João Davi Ferreira Lima (Tubarão, 1910 — Florianópolis, 2001) foi um advogado, professor universitário e reitor brasileiro.

Vida pessoal Filho de Joaquim Davi Ferreira Lima e Carolina Collaço Cabral de Lima, a qual era filha de João Cabral de Melo e de Minervina Collaço (sendo esta, filha do Coronel João Luís Collaço).

Carreira Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Em 1941, foi designado para o cargo de Procurador Fiscal do Estado de Santa Catarina. Durante os anos 1945-1947, foi membro do conselho e da comissão de disciplina da Ordem dos Advogados de Santa Catarina.

Entre 1946 e 1950, foi Secretário de Estado dos Negócios da Fazenda, nos governos de Udo Deeke e Aderbal Ramos da Silva.

Nas eleições de 1950, foi candidato a suplente de senador pelo Partido Social Democrático (PSD) para a candidatura de Nereu Ramos, não sendo eleito.

Ainda na década de 50, participou da fundação da primeira empresa de aviação comercial de Santa Catarina (a TAC, Transportes Aéreos Catarinenses) junto de Luiz Fiuza Lima e Sidney Nocetti.

Fundação da UFSC Fundada em 1932, a Faculdade de Direito de Santa Catarina contou com grandes nomes da sociedade catarinense em seus quadros de docentes, entre os quais se encontraram José Artur Boiteux (fundador da referida faculdade), Henrique Fontes, João Bayer Filho e o próprio João Davi Ferreira Lima.

Nos anos que antecederam a fundação da UFSC, a futura instituição era defendida por duas vertentes, uma idealizava a criação de uma instituição estadual, enquanto a segunda lutava para colocação em nível federal. O Professor Ferreira Lima foi um dos representantes da vertente que idealizava a criação de uma instituição federal. Ele foi, portanto, um dos fundadores da Universidade Federal de Santa Catarina, em 1960, tendo sido também o seu primeiro reitor (1961 - 1972).

Neste ofício, teve como vice-reitores os senhores Luiz Osvaldo D’Acâmpora (a partir de 1962) e Roberto Mündel de Lacerda (a partir de 1968).

Relação com a ditadura militar miniaturadaimagem|Busto de João Davi Ferreira Lima na UFSC coberto com tecidos em protesto contra sua conduta como reitor da universidade durante a Ditadura Militar Durante o período da Ditadura Militar no Brasil, João Davi Ferreira Lima desempenhou um papel controverso como reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Em meio ao contexto de repressão e autoritarismo, sua gestão na universidade foi marcada por decisões que levantaram questionamentos sobre seu posicionamento em relação ao regime militar. Ferreira Lima adotou uma postura alinhada aos interesses do governo militar, respaldando ideologicamente a perseguição e a denúncia de estudantes, professores e servidores considerados subversivos. Sua gestão foi marcada por medidas autoritárias, como a cassação de mandatos estudantis e a instauração de uma Comissão de Inquérito para atender às demandas do Ato Institucional N.º 1 (AI-1), que suspendeu garantias constitucionais e legais.

Além disso, a administração de Ferreira Lima na UFSC colaborou ativamente com os órgãos de repressão, como a Assessoria Especial de Segurança e Informações (AESI), responsável por colher informações e realizar vigilância sobre professores, estudantes e servidores considerados "perigosos" para o regime. Essa colaboração se estendeu mesmo após o fim oficial da ditadura, com relatórios sendo enviados às autoridades militares até 1992.

A atuação de João Davi Ferreira Lima durante a Ditadura Militar na UFSC permanece como objeto de investigação e reflexão, destacando-se a importância de compreender o papel desempenhado por diferentes atores políticos em um período marcado por arbitrariedades e violações dos direitos humanos, e sendo objeto de investigação pela Comissão Memória e Verdade (CMV-UFSC), criada pelo Conselho Universitário, dando continuidade aos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV), em dezembro de 2014, que utilizou-se de depoimentos e de fontes primárias para realizar a investigação.

Em 17 de junho de 2025, o Conselho Universitário da UFSC votou pela retirada da homenagem de Ferreira Lima no nome do campus sede, após quatro sessões do Conselho. A discussão, que contou com participação de membros da família Ferreira Lima, de familiares de estudantes e professores perseguidos durante a gestão do ex-reitor e de historiadores e membros da Comissão da Memória e Verdade da UFSC, centrou-se na atuação de João Davi Ferreira Lima durante a ditadura militar brasileira.

Projetos de lei Em 18 de junho, um dia após a retirada do nome de Ferreira Lima do campus, o prefeito de Florianópolis Topázio Neto (PSD) encaminhou um projeto de lei para alterar o nome da Praça Santos Dummont (também conhecida como “Praça do Pida”) para “Praça João David Ferreira Lima”. O prefeito ainda chamou de "absurdo" o processo de retirada do nome pela UFSC e acusou a universidade de tentar "apagar a sua história".

Em 15 de agosto, o vereador de Florianópolis Rafael de Lima (PSD), também conhecido como 'Rafinha', apresentou projeto de lei propondo a criação do "Bairro Universitário Ferreira Lima", que englobaria o campus da UFSC, com o intuito alegado de "reconhecer a relevância histórica, educacional e cultural da área correspondente ao Campus Trindade da UFSC, homenageando o legado do Professor João David Ferreira Lima, primeiro reitor da Universidade Federal de Santa Catarina".

Homenagens Medalha Professor João Davi Ferreira Lima (Resolução nº 750/2001) é concedida anualmente pela Câmara de Florianópolis; O nome oficial do Parque Ecológico do Córrego Grande é Parque Ecológico Municipal Prof. João Davi Ferreira Lima.

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