A história da Band compreende a formação dessa rede de televisão brasileira desde a sua concepção até a atualidade.

Antecedentes

Em 1945, em São Paulo, João Jorge Saad comprou a Rádio Bandeirantes de seu sogro Ademar de Barros, que o então governador de São Paulo havia comprado de seu proprietário anterior, Paulo Machado de Carvalho, dono da Rádio Record e das Emissoras Unidas. Ainda na gestão do presidente Getúlio Vargas, João Saad conseguiu a concessão de um canal de televisão na capital paulista, na década de 1950. Durante o Governo Juscelino Kubitschek, a concessão chegou a ser cancelada e entregue a outro empresário. Mas Saad conseguiu, já na época do Governo João Goulart, recuperar a TV. No Morumbi, em 1961, iniciaram as obras do Edifício Radiantes – um prédio especialmente construído com a finalidade de abrigar a mais moderna televisão da América Latina, e mais tarde apelidado pelos funcionários de "palácio encantado". O prédio da emissora, primeiro no país a ser concebido para receber uma TV, levou cerca de cinco anos para ser construído. Saad adiou várias vezes o início das operações: "Não era ainda o tempo... Inaugurei a estação só em 67, fincada numa base sólida", disse. Com torre de transmissão no Pico do Jaraguá, em fevereiro de 1967 entraram no ar as imagens experimentais, com slides, filmes e documentários.

1967 a 1969 direita|thumb|Primeiro logotipo da Rede Bandeirantes A TV Bandeirantes entrou no ar pela primeira vez no dia 13 de maio de 1967, com um discurso de seu fundador, João Jorge Saad, seguido por um show dos cantores Agostinho dos Santos e Cláudia, que abriram as transmissões. Estavam presentes o presidente Costa e Silva, o governador de São Paulo Abreu Sodré, o prefeito da cidade de São Paulo Faria Lima, além de ministros e secretários de Estado. Na frente da sede da emissora foram montados um parque infantil e um circo gratuito para famílias de menor poder aquisitivo. Durante dois dias houve gincanas e brincadeiras, com distribuição de brindes comemorativos e foram sorteadas 5 casas para mães pobres.

A Bandeirantes investiu desde o início em esporte, filmes e jornalismo. Para Saad, a programação tinha de ser "eclética". Segundo ele, não se podia "elevar muito o nível dos programas, senão não haverá audiência". Inicialmente, uma novidade foi testada na grade da programação, eliminando-se os intervalos inter-programas. Em 1967, dias depois da inauguração, entrava no ar a primeira novela da então TV Bandeirantes, Os Miseráveis, adaptação de Walther Negrão e Chico de Assis, com uma inovação: capítulos com duração de 45 minutos. O primeiro jornalístico da Band foi o Titulares da Notícia, um correspondente do tradicional programa da Rádio Bandeirantes. Destacaram-se nesta primeira os programas Ari Toledo Show; Leporace Show, com Vicente Leporace; Cláudia Querida, com a cantora; I Love Lúcio, espetáculo de música e humor comandado por Lúcio Mauro e Arlete Salles; Além, Muito Além do Além, teatro de terror com Zé do Caixão. Em pouco tempo a direção da emissora passou a Gilberto Martins e Antonino Seabra.

Já em 1968 era exibido na emissora, às 15 horas o programa Xênia e Você, que permaneceu na emissora durante anos, e era apresentado por Xênia Bier. Também naquele ano a TV Bandeirantes exibia às 18h30 o Sítio do Picapau Amarelo de produção própria, e às 19h30 As Aventuras de Rin-tin-tin.

Em 1969 a emissora sofreu um incêndio devastador, que destruiu suas instalações. Grande parte dos seus arquivos se perderam. O slogan da época era: "A Bandeirantes não vai parar". O incêndio ocorrido nos estúdios do Morumbi fez com que se alugasse às pressas o Cine Arlequim, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo, que foi batizado de Teatro Bandeirantes. Toda a programação da TV Bandeirantes foi gerada a partir do Cine Arlequim, transformado rapidamente em Teatro Bandeirantes. O incêndio na Bandeirantes foi semelhante as das redes Globo, Record e Excelsior. Todos os quatros incêndios ocorreram em menos de uma semana, o que levou as autoridades a atribuírem os quatro incêndios a atos de sabotagem, sob comando único. De todos, o incêndio da TV Bandeirantes foi o maior, com danos calculados em Cr$ 15 milhões. Esse incêndio durou três horas e meia e o fogo teria começado, a um só tempo, em três pontos diferentes. Na ocasião, o Comandante do II Exército, General Canavarro Pereira, e o Governador Abreu Sodré manifestaram a certeza de que esses incidentes "fazem parte de plano terrorista" e pediram o auxílio do povo para combater os extremistas. Antes deste problema, João Saad teria sido aconselhado por uma cartomante a vender a emissora por prever um incêndio. Em entrevista, ele teria dito que não acreditou porque achou que ela estivesse a serviço de algum concorrente.

A emissora teve três grandes temporadas de produção/exibição de teledramaturgia. A primeira foi nos primeiros anos de operação, de 1967 a 1970. Nesse período, além da já citada Os Miseráveis, foram produzidas histórias como Era Preciso Voltar e O Bolha.

Década de 1970 Em 1970, a emissora transmitiu a Copa do Mundo FIFA de 1970, a primeira competição transmitida ao vivo no Brasil. A emissora participou de um pool de transmissão organizado pelo Governo Federal, do qual também participaram as redes Globo, Tupi e a REI.

A primeira transmissão em cores da emissora foi em 1972 com a exibição da Festa da Uva de Caxias do Sul, RS. A Bandeirantes participou do grupo de emissoras que exibiram o evento, de imagens geradas pela TV Difusora, de Porto Alegre, que foi comprada em 30 de junho de 1980 pelo Grupo Bandeirantes, transformando-a na atual TV Bandeirantes Rio Grande do Sul. Como a emissora ainda operava em meio as perdas causadas pelo incêndio de 1969, a transmissão foi feita graças a equipamentos trazidos da Alemanha. Ainda em 1972, a Band tornou-se a primeira emissora do Brasil a produzir toda a sua programação em cores. Foi lançado para a ocasião o slogan "Bandeirantes: a imagem colorida de São Paulo".

Em 1973 estreou o programa Japan Pop Show, apresentado pelo casal nipo-brasileiro Suzana Matsuda e Nelson Matsuda. Era exibido aos domingos e seguia o mesmo formato do Imagens do Japão, da Rede Tupi.

Em 1974 estreia um dos programas mais populares do Brasil nas tardes de sábado da emissora: o Clube do Bolinha, apresentado por Édson Cury ou, mais popularmente, o "Bolinha". O programa ficou no ar até 7 de maio de 1994. Em 12 de agosto de 1974 foi inaugurado o novo Teatro Bandeirantes, num grande show que reuniu Elis Regina, Chico Buarque, Maria Bethânia, Tim Maia e Rita Lee. Em 7 de dezembro de 1975 foi comprada a TV Vila Rica, transformada em TV Bandeirantes Minas para dar início à formação da rede.

Em 7 de julho de 1977, às 7 da noite, a TV Bandeirantes chega ao Rio de Janeiro no canal 7, após a compra da TV Guanabara. No mesmo ano, as emissoras componentes da Rede Amazônica também passaram a fazer parte da recém criada rede.

A segunda temporada produção/exibição de teledramaturgia começou em 1979 e foi mais ou menos até a metade da década de 1980. Foi a época de títulos como Cara a Cara, Cavalo Amarelo, O Meu Pé de Laranja Lima, Os Imigrantes, Ninho da Serpente, Dona Santa, Casal 80 e outros títulos. Já na década de 80, destacaram-se as novelas Os Imigrantes - de Benedito Ruy Barbosa - a segunda mais longa da televisão brasileira depois de Redenção - da Rede Excelsior; Rosa Baiana, de Lauro César Muniz, a primeira novela totalmente ambientada fora de estúdios, toda gravada na Bahia, e Os Adolescentes, de Ivani Ribeiro.

Também neste ano, a apresentadora Hebe Camargo passou a apresentar seu programa nas noites de domingo e marcava o seu retorno á televisão após 4 anos se dedicando apenas ao rádio, que tinha um modelo familiar com entrevistas, musicais e informação. Os momentos mais marcantes do programa foram a entrevista com Chico Xavier e quando Hebe jogou seu microfone no chão no meio da transmissão ao vivo do programa e queixou-se da emissora. Ela exigiu melhor tratamento por parte do canal e mais recursos, como novos cenários, mais pessoas na produção e músicos na orquestra, que prometeram atendê-la. Em 1986, a apresentadora deixa a emissora e assina com o SBT.

Década de 1980

321|direita|thumb|Logotipo da Rede Bandeirantes na década de 1980. Conforme o próprio Cyro Del Nero, o logotipo atual da emissora é uma evolução da sua criação. No início da década de 80, o Jornal Bandeirantes era apresentado por Ferreira Martins e Joelmir Beting, com comentários de Newton Carlos sobre assuntos internacionais. Ronaldo Rosas apresentava o noticiário do Rio de Janeiro. Nesta época, a Rede Bandeirantes também colocava no ar o Canal Livre cuja história se confundiu com a abertura política que acontecia naquela época. Inicialmente apresentado por Roberto D'Ávila e dirigido por Fernando Barbosa Lima, era tido como uma forma da emissora mostrar um jornalismo mais crítico, fato que ocorre até hoje.

Mantendo a expansão e qualificação de sinal da rede, entrava no ar mais uma emissora própria, a TV Bandeirantes Bahia, no dia 11 de abril de 1981 no canal 7. A emissora também ganha suas primeiras afiliadas na Região Nordeste, a TV Uirapuru de Fortaleza em 1979, a TV Atalaia, de Aracaju, em 1980, a TV Ribamar de São Luís em 1981. Até então a TV Bandeirantes já tinha mais de 24 emissoras espalhadas pelo Brasil.

Em 1981 a Band contrata como diretor geral de programação Walter Clark, que foi um dos responsáveis pelo sucesso da Rede Globo nas décadas de 1960 e 1970. Clark foi o pioneiro da TV brasileira ao criar o conceito de grade de programação fixa, e veio tentar repetir este sucesso na emissora paulista. Criou programas como o noticiário O Repórter, apresentado na hora do almoço, por William Bonner, César Filho e Ângela Rodrigues Alves. Nos finais da noite, foi destaque o programa Etc, de Ziraldo (onde foi feita uma entrevista histórica com Dom Hélder Câmara). Uma tentativa inovadora foi o programa Variety 90 Minutos, apresentado às noites por Paulo César Pereio e sua então esposa, a atriz Cissa Guimarães.

Entre 1981 a 1984, o ator Ewerton de Castro comandava um programa de auditório, onde as pessoas se inscreviam para participar de um jogo de memória e distribuía vários prêmios. Houve um programa especial que reuniu os maiores vencedores desse programa para conhecer o maior campeão de memória.

Neste período o saudoso diretor e produtor Roberto Talma faz uma breve parceria com a Bandeirantes no intuito de produzir novos projetos musicais e culturais para o grupo, e é neste momento de renovação que Talma leva para a Bandeirantes os apresentadores Oliveira Filho e Vera Lúcia para comandarem um novo formato de programa musical sertanejo o Rincão Brasileiro que inicialmente em sua fase piloto foi inicialmente produzido em estúdio, passando mais tarde a ser totalmente gravado em locações externas e diferentes regiões do Brasil. O Programa Rincão Brasileiro, foi responsável por apresentar ao Brasil um novo conceito de se fazer música sertaneja revelando vários nomes da música como Sula Miranda, Jayne, Zezé de Camargo, Leandro e Leonardo, Daniel, César e Paulinho, entre tantos nomes, o Rincão Brasileiro juntamente com o Programa Clube do Bolinha, foram por diversos anos consecutivos os principais programas musicais do Brasil. O Rincão Brasileiro, permaneceu no ar pela Bandeirantes até o início dos anos 90, partindo para outras emissoras e retornando mais tarde para a grade da Bandeirantes em algumas regiões. O Programa permaneceu no ar até 2014 em outras emissoras.

Em agosto de 1982, entra no ar a novela Renúncia, baseada na obra de Chico Xavier, com Fúlvio Stefanini e Geórgia Gomide. Com o total fracasso na audiência, a emissora decide tirar a novela do ar com apenas 12 dias de exibição, aproveitando-se da entrada do horário político, que na época durava mais de uma hora.