A Classe Littorio, também chamada de Classe Vittorio Veneto, foi uma classe de navios couraçados operada pela Marinha Real Italiana, composta pelo , , e . A construção das duas primeiras embarcações começou em 1934 nos estaleiros da Gio. Ansaldo & C. em Gênova e Cantieri Riuniti dell'Adriatico em Trieste, enquanto os outros dois tiveram suas obras iniciadas em 1938 nos mesmos estaleiros. Eles entraram em serviço entre 1940 e 1942 e foram os últimos couraçados da Itália, os mais modernos operados pelo país durante a Segunda Guerra Mundial, tendo sido desenvolvidos em resposta à Classe Dunkerque da Marinha Nacional Francesa.
Os couraçados da Classe Littorio eram armados com uma bateria principal formada por nove canhões de 381 milímetros montados em três torres de artilharia triplas. Tinham um comprimento de fora a fora que ficava entre 237 e 240 metros, boca de 32 metros, calado de mais de nove metros e um deslocamento carregado que ficava em aproximadamente 45 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por oito caldeiras a óleo combustível que alimentavam quatro turbinas a vapor, que por sua vez giravam quatro hélices até uma velocidade máxima de trinta nós (56 quilômetros por hora). Os navios também tinham um cinturão de blindagem com 350 milímetros de espessura.
O Littorio e o Vittorio Veneto entraram em serviço pouco depois da entrada da Itália na Segunda Guerra Mundial. Eles formaram a espinha dorsal da frota italiana e realizaram várias surtidas no Mar Mediterrâneo para interceptar comboios britânicos, porém com poucos sucessos. Os dois foram torpedeados no início de carreira, o Littorio em novembro de 1940 e depois em junho de 1942, enquanto o Vittorio Veneto em março e em setembro de 1941. O Roma entrou em serviço em junho de 1942, porém os três, por escassez de combustível, ficaram inativos e atracados em La Spezia até junho do ano seguinte, quanto foram danificados em uma série de ataque aéreos Aliados contra o porto.
O governo de Benito Mussolini caiu em julho de 1943 e o Littorio foi renomeado para Italia. Os italianos se renderam em setembro de 1943 e assinaram um armistício com os Aliados. Os três couraçados em atividade foram enviados para serem internados em um porto Aliado, porém foram atacados no caminho por bombardeiros alemães, com o Roma sendo afundado. O Italia e o Vittorio Veneto permaneceram internados no Canal de Suez até o fim da guerra, enquanto o casco incompleto do Impero foi tomado pelos alemães e usado como alvo de tiro até ser afundado por um ataque aéreo norte-americano em fevereiro de 1945. Os três navios foram desmontados depois do fim das hostilidades.
Desenvolvimento O Tratado Naval de Washington de 1922 disponibilizou 71 mil toneladas extras de navios capitais para a Itália, que poderiam ser usadas entre 1927 e 1929, enquanto outros países foram proibidos de construir novos couraçados. A França também dispunha das mesmas 71 mil toneladas. Ambos foram pressionados pelos outros signatários a usarem suas tonelagens disponíveis para construírem couraçados menores e com baterias principais de calibre reduzido. O primeiro projeto italiano foi preparado em 1928 e era de uma embarcação de 23 mil toneladas armada com uma bateria principal de seis canhões de 381 milímetros em torres de artilharia duplas. Este projeto foi o escolhido porque permitia três navios abaixo do limite de 71 mil toneladas. Isto também permitiria que a Marinha Real Italiana mantivesse pelo menos dois couraçados operacionais em qualquer momento. Como os italianos não valorizavam alcance, proteção e raio de ação foram sacrificados em favor de velocidade e armas poderosas, pois operavam principalmente nas águas fechadas do Mar Mediterrâneo.
Outro projeto foi preparado no final do ano, desta vez com um deslocamento de 36 mil toneladas, seis canhões de 406 milímetros e proteção contra armas do mesmo calibre. Pelo menos um desses navios viria depois dos três couraçados de 23 mil toneladas, assim que as restrições de construção terminassem em 1931. Entretanto, o financiamento não foi disponibilizado para a construção, pois a Marinha Real não queria iniciar uma corrida armamentista com a Marinha Nacional Francesa. O Tratado Naval de Londres aumentou a restrição de construção até 1936, porém Itália e França continuaram com as 71 mil toneladas de navios capitais. Ambos rejeitaram a proposta do Reino Unido de limitarem novos projetos de couraçados a 25 mil toneladas e canhões de 305 milímetros. A Marinha Real abandonou o projeto de 23 mil toneladas depois de 1930. A Alemanha na mesma época começou a construir três embarcações da Classe Deutschland, que eram armadas com seis canhões de 283 milímetros, com a França por sua vez iniciando a construção de dois couraçados da Classe Dunkerque. As embarcações francesas eram armadas com oito canhões de 330 milímetros. Os construtores italianos responderam em 1932 com um projeto similar à Classe Deutschland, mas armado com seis canhões de 343 milímetros em torres triplas e deslocamento de dezoito mil toneladas.
A Marinha Real concluiu que o projeto pequeno não era prático e que um projeto maior deveria ser desenvolvido. Um proposta de 26,9 mil toneladas foi preparada e continha oito canhões de 343 milímetros em torres duplas. Este depois foi abandonado em favor de um projeto de 36 mil toneladas armado com canhões de 406 milímetros. Esta arma acabou abandonada em favor de uma de 381 milímetros porque não existiam projetos para o canhão maior, o que adiaria a construção; um canhão de 381 milímetros já tinha sido projetado para a cancelada Classe Francesco Caracciolo. Nove armas de 381 milímetros em três torres triplas foram adotadas como a bateria principal, com o deslocamento sendo maior que 41 mil toneladas, mesmo isso violando os tratados navais em vigor. Esse sistema internacional de controle já tinha ruído na época que os navios entraram em serviço, com as grandes potências tendo invocado a "cláusula de escalonamento" que permitia embarcações de até 46 mil toneladas.
Projeto Características 260px|thumb|esquerda|Desenho da Classe Littorio Os navios tinham dimensões levemente diferentes. O Littorio e o Vittorio Veneto tinham 224,05 metros de comprimento entre perpendiculares e 237,76 metros de comprimento de fora a fora, enquanto o Impero e o Roma tinham 240,68 metros de comprimento de fora a fora. Todos os quatro possuíam um calado de 9,6 metros e boca de 32,82 metros. O deslocamento projetado do Littorio era de toneladas e o deslocamento carregado era de toneladas. Vittorio Veneto por sua vez tinha e toneladas, respectivamente. O Roma tinha números gerais levemente superiores em relação aos seus dois irmãos, ficando com toneladas de deslocamento projetado e toneladas de deslocamento carregado. Como o Impero nunca foi finalizado, não se sabe como seriam seus números. Todos os navios foram construídos com proas bulbosas com o objetivo de aumentar suas velocidades, porém isto causou grandes vibrações, o que forçou modificações no projeto.
O Littorio e o Vittorio Veneto tinham uma tripulação padrão formada por oitenta oficiais e 1 750 marinheiros; na função de capitânia, a tripulação era aumentada pela presença por mais onze a 31 oficiais. A tripulação padrão do Impero e do Roma foi aumentada com cem marinheiros a mais. Instalações de aeronaves ficavam localizadas no tombadilho superior e foi planejado que cada embarcação carregasse seis autogiros Cierva. Em vez disso, uma única catapulta foi instalada. Os couraçados acabaram sendo equipados com três hidroaviões IMAM Ro.43 de reconhecimento ou caças Reggiane Re.2000. Esta era uma aeronave com trens de pouso e necessitava pousar em uma pista.
O sistema de propulsão era composto por quatro turbinas a vapor Belluzzo, alimentadas por oito caldeiras Yarrow a óleo combustível. Esse maquinário gerava 128 mil cavalos-vapor (94,1 mil quilowatts) de potência para uma velocidade máxima de trinta nós (56 quilômetros por hora). O Littorio e o Vittorio Veneto excederam suas especificações em seus testes marítimos, com o primeiro alcançando cavalos-vapor ( quilowatts) e 31,3 nós (58 quilômetros por hora) e o segundo cavalos-vapor ( quilowatts) e 31,4 nós (58,2 quilômetros por hora); ambos estavam com um carregamento leve. Entretanto, em serviço regular os navios tinham uma velocidade média de 28 nós (52 quilômetros por hora). Os números dos testes do Roma não foram registrados. Todas as embarcações carregavam 4,14 mil toneladas combustível, o que lhes permitia uma autonomia de 3,92 mil milhas náuticas (7,26 mil quilômetros) a uma velocidade de vinte nós (37 quilômetros por hora); a dezesseis nós (trinta quilômetros por hora), a autonomia era de 4,48 mil milhas náuticas (8,48 mil quilômetros). Todo o sistema maquinário representava 5,6 por cento do deslocamento total.
Armamentos thumb|265px|Os canhões dianteiros do Roma Os navios da Classe Littorio eram armados com nove canhões Ansaldo Modello 1934 calibre 50 de 381 milímetros montados em três torres de artilharia, duas na proa, com uma sobreposta a outra, e a terceira na popa. Estes canhões, para compensarem o fato de dispararem projéteis menores que os de 406 milímetros originalmente planejados, eram de cano mais longo e com uma velocidade de saída maior. As armas tinham uma elevação máxima de 35 graus, o que permitia que disparassem um projétil a uma distância de 42,26 quilômetros. Os projéteis perfurtantes pesavam 885 quilogramas e possuíam uma velocidade de saída de 870 metros por segundo. Entretanto, isto foi reduzido para 850 metros por segundo a fim de reduzir a dispersão e aumentar o tempo de vida do canhão. Também disponíveis estavam projéteis semi-perfurantes de 824,3 quilogramas, que tinham cargas explosivas de 29,51 quilogramas. Projéteis altamente explosivos de 774 quilogramas foram desenvolvidos para os canhões de 381 milímetros, porém nunca chegaram a ser usados pelos couraçados da Classe Littorio. Depósitos de munição ficavam localizados abaixo dos depósitos de propelentes, embaixo da estrutura da torre de artilharia. A cadência de tiro era um disparo a cada 45 segundos. Cada navio tinha um carregamento de 495 projéteis perfurantes e 171 projéteis semi-perfurantes, com 4 320 cargas de propelente, totalizando 666 projéteis, ou 74 por canhão divididos em 55 perfurantes e dezenove semi-perfurantes.
A bateria secundária era formada por doze canhões Ansaldo Modello 1934 calibre 55 de 152 milímetros arranjados em quatro torres triplas; duas nas laterais e atrás da secunda torre principal e outras duas na mesma posição em relação a terceira torre principal. Essas armas disparavam projéteis perfurantes de cinquenta quilogramas a uma velocidade de saída de 910 metros por segundo. Sua elevação máxima era de 45 graus, o que lhes permitia disparar um projétil a uma distância de 25,74 quilômetros. Sua cadência de tiro era de pouco mais de quatro disparos por minuto. Quatro canhões calibre 40 de 120 milímetros foram instalados para dispararem projéteis iluminadores. Sua elevação era de 32 graus e cada projétil pesava 29,3 quilogramas, o que dava uma distância máxima de disparo de cinco quilômetros. Os armamentos antiaéreos consistiam em uma bateria de doze canhões Ansaldo Modello 1938 calibre 53 de 90 milímetros dispostos um próximo do outro à meia-nau, vinte canhões Breda calibre 54 de 37 milímetros e dezesseis a 32 canhões Breda Modello 35 calibre 65 de 20 milímetros, dependendo do navio. As armas de 90 milímetros proporcionavam proteção antiaérea a longa distância e foram montadas em torres simples estabilizadas quadriaxialmente. Tinham uma cadência de tiro de doze disparos por minuto e chegavam até uma altura de aproximadamente 10,8 quilômetros. Os canhões de 37 e 20 milímetros foram projetados para defesa a curta distância e tinham um alcance de quatro e 2,5 quilômetros, respectivamente.
Blindagem