miniaturadaimagem|O Leão de Corbridge, exposto no museu da cidade romana de Corbridge. O Leão de Corbridge () é uma escultura romana independente em arenito, descoberta em 1907 no sítio arqueológico da cidade romana de Corbridge, em Northumberland, no norte da Inglaterra. Representa um leão macho sobre um animal caído e mede aproximadamente 95 centímetros de comprimento, 36 centímetros de largura e 87 centímetros de altura.

A obra é geralmente datada dos séculos II ou III. Leões eram utilizados como elementos decorativos em monumentos funerários da Britânia romana, e a escultura terá sido originalmente produzida para esse tipo de contexto. Posteriormente, foi modificada e utilizada como bica de uma fonte, com água a sair pela boca.

Atualmente, encontra-se exposta no museu da cidade romana de Corbridge, administrado pela English Heritage.

Descrição e interpretação

A escultura mostra o leão a atacar uma presa imóvel. A identificação desta é incerta. Segundo uma avaliação zooarqueológica solicitada pela English Heritage, os chifres e as orelhas poderiam representar uma ovelha ou uma cabra, enquanto as dimensões do corpo em relação ao leão se aproximam mais das de uma vaca.

O contraste entre a força do leão e a imobilidade da presa relaciona-se com o uso deste animal na arte funerária romana.

Embora tenha provavelmente sido esculpido para ornamentar um mausoléu, o bom estado de conservação da peça levou especialistas da English Heritage a sugerir que talvez nunca tenha sido instalada num monumento funerário.

Para esta reutilização, os dentes do leão foram removidos e a boca foi transformada em saída de água. A inexistência de marcas de erosão imediatamente abaixo da boca indica que provavelmente existia um tubo que projetava a água para longe da superfície da pedra.

Descoberta

O Leão de Corbridge foi descoberto em 1907 durante escavações dirigidas pelo arqueólogo Leonard Woolley. A peça encontrava-se num reservatório de água do chamado Sítio II, uma grande propriedade privada situada a sudoeste da zona pública da cidade romana.

O edifício possuía 23 divisões, sistema de aquecimento por hipocausto, latrinas próprias e paredes pintadas. Foi inicialmente interpretado como uma possível mansio, ou estação oficial de alojamento, mas é atualmente considerado uma residência pertencente a um habitante abastado de Corbridge. A casa permaneceu ocupada até ao final do século IV.

Na sua autobiografia Spadework, Woolley relatou que estava num banco em Corbridge a levantar o dinheiro destinado aos salários dos trabalhadores quando a escultura foi encontrada. Ao regressar à escavação, um dos trabalhadores comparou a abertura na boca do leão a uma laranja.

Outros leões de Corbridge

Foram identificadas pelo menos cinco esculturas de leões provenientes de Corbridge, sendo o Leão de Corbridge a mais bem preservada.

Duas outras esculturas foram encontradas em 1958 junto ao muro exterior de um mausoléu romano em Shorden Brae, cerca de 600 metros a oeste da cidade. O mausoléu, datado do século II, possuía a forma de uma torre e encontrava-se numa necrópole junto à estrada romana conhecida como Stanegate.

Uma terceira escultura foi encontrada incorporada numa parede da aldeia de Corbridge. Outra, atualmente desaparecida, pertenceu ao museu privado de Bartholomew Lumley no início do século XIX.

Conservação e exposição

O Leão de Corbridge integra a coleção do museu da cidade romana de Corbridge. A coleção inclui materiais provenientes das escavações realizadas entre 1906 e 1914 e de campanhas arqueológicas posteriores. Apenas uma parte dos objetos conservados no museu se encontra em exposição permanente.

A English Heritage considera a escultura uma das peças mais conhecidas e significativas da coleção de Corbridge.

Bibliografia

Ligações externas

O Leão de Corbridge na English Heritage Cidade romana de Corbridge na English Heritage

Categoria:Arqueologia do Reino Unido Categoria:Cultura da Roma Antiga Categoria:Esculturas de leões Categoria:Northumberland Categoria:Britânia romana Categoria:Esculturas da Roma Antiga