thumb|Edifício no número 62 da rue de Richelieu, em Paris, construído pela Société générale des Annonces e usado pela Havas a partir de 1921 como sede de suas operações publicitárias.

Havas NV (pronunciado [avas] em francês) é uma multinacional francesa de publicidade e relações públicas, com sede estatutária e administrativa em Puteaux, na França. Página em francês.

A Havas atua em mais de 100 países. O grupo é organizado em três divisões operacionais e oferece serviços de publicidade digital, marketing direto, planejamento e compra de mídia, comunicação corporativa, promoção de vendas, design, comunicação de recursos humanos, marketing esportivo, comunicação interativa multimídia, relações públicas e consultoria de inovação.

História

Primeiros anos

A Havas original foi a primeira agência de notícias do mundo. Ela foi criada em 1835 por Charles-Louis Havas, e a Agence France-Presse teve origem nessa organização. Em 25 de novembro de 1940, o regime de Vichy nacionalizou o ramo de notícias da Havas e o transformou no Office Français d'Information, enquanto o ramo de publicidade manteve o nome Havas. Em 20 de agosto de 1944, jornalistas e integrantes da Resistência ocuparam a sede do Office Français d'Information em Paris e distribuíram a primeira notícia da Agence France-Presse.

Em 1968, a Havas já era um grupo diversificado, com interesses em mídia, entre outros setores. Esses negócios foram reunidos em uma société anonyme, a Havas Conseil S.A., que expandiu rapidamente suas atividades. Em 1975, a Havas Conseil foi dividida em cinco partes, que voltaram a se unir para formar a Eurocom, holding de um grupo de subsidiárias especializadas em diferentes atividades de comunicação.

A Havas passou a ter ações negociadas na Bolsa de Paris em 1982. Em 25 de maio de 1987, iniciou sua privatização como parte de uma campanha nacional de desestatização. O processo foi concluído por volta de junho daquele ano.

Em 1991, a Eurocom adquiriu o grupo publicitário francês RSCG, o que levou à criação da rede de publicidade Euro RSCG Worldwide. A RSCG havia sido a principal agência publicitária da Peugeot. Em 1996, a Eurocom passou a se chamar Havas Advertising e criou quatro divisões operacionais, Euro RSCG, Campus, Diversified Agencies e Médiapolis.Havas Craves Recognition, International Herald Tribune, n.º 35.124, 2 de fevereiro de 1996. O norte-americano Bob Schmetterer foi nomeado presidente e CEO da Euro RSCG, a maior divisão, cuja sede foi transferida para Nova Iorque em 1997.

Controle pela Vivendi

Em 1998, a Compagnie Générale des Eaux, dirigida por Jean-Marie Messier, passou a se chamar Vivendi e adquiriu a Havas S.A. e a Havas Advertising. A companhia já havia comprado um terço da Havas em fevereiro de 1997 e adquiriu o restante em março de 1998, em uma operação que avaliou a empresa em €6 bilhões. Em novembro daquele ano, a Havas adquiriu a Cendant Software, que passou a se chamar Havas Interactive. A Havas Advertising também criou a joint venture Media Planning Group com a empresa espanhola Media Planning S.A. e adquiriu a Snyder Communications.

A Vivendi começou a abandonar o nome Havas. Em 11 de dezembro de 2000, a Havas S.A. passou a se chamar Vivendi Universal Publishing. Em 2001, a Vivendi vendeu a investidores institucionais sua participação restante na Havas Advertising. A Havas Advertising anunciou que compraria da Vivendi os direitos sobre o nome Havas e passaria a se chamar apenas "Havas". As mudanças entraram em vigor na assembleia anual de acionistas de 23 de maio de 2002.

Recuperação da marca

Em setembro de 2003, o grupo foi reorganizado. Agências da divisão Diversified Agencies foram vendidas ou absorvidas por três divisões principais, Euro RSCG Worldwide, dedicada à comunicação integrada, MPG, voltada ao planejamento e à compra de mídia, e Arnold Worldwide Partners, de publicidade. Em julho de 2004, depois de concluir sua reorganização estratégica, o Grupo Bolloré começou a adquirir participação na Havas. Em outubro, a empresa concluiu um aumento de capital de €404 milhões, o que permitiu reduzir sua dívida total.

Em 2005, a Bolloré havia acumulado uma participação de 22% e obtido quatro assentos no conselho da Havas na assembleia de acionistas. O grupo passou a controlar a empresa. Alain de Pouzilhac, então presidente do conselho e CEO, foi destituído em 21 de junho de 2005, numa mudança de controle no conselho. Outras alterações no conselho e na administração vieram em seguida. O conselho nomeou o diretor independente Richard Colker como CEO interino. Em 12 de julho de 2005, a Havas nomeou Vincent Bolloré presidente do conselho e o banqueiro Philippe Wahl como diretor-executivo. Em março de 2006, a Havas nomeou Fernando Rodés Vilà, filho de Leopoldo Rodés Castañes, fundador da Media Planning S.A., como novo CEO.

A Havas continuou listada na Euronext, mas deixou a NASDAQ em 28 de julho de 2006.

Em março de 2015, a Bolloré S.A., principal acionista do grupo, vendeu uma participação de 22,5% na empresa por cerca de €600 milhões, mas anunciou que pretendia continuar como acionista majoritária.

Vincent Bolloré, por meio do Grupo Bolloré, era o principal acionista da Havas e controlava 32,84% do capital social em 7 de maio de 2012. O próprio Bolloré assumiu a presidência do conselho de administração. Em 2017, a Vivendi adquiriu a participação majoritária do Grupo Bolloré e, em outubro, passou a deter 94,75% do capital da Havas. Em novembro de 2017, a Havas adquiriu a agência malaia Immerse, que passou a se chamar Havas Immerse.

Em janeiro de 2022, a Havas adquiriu uma participação majoritária na Tinkle, agência de relações públicas com atuação na Espanha e em Portugal. Em abril daquele ano, adquiriu a agência digital britânica Search Laboratory, parceira do Google.

Em abril de 2024, a Havas adquiriu a consultoria de dados TED Consulting, com sede em Paris.

Em julho de 2024, quatro agências do grupo, Havas London, Havas Lemz, Havas New York e Havas Immerse, perderam a certificação de Empresa B devido ao trabalho realizado para a Shell plc.

Depois de ser separada da Vivendi, a empresa começou a ter suas ações negociadas na Euronext Amsterdam em 16 de dezembro de 2024. Naquele dia, os papéis eram negociados a €1,91, alta de 6% em relação ao preço de abertura.

Em janeiro de 2025, a Havas adquiriu a CA Sports, uma das maiores agências de marketing esportivo da Espanha.

Cronologia

Ano Evento 1835 Fundação como agência de notícias por Charles-Louis Havas. 1879 A agência de notícias Havas é constituída como société anonyme. 1920 A Havas se funde com a Société Générale d'Annonces e se torna a principal administradora de publicidade da imprensa. A atividade depois é estendida ao rádio e ao cinema. 1923 A Havas começa a atuar com publicidade em painéis. 1940 A agência de notícias da Havas é assumida pelo governo de Vichy e passa a se chamar Office Français d'Information. 1944 O serviço de notícias da Havas dá origem à Agence France-Presse. 1968 A Havas cria a Havas Conseil S.A. para atuar em consultoria de publicidade e mídia. 1975 A Havas Conseil S.A. é dividida em cinco entidades, que depois se unem para formar a Eurocom. 1987 A Agence Havas é privatizada e passa a se chamar Havas S.A. 1996 A Eurocom S.A. passa a se chamar Havas Advertising S.A. 1997 A Havas S.A. absorve a C.E.P. Communication, editora de periódicos profissionais e médicos e de revistas como L'Express e Le Point, além de proprietária da editora Groupe de la Cité.Havas to buy 25.8% stake in CEP for $503.7 million, The Wall Street Journal, edição leste, Nova Iorque, 17 de janeiro de 1997, ISSN 0099-9660, ProQuest 398557623. 1998 A Vivendi concorda em assumir 100% da Havas. 2000 A Havas S.A. passa a se chamar Vivendi Universal Publishing. 2001 A Vivendi vende sua participação restante na Havas Advertising. 2002 A Havas Advertising compra da Vivendi a marca "Havas" e passa a se chamar Havas. 2022 A HARMAN e a Havas anunciam uma parceria mundial para um modelo integrado de agência.

Serviços

A Havas é uma holding de mídia cujas subsidiárias prestam consultoria em comunicação. Os serviços abrangem publicidade em meios tradicionais, como televisão, rádio, impressos e mídia display, compra de mídia e atividades de marketing, entre elas gestão de publicidade, marketing direto, promoção de vendas, comunicação corporativa, marketing relacionado a blockchain e ofertas iniciais de moedas, comunicação na área da saúde, comunicação interna, patrocínio televisivo, design, comunicação de recursos humanos e comunicação interativa.

No fim de 2012, a Havas adotou uma nova estrutura com o objetivo de apresentar a empresa a clientes e potenciais clientes como "mais empreendedora e mais ágil". A rede de agências antes chamada Euro RSCG passou a se chamar Havas Worldwide, em linha com a organização da Publicis e sua rede Publicis Worldwide. Outras agências de publicidade pertencentes à Havas, como Arnold Worldwide, passaram a usar a marca Havas Creative. A divisão de mídia manteve o nome Havas Media. A empresa também criou a marca guarda-chuva Havas Digital Group para operar nas divisões Creative e Media.

Controvérsias

Processo contra ex-diretores

Em 21 de junho de 2005, quando detinha 22,01% do capital social da Havas, a Bolloré destituiu o CEO Alain de Pouzilhac. A Havas demitiu Jacques Hérail por falta grave. O vice-presidente Alain Cayzac e outras pessoas próximas a de Pouzilhac também deixaram suas funções. De Pouzilhac processou a Havas para obter o pagamento de uma cláusula de não concorrência que a empresa vinha retendo. As duas partes também moveram ações civis sobre verbas rescisórias, num total de dez processos, incluídos os recursos, envolvendo de Pouzilhac e quatro envolvendo Hérail. O pagamento da cláusula de não concorrência de de Pouzilhac foi mantido. Hérail e os ex-executivos Alain Cayzac e Agnès Audier venceram ações no tribunal trabalhista, que concedeu a Hérail quase €5 milhões em indenizações.

Depois da mudança no conselho, Bolloré ampliou sua participação e chegou a 37% em novembro de 2012. A Havas recorreu ao tribunal criminal de Nanterre em 15 de maio de 2007, e novamente em agosto e novembro daquele ano, para abrir três processos contra de Pouzilhac, Hérail e Cayzac. A empresa os acusou de conspiração, apropriação indevida de bens da companhia e tentativa de encobrir os fatos. A Havas alegou que os três diretores haviam assinado novos contratos de trabalho durante a tomada de controle, garantindo indenizações elevadas de saída caso fossem afastados. De Pouzilhac também foi acusado de agir em conjunto com Hérail para autorizar o pagamento de €300.000 ao diretor Thierry Meyer. A investigação preliminar conduzida pelo procurador Philippe Courroye durou três anos. Nesse período, os acusados tiveram acesso esporádico ou nenhum acesso às provas necessárias à defesa, contrariando as exigências legais.

"O Tribunal entendeu que o processo penal não havia respeitado os procedimentos adequados nem a Convenção Europeia dos Direitos Humanos. O Tribunal de Nanterre afirmou que, em particular, não foram cumpridas as disposições da Convenção relativas ao acesso aos autos, à assistência pessoal de um advogado durante a investigação e ao equilíbrio entre as partes. Em sua decisão, o Tribunal considerou que, diante do volume e da complexidade do caso, que reunia 700 peças, uma investigação preliminar não era a forma mais adequada de proceder. O caso deveria ter sido conduzido por instrução judicial, que permite exame contraditório."Les Echos, 15 de novembro de 2012

O tribunal criminal de Nanterre rejeitou o último desses processos em novembro de 2012, citando "falta de equidade e violação dos direitos da defesa". Olivier Metzner e Olivier Bluche, advogados de Alain de Pouzilhac e Jacques Hérail, criticaram Vincent Bolloré por usar sua proximidade com Philippe Courroye, procurador de Nanterre, para iniciar o processo.

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