Sambas de Enredo 2019 é um álbum com as músicas das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro para o carnaval do ano de 2019. Foi lançado nas lojas físicas e plataformas digitais no dia 30 de novembro de 2018. Foi distribuído pela Universal Music, com produção fonográfica da Editora Musical Escola de Samba (Edimusa) e selo musical da Gravadora Escola de Samba (Gravasamba). Foi produzido por Laíla e Mário Jorge Bruno, com direção artística de Zacarias Siqueira de Oliveira, e arranjos musicais de Alceu Maia, Jorge Cardoso e Rafael Prates.
O álbum foi gravado e produzido entre outubro e novembro de 2018, após as agremiações realizarem suas disputas de samba-enredo. Na primeira etapa da produção, foram gravadas ao vivo, na Cidade do Samba, a bateria das escolas e o coro com a participação das comunidades. Na segunda etapa, foram gravadas as bases musicais e as vozes dos intérpretes no estúdio Cia. dos Técnicos, em Copacabana, no Rio.
Campeã do carnaval de 2018, a Beija-Flor estampa a capa do álbum e é a faixa de abertura do disco com um samba sobre os enredos mais bem sucedidos dos setenta anos da escola. Vice-campeã de 2018, a Paraíso do Tuiuti estampa a contracapa e apresenta um samba sobre o Bode Ioiô. O samba do Salgueiro exalta o orixá Xangô; enquanto o da Portela homenageia a cantora Clara Nunes, morta em 1983. A obra da Mangueira exalta lideranças populares negligenciadas pela narrativa oficial da História do Brasil, descontruindo a imagem de figuras apontadas como "heroicas". Elza Soares participa da faixa da Mocidade, sobre o tempo. A canção da Unidos da Tijuca aborda o aspecto religioso e social do pão. Elymar Santos é um dos compositores do samba da Imperatriz Leopoldinense, sobre o dinheiro. Questionada no samba da Mangueira, a Princesa Isabel é exaltada no samba da Vila Isabel, sobre a cidade de Petrópolis. A obra da União da Ilha do Governador homenageia o Ceará pela perspectiva das obras de Rachel de Queiróz e José de Alencar.
Das quatorze escolas, quatro não realizaram disputas de samba-enredo. A São Clemente regravou o clássico "E o Samba Sambou" com o qual a escola desfilou no carnaval de 1990. O Império Serrano causou polêmica ao decidir transformar a música "O Que É, o Que É?", de Gonzaguinha, em seu samba-enredo. A Tuiuti encomendou o samba aos mesmos compositores da sua premiada obra de 2018. A Grande Rio também encomendou seu samba, que tem como tema a falta de educação. Campeã da Série A (segunda divisão do carnaval) de 2018, a Unidos do Viradouro retornou ao Grupo Especial com um samba sobre histórias encantadas. O álbum recebeu críticas favoráveis dos especialistas. As obras de Mangueira, Portela, Salgueiro e Tuiuti foram as únicas a receberem nota máxima de todos os julgadores no Desfile das Escolas de Samba de 2019. O samba da Mangueira foi o mais premiado do carnaval.
Antecedentes A Imperatriz Leopoldinense foi a primeira escola de samba a divulgar seu enredo para o carnaval de 2019. A agremiação trocou o carnavalesco Cahê Rodrigues, responsável pelos últimos seis carnavais da escola, pelos irmãos Kaká e Mário Monteiro. O último carnaval dos irmãos foi justamente na Imperatriz, em 2013, junto com a estreia de Cahê na escola. Em 24 de março de 2018, a Imperatriz divulgou seu enredo, sobre o dinheiro. "Me Dá Um Dinheiro Aí" foi assinado por Kaká e Mário.
A Paraíso do Tuiuti revelou seu enredo no dia 6 de abril de 2018, durante sua festa de aniversário. "O Salvador da Pátria" foi assinado por Jack Vasconcelos em seu quinto carnaval na escola. O enredo tem como tema a história do Bode Ioiô. O animal foi eleito vereador em Fortaleza ao receber votos em forma de protesto contra os políticos da região. esquerda|miniaturadaimagem|Bode Ioiô empalhado e exposto no Museu do Ceará. "Não é apenas o bode pelo bode, porque já seria incrível essa história. Mas, poxa, um bode que é votado e consegue ser eleito vereador sem ter feito campanha, porque o bode foi abraçado pela população… isso é sensacional. E é um ato de protesto. As pessoas estavam desgostosas com o posicionamento dos políticos na época. Então, a gente não tá muito longe dessa realidade. A gente continua pau da vida (risos), até com as pessoas que a gente achava que iam fazer diferente e acabaram não fazendo, enfim… essa insatisfação com os governantes é uma coisa muito antiga nossa. Eu achei bacana resgatar essa história tão peculiar do repertório cearense, que é maravilhoso!"
esquerda|miniaturadaimagem|Gonzaguinha em 1971. Cantor teve sua obra transformada em enredo e samba-enredo do Império Serrano. O Império Serrano anunciou em 19 de abril de 2018 que seu enredo seria baseado na música "O Que É, o Que É?", de Gonzaguinha. O samba-enredo da agremiação seria a própria canção, lançada no álbum Caminhos do Coração, de 1982. O enredo foi assinado pelo carnavalesco Paulo Menezes, contratado para substituir Fábio Ricardo. A escola também trocou de intérpretes, contratando Anderson Paz e Silas Leléu para substituir Marquinho Art'Samba, que se transferiu para a Mangueira."Tenho essa ideia na cabeça há pelo menos uns 10 anos. Não tenho uma história especial com a música, mas sempre que a ouvia, eu achava que podia ser desenvolvida como um enredo. Quando vim para o Império, a diretoria me pediu um enredo ousado. Dei-lhes várias opções e, depois de algumas reuniões e testes, com os cantores e a bateria, ficamos com O que é, o que é?"
Unidos do Viradouro e Unidos de Vila Isabel trocaram de carnavalescos. A Viradouro foi a campeã da Série A (segunda divisão do carnaval) de 2018, garantindo seu retorno ao Grupo Especial após quatro anos no acesso. A escola contratou o carnavalesco Paulo Barros, que estava na Vila. Também trocou a direção de sua bateria, contratando Mestre Ciça, que estava na União da Ilha do Governador. A Viradouro lançou seu enredo para 2019 numa festa realizada em sua quadra no dia 23 de abril de 2018. "Viraviradouro" foi assinado por Paulo Barros e teve como tema histórias encantadas e de transformação. A Vila Isabel contratou o carnavalesco Edson Pereira, que estava na Viradouro. O carnavalesco assinou o enredo "Em nome do Pai, do Filho e dos Santos, a Vila Canta a Cidade de Pedro", sobre Petrópolis. O enredo foi anunciado no dia 6 de maio de 2018, durante uma feijoada realizada na quadra da escola. Após um ano de crise com os ritmistas da escola, Mestre Chuvisco deixou a Vila Isabel, sendo substituído pelo então diretor musical da escola, Macaco Branco. Com a transferência do intérprete Igor Sorriso para o carnaval de São Paulo, a Vila acertou o retorno de Tinga, que estava na Unidos da Tijuca.
No dia 23 de maio de 2018, a Portela anunciou seu enredo, em homenagem à Clara Nunes, morta em 1983. Torcedora da Portela, Clara foi homenageada pela escola em 1984, junto com Paulo da Portela e Natal da Portela, mas era um desejo dos torcedores da agremiação que a cantora ganhasse uma homenagem solo. O enredo "Na Madureira Moderníssima, Hei Sempre de Ouvir Cantar Uma Sabiá" foi assinado pela carnavalesca Rosa Magalhães em seu segundo ano na escola.
esquerda|miniaturadaimagem|Clara Nunes se apresentando no Zicartola, em 1971.|219x219px "Todo ano os portelenses cobram isso da gente: ‘Quando que vai ser a vez da Clara, quando?’. Aí esse ano, como tem a data redonda dos 95 anos de fundação da Portela, e nós já estávamos falando que iríamos fazer um enredo pra dentro da escola, contando algo da nossa história, ficou difícil não fazer. As pessoas estavam nos cobrando e perguntando diretamente o motivo de não ser a Clara esse ano, se havia algum impedimento familiar. Nós já tínhamos a intenção de fazer esta homenagem, sempre tivemos. E o movimento cresceu muito... Nós estávamos em conversa lá com o pessoal de Caetanópolis (cidade natal de Clara, em Minas Gerais), mas a coisa explodiu tanto internamente que resolvemos lançar o enredo agora, do nosso jeito".
A Mocidade Independente de Padre Miguel anunciou seu enredo, sobre o tempo, no dia 25 de maio de 2018. "Eu Sou o Tempo. Tempo É Vida" foi assinado pelo carnavalesco Alexandre Louzada em seu quarto carnaval consecutivo na escola. No dia 10 de junho de 2018, o Salgueiro divulgou seu enredo, sobre o orixá Xangô, padroeiro da escola. A escola dispensou os intérpretes Leonardo Bessa, Tuninho Junior e Hudson Luiz. Emerson Dias, que estava na Grande Rio, foi contratado para ser o intérprete oficial da escola. O Salgueiro passou por um conturbado processo eleitoral em 2018. Em maio, Regina Celi foi reeleita para seu quarto mandato consecutivo. Dias depois da eleição, a oposição, liderada por André Vaz da Silva, foi à Justiça para impugnar a chapa eleita, alegando que Regina não poderia ser reeleita. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro acatou o pedido, declarando Regina inelegível e determinou a realização de novas eleições na escola. Após sete meses de uma intensa disputa judicial, cheia de reviravoltas, uma nova eleição foi marcada para dezembro de 2018. Sem liberação da Justiça para concorrer, Regina não inscreveu outra chapa e a vitória no pleito foi dada à André Vaz, o único concorrente inscrito para eleição.
A São Clemente divulgou seu enredo no dia 10 de junho de 2018, em suas redes sociais. A escola decidiu reeditar seu enredo de 1990, "E o Samba Sambou", originalmente desenvolvido por Carlinhos D’Andrade, Roberto Costa e César Azevedo. A releitura de 2019 foi assinada por Jorge Silveira em seu segundo ano na escola. O enredo critica os rumos do carnaval moderno. A agremiação também contratou os cantores Bruno Ribas e Larissa Luz para formarem um trio de intérpretes com Leozinho Nunes. A Mangueira trocou de intérpretes, dispensando Ciganerey, que estava na escola desde 2016, e contratando Marquinho Art'Samba, que estava há dois anos no Império Serrano. O cantor Péricles deixou a escola por não conseguir conciliar a rotina de shows com os ensaios da agremiação. No dia 22 de junho de 2018, a Mangueira divulgou seu enredo. "História pra Ninar Gente Grande" foi assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira em seu quarto ano consecutivo na escola. O enredo apresentou uma versão crítica da História do Brasil, exaltando lideranças populares negligenciadas pela narrativa oficial e desconstruindo a imagem de figuras apontadas como "heroicas". "Você sabia que o Ceará aboliu a escravidão quatro anos antes da assinatura da famosa Lei Áurea? Você já ouviu falar em Chico da Matilde? Em Maria Felipa? Sabia da existência de um herói chamado Cunhambebe? A história oficial escolhe quem deve e quem não deve ser lembrado. O desfile da Mangueira é um olhar para isso. Um olhar para quem deveria estar nos livros e porque, os que estão, foram escolhidos para estar."
A Grande Rio divulgou seu enredo no dia 29 de junho de 2018. Acusada de "virar a mesa" e cancelar seu rebaixamento no carnaval de 2018 com apoio de outras escolas, a Grande Rio escolheu um enredo sobre os maus hábitos e o jeitinho brasileiro, apontando o aprendizado e o conhecimento como formas de superar a falta de educação e melhorar a convivência no mundo. O enredo "Quem Nunca...? Que Atire a Primeira Pedra" foi assinado pelo casal de carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage, no segundo carnaval de ambos na escola. No dia 8 de julho de 2018, a União da Ilha divulgou seu enredo sobre o Ceará com enfoque na obra dos escritores cearenses Rachel de Queiroz e José de Alencar. O enredo "A Peleja Poética entre Rachel e Alencar no Avarandado do Céu" foi assinado pelo carnavalesco Severo Luzardo em seu terceiro ano na escola.