Uma atitude proposicional é um estado mental mantido por um agente em relação a uma proposição.

Na linguística, atitudes proposicionais são denotadas por um verbo (por exemplo, o verbo "acreditar") que rege sobre uma cláusula, por exemplo "Sofia acreditava que ela havia vencido".

Atitudes proposicionais são frequentemente apresentadas como as unidades fundamentais do pensamento e seu conteúdo. As preposições podem ser verdadeiras ou falsas dependendo da perspectiva da pessoa. Um agente pode ter atitudes proposicionais diferentes em relação à mesma proposição (por exemplo, "Sofia acredita que seu sorvete está frio" e "Sofia teme que seu sorvete esteja frio").

Atualmente, vários sistemas de software estão disponíveis para simular atitudes proposicionais para fins industriais, para sistemas de gerenciamento de relacionamento com clientes, suporte a decisões e geração de conteúdo (Galitsky 2012).

Atitudes proposicionais têm diferentes orientações de ajuste: algumas atitudes são destinadas a refletir o mundo, outras a influenciá-lo.

Um tópico de preocupação central é a relação entre as modalidades de afirmação e de crença. Por exemplo, frequentemente nos deparamos com a questão de saber se as afirmações de uma pessoa estão ou não em conformidade com suas crenças. Discrepâncias podem ocorrer por muitas razões, mas quando há uma discrepância intencional entre a afirmação e a crença, geralmente chamamos isso de mentira.

Outras comparações de múltiplas modalidades que frequentemente surgem são as relações entre crença e conhecimento e as discrepâncias que ocorrem entre observações, expectativas e intenções. Divergências entre observações e expectativas são comumente percebidas como surpresas, fenômenos que exigem explicações para reduzir o choque de espanto.

Problemas Na lógica, as propriedades formais dos verbos como afirmar, acreditar, comandar, considerar, negar, duvidar, imaginar, julgar, saber, querer, desejar, e uma série de outros verbos que envolvem atitudes ou intenções em relação a proposições são notórias por sua recalcitrância na análise. (Quine 1956).

Indiscernibilidade de idênticos Um dos princípios fundamentais que regem a identidade é o da substituibilidade, também conhecido com indiscernibilidade de idênticos. Quando aplicado às sentenças verdadeiras de identidade, ele estabelece que um de seus dois termos pode ser substituído pelo outro em qualquer declaração verdadeira e o resultado será verdadeiro.

Por exemplo, considere o argumento abaixo:

(1) Platão = Arístocles

(2) Platão é filósofo

(3) "Arístocles" se refere a Platão

(4) Arístocles é filósofo

Assim, usamos o princípio de substituição para chegar em (4). Existem alguns falsos casos que parecem depor contra o princípio de substituição. Considere o argumento abaixo:

(5) Giorgione = Barbarelli,

(6) Giorgione era assim chamado por causa de seu tamanho.

Essas afirmações são verdadeiras; entretanto, a substituição do nome 'Giorgione' pelo nome 'Barbarelli' transforma (6) em uma a falsidade:

(7) Barbarelli era assim chamado por causa de seu tamanho.W. V. O. Quine, Quintessence, extensions, Reference and Modality, P361

O exemplo de Quine aqui se refere ao apelido de Giorgio Barbarelli "Giorgione", um nome italiano mais ou menos descrito como "Grande Jorge" ou "Jorjão". Como Quine justifica, tal argumento não é contrário ao princípio, pois ele faz uma confusão entre uso e menção. Poderíamos reescrevê-lo do seguinte modo, a fim de mostrar onde ocorre o erro:

(5') Giorguine = Barberelli

(6') Giorgione era chamado "Giorgione" por causa de seu tamanho

(7') Barbarelli era chamado "Barbarelli" por causa de seu tamanho.

Assim, vemos que o argumento não contraria o princípio de substituição, pois deixamos claro que o "assim chamado" fazia referência à forma do nome ser escrito, de modo que o nome estava sendo mencionado e não usado. O princípio pode ser aplicado na premissa (6') para levar até (7'), pois ocorrência sem aspas de "Giorgione" está sendo usada para falar de um pessoa que tem aquele nome.

Como o princípio de substituição afeta as Atitudes Proposicionais Em Sobre o Sentido e a Referência, Frege começa se perguntando em que consiste a relação de igualdade, se uma relação entre objetos ou entre sinais de objetos, e apresenta o seguinte argumento (FREGE, 2009, pp. 129-158):

(1)       a = a;

(2)       a = b.

Supondo que (1) e (2) sejam ambas verdadeiras, e caso expressem o mesmo pensamento (Gedanke), então, se uma é analítica, a outra também deve ser. Mas isto não pode acontecer, (2) é sintética mesmo que (1) seja analítica. Deve-se negar que o pensamento é o mesmo. Se o que (1) e (2) expressam é simplesmente a relação que um objeto tem consigo, então não haveria qualquer diferença no pensamento, uma vez que saber (1) seria saber (2). Isto não pode acontecer, pois (2) perderia seu valor informativo, deixando de ser sintética.

Deve-se negar que ambas expressam uma relação entre objetos. Um outro modo de apresentar o mesmo argumento é o seguinte (AHMED, 2007, p. 9):

i.                “Eric Blair” significa o mesmo que “George Orwell” (suposição)

ii.              Se dois nomes significam o mesmo, então você pode substituir um pelo outro na sentença sem mudar o significado da sentença (premissa)

iii.            Se duas sentenças significam o mesmo, então elas transmitem a mesma informação (premissa)

iv.            “Eric Blair é Eric Blair” significa o mesmo que “Eric Blair é George Orwell” (de i, ii)

v.              “Eric Blair é George Orwell” transmite a mesma informação que “Eric Blair é Eric Blair” (de iii, iv)

Como podemos notar pelo argumento de Frege, (v) é que deve ser falsa. No entanto, ela se segue das premissas (i), (ii) e (iii). Uma vez que (ii) e (iii) são premissas que não gostaríamos de negar, devemos rejeitar (i) como verdadeira. O argumento reafirma a posição de Frege, pois parece exigir que “Eric Blair” e “George Orwell” não signifiquem o mesmo. É o caso de não reivindicar que ambos os nomes devam ter como contribuição semântica apenas sua referência, mas um modo de concebê-la.

Agora, é possível tentar argumentar que a diferença no pensamento se funda nos sinais, dizendo que o pensamento expressado por (2) é algo como “‘a’ e ‘b’ se referem ao mesmo objeto” e (1), “‘a’ e ‘a’ se referem ao mesmo objeto”. Dessa forma, (2) continuaria sintética e (1) analítica.

Contra essa tentativa é possível se opor de duas formas independentes, mas complementares. Primeiro, podemos usar o próprio argumento modal de Kripke. O argumento defende que a relação de identidade é uma relação necessária para qualquer coisa que existe; portanto, queremos, tanto em (1) quanto em (2), apresentar um conteúdo necessário através dessas sentenças; porém, se a solução fornecida está correta, então as sentenças asserem uma verdade contingente: que duas expressões se referem ao mesmo objeto. Disso devemos concluir que a solução está errada.

Segundo, é possível usar o argumento que Frege apresenta no início de seu Sobre o Sentido e a Referência — um argumento bastante semelhante ao de Kripke, mas que não usa modalidade metafísica. É o seguinte. Se a solução estivesse correta, (1) e (2) expressariam um conteúdo arbitrário, que só se manteria verdadeira enquanto “a” e “b” designassem a mesma coisa. A relação asserida seria a casual relação entre os sinais “a” e “b” que poderia se desfazer a qualquer momento. Uma vez que a relação de identidade não é arbitrária nesse sentido, é necessário negar que o pensamento expresso pelas sentenças tenha seu fundamento na diferença entre os sinais.

Como os objetos e os sinais não conseguiram, segundo os argumentos acima, explicar a diferença de conteúdo de sentenças gramaticais com termos correferentes, a conclusão a que Frege chega é a de que a linguagem humana possui um terceiro âmbito além do dos sinais e das coisas referidas pelos sinais, o do sentido (Sinn) (FREGE, 2009, pp. 131):É, pois, plausível pensar que exista, unido a um sinal (nome, combinação de palavras, letras), além daquilo por ele designado, que pode ser chamado de sua referência (Bedeutung), ainda o que eu gostaria de chamar de o sentido (Sinn) do sinal, onde está contido o modo de apresentação do objeto.Para cada construção gramatical, pelo menos um Sinn, cujo tipo varia de acordo com cada categoria gramatical, é associado. Por exemplo, os tipos de sentido associados a adjetivos são diferentes daqueles associados aos nomes próprios ordinários, pois são categorias de palavras que buscam representar coisas distintas. A título de exemplo, à expressão “cadeira” é possível associar o sentido coisa com quatro pernas usada para sentar etc., enquanto para um nome próprio ordinário, como “João”, poderia ser o homem que está perto da saída etc. Nesse último caso, associa-se à expressão aquilo que posteriormente ficou conhecido como “descrição definida”.

Os sentidos, por mais que sejam objetivos, dependem dos humanos para que sejam associados às palavras. O que x entende quando entra em contato com uma palavra p depende do que x associa a p. Se x associa o sentido senhoras à palavra “damas”, então x analisará a sentença “damas são jogos de tabuleiro” como significando: senhoras são jogos de tabuleiro. As condições de verdade da sentença variam de acordo com o que o falante associa a cada expressão. Isto é, o conteúdo semântico varia de falante para falante, dentro daquilo que podemos chamar de “idioleto”.

É importante não fazer uma associação falsa entre o âmbito dos sentidos e o das representações ou ideias (Vorstellung). Frege constantemente se opõe à visão de que as ideias ou representações sejam tomadas como o conteúdo das sentenças, visto que tal perspectiva não defenderia a objetividade da nossa linguagem e da lógica. Uma representação é um evento mental, um evento privado e momentâneo que engloba todas as associações consequentes de qualquer fenômeno experienciado por alguém. Porque a experiência sensível é relativa aos sujeitos e todos os sujeitos são distintos entre si, é impossível compartilhá-las. Nas palavras de Frege (2009, p. 135):Quando dois homens imaginam a mesma coisa, ainda assim cada um tem sua própria ideia [representação]. De fato, às vezes é possível estabelecer diferenças entre ideias, ou até mesmo entre as sensações, de diferentes homens. Mas uma comparação exata não é possível, porque não podemos reunir essas ideias numa mesma consciência.O sentido, ao contrário, está constantemente sendo compartilhado pela linguagem e fornecendo novas informações. Embora Frege não tenha dado grandes explicações sobre o que é essa entidade Sinn, ele usa descrições definidas quando quer falar dos possíveis sentidos associados aos nomes ordinários (FREGE, 2009, p. 132):No caso de um nome próprio genuíno como “Aristóteles”, as opiniões quanto ao sentido podem certamente divergir. Poder-se-ia, por exemplo, tomar como seu sentido o seguinte: o discípulo de Platão e o mestre de Alexandre Magno. Quem fizer isso associará outro sentido à sentença “Aristóteles nasceu em Estagira” do que alguém que tomar como sentido daquele nome: o mestre de Alexandre Magno que nasceu em Estagira.O que cada uma das sentenças (1) e (2) expressam é uma combinação dos sentidos associados aos termos que compõem as sentenças. Considerando os três âmbitos fregeanos: sinal, sentido e referência, o argumento é:

i.                A sentença “a = a” expressa um pensamento.

ii.              O sinal “b” é correferente com o sinal “a”.

iii.            O pensamento é ou o sentido da sentença ou a referência da sentença.

iv.            Se “b” e “a” têm a mesma referência, então a substituição de “a” por “b” em “a = a” mantém a referência.

v.              O pensamento expresso pelo sinal “a = a” é sua referência (suposição).

vi.            Substituir “a” por “b” em “a = a” mantém a referência (de ii, iv).

vii.           “a = b” expressa o mesmo pensamento que “a = a” (de v, vi)