Benjamin Flores (Rio Grande, 20 de dezembro de 1860 — Porto Alegre, 28 de setembro de 1922) foi um funcionário púbico, jornalista, literato e político brasileiro.
Biografia
Filho do coronel Francisco da Silva Flores e Joaquina Gonçalves, estudou no prestigiado Colégio União e começou a vida profissional como comerciante, mas logo abandonou o ramo, tornando-se secretário da Companhia Francesa da Estrada de Ferro de Rio Grande a Bagé. Desde cedo dedicou-se às letras e à imprensa, publicando crônicas. Prestou exames para advogado, exercendo a promotoria pública."Coronel Benjamin Flores". A Federação, 29/09/1922"O discurso do major Souza Docca". A Federação, 06/08/1923 Foi 1º secretário e vice-presidente da Biblioteca Rio-Grandense,"Rio Grande". A Federação, 27/01/1885 "Rio Grande". A Federação, 19/01/1886 e membro fundador e secretário do Asilo da Mendicidade."A directoria". A Federação, 07/01/1886
No fim da década de 1880 transferiu-se para Porto Alegre, onde desempenhou uma série de funções de relevo na imprensa, no mundo literário, na oficialidade e na sociedade. Foi redator do importante jornal A Federação,"Benjamin Flores". Novidades, 01/10/1923 redator político do jornal O Conservador, e secretário e redator de A Pátria.Ferreira, Athos Damasceno. Imprensa Literária de Porto Alegre no Século XIX. EdUFRGS, 1975, p. 125 Colaborou no Jornal do Comércio por muitos anos mantendo a coluna "Vigílias", e quando seu amigo Caldas Júnior deixou esta publicação para fundar o Correio do Povo, acompanhou-o, passando a ser um ativo colaborador até o falecimento do fundador, redigindo as seções "Bibliografia", Vultos Históricos", "Teatral" e outras. Com José Bernardino dos Santos fundou O Estado do Sul, onde foi redator político. Também colaborou no jornal O Mercantil,Silveira, Daniela Oliveira. O passado está prenhe do futuro: a escrita da história no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul (1920-30). Mestrado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2008, p. 95 n'O Paladino,"Collaboradores d'O Paladino". O Paladino, 01/12/1908 e na revista Máscara."Festival glorificador". Máscara, 16/03/1918 Atuou como correspondente dos jornais cariocas O País e Jornal do Comércio."Exposição do Estado". A Federação, 25/02/1901"Protesto de um sacerdote brasileiro". A Federação, 01/05/1917
Foi membro da Comissão de Estatutos da lendária Sociedade Partenon Literário,"Parthenon Litterario". A Federação, 09/05/1892, um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, onde integrou sua Comissão Permanente de Admissão de Sócios, e membro fundador da Academia Rio-Grandense de Letras e 1º secretário na primeira diretoria da instituição.Aguiar, Laísa Teixeira de. A poesia de Apolinário José Gomes Porto Alegre: recuperação e estabelecimento de texto. Doutorado. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2011, p. 51 Escreveu um livro reunindo trabalhos literários e biografias de José Bernardino dos Santos, Padre Cacique e Caldas Júnior."Um livro de Benjamin Flores". A Federação, 01/01/1917 Foi membro da comissão de recepção e dos grandes festejos em homenagem a Olavo Bilac em sua visita em 1916, e proferiu na Câmara o discurso de saudação oficial em presença do poeta e das maiores autoridades do município."Olavo Bilac". A Federação, 02/10/1916 Foi crítico de arte e diz o historiador Emílio de Souza Doca que se mostrava como "um fino espírito de crítica e de observação, a par de sólida cultura intelectual. Com sua pena muito concorreu para o bom êxito de diversas exposições de pintura aqui realizadas. Sua alma de esteta delicado não ficava nunca sem expansão diante de um quadro que louvores merecesse, e esse desabafo ele fazia pelas colunas dos jornais em artigo leve, delicado, a transbordar de emoção e cheio de simpatia". Também disse que "com todo o fervor de sua alma de liberal, pregou, pelas colunas dos jornais e da tribuna pública em prol da libertação do elemento servil". Foi membro da Sociedade Acadêmica de História Internacional de Paris e membro correspondente da Sociedade Geográfica de Lisboa.
Como funcionário público foi examinador de concursos da Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional,"Teve início". A Federação, 26/09/1912"Concurso". A Federação, 04/03/1914 inspetor de escolas,"Inspecção escolar". A Federação, 02/08/1920 membro do Conselho Escolar Municipal, 2º e 1º oficial, chefe de seção interino e contador da administração dos Correios."Nomeações". A Federação, 09/05/1893"Administração dos correios". A Federação, 27/06/1893"Tendo deixado por algum tempo"... A Federação, 12/01/1894"Para o Rio". A Federação, 09/07/1907 Ocupou a administração-geral interina várias vezes, aposentando-se nesta função em 1912.
Foi um dos fundadores da Sociedade Beneficente Postal, membro fundador, integrante da Comissão de Estatutos e um dos diretores da Caixa dos Funcionários Públicos,"A Caixa dos Funccionarios Publicos". A Federação, 24/07/1905 "Funccionarios Publicos". A Federação, 25/08/1905 um dos fundadores, relator da Comissão de Estatutos, vice-presidente provisório e presidente da Associação dos Funcionários Públicos do Estado,"Amanhã". A Federação, 23/08/1913"Associação dos Funcionarios Publicos do Estado". A Federação, 31/10//1912"Associação dos Funcionarios Publicos do Estado". A Federação, 15/03/1914 coronel da Guarda Nacional, relator da Comissão de Estatutos, bibliotecário e orador do Clube Militar dos Oficiais da Guarda Nacional,"Realisou-se, ante-hontem". A Federação, 19/08/1912"Club Militar dos Officiaes da Guarda Nacional". A Federação, 03/01/1917"Club Militar dos Officiaes da Guarda Nacional". A Federação, 07/09/1922 membro fundador e 1º secretário do Tiro Nacional Porto-Alegrense,"Tiro Nacional Porto Alegrense". A Federação, 27/02/1906 conselheiro e secretário do Conselho Municipal de Porto Alegre,"Os nossos futuros edis". O Exemplo, 27/08/1916"Chronica Social". Mascara, 16/02/1918"A eleição municipal". A Federação, 03/10/1916 membro da comissão revisora do alistamento eleitoral federal em Porto Alegre,"O dr. Joaquim Antonio Ribeiro". A Federação, 07/01/1913 e conselheiro fiscal e delegado do Centro Republicano Júlio de Castilhos,"Centro Republicano". A Federação, 17/10/1904"Centro Republicano Julio de Castilhos". A Federação, 28/05/1913 e como bibliotecário reorganizou a biblioteca e providenciou um catálogo.
Também foi secretário da Comissão de Obras da Igreja das Dores,"Festa do baptismo dos novos sinos da egreja de Nossa senhora das Dores". A Federação, 20/04/1900 secretário e prior da Ordem Terceira de Nossa Senhora das Dores,"Semana Santa na Egreja das Dôres". A Federação, 28/03/1915"V. O. 3ª de N. S. das Dores". A Federação, 28/07/1921 membro fundador e tesoureiro do Centro Artístico,"Centro Artistico". A Federação, 01/11/1913 vice-presidente do Clube do Menino Deus,"Club do Menino Deus". A Federação, 15/09/1909 vice-presidente do Conselho Diretor da Sociedade Protetora dos Animais,"Sociedade Protectora dos Animaes". A Federação, 09/05/1913 presidente da comissão de auxílio aos flagelados pela seca no Ceará,"Pró-Flagelados do Ceará". A Federação, 27/03/1920 destacado promotor da floricultura, conselheiro da Sociedade Humanitária Padre Cacique,"Sociedade Humanitaria Padre Cacique". A Federação, 10/05/1922 e participou da Sociedade Carnavalesca Esmeralda como um dos seus fundadores, membro proeminente e secretário.Leal, Caroline Pereira. Festas carnavalescas da elite de Porto Alegre: Evas e Marias nas redes do poder (1906-1914). Doutorado. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2013, p. 54
Faleceu repentinamente quando ainda estava envolvido em múltiplas tarefas. A Federação publicou um extenso obituário carregado de elogios, enfatizando sua atividade incansável e sua prontidão em ajudar, sua bondade, seu gênio alegre e comunicativo. Seu sepultamento foi acompanhado por uma multidão, contando com dezenas de autoridades e representantes da sociedade civil, sendo proferidos vários discursos em sua homenagem. Em sessão comemorativa do 3º aniversário do Instituto Histórico e Geográfico, o presidente Florêncio de Abreu lamentou a "perda irreparável" e comemorou sua memória louvando "esse boníssimo coração que foi Benjamin Flores, uma das figuras mais representativas de nosso meio social, curiosa organização que à maravilha combinava o gênio da formiga com o temperamento da cigarra, espírito infatigável, devotado aos nobres empreendimentos, cultor das letras, apreciador das artes e amante da flores"."Instituto Historico e Geographico do Rio Grande do Sul". A Federação, 06/08/1923 Na mesma ocasião Souza Doca recuperou sua biografia, acrescentando:
"Era homem de ideias adiantadas e filantrópicas, [...] foi um dos fundadores de nosso Instituto e como sócio efetivo deixou traços indeléveis de sua passagem. [...] Benjamin Flores foi em nosso meio figura importante, de destaque, nele o Instituto não perdeu somente um sócio ilustre, perdeu mais alguma coisa — um amigo prestimoso, devotado, um espírito de eleição inteiramente consagrado ao seu bom nome. [...] Benjamin Flores foi sempre o mesmo homem: sorridente, comunicativo, loquaz, afável. [...] Foi um bom, e a prova disso temo-la na preocupação constante em minorar as necessidades dos desvalidos da fortuna. [...] Foi leal e sincero. Leal em todos os seus atos e sincero em todas as manifestações de seu pensamento; reside aí o maior elogio que se lhe pode fazer, pois quem tão elevado sentimento cultua sempre deixará de si memória honrada".
A Sociedade Carnavalesca Esmeralda adotou como lema oficial a expressão "Fino, chique e educado", que descreve seu sócio benemérito."Sociedade Esmeralda". A Federação, 03/04/1933 Em 1929 a Associação Agrícola Pastoril de Porto Alegre batizou a exposição anual de flores com seu nome, lembrando a colaboração que ele sempre prestara na organização desses eventos. "Associação Agrícola Pastoril de Porto Alegre". A Federação, 11/06/1929 Em 1937 a Câmara Municipal batizou uma rua com seu nome."Denominação de vias públicas". A Federação, 15/06/1937
Ver também História da imprensa no Rio Grande do Sul Literatura do Rio Grande do Sul
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