A Primeira Igreja Presbiteriana de Vila Velha, ou Primeira Igreja Presbiteriana do Brasil em Vila Velha, (PIPBVV) é uma igreja federada da Igreja Presbiteriana do Brasil, sob a e jurisdição do Presbitério de Vila Velha, e Sínodo Central Espiritossantense.

Nos anos de 1970, a igreja passou por três grandes cisões, de modo que quase sucumbiu. Na primeira, setenta e dois (72) membros adultos e onze (11) menores fundaram a Igreja Cristã Maranata, , na segunda, em menor grau, membros seguiram um diácono dissidente que apropriou-se duma Congregação, na terceira, iniciada na Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória, que ficou com apenas trinta e oito (38) membros fiéis à Igreja Presbiteriana do Brasil, muitos membros, incluindo o então pastor titular (Rev. Guilherme Ataualpa de Montezuma Breder), fundaram a Igreja Presbiteriana Unida do Brasil.

Apesar dos grandes cismas, a igreja foi mãe de mais de dez congregações.

História Congregação Presbiteriana de Vila Velha A igreja é fruto de trabalho evangelístico iniciado em 1929 por membros da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória, logo após a fundação desta última (26 de dezembro de 1928). Em 3 de fevereiro de 1929 foi realizada a primeira Escola Bíblica Dominical.

Em 1948, numa quinta-feira por mês, o Rev. Renato Ribeiro dos Santos, da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória (IPBVIT) visitava e assistia à igreja, dirigindo o culto à noite. No geral, os cultos eram dirigidos pelos presbíteros regentes Daniel Botelho, Durval Conti, Joel de Oliveira Lima e Manoel dos Passos Barros, enquanto ainda Congregação Presbiteriana da IPBVIT.

Organização da Congregação em Igreja Presbiteriana de Vila Velha

Era membro da igreja o Sr. Abílio Teixeira Gueiros, juntamente com sua família (incluindo seus filhos Jedaías, futuro pastor titular da PIPBVV, e Gedelti). Por ser dono de uma grande padaria, a igreja ficou conhecida como "a Igreja de Seu Abílio" e, para o Dr. Joel Ribeiro Brinco, "apelido que persistiu por longos anos, mesmo depois da Congregação ter sido transformada em Igreja".

A igreja, naturalmente, passou a crescer e necessitou da construção de um templo, quando ainda Congregação, no mesmo lugar em que funcionava a Congregação. Com este fato, a igreja, segundo BRINCO, "passou a se reunir do quintal da residência do Sr. Abílio Gueiros [já citado], à Rua Henrique Moscoso, próximo à Igreja Adventista, onde, nas tardes de domingo, debaixo de umas mangueiras, funcionava a Escola Dominical". Os próprios membros contribuíam com a construção, inclusive com esforços físicos.

Aos 19 de janeiro de 1954 a Congregação foi organizada em Igreja, chamada, até 1959, de "Igreja Presbiteriana da Cidade do Espírito Santo (antigo nome de Vila Velha), quando a Cidade do Espírito Santo tornou a ser chamada de Vila Velha. O Rev. Jedaías Victalino Teixeira Gueiros, filho do Sr. Abílio Gueiros, foi eleito Pastor Evangelista, cargo no qual permaneceu até 1959 (foi eleito, em Assembleia Extraordinária, Pastor Titular para o período de 1960 e 1962, sem concorrência). Foram eleitos Presbíteros Regentes os Senhores Annibal Brinco Filho (pai do Dr. Joel Ribeiro Brinco), Ovídio Beiriz de Matos e Abílio Teixeira Gueiros, enquanto o filho deste último, Gedelti Gueiros, juntamente com Adaías Heringer da Silva e Ruy Carlos de Matos, foi eleito diácono. Mais de quarenta (40) pessoas inauguraram seu rol de membresia.

Muito embora tivesse sido eleito para exercer a titularidade da PIPBVV pelo período de 1960 a 1962, o Rev. Jedaías Gueiros renunciou o mandato, o qual tinha conquistado sem concorrência, para surpresa da igreja, "transferindo-se para a Igreja Presbiteriana de Guarús", no Estado do Rio de Janeiro,de modo que a PIPBVV ficou sem pastor, mas sendo auxiliada pelo Rev. Renato Ribeiro dos Santos no ano de 1960, sendo este substituído no ano seguinte pelo Rev. Orlando Sathler.

Primeira Cisão: os Gueiros e a Igreja Cristã Maranata "A Igreja de Seu Abílio"

Proprietário da única padaria local, Abílio Teixeira Gueiros era muito conhecido pela comunidade local e, frequentando ele a PIPBVV, esta era, pela comunidade, conhecida como "Igreja de Seu Abílio". Não obstante, "a família Gueiros era a mais proeminente na comunidade presbiteriana de Vila Velha", uma vez que sua esposa, Sra. Sarah Victalino Gueiros, fazia parte da Sociedade Auxiliadora Feminina (SAF), sendo, "quase sempre, sua presidenta". Tanto ele quanto sua esposa eram professores na Escola Dominical. Seus filhos eram Rev. Jedaías (juiz), Jabes (advogado), Sara (educadora e esposa de Edward Hemming Dodd), Gedelti (dentista), Jerusa (professora da UFES) e Edna Júnia (pedagoga).

Jedaías Victalino Teixeira Gueiros, como supramencionado, foi o primeiro Pastor Titular da PIPBVV. Gedelti organizou a União da Mocidade Presbiteriana (UMP), da qual foi seu primeiro presidente, além de exercer o cargo de diácono e, posteriormente, presbítero, como seu pai, chegando, também, à superintendência da Escola Dominical. Ainda segundo BRINCO, no "púlpito, quando o Pastor Jedaías não pregava, pregava seu irmão Gedelti ou alguém designado pela família Gueiros". Jabes Gueiros foi diácono. A esposa do Rev. Jedaías, Sra. Nelly Rabelo Gueiros, foi regente do Coral e supervisora da Liga Juvenil. Jurama Barros Gueiros, esposa de Gedelti, foi presidente da SAF em 1963, sendo substituída em 1964 por sua cunhada, Jerusa Gueiros Samú.

Eleição para Pastor Titular - o berço da primeira Cisão

Tudo corria nos conformes, apesar da supremacia dos Gueiros, até que em 28 de novembro de 1965 ocorreu a eleição para Pastor Titular. Concorreram para a dita eleição os Reverendos Sebastião Bitencourt dos Passos, vindo do sul do Estado do Espírito Santo, pouco conhecido em Vila Velha, e Jedaías Victalino Teixeira Gueiros, recém-chegado do Rio de Janeiro, para onde tinha sido transferido após sua renúncia à titularidade da PIPBVV cinco anos antes.

Naquele ínterim, haviam-se juntado à igreja novas famílias e membros, mas os Gueiros continuavam conhecidos e, até certo ponto, influentes. O Rev. Jedaías já era conhecido por muitos, de modo que era impensável outro resultado que não sua vitória na eleição para pastor titular. No entanto, por 62 votos contra 41 votos, o Rev. Sebastião Bitencourt dos Passos é eleito titular.

Fora um duro golpe e, segundo Dr. Joel Brinco, "a família Gueiros, liderada por Gedelti e seu pai, Abílio, inconformada com a eleição do Rev. Sebastião Bitencourt dos Passos (...), fez de tudo para anular a elição junto ao PVTR - Presbitério de Vitória. Influente naquele presbitério, conseguiu, em parte, seu intento, pois o Presbitério acabou não aprovando a eleição do Rev. Seastião (...) 'em virtude de preceitos constitucionais [Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil] indispensáveis.' Tais preceitos' nunca foram satisfatoriamente explicados pelo Presbitério". No entanto, o Presbitério atendeu o desejo da maioria da PIPBVV e manteve o Rev. Sebastião à frente da igreja, mas como Pastor Evangelista'', tendo assumido o cargo aos 3 de maio de 1966 perante Conselho da Igreja.

A PIPBVV contava, em 1966 com oito presbíteros, a saber: Abílio Teixeira Gueiros, Alcary Simões, Amadeu de Oliveira Nascimento, Aníbal Brinco Filho, Gedelti Victalino Teixeira Gueiros, Leôncio Antônio Medeiros (Vice-Presidente do Conselho da Igreja), Manoel Gomes Pereira e Wilson Barbosa dos Santos. Destes oito, três estavam contra o Rev. Sebastião (Abílio, Alcary e Gedelti), enquanto que o Rev. Sebastião contava com apoio dos cinco restantes (Amadeu, Aníbal, Leôncio, Manoel e Wilson). Ocorre que, aos 21 de maio de 1966, o Conselho da Igreja se reuniu sem a presença dos presbíteros Abílio, Alcary e Gedelti, uma vez que estavam sem pastor efetivo desde 28 de novembro do ano anterior, quando da suspensão da eleição, a fim de solicitar ao Presbitério de Vitória para que "lhe designasse Pastor-Efetivo pelo período de três anos, tendo seu pedido atendido, sendo o Rev. Sebastião designado para o cargo até a data de 23 de maio de 1969".Congregação Presbiteriana de Cruz do Campo - "A Toca"Em 18 de dezembro de 1966, Gedelti elogiou o desempenho do Rev. Sebastião, na reunião do Conselho, além de prestar-lhe "votos de sucesso para o ano de 1967. Tais votos nunca foram marcados pela sinceridade pois a grande oposição ao Pastor Sebastião começou, exatamente, no início daquele ano de 1967, encabeçada por Gedelti".

Em 1º de maio de 1967, a Congregação Presbiteriana de Cruz do Campo foi organizada e Itamar Médice esteve por responsável dela, até ficar sob responsabilidade de Alcary Simões, que era influenciado, segundo Dr. Joel Brinco, por Gedelti, que financiava a construção da congregação sob a roupagem de "ofertas voluntárias".

Na referida Congregação, Gedelti e Abílio, ainda segundo BRINCO, "comandavam uma rebelião no seio da Igreja [Presbiteriana de Vila Velha], contra o Rev. Sebastião, chegando a exercer sua má influência sobre quase metade dos membros. Tentavam introduzir doutrinas alheias ao presbiterianismo, dando ênfases à revelações, profecias e dons de línguas". Tentaram influenciar a Congregação do Bairro da Glória, mas sem sucesso, diferente de Cruz do Campo.

Na Semana Santa de 1967, o Rev. Sebastião foi impedido de pregar naquela Congregação por Alcary Simões e Itamar Médice, a fim de que o Pr. Jonas José Marques, da Igreja Congregacional, mas simpatizante com o pentecostalismo, pregasse. O reverendo foi impedido por três sábados naquela oportunidade. Conforme relato de Joel Ribeiro Brinco, testemunhado pelo Sr. Valentim Pinto da Vitória, o Sr. Teodolino Vieira disse ao Rev. Sebastião que "a doutrina pregada na Congregação de Cruz do Campo era a 'busca do batismo com o Espírito Santo e os dons espirituais, de acordo com o Movimento de Renovação Carismática' e que a liderança da Congregação convidava pregador e à revelia do Conselho da Igreja. Ao final, chamou o Pastor de 'Editor de Bula Papal' e responsável por todos os problemas da Igreja Presbiteriana de Vila Velha, por ter vetado uma série de pregações de Jonas Marques na sede da Igreja".

O Rev. Sebastião cede à pressão e deixa a Congregação sob o domínio do Gueiros. No entanto, o Rev. Sebastião denunciou tais fatos ao Presbitério, que, prontamente, criou uma Comissão para averiguação, formada pelos reverendos (presbíteros docentes) Francisco da Silva Neto, Wellsse Guida e Rubens Duarte Albuquerque e pelos presbíteros regentes Jaime Cláudio e Manoel dos Passos Barros (sogro de Gedelti. Na denúncia, o Rev. Sebastião solicitou seu afastamento temporário (60 dias) do Conselho da Igreja para evitar confrontos.

Como resposta às acusações, foi redigido o seguinte abaixo-assinado:

Não obstante, Gedelti, desta vez sozinho, afirma "ipsis literis":

O Presbitério decidiu por determinar que, naqueles tempos, os membros se abstivessem de enveredarem-se pelos caminhos do pentecostalismo, sabatismo e de permitir de não-presbiterianos assumissem os púlpitos. Tais recomendações não foram seguidas pelos rebeldes Abílio, Gedelti e Alcary. A própria Igreja Cristã Maranata afirma que seu primeiro culto oficial foi aos 31 de outubro de 1967, sendo que o Presbitério somente reconheceu a cisão em 29 de dezembro do mesmo ano. Aos 3 de janeiro de 1968 a nova denominação era organizada com o nome de "Igreja Cristã Presbiteriana" (nome mantido até 1980). Em 22 de janeiro de 1968, o presbítero Manoel dos Passos Barros, quem editou a ata de organização e o primeiro estatuto da denominação, registra em cartório. Para organização da igreja, valeram-se o Rev. Milton Leitão, que havia sido excluído da Igreja Presbiteriana do Brasil, que se refugiou ali, até ser dispensado. Arrependido, o Rev. Milton Leitão voltou ao seio presbiteriano.