O Dunkerque foi um couraçado operado pela Marinha Nacional Francesa e a primeira embarcação da Classe Dunkerque, seguido pelo Strasbourg. Sua construção começou em dezembro de 1932 no Arsenal de Brest e foi lançado ao mar em outubro de 1935, sendo comissionado na frota francesa no final de dezembro de 1936. Era armado com uma bateria principal composta por oito canhões de 330 milímetros montados em duas torres de artilharia quádruplas, possuía deslocamento de mais de 35 mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 29 nós.
O couraçado teve uma carreira tranquila e curta durante os tempos de paz, participando principalmente de exercícios de treinamento e viagens para portos estrangeiros. Com o início da Segunda Guerra Mundial no início de setembro de 1939, ele caçou cruzadores alemães no Oceano Atlântico e também fez escoltas de comboios comerciais Aliados. O Dunkerque foi chamado de volta para o Mar Mediterrâneo em abril de 1940 para dissuadir a entrada da Itália na guerra, porém os franceses se renderam para a Alemanha depois da derrota na Batalha da França no final de junho.
O armistício especificou que toda a frota francesa deveria ser desmilitarizada, com o Dunkerque ficando em Mers-el-Kébir. Os britânicos atacaram a base francesa em julho para que as embarcações não fossem tomadas pelos alemães, com o couraçado sendo seriamente danificado. Foi enviado para Toulon em fevereiro de 1942 para passar por reparos definitivos, porém foi deliberadamente afundado em novembro para que não fosse capturado pelos alemães. Depois disso foi parcialmente desmontado no local e bombardeado até ser completamente desmontado após a guerra.
Características
thumb|esquerda|240px|Desenho do Dunkerque A equipe de projetos da Marinha Nacional Francesa passou a década que sucedeu o Tratado Naval de Washington de 1922 tentando produzir um projeto para preencher as setenta mil toneladas permitidas ao país pelo tratado. Os franceses inicialmente tentaram responder aos cruzadores pesados italianos da Classe Trento, porém todas as propostas foram rejeitadas. Os cruzadores pesados alemães da Classe Deutschland se tornaram o novo foco em 1929. O projeto tinha de respeitar o Tratado Naval de Londres de 1930, que limitava os franceses a dois navios de 23,3 mil toneladas até 1936. Um projeto desse tamanho foi apresentado, mas rejeitado em 1931 pelo parlamento francês. Foi então desenvolvido um novo projeto de 26,5 mil toneladas com canhões de 330 milímetros, tendo maior blindagem mas uma velocidade máxima um pouco mais baixa. Este foi aprovado no começo de 1932 e o Dunkerque encomendado em 26 de outubro.
O Dunkerque tinha 214,5 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 31,08 metros e um calado máximo de 8,7 metros. Tinha um deslocamento padrão de 26,5 mil toneladas, enquanto o deslocamento carregado era de 35,5 mil toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por quatro conjuntos de turbinas a vapor Parsons alimentadas por seis caldeiras Indret a óleo combustível. Tinha uma potência indicada de 109 mil cavalos-vapor (80,2 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 29,5 nós (54,6 quilômetros por hora), com sua autonomia sendo de milhas náuticas ( quilômetros) a 15 nós (28 quilômetros por hora). A embarcação era equipada com dois hidroaviões para reconhecimento aéreo, uma catapulta de lançamento na popa e um guindaste para içá-los do mar. Sua tripulação ficava entre e oficiais e marinheiros.
A bateria principal tinha oito canhões Modelo 1931 calibre 50 de 330 milímetros em duas torres de artilharia quádruplas, ambas à vante da superestrutra com a segunda sobreposta à primeira. O armamento secundário tinha dezesseis canhões de duplo-propósito Modelo 1932 calibre 45 de 130 milímetros em três torres de artilharia quádruplas e duas duplas, essas instaladas na popa e estas à meia-nau. A bateria antiaérea tinha oito canhões Modelo 1925 calibre 50 de 37 milímetros em quatro montagens duplas e 32 metralhadoras de 13,2 milímetros em montagens quádruplas. O cinturão principal tinha 225 milímetros de espessura à meia-nau, já o convés blindado tinha entre 115 e 125 milímetros. As torres de artilharia principais tinham frentes de 330 milímetros, laterais de 250 milímetros e tetos de 150 milímetros. A torre de comando tinha laterais de 270 milímetros.
O Dunkerque foi modificado algumas vezes durante sua carreira. Uma cobertura para a chaminé foi adicionada em 1937 e quatro dos canhões de 37 milímetros foram removidos. Estes foram substituídos no ano seguinte por novas armas do Modelo 1933. As metralhadoras também foram rearranjadas ligeiramente, com duas montagens que originalmente ficavam ao lado da segunda torre de artilharia principal sendo movidas mas para ré. Um novo telêmetro de catorze metros foi instalado em 1940 no alto da torre.
História Construção thumb|240px|Mapa do Arsenal de Brest, onde o Dunkerque foi construído e equipado O batimento de quilha do Dunkerque ocorreu em 24 de dezembro de 1932 na doca seca Salou nº 4 do Arsenal de Brest. O casco foi completado faltando os dezessete metros da extremidade de vante da proa pois a doca em que foi construído tinha apenas duzentos metros de comprimento, muito pequena para acomodar a embarcação inteira. Foi lançado ao mar em 2 de outubro de 1935 e rebocado para a doca seca Laninon nº 8, onde a parte faltante de sua proa foi instalada. Depois disso foi rebocado até o Cais de Armamento para que seus armamentos fossem instalados e a equipagem iniciada. Testes marítimos foram realizados a partir de 18 de abril de 1936, porém na época sua superestrutura não estava finalizada e muitas de suas armas secundárias e antiaéreas ainda não tinham sido instaladas. Voltou para Brest dois dias depois e teve seus maquinários inspecionados, com mais testes ocorrendo em maio. Sua avaliação formal começou em 22 de maio e continuou até 9 de outubro. O Dunkerque partiu em 4 de fevereiro de 1937 para testes de artilharia de sua bateria secundária; a bordo estavam o vice-almirante Morris e o contra-almirante Rivet para observar. Testes para a bateria principal foram adiados do dia 8 para os dias 11 a 14 devido ao mau tempo. O vice-almirante François Darlan, o Chefe do Estado-Maior Naval Geral, subiu a bordo em 3 de março para observar mais testes de artilharia. Estes testes continuaram até abril.
O vice-almirante Devin, o Prefeito Marítimo da 2ª Região, subiu a bordo em 15 de maio a fim de levar o Dunkerque para representar a França na revista naval em celebração à coroação do rei Jorge VI do Reino Unido e da rainha Isabel. Deixou Brest em 17 de maio e retornou no dia 23. Participou quatro dias depois de outra revista naval em Île de Sein, onde recepcionou Darlan e Alphonse Gasnier-Duparc, o Ministro Naval. Testes de artilharia foram retomados e continuaram até junho, retornando para Brest para mais trabalhos. O couraçado voltou ao mar para mais testes no final de julho e então retornou outra vez para Brest para mais trabalhos de 15 de agosto a 14 de outubro. Sua tripulação preparou o Dunkerque no início de 1938 para seu primeiro grande cruzeiro que testaria sua capacidade de operar longe de casa. Ele começou em 20 de janeiro e o levou pelas colônias francesas no Oceano Atlântico; paradas incluíram Forte da França em Martinica entre 31 de janeiro e 4 de fevereiro, e Dacar na África Ocidental Francesa de 25 de fevereiro a 1º de março. Retornou para Brest em 6 de março, realizando mais testes de artilharia até o dia 11.
O Dunkerque passou por mais um período de inspeção de equipamentos e testes de artilharia ao retornar do cruzeiro, com os testes continuando até maio. De 1º a 4 de julho ele navegou pelo Canal da Mancha até sua cidade homônima, retornando para Brest em 6 de julho depois de parar em Saint-Vaast-la-Hougue entre os dias 4 e 5. Jorge VI e Isabel visitaram Bolonha em 16 de julho, assim o couraçado deixou Brest no mesmo dia na companhia de outros navios para se encontrarem com os monarcas britânicos no local. O Dunkerque partiu para Calais em 22 de julho, saudando o rei e a rainha enquanto estes voltavam para casa. A embarcação foi finalmente declarada pronta para o serviço em 1º de setembro e designada para a Esquadra do Atlântico, tornando-se a capitânia de seu comandante, o vice-almirante de esquadra Marcel-Bruno Gensoul.
Tempos de paz thumb|esquerda|240px|O contratorpedeiro e o Dunkerque realizando exercícios de treinamento em junho de 1939 O Dunkerque continuou com seu programa de treinamento depois de entrar em serviço, porém agora também incluía exercícios com o resto da frota. A Esquadra do Atlântico na época também tinha os três couraçados da Classe Bretagne na 2ª Divisão de Batalha, três cruzadores na 4ª Divisão de Cruzadores, o porta-aviões e vários contratorpedeiros e barcos torpedeiros. Ele participou de manobras com o Béarn, dois barcos torpedeiros e uma chalupa próximos do litoral da Bretanha entre 18 e 20 de outubro. O Dunkerque deixou Brest em 8 de novembro com o porta-aviões e a 4ª Divisão de Cruzadores para uma visita a Cherbourg a fim de celebrar o vigésimo aniversário do Armistício de Compiègne que encerrou a Primeira Guerra Mundial. As embarcações então retomaram seus exercícios de treinamento, terminando com seu retorno à Brest em 17 de novembro. O navio usou os destroços do antigo couraçado como alvo de tiro antes de retornar ao estaleiro para uma manutenção que durou até 27 de fevereiro de 1939.
O couraçado partiu no dia seguinte para manobras com a Esquadra do Atlântico no litoral da Bretanha, com mais um período de manutenção ocorrendo de 17 de março a 3 de abril. Treinamentos de artilharia no litoral da Bretanha ocorreram entre 4 e 7 de abril. O comando naval francês, em resposta à exigência da Alemanha de anexar a região dos Sudetos da Tchecoslováquia, enviou em 14 de abril o Dunkerque, três cruzadores rápidos e oito contratorpedeiros para dar cobertura ao cruzador de treinamento enquanto este voltava das Antilhas Francesas; uma esquadra alemã centrada no cruzador pesado Admiral Graf Spee estava na época próxima do litoral da Espanha. Todas as embarcações chegaram em casa dois dias depois. A Esquadra do Atlântico recebeu o couraçado , irmão do Dunkerque, em 24 de abril e os dois foram designados como a 1ª Divisão de Batalha. Eles receberam listras em suas chaminés para identificação, uma para o Dunkerque como o líder de divisão e duas para o Strasbourg.
A esquadra foi para o mar no dia seguinte para exercícios que duraram até 29 de abril. O Dunkerque e o Strasbourg partiram em 1º de maio para um cruzeiro até Lisboa, em Portugal, chegando dois dias depois para celebrações do aniversário da descoberta do Brasil. Deixaram Portugal em 4 de maio e retornaram para Brest três dias depois. Encontraram-se no local com uma esquadra britânica em visita à França. Os dois couraçados franceses fizeram uma surtida em 23 de maio com a 4ª Divisão de Cruzadores e três divisões de contratorpedeiros para manobras próximas do litoral do Reino Unido. O Dunkerque e o Strasbourg então visitaram portos britânicos, Liverpool de 25 a 30 de maio, Oban de 31 de maio a 4 de junho, Staffa em 4 de junho, Loch Ewe de 5 a 7 de junho, Scapa Flow em 8 de junho e Rosyth de 9 a 14 de junho, em seguida parando em Le Havre na França entre 16 e 20 de junho. Retornaram a Brest no dia seguinte. A esquadra fez mais treinamentos próxima da Bretanha no decorrer de julho e início de agosto.
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