Riot grrrl é um movimento punk feminista underground que teve inicio no início da década de 1990 em Olympia, Washington e no Noroeste Pacífico e se expandiu para pelo menos 26 outros países. É um movimento de subcultura que combina uma visão social feminista com um estilo musical e politico punk. É frequentemente associado com a terceira onda do feminismo, movimento nascido a partir do movimento Riot Grrrl. Tem sido também descrito como um gênero musical que nasceu do indie rock, com a cena punk servindo de inspiração para um movimento musical em que mulheres poderiam se expressar da mesma maneira que homens faziam há anos.Marion Leonard. "Riot grrrl." Grove Music Online. Oxford Music Online. Oxford University Press. Web. 20 Jul. 2014. Segundo Liz Naylor, que se tornaria a manager da banda riot grrrl Huggy Bear:"Houve muita raiva e automutilação. Em um sentido simbólico, as mulheres estavam cortando e destruindo a imagem estabelecida de feminilidade, derrubando-a agressivamente."Bandas Riot Grrrl frequentemente abordam questões como estupro, violência doméstica, sexualidade, racismo, patriarcado e empoderamento feminino. Algumas das primeiras bandas associadas ao movimento são Bikini Kill, Bratmobile, Heavens to Betsy, Excuse 17, Slant 6, Emily's Sassy Lime, Huggy Bear e Skinned Teen e Sleater-Kinney. Também foram incluídos grupos queercore como Team Dresch e Third Sex.

Para além da cena musical, riot grrrl tornou-se também uma subcultura envolvendo um ethos faça-você-mesmo, zines, arte e ativismo político. O movimento rapidamente se espalhou muito além de suas raízes musicais, criando um movimento grassroots, anti-discriminação racial, sexual e etário vasto, por meio de zines, ambientes virtuais e encontros físicos baseados no feminismo da quarta onda para lutar contra as formas interseccionais de preconceito e opressão, especialmente violência física e emocional de gênero. Riot grrrls são conhecidas por realizar reuniões, criar coletivos, apoiar e organizar mulheres na música, bem como na arte criada por pessoas trans, gays, lésbicas e outras comunidades.

História O movimento riot grrrl originou-se no início dos anos 1990, quando um grupo de mulheres de Olympia, Washington, realizou uma reunião sobre sexismo em suas cenas punk locais. A palavra “girl” (menina) foi usada intencionalmente no nome para focar na infância, periodo em que as crianças têm a mais forte auto-estima e crença em si mesmas. As Riot grrrls então adicionaram um "R" rosnando, substituindo o "I" na palavra como uma forma tornar o termo depreciativo ou agressivo. As grafias de "R" duplos e triplos também são aceitos.

As cenas musicais de Seattle e Olympia, Washington, tinham uma estrutura sofisticada de faça você mesmo (DIY). Mulheres envolvidas em cenas de música underground local aproveitaram essa plataforma para articular suas crenças e desejos feministas criando zines (fanzines, abreveção de "magazines" ou revistas). Embora o modelo de zines com temas políticos já tenha sido usado na cultura punk como uma cultura alternativa (para o mainstream), as zines das riot grrrls também deixaram um legado na escrita feminista auto publicada que permitiu que as mulheres circulassem ideias que de outra forma não seriam publicadas. Na época, havia desconforto entre muitas mulheres da cena musical que sentiam que não tinham espaço para se organizar devido à natureza excludente e dominada pelos homens da cultura punk da época. Muitas mulheres descobriram que, embora se identificassem com a subcultura maior e orientada para a música do punk rock, muitas vezes tinham pouca ou nenhuma voz em suas cenas locais. As mulheres nas cenas punk de Washington assumiram a responsabilidade de representar seus próprios interesses artisticamente através da nova subcultura riot grrrl.

As bandas Riot grrrl foram influenciadas por artistas do punk feminino e rock mainstream da década de 1970 até meados da década de 1980. Embora muitos desses músicos não foram originalmente associados uns aos outros durante sua época pois vinham de uma variedade de origens e estilos diferentes, foram eles que criaram muitas das características musicais e temáticas das riot grrrls. Esses artistas incluem The Slits, Kim Deal, Kim Gordon, Joan Jett, Poly Styrene, Janis Joplin e Siouxsie Sioux, entre outros. Sobre Kim Gordon, em particular, Kathleen Hanna observou: "Ela foi uma precursora, musicalmente [...] Só saber que uma mulher estava em uma banda negociando vocais, tocando baixo e sendo uma artista visual ao mesmo tempo me fez sentir menos sozinha."

Noroeste Pacífico e Washington, DC Olympia, Washington, teve um forte legado artístico e cultural feminista que influenciou o início do riot grrrl. No início dos anos 1980, Stella Marrs, Dana Squires e Julie Fay fundaram a loja Girl City, apoiando a criação de arte e performances feministas. Foram diversos artistas que contribuíram para a formação do movimento. A K Records é uma das peças chaves para o nascimento deste movimento. O primeiro lançamento da gravadora em 1982 foi um dos marcos, uma fita cassete da primeira banda de Heather Lewis, Supreme Cool Beings, gravada durante o período em que estudou no Evergreen State College, um ano antes de ajudar a fundar o Beat Happening. Em 1985, The Go Team formou-se com Tobi Vail, então com quinze anos. A banda iria colaborar com músicos da cena Olympia que estão inerentemente ligados ao movimento riot grrrl: Donna Dresch, Lois Maffeo e Billy "Boredom" Karren. Karren era uma musicista que migrava de banda em banda e foi no The Go Team que ela e Vail tocaram juntos pela primeira vez, depois colaborando em várias outras bandas que incluíam Bikini Kill e The Frumpies. Maffeo apresentou um programa de rádio centrado nas mulheres na estação de rádio comunitária KAOS de Olympia, sendo também considerado uma das peças chaves para a criação do movimento Candice Pedersen, outra proeminente influenciadora do movimento estagiou na K Records em 1986 enquanto estava no The Evergreen State College se tornando sócia em 1989.

Em 1987, dois artigos sobre o tema das mulheres no rock seriam publicados na Puncture, zine de Portland, Oregon, editado por Katherine Spielmann e Patty Stirling. De autoria da funcionária da Rough Trade, Terri Sutton, esses artigos se tornaram o que é considerado por alguns como o principal textos sobre o ethos da riot grrrl. O artigo, "Women, Sex and Rock ’n’ Roll" é considerado particularmente importante como manifesto do movimento riot grrrl. Sutton continuaria dizendo, em “Women In Rock: An Open Letter”, escrito em 1988, “Para mim, rock and roll é sobre luxúria, luxúria por sentimento; então, o pior que posso dizer sobre uma banda é que eles são chatos. É por isso que é tão crucial que as mulheres subam no palco e transmitam – inspirem alguma emoção.”

Enquanto isso, na região de Washington, DC, a fã do Beat Happening, Erin Smith, começou sua zine Teenage Gang Debs em 1987. Em 1988, duas mulheres de DC que haviam participado de bandas punk femininas anteriormente – Sharon Cheslow do Chalk Circle e Amy Pickering do Fire Party – uniram forças com Cynthia Connolly e Lydia Ely para organizar discussões em grupo com foco nas diferenças de gênero e sexismo no punk da comunidade de DC. Os resultados foram publicados na edição de junho de 1988 do Maximum Rock 'n' Roll. Em novembro de 1988, Connolly publicou o livro Banned in DC: Photos and Anecdotes From the DC Punk Underground (79–85) através de sua pequena editora Sun Dog Propaganda, co-editado com Cheslow, Ely e Leslie Clague. Essas conversas e o livro lançaram as bases para o riot grrrl quando as meninas do Bikini Kill e Bratmobile vieram para DC em 1991. No outono de 1989, Erin Smith visitou Olympia e conheceu Maffeo através de Calvin Johnson do Beat Happening. Johnson estava no The Go Team com Vail e era co-proprietário da K Records com Candice Pedersen. No final de 1989, Cheslow começou a publicar sua zine Interrobang?! com foco em punk e sexismo. Logo na primeira edição, publicou uma entrevista com Nation of Ulysses (NOU). Vail viu uma cópia desta edição e ficou instantaneamente cativada pela estética de NOU.

Vail começou a publicar sua zine Jigsaw em 1988, na mesma época em que Donna Dresch começou sua zine Chainsaw. Os zines tornaram-se então o principal meio de expressão; Laura Sister Nobody escreveu em sua zine Sister Nobody: "Nós, somos mulheres que sabemos que algo está acontecendo - algo que parece um segredo agora, mas não vai ficar como segredo por muito mais tempo." Na época, Vail estava trabalhando em uma lanchonete com Kathi Wilcox, que ficou impressionada com o interesse de Vail em "garotas em bandas, especificamente", incluindo uma ênfase agressiva em questões feministas. Enquanto isso, em 1989, Kathleen Hanna co-fundou o coletivo de arte Olympia Amy Carter e a galeria feminista Reko Muse, ambos com Tammy Rae Carland e Heidi Arbogast. No verão de 1989, o espaço recebeu The Go Team, Babes in Toyland e Nirvana. Hanna também estagiou no SafePlace, um abrigo de violência doméstica em Olympia e provedor de atendimentos para vítimas de abuso/agressão sexual, para o qual ela fez aconselhamento, fez apresentações em escolas secundárias locais e iniciou um grupo de discussão para adolescentes. Hanna encontrou uma cópia da zine Jigsaw em 1989 e encontrou ressonância com a escrita de Vail. Hanna começou a contribuir para a zine, enviando entrevistas para a Jigsaw enquanto estava em turnê com a banda Viva Knieval em 1990. Na Jigsaw, Vail escreveu sobre "grrls zangadas", rimando a palavra "girl" com "growl" (grunhido). Algumas edições de Jigsaw foram arquivadas na Universidade de Harvard como um recurso de pesquisa junto com outras zines de contracultura. Depois de dois meses em turnê no verão de 1990, a banda de Hanna, Viva Knievel, acabou. Hanna então começou a colaborar com Vail depois de assistir a uma apresentação do The Go Team e conhecer Vail, a cabeça por trás da zine Jigsaw. Donna Dresch mais tarde começou uma gravadora sob o nome Chainsaw e formou a banda queercore Team Dresch. Na zine Chainsaw #2 ela escreveu: "Neste momento, talvez, Chainsaw seja sobre Frustração. Frustração na música. Frustração em viver, em ser uma garota, em ser homo, em ser um desajustado de qualquer tipo... toda a coisa do punk rock veio em primeiro lugar."

Molly Neuman (de Washington D.C.) e Allison Wolfe (de Olympia) da banda Bratmobile se conheceram no outono de 1989 enquanto moravam lado a lado em dormitórios na Universidade de Oregon em Eugene, Oregon, e viajavam para Olympia nos fins de semana. Eles leram a zine Jigsaw de Tobi Vail pela primeira vez em janeiro de 1990 e na mesma época conheceram Kathleen Hanna. Durante as férias de inverno de 1990-91, Neuman retornou a Washington, DC, onde sua família morava e criou a primeira edição da zine Girl Germs. Corin Tucker da Heavens to Betsy criou o nome da banda durante este período em Eugene, no verão de 1990, posteriormente mudou-se para Olympia naquele outono para frequentar o Evergreen State College. Kathleen Hanna e suas amigas Tobi Vail e Kathi Wilcox, que também estudavam na Evergreen, recrutaram Billy Karren para formar o Bikini Kill no outono de 1990. Neuman e Wolfe fizeram seu primeiro show no Dia dos Namorados de 1991 no Surf Club em Olympia, depois que Calvin Johnson do estúdio K Records as convidou para tocar em um show com Bikini Kill e Some Velvet Sidewalk. Enquanto trabalhava em um documentário sobre a cena musical de Olympia, Corin Tucker foi a este show e entrevistou Neuman e Wolfe. Hanna, Vail e Wilcox criaram também uma zine feminista intitulada Bikini Kill nas suas primeiras turnês em 1991.