Wolfgang Frank (Reichenbach, 21 de fevereiro de 1951 –– Mainz, 7 de setembro de 2013) foi um futebolista e treinador alemão que jogou como atacante.
Nascido no estado sulista de Baden-Württemberg, Frank foi um respeitável jogador durante os anos 1970, com sucesso no futebol alemão, tendo disputado 215 jogos na Bundesliga e marcado 89 gols, em especial durante sua passagem por Stuttgart e Eintracht Braunschweig. Apesar disso, Pulga, apelido pelo qual ficou conhecido durante sua carreira de atleta por conta de seu físico esguio e sua elevada capacidade para cabecear, apesar de sua baixa estatura para os padrões do futebol, ficou marcado por sua carreira como treinador, principalmente por sua passagem pelo Mainz 05, onde é creditado como o responsável por tornar o então inexpressivo clube em uma equipe de primeira divisão, embora nunca tenha conseguido o acesso enquanto treinou este –– glória que acabou ficando a cargo de seu principal discípulo, Jürgen Klopp, que fora treinado por Frank nas duas passagens deste pelo clube durante os anos 1990 ––.
Frank era considerado um estudioso do jogo, chegando ao ponto de obsessão, característica que combinava com seu perfil sério e introvertido. Esses atributos acabaram por ser considerados como o principal fator por sua falta de um elevado sucesso na carreira como treinador –– além do Mainz, Frank obteve algum sucesso apenas com Glarus, Essen e Unterhaching, com este último tendo resultado em seu único título profissional ––, por ele ter problemas para falar "a língua dos jogadores" –– em contraste, Klopp, quando se tornou treinador, sempre quebrava a tensão com os jogadores com uma brincadeira ou sorriso ––. Aliado a isto, Frank também era considerado excêntrico e difícil de lidar pelos dirigentes. Outro fator, constatado pelo próprio Frank, foi a elevada quantidade de clubes que treinou na carreira: 16, em 28 anos como técnico. Apesar disso, através de seus discípulos, em especial Klopp e Joachim Löw, Frank acabou tendo uma enorme influência na modernização do futebol alemão, dado o sucesso que os dois obtiveram posteriormente.
Carreira Primeiros anos Frank nasceu em Reichenbach, pequena cidade pertencente a região administrativa de Stuttgart, e localizada a apenas 25 quilômetros de distância da cidade homônima e capital do estado sulista de Baden-Württemberg. Jogador com exímia qualidade técnica, a ponto de mesmo medindo apenas um metro e setenta e dois centímetros, vencer defensores adversários mais altos em jogadas pelo alto, se tornando um temido cabeceador por seus adversários. Frank começou sua trajetória no futebol no pequeno Schlierbach, jogando nas categorias de base, antes de seu talento o conseguir uma vaga no também amador Kirchheim/Teck, que funcionava como uma espécie de clube subsidiário do Stuttgart, o maior clube de seu estado de nascimento.
Na temporada 1970/71, sob a tutela do treinador Karl Bögelein, Frank conquistou com a equipe o título amador do Verbandsliga Württemberg, competição regional do estado, onde ele marcou 25 gols. O título rendeu a oportunidade do clube disputador o campeonato alemão amador, que abrangia todos os estados alemães, mas com o time de Frank, que contava com nomes, além do próprio, como Günter Sawitzki, Karl Berger, Dieter Schwemmle e Dieter Ungewitter, todos jogadores que se tornaram profissionais nos anos seguintes, perdendo para o então bicampeão SC Jülich por 1 x 0, em final disputada em Wurtzburgo no dia 10 de julho de 1971, frente a um público de seis mil pessoas. Seu desempenho naquele ano lhe rendeu um contrato com o time principal do Stuttgart, quando já estava com 20 anos, onde foi comandado incialmente pelo iugoslavo Branko Zebec, treinador responsável pelo primeiro título e dobradinha do Bayern München na Bundesliga,Torres, p. 71. que fora substituído por Bögelein em 19 de abril de 1972.
miniaturadaimagem|direita|180px|Branko Zebec em 1979, em jogo contra o Holstein Kiel enquanto era treinador do Hamburgo.
No clube de Stuttgart, acabou ficando apenas dois anos, mas significativos. Embora não tenha chegado a conquistar títulos pelo time, ele conseguiu marcar 13 gols em 33 jogos em seu primeiro ano, sendo apenas dois vindo do banco de reservas, mesmo tendo vindo de uma equipe amadora, ficando à frente na lista de artilheiros do time no ano, à frente de Karl-Heinz Handschuh (10 gols), já estabelecido no clube, Horst Köppel, que retornava ao clube naquele ano, e Hans Ettmayer, também em seu primeiro ano, que marcaram oito gols cada. O Stuttgart terminou em oitavo no campeonato. No seu segundo ano, agora sob o comando de Hermann Eppenhoff, conseguiu melhorar ainda mais os números, jogando os mesmos 33 jogos, mas terminando com 17 gols. O time ficou em posição melhor do que no ano anterior, embora apenas em sexto.
AZ Alkmaar e Eintracht Braunschweig Frank passara um ano jogando no clube neerlandês AZ Alkmaar, na temporada de 1973/74, atuando sob o comando Joop Brand, e ao lado de Kees Kist, grande artilheiro e ídolo do clube, com o clube terminando em sétimo no campeonato naquele ano. Apesar de sua passagem pela Holanda do Norte ter sido curta, com Frank deixando o clube no ano seguinte a sua chegada, ela ficara marcada pelo período em que jogou no clube, quando o futebol neerlandês vivia o seu maior momento com o "Futebol Total", com a seleção neerlandesa chegando à final da Copa do Mundo de 1974, embora tenha perdido para a Alemanha Ocidental o título, com este sistema de jogo sendo altamente influenciador no alemão.
Quando retornou à Alemanha, pelo Eintracht Braunschweig, que pagou o equivalente a 120 mil euros, esteve novamente sob o comando do iugoslavo Branko Zebec. Zebec, que também fora uma pessoa de personalidade difícil durante sua vida, sendo considerado um personagem complexo, ao ponto de referir-se a si mesmo como um ditador, acabara por se tornar outra referência para Frank durante sua carreira como jogador: valendo-se de um rigoroso regime de preparação física e de disciplina tática sólida, o iugoslavo fora o primeiro treinador a experimentar a marcação por zona na elite do futebol alemão em meados dos anos 1970, contrastando com a marcação homem a homem, a utilizada naquela época. Frank chegarra a comentar anos depois sobre: "Sob o comando de Zebec, não corríamos mais feito idiotas atrás de nossos adversários (individualmente), ele estava à frente de seu tempo."Honigstein, p. 77. Seu passagem também ficara marcada por seus seis jogos pela equipe B da Alemanha, onde chegara a marcar três vezes.
O melhor ano da sua passagem pelo Braunschweig acabara sendo na temporada 1976/77, quando marcara 30 gols naquele ano nos 37 jogos que disputou, com destaque para os três gols em sua primeira partida por competições europeias, na Copa da UEFA, contra o dinamarquês Holbæk B&I, em jogo vencido por 7 x 0. No seu último jogo naquela temporada, marcara quatro vezes na vitória por 6 x 0 contra o Rot-Weiss Essen, disputado em 21 de maio de 1977. O Braunschweig terminou aquela época do campeonato na terceira colocação, tendo chegado a liderar a liga em alguns momentos durante o ano, seu melhor resultado desde o surpreendente título, dez anos antes, na temporada 1966/67, e que também acabaria por ser o último grande momento do clube, que entrou em um declínio acentuado a partir de então.
Dortmund, Nürnberg e amadorismo No ano seguinte acabou atuando apenas até setembro, tendo marcado seis vezes nos 12 jogos que disputou até aquele momento, antes de seguir para o Borussia Dortmund, que pagou o equivalente a 450 mil euros pela transferência. O seu último jogo pelo clube da Baixa Saxônia fora contra o soviético Dínamo Kiev, do lendário treinador Valeriy Lobanovskiy, considerado um dos maiores treinadores da história do futebol, e que acabou por se tornar uma grande influência para Frank. No restante da temporada, jogando pelo novo clube, disputou os sete primeiro jogos, com dois gols marcados em empate por 3 x 3 com o Borussia Mönchengladbach; mas voltando apenas para as duas últimas rodadas do campeonato, tendo marcado um último gol em vitória por 5 x 3 sobre o Bochum, e estado na humilhante e histórica derrota por 12 x 0 para o Mönchengladbach na última rodada do campeonato. No ano seguinte, disputou apenas um jogo na temporada, pela Bundesliga, em vitória por 1 x 0 sobre o Bayern München, antes de sair no intervalo do jogo e retornar apenas para a temporada seguinte.
A temporada 1979/80 acabou por ser sua última, com Frank disputando 29 jogos e marcando 11 gols, mas ficando marcada por ele ter ficado todo o ano de 1979 sem marcar gols, conseguindo de novo apenas a partir de janeiro de 1980, quando marcou todos os 11 até maio. Frank seguiu para o Nürnberg em julho, com o clube pagando 800 mil marcos alemães ao Dortmund pela transferência. O alemão ficou dois anos no time, mas com pouco sucesso, marcando apenas quatro vezes em 22 jogos no total, todos ainda pelo ano de 1980, e dois saindo em vitória por 4 x 2 sobre o 1860 München. Em seu segundo ano, acabou se tornando essencialmente um "reserva de luxo", tendo disputado apenas três jogos naquela época, todos derrotas. Após isso, acabou voltando a atuar em nível amador pelo clube homônimo da cidade de Bad Windsheim, que fica localizada próximo de onde jogava pelo Nürnberg, e jogava na Bezirksliga na época. Frank passou dois anos jogando pela equipe, antes de rumar para o futebol suíço em 1984, para jogar no igualmente pequeno Glarus da igualmente cidade homônima, onde também exerceu a função de treinador do time.
Início como treinador na Suíça Frank era reverenciado na pequena cidade de 12 mil habitantes de Glarona, onde o alemão levou a pequena equipe local, o Glarus, para a Nationalliga B, a segunda divisão suíça, em 1988, pela primeira vez em sua história;Honigstein, p. 69. apenas um ano antes, a equipe disputava a quarta divisão nacional, com o treinador-jogador levando o time à terceira divisão em 1986/87, em ano que marcava o 75º aniversário de fundação da agremiação. No primeiro ano na segunda divisão, em 13 de agosto, a equipe também conseguiu uma vitória por 2 x 1 sobre o Basel na casa deste, apenas a segunda do time na divisão, na temporada 1988/89, e ainda é considerada uma das mais significativas na história do clube. Ele é considerado a maior influência na história da agremiação, à frente de nomes como Hans Reutlinger, Fritz Künzli, René Botteron e Hans-Peter Briegel.
Seu sucesso com o Glarus fez com que fosse nomeado treinador do FC Aarau em dezembro de 1988, uma equipe da primeira divisão suíça que tinha vivenciado conquistas inesperadas sob o comando técnico do alemão Ottmar Hitzfeld, com a equipe chegando a ser chamada de "FC Wunder" pela imprensa por conta do título na Copa da Suíça na primeira temporada do alemão à frente do clube, em 1984/85, e o vice-campeonato suíço naquele mesmo ano.Honigstein, p. 71. Frank tinha assumido apenas a função de treinador do Glarus poucos meses antes, após uma fratura na perna durante o quarto jogo do campeonato. Embora ele tivesse contrato até o final da temporada 1991/92, o Glarus o liberou. Ele fora substituído por Peter Stubbe.
Frank assumiu a equipe do Aarau com a temporada de 1989/90 já em andamento, também chegando a uma final da Copa da Suíça, mas perdendo por 2 x 1 para o Grasshoppers, a nova equipe de Hitzfeld (que havia assumido o clube em 1988). Frank deixou o clube em 1991, não conseguindo destaque nas equipes suíças que treinou em seguida, o Wettingen, em 1991/92, e o Winterthur, em 1992/93, que lutavam contra o rebaixamento.Honigstein, p. 71. No Winterthur, o principal jogador e capitão da equipe era seu conterrâneo Joachim Löw, que seria um dos seus discípulos mais bem-sucedidos, vencendo a Copa do Mundo de 2014 com a Alemanha como treinador. miniaturadaimagem|direita|180px|Joachim Löw em 2018. Löw fora treinado por Frank no suíço Winterthur, e levou a Alemanha ao seu quarto titulo mundial em 2014. Essen e sua única final