O nubi (também Ki-Nubi) é uma língua crioula com base no árabe sudanês falada em Uganda nas proximidades de Bomba e no Quênia na favela de Kibera, pelos núbios de Uganda, muitos dos quais são descendentes de soldados sudaneses de Emin Pascha, soldados que foram assentados lá pela administração colonial britânica. Era falado por cerca de 15 mil pessoas em Uganda em 1991 (de acordo com o censo), e cerca de 10 mil no Quênia; outra fonte estima cerca de 50.000 falantes em 2001. 90% do léxico deriva do árabe,Ineke Wellens. The Nubi Language of Uganda: An Arabic Creole in Africa. BRILL, 2005 mas a gramática foi simplificada, assim como o sistema de som. Nairóbi tem a maior concentração de falantes nubi. O nubi tem os processos de prefixação, sufixação e composição também presentes no árabe.

Muitos falantes de nubi são do povo Kakwa que vieram da região Nubian, primeiro para Equatória, e de lá para o sul em Uganda e na República Democrática do Congo. Eles ganharam destaque sob o presidente de Uganda Idi Amin, que era Kakwa.

Jonathan Owens argumenta que o Nubi constitui um grande contraexemplo às teorias de formação da língua crioula de Derek Bickerton, mostrando "não mais do que uma semelhança casual com as características crioulas universais de Bickerton", apesar de cumprir perfeitamente as condições históricas esperadas para levar a tais recursos. Escrita A língua Nubi usa a escrita árabe. Fonologia e gramática Vogais Existem cinco vogais em Nubi. As vogais não são distinguidas pelo comprimento, exceto em pelo menos duas exceções dos nubi quenianos (que não estão presentes nos dialetos de Uganda) onde "bara" significa "fora" sendo um advérbio enquanto "baara" significa" o lado de fora" sendo um substantivo, também em "saara" que significa "enfeitiçar" comparado com "sara" de significado "rebanho, gado", Apesar disso, há uma tendência das vogais em sílabas tônicas serem registradas como vogais longas. Anterior Posterior Fechada Medial Aberta Cada uma das vogais tem vários alofones e o som exato da vogal depende das consoantes circundantes. Consoantes Bilabial Labiodental Dental AlveolarRetroflexa Pós-alveolarPalatal Velar Uvular Faríngea Glotal Plosiva surda sonora Nasal Oclusiva Fricativa surda sonora Africadasurdasonora Vibrante Múltiplal/Simples Lateral Aproximantej Os falantes podem usar fonemas árabes padrão para palavras para as quais a pronúncia árabe foi aprendida. A versão a consoante retroflexa do som /r/ também pode ocorrer e alguns dialetos usam /l/ em seu lugar. Geminações são muito incomuns em Nubi. Esses fonemas menos comuns são mostrados entre colchetes.

Ineke Wellens fornece a seguinte ortografia para Nubi onde ela difere dos símbolos IPA: // = sh; /t/ = ch; // = j; // = ny; /w/ = w or u; /j/ = y or i; // = th; // = dh; /x/ = kh; // = ḥ. Sílabas Sílabas normalmente têm uma estrutura CV, VC, V ou CVC com VC ocorrendo apenas nas sílabas iniciais. CC final e inicial ocorrem apenas em alguns exemplos específicos, como "skul" que significa "escola" ou "sems" significa "sol".

A tonicidade pode mudar o significado das palavras. Ex.: "saba" que significa "sete" ou "manhã" dependendo se a ênfase está na primeira ou na segunda sílabas, respectivamente. As vogais são frequentemente omitidas em sílabas finais átonas e, às vezes, até mesmo nas sílabas finais tônicas "u" a forma passiva pode ser excluída após "m", "n", "l", "f" ou "b". Isso pode fazer com que as sílabas sejam realinhadas, mesmo entre as palavras. Notas

Bibliografia Bernd Heine (1982) The Nubi Language of Kibera – an Arabic Creole. Berlin: Dietrich Reimer. Boretzky, N. (1988). "Zur grammatischen Struktur des Nubi". Beiträge zum 4. Essener Kolloquium über Sprachkontakt, Sprachwandel, Sprachwechsel, Sprachtod, edited by N. Boretzky et al., 45–88. Bochum: Brockmeyer. Luffin, X., Un créole arabe : le kinubi de Mombasa, Kenya, Munich, Lincom Europa, 2005 (470 p.) Luffin, X., Kinubi Texts, Munich, Lincom Europa, 2004 (173 p.) Luffin, X., Les verbes d’état, d’existence et de possession en kinubi, Zeitschrift für Arabische Linguistik, Wiesbaden, Harrassowitz, 43, 2004 : 43–66 Musa-Wellens, I. (1994) A descriptive sketch of the verbal system of the Nubi language, spoken in Bombo, Uganda. MA thesis, Nijmegen. Nhial, J. "Kinubi and Juba Arabic. A comparative study". In Directions in Sudanese Linguistics and Folklore, S. H. Hurriez and H. Bell, eds. Khartoum: Institute of African and Asian Studies, pp. 81–94. Owens, J. Aspects of Nubi Syntax. PhD thesis, University of London.

Owens, J. (1997) "Arabic-based pidgins and creoles". Contact languages: A wider perspective, edited by S.G. Thomason, 125–172. Amsterdam: John Benjamins. Wellens, Dr. I.H.W. (2001) An Arabic creole in Africa: the Nubi language of Uganda (Doctoral dissertation, Nijmegen). Ligações externas Nubi em Omniglot.com Nubi em Ethnologue Nubi em Endangereda Languages Nubi em Brill

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