debate entre a União Soviética e a OTAN sobre a expansão contínua da Aliança Atlântica rumo ao Leste Europeu. Memorandos desclassificados e documentos soviéticos e estadunidenses revelaram as negociações de 9 de fevereiro de 1990 entre o então secretário de Estado dos Estados Unidos, James Baker, e o então secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev, para limitar a expansão da OTAN à Alemanha.

Em 1999, Polônia, Hungria e República Tcheca aderiram à OTAN, em meio a muito debate dentro da organização e oposição russa. Outra expansão veio com a adesão de sete países da Europa Central e Oriental: Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia. Estas nações foram convidadas a iniciar as conversações de adesão durante a cúpula de Praga de 2002 e aderiram à OTAN pouco antes da cúpula de Istambul de 2004. A Albânia e a Croácia aderiram em 1 de abril de 2009, antes da cúpula de Estrasburgo-Kehl de 2009. Mais dois países foram admitidos na OTAN: Montenegro em 5 de junho de 2017 e Macedônia do Norte em 27 de março de 2020.

Em 2021, a OTAN reconhecia oficialmente três Estados que expressaram formalmente suas aspirações de adesão: Bósnia e Herzegovina, Geórgia e Ucrânia. A adesão à OTAN é um tema de debate em vários outros países fora da aliança, incluindo Suécia e Sérvia. Em países como a Ucrânia, o apoio ou a oposição à adesão está ligado a ideologias étnicas e nacionalistas. A incorporação de países do antigo Bloco de Leste e da União Soviética tem sido causa da crescente tensão entre os países da OTAN e o governo da Rússia.

Em 2022, Suécia e Finlândia pediram adesão à organização devido a ameaças para a segurança de ambos os países após a Invasão da Ucrânia pela Rússia. Apesar de certa resistência por parte de Turquia e Hungria, a Finlândia e a Suécia conseguiram garantir sua entrada na OTAN, em 2023 e 2024, respectivamente.

Ampliações anteriores esquerda|miniaturadaimagem|As negociações em Londres e Paris em 1954 encerraram a ocupação aliada da Alemanha Ocidental e permitiram seu rearmamento como membro da OTAN. A OTAN adicionou novos membros nove vezes desde sua fundação em 1949 para incluir trinta e um membros. Doze países fizeram parte da fundação da OTAN: Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Portugal, Reino Unido e Estados Unidos. Os primeiros anos da Guerra Fria foram caracterizados por uma forte divisão entre os países capitalistas da Europa, apoiados pelos Estados Unidos, e os Estados comunistas, apoiados pela União Soviética. Essa divisão facilitou a inclusão de Portugal sob Antonio Salazar na OTAN e encorajou os governos anticomunistas da Grécia e da Turquia a se juntarem à OTAN em 1952. A Grécia suspendeu sua adesão em 1974 por conta da invasão turca de Chipre, mas voltou à aliança militar em 1980 com a cooperação da Turquia.

As convenções de Bonn-Paris acabaram com a ocupação da Alemanha Ocidental pelos Aliados e foram ratificadas em parte com a condição de que a Alemanha Ocidental se juntasse à OTAN, o que aconteceu em 1955. Embora inicialmente isolacionista, a Espanha sob Francisco Franco era firmemente anticomunista e vinculada por acordos de defesa com os países da OTAN. Após sua transição para a democracia, a Espanha foi pressionada a normalizar suas relações europeias, incluindo a adesão à OTAN, o que fez em 1982. Um referendo em 1986 confirmou o apoio popular para essa decisão.

Reunificação alemã alt=Eight men in suits stand in a hall facing forward.|miniaturadaimagem| Hans-Dietrich Genscher e outros negociadores durante a primeira rodada de negociações para o Tratado Dois Mais Quatro A primeira expansão da OTAN no período pós-Guerra Fria veio com a reunificação alemã em 3 de outubro de 1990, quando a antiga Alemanha Oriental se tornou parte da República Federal da Alemanha e da aliança militar, o que havia sido acordado no Tratado Dois Mais Quatro no início daquele ano. Para garantir a aprovação soviética de uma Alemanha unida dentro da OTAN, foi acordado que tropas estrangeiras e armas nucleares não seriam estacionadas na antiga Alemanha Oriental. Embora o tema possa ter sido levantado durante as negociações do tratado, não há menção à expansão da OTAN nos acordos de setembro e outubro de 1990 sobre a reunificação alemã. A possibilidade de Hans-Dietrich Genscher e James Baker, como representantes dos Estados-membros da OTAN, terem se comprometido informalmente a não ampliar a OTAN a leste da Alemanha Oriental durante essas negociações com seus homólogos soviéticos é uma questão de disputa entre historiadores e estudiosos de relações internacionais.

As reações russas à possível expansão da OTAN durante a década de 1990 foram, no entanto, mistas. Durante uma visita à Polônia em agosto de 1993, o presidente russo Boris Yeltsin disse ao presidente polonês Lech Wałęsa que "a Rússia não se opõe à adesão da Polônia à OTAN e não vê sua adesão como uma ameaça à Rússia". Sob pressão da oposição dentro da Rússia, essa declaração informal foi retirada no mês seguinte e Yeltsin escreveu que em outubro essa expansão violou o espírito do acordo de 1990, marcando o início dessa queixa entre as elites russas. Da mesma forma, em maio de 1997, Yeltsin assinou um acordo com a OTAN que incluía um texto permitindo o alargamento, mas depois descreveu a expansão da OTAN como uma ameaça em seu "Plano de Segurança Nacional" em dezembro do mesmo ano. Em um discurso de 2007, o presidente russo Vladimir Putin citou uma fala de 1990 de Manfred Wörner para implicar ainda mais que garantias sobre a expansão da aliança foram feitas e essa impressão foi posteriormente usada por ele como uma justificativa potencial para as ações da Rússia em 2014 na Ucrânia e a crise russo-ucraniana de 2022.

O debate dentro do governo estadunidense sobre se o alargamento da OTAN era viável ou desejável começou durante a administração de George H. W. Bush. Em meados de 1992, surgiu um consenso dentro do governo de que a ampliação da OTAN era uma medida sábia de realpolitik para fortalecer a hegemonia estadunidense. Na ausência da ampliação da OTAN, funcionários do governo Bush temiam que a União Europeia pudesse preencher o vácuo de segurança na Europa Central e, assim, desafiar a influência estadunidense na Europa pós-Guerra Fria. Houve mais debate dentro do governo Clinton entre uma oferta rápida de adesão plena a vários países selecionados versus uma adesão mais lenta e mais limitada a uma ampla gama de Estados por um período de tempo mais longo. A vitória do Partido Republicano, que defendia uma expansão agressiva, nas eleições para o Congresso dos Estados Unidos em 1994, ajudou a influenciar a política dos Estados Unidos em favor de uma ampliação mais ampla de membros plenos.

Grupo de Visegrado esquerda|miniaturadaimagem|A OTAN acrescentou a República Tcheca, Hungria e Polônia na cúpula de Washington de 1999 e estabeleceu o protocolo para Planos de Ação de Membros.

Em fevereiro de 1991, a Polônia, a Hungria e a Tchecoslováquia formaram o Grupo de Visegrado para pressionar pela integração europeia sob a União Europeia e a OTAN, bem como realizar reformas militares de acordo com os padrões da Aliança Atlântica. A reação interna da OTAN a esses antigos países do Pacto de Varsóvia foi inicialmente negativa, mas na cúpula de Roma de novembro de 1991, os membros concordaram com uma série de objetivos que poderiam levar à adesão, como a liberalização econômica e democrática, e que a OTAN deveria ser um parceiro nesses esforços. Nos anos seguintes, foram criados fóruns mais amplos de cooperação regional entre a OTAN e seus vizinhos orientais, incluindo o Conselho de Cooperação do Atlântico Norte (mais tarde o Conselho de Parceria Euro-Atlântico) e a Parceria para a Paz.

As ações militares russas, incluindo a Primeira Guerra Chechena, a Guerra da Transnístria e a Guerra da Abecásia, estavam entre os fatores que levaram os países da Europa Central e Oriental, particularmente aqueles com memórias ruins do período soviético, a pressionar pela ampliação da OTAN e garantir sua segurança a longo prazo. Partidos políticos relutantes em aderir à OTAN foram eliminados do cargo, incluindo o Partido Socialista Búlgaro em 1996 e o HZDS eslovaco em 1998. O interesse da Hungria em aderir foi confirmado por um referendo de novembro de 1997, cujo resultado foi de 85,3% de votos favoráveis a adesão.

Enquanto os outros membros do Grupo de Visegrado foram convidados a aderir à OTAN na cúpula de Madrid de 1997, a Eslováquia foi excluída com base no que vários membros consideraram ações antidemocráticas do primeiro-ministro nacionalista Vladimír Mečiar. A Romênia e a Eslovênia foram ambas consideradas para convite em 1997 e cada uma teve o apoio de um membro proeminente da OTAN, França e Itália, respectivamente, mas o apoio a este alargamento não foi unânime, particularmente no Congresso dos Estados Unidos. Em uma carta aberta ao presidente estadunidense Bill Clinton, mais de quarenta especialistas em política externa, como Bill Bradley, Sam Nunn e Robert McNamara, expressaram suas preocupações sobre a expansão da OTAN como dispendiosa e desnecessária, dada a falta de uma ameaça externa da Rússia naquele momento.

Grupo de Vilnius start=00:14|thumbtime=7:05|miniaturadaimagem|Presidente estadunidense George W. Bush na Cerimônia de Adesão de Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia à OTAN

Na cúpula de Washington de 1999, onde a Hungria, a Polônia e a República Checa aderiram oficialmente, a OTAN também emitiu novas diretrizes com "Planos de Ação de Adesão" individualizados para a Albânia, Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Macedônia do Norte, Romênia, Eslováquia, e Eslovênia. Em maio de 2000, esses países juntaram-se à Croácia para formar o Grupo de Vilnius, a fim de cooperar e fazer lobby para a adesão comum à OTAN. Na cúpula de Praga de 2002, sete desses países foram convidados para a adesão, que ocorreu na cúpula de Istambul de 2004. A Eslovênia havia realizado um referendo sobre o assunto no ano anterior, com 66% de aprovação a adesão.