O HMS Nelson foi um couraçado operado pela Marinha Real Britânica e a primeira embarcação da Classe Nelson, seguido pelo . Sua construção começou em dezembro de 1922 nos estaleiros da Armstrong Whitworth e foi lançado ao mar em setembro de 1925, sendo comissionado na frota britânica em agosto de 1927. Era armado com uma bateria principal composta por nove canhões de 406 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, possuía deslocamento carregado de mais de 38 mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 23 nós.

O Nelson passou seu serviço em tempos de paz junto com a Frota do Atlântico e com a Frota Doméstica, também participando das celebrações do Jubileu de Prata do rei Jorge V em 1935 e da coroação do rei Jorge VI em 1937. A Segunda Guerra Mundial começou em 1939 e o navio procurou os couraçados alemães da Classe Scharnhorst no Oceano Atlântico, porém bateu em uma mina naval no final do ano. O Nelson retornou para o serviço em meados de 1940 e patrulhou novamente o Atlântico e escoltou vários comboios até ser transferido para o Mar Mediterrâneo.

O couraçado escoltou comboios no Mar Mediterrâneo em 1941 até ser torpedeado, retornando ao serviço e dando apoio para a invasão do Norte da África em 1942 e para as invasões da Sicília e Itália em 1943. O Nelson também de suporte de artilharia durante os desembarques da Normandia em 1944, mas bateu em uma mina e ficou fora de ação pelo restante do ano. Foi transferido para a Frota do Oriente em 1945 e voltou para casa depois da rendição do Japão. Tornou-se um navio-escola em meados de 1946 e foi colocado na reserva em 1947, sendo desmontado dois anos depois.

Características

thumb|240px|esquerda|Desenho do Nelson Os navios da Classe Nelson eram, essencialmente, versões reduzidas e mais lentas do projeto dos couraçados da Classe N3, que tinham sido cancelados por excederem os limites impostos pelo Tratado Naval de Washington de 1922. O projeto das embarcações foi aprovado seis meses depois da assinatura do tratado e tinha um armamento de nove canhões de 406 milímetros com o objetivo de se igualar ao poder de fogo da Classe Colorado da Marinha dos Estados Unidos e da Classe Nagato da Marinha Imperial Japonesa, mas com um deslocamento padrão dentro do limite de 36 mil toneladas.

O Nelson tinha 216,4 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 32,3 metros e um calado de 9,2 metros. Seu deslocamento padrão era de 33,8 mil toneladas e o deslocamento carregado de toneladas. Seu sistema de propulsão tinha oito caldeiras Almirantado que alimentavam dois conjuntos de turbinas a vapor Brown-Curtis, cada uma girando uma hélice. A potência indicada era de 46,2 mil cavalos-vapor (34 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 23 nós (43 quilômetros por hora). Podia carregar óleo combustível suficiente para uma autonomia de sete mil milhas náuticas (treze mil quilômetros) a uma velocidade de dezesseis nós (trinta quilômetros por hora). Sua tripulação normalmente tinha oficiais e marinheiros, mas podia crescer para quando usado como capitânia.

O armamento principal era composto por nove canhões Marco I calibre 45 de 406 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, todas instaladas à vante da superestrutura, com a segunda torre sobreposta às outras duas. O armamento secundário tinha doze canhões Marco XXII calibre 50 de 152 milímetros em seis torres de artilharia duplas na superestrutura de ré, três de cada lado. A bateria antiaérea era originalmente composta por seis canhões Marco VIII calibre 40 de 120 milímetros em montagens únicas e oito canhões Marco VIII de 40 milímetros em montagens únicas. Também era equipado com dois tubos de torpedo submersos de 622, um em cada lateral. O cinturão principal de blindagem tinha entre 330 e 356 milímetros de espessura, sendo fechado em cada extremidade por anteparas transversais de 102 a 305 milímetros. O convés blindado ficava entre 95 e 159 milímetros. As torres de artilharia principais tinham frentes de 406 milímetros, laterais entre 229 e 279 milímetros e tetos de 184 milímetros, ficando em cima de barbetas com 305 a 381 milímetros de espessura. A torre de comando era protegida por laterais de 305 a 356 milímetros e teto de 170 milímetros.

Modificações Os diretórios de ângulo elevado, telêmetros e sua plataforma foram removidos entre maio e junho de 1930 e substituídos por uma nova plataforma circular para um diretório de Sistema de Controle de Ângulo Elevado Marco I. Os canhões de 40 milímetros e diretório de torpedo de estibordo foram removidos em março de 1934 e substituídos por uma única montagem óctupla de 40 milímetros à estibordo da chaminé com um diretório Marco I no topo da ponte de comando. Recebeu duas montagens quádruplas de metralhadoras antiaéreas Vickers de 12,7 milímetros entre 1934 e 1935 que foram posicionadas na superestrutura de vante. O Nelson também recebeu um guindaste para lidar com um hidroavião biplano Supermarine Seagull levado para testes, mas o guindaste foi mantido depois dos testes acabarem. Recebeu entre 1936 e 1937 a montagem óctupla 40 milímetros de bombordo da chaminé e seu respectivo diretório. Além disso, escudos foram instalados para as armas de 120 milímetros, porém acabaram removidas em março de 1938. A torre do diretório de ângulo elevado foi fortalecida e alargada para receber um Sistema de Controle de Ângulo Elevado Marco III durante uma reforma ocorrida de junho de 1937 a janeiro de 1938. Uma nova blindagem de convés também foi instalada, tendo 102 milímetros de espessura próximo da cidadela blindada e 64 milímetros perto da proa.

Os diretórios de ré para os canhões de 152 milímetros foram substituídos em 1940 por duas montagens óctuplas de 40 milímetros, com uma terceira adicionada no tombadilho. O Nelson também foi equipado com um radar de aviso prévio Tipo 279. Os escudos para os canhões de 120 milímetros foram reinstalados, enquanto dois lançadores de projéteis fixos com quatro tubos de 178 milímetros foram colocados no teto da segunda e terceira torres de artilharia principais. Estas mudanças aumentaram sua tripulação para . Seus tubos de torpedo e projéteis fixos foram removidos em 1941 e uma montagem óctupla de 40 milímetros instalada no teto da segunda torre de artilharia. Dois canhões Oerlikon de 20 milímetros foram colocados no teto da terceira torre de artilharia, com mais onze em montagens únicas espalhados pela superestrutura. As armas de 40 milímetros existentes foram substituídas por modelos Marco III e três diretórios extras foram equipados. Cada um destes diretórios era equipado com um radar de artilharia Tipo 282.

Os diretórios de Sistema de Controle de Ângulo Elevado receberam em 1941 radares de artilharia Tipo 285, enquanto o diretório de vante da bateria principal foi equipado com radares Tipo 284. O navio também recebeu um radar de varredura de superfície Tipo 273 e quatro radares Tipo 283 para os canhões principais e secundários em barragem antiaérea. Mais uma Oerlikon foi colocada no topo da terceira torre de artilharia em 1942, enquanto no ano seguinte as metralhadoras Vickers foram removidas em favor de 26 Oerlikon, cinco das quais ficavam no topo da terceira torre e as restantes espalhadas pelo convés e superestrutura. Mais 21 Oerlikons foram instaladas no final de 1944, totalizando 61. O diretório reserva e sua cobertura blindada foram substituídas por uma nova plataforma com duas montagens quádruplas de canhões Bofors de 40 milímetros, enquanto outras duas montagens de Bofors foram colocadas à ré da chaminé. A maioria dos diretórios para as armas de 40 milímetros foram substituídos por diretórios Marco 51 para as Bofors. Estas modificações aumentaram o deslocamento para toneladas e a tripulação para a oficiais e marinheiros.

História Tempos de paz thumb|260px|O Nelson em 1934 O Nelson foi nomeado em homenagem ao vice-almirante lorde Horatio Nelson, 1º Visconde Nelson, tendo sido o terceiro navio da Marinha Real Britânica a receber esse nome. Seu batimento de quilha ocorreu em 28 de dezembro de 1922 nos estaleiros da Armstrong Whitworth em Newcastle upon Tyne, sendo lançado ao mar em 3 de setembro de 1925. Realizou testes marítimos preliminares e foi comissionado em 15 de agosto de 1927, tendo custado libras esterlinas. Os testes marítimos foram retomados em outubro e o Nelson foi designado no dia 21 como capitânia da Frota do Atlântico, que foi renomeada em março de 1932 para Frota Doméstica, permanecendo como tal até abril de 1941. O príncipe Jorge, quarto filho do rei Jorge V e da rainha Maria, serviu a bordo como tenente no estado-maior do almirante até ser transferido em 1928 para o cruzador rápido HMS Durban. O couraçado foi visitado pelo rei Amanulá Cã do Afeganistão em abril de 1928 enquanto realizava treinamentos próximo de Portland.

O navio colidiu com o SS West Wales em 20 de março de 1931 no meio de uma neblina quando estava próximo de Cabo Gilano, na Espanha, porém nenhuma das embarcações ficou seriamente danificada. Os danos do Nelson foram consertados em julho. A tripulação do couraçado participou em meados de setembro do Motim de Invergordon ao se recusarem a cumprirem uma ordem de irem para o mar a fim de realizarem exercícios, porém abandonaram seus esforços depois de alguns dias quando o Almirantado Britânico reduziu o tamanho dos cortes de salários que tinham causado o motim. O navio encalhou próximo de Southsea em 12 de janeiro de 1934 enquanto se preparava para partir com a Frota Doméstica para um cruzeiro pelas Índias Ocidentais. Equipamentos e suprimentos foram desembarcos e o Nelson reflutuado durante uma maré alta, não tendo sofrido danos. A investigação que se seguiu inocentou os oficias de qualquer culpa, atribuindo o acidente ao fato do navio ter uma direção ruim em baixa velocidade. O Nelson participou em 16 de julho de 1935 de uma revista de frota em celebração do jubileu de prata do rei Jorge V, enquanto em 20 de maio de 1937 esteve presente na revista pela coroação do rei Jorge VI. Passou por uma longa reforma neste mesmo ano e depois visitou Lisboa, em Portugal, em fevereiro de 1938 junto com seu irmão .

Segunda Guerra Mundial Primeiras ações O Reino Unido declarou guerra contra a Alemanha em 3 de setembro de 1939, com o Nelson e a maior parte da Frota Doméstica sendo colocados em patrulha entre a Noruega, Islândia e Escócia à procura de corsários alemães, mas sem sucesso. Fizeram a mesma coisa com o mesmo resultado entre 6 e 10 de setembro, desta vez próximos do litoral norueguês. O couraçado deu cobertura para as operações de resgate e salvamento do danificado submarino HMS Spearfish entre os dias 25 e 26. Um mês depois deu cobertura para um comboio vindo de Narvik, na Noruega. A embarcação tentou sem sucesso atacar o submarino alemão U-56 em 30 de outubro próximo das Ilhas Órcades, sendo atingido por dois torpedos lançados a uma distância de oitocentos metros, nenhum dos quais explodiu. O cruzador auxiliar foi afundado pelos couraçados alemães e em 23 de novembro perto da Islândia, com o Nelson e o Rodney sendo enviados em uma perseguição fracassada. O Nelson detonou uma mina magnética em 4 de dezembro na entrada de Loch Ewe que abriu um buraco de três por 1,8 metros no casco à vante da primeira torre de artilharia, inundando a sala de torpedos e alguns compartimentos adjacentes. Ninguém morreu, mas 74 marinheiros ficaram feridos. Ficou em reparos no Estaleiro Real de Portsmouth até agosto de 1940.

thumb|esquerda|240px|O Nelson deixando o Estuário do Rio Forth em setembro de 1940