A Operação Tungstênio foi um ataque aéreo britânico realizado na Segunda Guerra Mundial que teve como alvo o couraçado alemão . A intenção era danificar ou destruir o navio em sua base no Fiorde de Kå, no extremo norte da Noruega, antes que ele pudesse voltar a estar totalmente operacional após um período de reparos.
A decisão britânica de lançar a operação foi motivada por temores de que o couraçado, assim que voltasse ao serviço, poderia atacar comboios estrategicamente importantes que transportavam suprimentos para a União Soviética. Remover a ameaça representada pelo Tirpitz também permitiria a liberação de navios capitais que tinham sido mantidos no Mar do Norte para contê-lo. Após quatro meses de treinos e preparações, a Frota Doméstica partiu em 30 de março de 1944 e aeronaves lançadas por cinco porta-aviões atacaram o Fiorde de Kå em 3 de abril. O ataque chegou como uma surpresa para os alemães e as aeronaves britânicas enfrentaram pouca oposição. Quinze bombas acertaram o couraçado e metralhadas de caças infligiram várias baixas na tripulação. Quatro aeronaves e nove aviadores foram perdidos.
Os danos infligidos no ataque não foram o suficiente para afundar o desabilitar o Tirpitz, porém causaram grandes danos na sua superestrutura e áreas desprotegidas, com 122 tripulantes tendo sido mortos e outros 316 feridos. A Kriegsmarine decidiu reparar o navio e os trabalhos foram finalizados em meados de julho. Os britânicos lançaram mais ataques aéreos contra o Tirpitz entre abril e agosto de 1944 na esperança de prolongar seu período de inatividade, porém nenhum foi bem-sucedido. A embarcação foi desabilitada e depois afundada por bombardeiros da Força Aérea Real no final de 1944.
Antecedentes A ameaça representada pelo couraçado alemão teve uma influência importante na estratégia naval do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial. Ele foi comissionado em fevereiro de 1941 e finalizou o treinamento de sua tripulação mais tarde no mesmo ano. Por volta da mesma época o alto comando alemão decidiu designar o navio para atuar a partir da Noruega com a intenção de dissuadir uma possível invasão Aliada do país e também ameaçar os comboios que regularmente navegavam pelo Mar Ártico até a União Soviética. Estes comboios, conhecidos como Comboios do Ártico, carregavam uma grande quantidade de materiais e suprimentos de guerra de portos tanto no Reino Unido quanto na Islândia e eram frequentemente atacados por unidades aéreas e navais alemãs baseadas na Noruega. O Tirpitz chegou na Noruega em meados de janeiro de 1942 e operou a partir de diversos ancoradouros localizados em vários fiordes pelo litoral. Consequentemente, os Aliados foram forçados a manter uma poderosa força de couraçados junto com a Frota Doméstica britânica como garantia contra a possibilidade de uma surtida atrás dos comboios do Ártico, com muitos navios capitais acompanhando a maioria dos comboios por parte do caminho até a União Soviética.
Os britânicos atacaram o Tirpitz várias vezes em 1942 e 1943. Quando o couraçado partiu para interceptar o Comboio PQ 12 em 6 de março de 1942, o porta-aviões , que fazia parte da escolta do comboio, tentou atacá-lo com torpedeiros. Estas aeronaves lançaram vinte torpedos, mas todos erraram. Bombardeiros da Força Aérea Real e das Forças Aéreas Soviéticas tentaram atacar o navio em seus ancoradouros várias vezes até 1943, sem sucesso. Dois minissubmarinos britânicos da Classe X conseguiram penetrar nas defesas do couraçado em 23 de setembro de 1943 em seu principal ancoradouro no Fiorde de Kå na Operação Fonte. Eles colocaram explosivos na água embaixo do Tirpitz que causaram danos sérios à embarcação e a tiraram de serviço por seis meses.
Os reparos no Tirpitz foram realizados usando instalações improvisadas no Fiorde de Kå, pois foi considerado muito arriscado tentar mover o danificado couraçado de volta para a Alemanha. Em vez disso, equipamentos e equipes foram enviados até a Noruega. Quinze aeronaves soviéticas atacaram o navio na noite de 10 para 11 de fevereiro de 1944, mas não causaram dano algum. Os reparos aos armamentos, maquinários e casco foram completados em 17 de março, mas várias pequenas tarefas ainda faltavam ser resolvidas. Foi durante esse período de reparos que o , o único couraçado alemão ainda em atividade, foi afundado em 26 de dezembro de 1943 na Batalha do Cabo Norte. A Marinha Real Britânica parou de colocar couraçados para dar cobertura aos comboios da União Soviética depois desse confronto. Nesse momento da guerra os Aliados tinham vários navios antissubmarino e antiaéreos disponíveis, podendo designar forças poderosas para proteger todos os comboios do Ártico. Submarinos alemães no Mar da Noruega raramente conseguiam escapar das escoltas de comboios e poucas embarcações mercantes eram danificadas em ataques.
O governo britânico e a Marinha Real estavam preocupados sobre a ameaça do Tirpitz assim que ele voltasse à ativa. A inteligência Aliada rastreou o progresso dos reparo usando sinais de rádio alemães decodificados, fotos de voos de reconhecimento e relatórios de agentes na Noruega. Temia-se que o couraçado poderia sair dos fiordes assim que seus reparos fossem finalizados e atacar comboios no Mar da Noruega ou no Oceano Atlântico. A necessidade de se prevenir contra essa possibilidade também iria desviar navios necessários para apoiar a planejada invasão da França. Consequentemente, foi decidido no final de 1943 que mais tentativas de afundar a embarcação ocorreriam.
Na realidade, o Tirpitz representava um perigo limitado. Desde o final de 1943 o navio não pode sair para o mar a fim de treinar sua tripulação devido à escassez de combustível e ameaça de ataques. Essas escassezes também significaram que os alemães não puderam mover o couraçado entre ancoradouros para dificultar sua localização e ataque.
Preparações thumb|245px|O Tirpitz ancorado no Fiorde de Kå, com uma neblina artificial sendo lançada As opções para atacar o Tirpitz no Fiorde de Kå eram limitadas. Outro ataque com submarinos foi considerado impraticável, pois agentes de campo e transmissões de rádio interceptadas indicaram que as defesas subaquáticas do couraçado tinham sido melhoradas e mais patrulhas de reconhecimento aéreo estavam voando pela região. O marechal chefe do ar sir Arthur Harris, o comandante do Comando de Bombardeiros da Força Aérea Real, também recusou uma tentativa de ataque com bombardeiros pesados pelo motivo da área do Fiorde de Kå estar além do alcance efetivo dessas aeronaves e de que as armas do navio causariam grandes perdas. Com essas duas opções descartadas, a tarefa foi passada para os porta-aviões da Frota Doméstica. Nesse momento, estavam prontos os grandes porta-aviões de frota Victorious e , mais quatro pequenos porta-aviões de escolta.
O planejamento para o ataque começou em dezembro de 1943. O vice-almirante Bruce Fraser, o comandante da Frota Doméstica, não estava otimista sobre as perspectivas de sucesso e precisou ser convencido a seguir adiante com a operação pelo almirante sir Andrew Cunningham, o Primeiro Lorde do Mar. Fraser deu a responsabilidade de planejar e liderar o ataque ao seu segundo em comando, o vice-almirante sir Henry Moore. A operação foi inicialmente designada como "Operação Impetuoso", mas foi depois renomeada para "Operação Tungstênio". O ataque foi originalmente planejado para meados de março de 1944, pouco antes do momento que a inteligência Aliada acreditava que o Tirpitz voltaria a estar operacional. Entretanto, a ação foi adiada em duas semanas enquanto o Victorious estava sendo equipado com novos radares. Os britânicos consideraram cancelar a Operação Tungstênio em fevereiro, pois o porta-aviões também era necessário no Oceano Índico para conter o aumento de navios de guerra japoneses em Singapura. Para que ao ataque ao Tirpitz pudesse prosseguir, a Marinha dos Estados Unidos concordou em transferir temporariamente o para a Frota Oriental para que assim o Victorious permanecesse no Mar do Norte.
O ataque teria duas ondas de bombardeiros de mergulho Fairey Barracuda da Ramo Aéreo Naval. Cada onda teria 21 Barracudas escoltados por quarenta caças; Vought F4U Corsairs do Victorious protegeriam de aviões alemães, enquanto Grumman F4F Wildcats e Grumman F6F Hellcats do Furious e dos porta-aviões de escolta , e metralhariam as baterias antiaéreas do Tirpitz além do próprio couraçado. Outras aeronaves do Furious e do porta-aviões de escolta protegeriam a frota do ataque de aviões e submarinos alemães. Aeronaves de porta-aviões anteriormente careciam de uma bomba capaz de penetrar a espessa blindagem do convés do navio, mas esperava-se que a recém-desenvolvida bomba perfurante de 730 quilogramas poederia perfurar pelo menos a primeira camada da blindagem do Tirpitz se fosse jogada de uma altura de 1,1 quilômetro ou mais. Esperava-se que o dano de tais acertos iria tirar a embarcação de serviço. Nove Barracudas foram armados com a bomba de 730 quilogramas, enquanto outros 22 receberam três bombas semi-perfurantes de 225 quilogramas cada que eram capazes de perfurar os pouco protegidos conveses superiores caso fossem jogadas a pelo menos 610 metros de altura. Os dez aviões restantes foram armados com bombas comuns de 225 e 270 quilogramas e com bombas antissubmarino que tinham a intenção de infligir baixas na tripulação do couraçado e causar danos subaquáticos caso explodissem na água perto do casco. Estas últimas aeronaves começariam o bombardeio do Tirpitz, pois esperava-se que suas bombas poderiam destruir algumas das baterias antiaéreas do navio antes do ataque principal começar.
thumb|240px|esquerda|O Lago Eriboll na Escócia foi usado para simular o Fiorde de Kå durante os exercícios de treinamentos As unidades do Ramo Aéreo Naval selecionadas para a Operação Tungstênio realizaram treinamentos intensivos a partir de fevereiro de 1944. Uma boa partes dos aviadores era inexperiente e o capitão do Victorious estimou que 85 por cento dos aviadores embarcados em seu navio nunca tinham antes operado no mar. O programa de treinamento se baseou no Lago Eriboll, no norte da Escócia, que, assim como o Fiorde de Kå, era cercado por colinas íngremes. As tripulações aéreas decolavam da Estação Aérea Hatston, nas ilhas Órcades, e praticavam manobras pelo terreno a fim de se familiarizarem com as táticas necessárias para evitar as armas antiaéreas alemãs e atacar o Tirpitz. A Marinha Real se baseou na inteligência sobre as defesas do Fiorde de Kå para deixar os exercícios os mais similares possíveis às condições do couraçado, com os aviadores sendo instruídos sobre a localização das posições alemãs. Uma área do tamanho do Tirpitz também foi marcada em uma ilha no centro do lago e bombardeada várias vezes.