A eleição municipal da cidade de Porto Alegre em 2020 ocorreu nos dias 15 de novembro (primeiro turno) e 29 de novembro (segundo turno) e elegeu um prefeito, um vice-prefeito e 36 vereadores da Câmara Municipal para a administração da cidade. Os mandatos dos candidatos eleitos são para o período entre 1 de janeiro de 2021 e 31 de dezembro de 2024.
Originalmente, as eleições ocorreriam em 4 de outubro (primeiro turno) e 25 de outubro (segundo turno), porém, com o agravamento da pandemia de COVID-19 no Brasil, as datas foram modificadas.
O segundo turno foi disputado entre Sebastião Melo (MDB) e Manuela D'Ávila (PCdoB). Manuela recebeu apoios das candidatas Fernanda Melchionna (PSOL), Juliana Brizola (PDT) e Montserrat Martins (PV), além da Rede Sustentabilidade. Melo contou com os apoios dos candidatos João Derly (Republicanos), Valter Nagelstein (PSD) e Gustavo Paim (PP). O PSDB, do candidato derrotado à reeleição, Nelson Marchezan Júnior, que foi o terceiro mais votado no primeiro turno, optou pela neutralidade.
Em 29 de novembro de 2020, Sebastião Melo foi eleito prefeito de Porto Alegre com 54,58% dos votos válidos e 97,79% de urnas apuradas.https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/eleicoes/2020/noticia/2020/11/29/sebastiao-melo-do-mdb-e-eleito-prefeito-de-porto-alegre.ghtml
Contexto político e pandemia As eleições municipais de 2020 foram marcadas, antes mesmo de iniciada a campanha oficial, pela pandemia de COVID-19 no Brasil, o que levou os partidos a remodelarem suas estratégias de pré-campanha. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou os partidos a realizarem as convenções para escolha de candidatos aos escrutínios por meio de plataformas digitais de transmissão, para evitar aglomerações que possam proliferar o coronavírus. Alguns partidos recorreram a mídias digitais para lançar suas pré-candidaturas. Além disso, a partir deste pleito, foi colocada em prática a Emenda Constitucional 97/2017, que proibiu a celebração de coligações partidárias para as eleições legislativas.
Contexto político local A eleição de 2020 apresenta o maior número de candidaturas da história, 13, superando o recorde anterior, do pleito de 1996, quando houve 12 candidatos.
Relação com o governo Marchezan Júnior Dos 13 candidatos, apenas cinco não têm em suas coligações partidos que integraram ou apoiaram o governo de Nelson Marchezan Júnior, ou o apoiaram no segundo turno das eleições de 2016: Fernanda Melchionna (da coligação PSOL, PCB e UP), Júlio Flores (PSTU), Luiz Delvair (PCO), Manuela D'Ávila (da coligação PCdoB e PT), e Valter Nagelstein (PSD). Entre os partidos que apoiaram a campanha ou o governo de Marchezan Júnior e depois lançaram pré-candidato, estão o Republicanos, de João Derly, o Progressistas e o Avante, da coligação de Gustavo Paim, o PSB e a Rede, da coligação de Juliana Brizola, o PTB, de José Fortunati, o MDB e o Solidariedade, da coligação de Sebastião Melo, o PV, de Montserrat Martins, e o PROS, de Rodrigo Maroni.
Entre os candidatos, cinco já ocuparam cargos no Executivo municipal. Fortunati já foi vice-prefeito pelo PT, de 1997 a 2000, na gestão Raul Pont, do mesmo partido, e de 2009 a 2010, pelo PDT, na gestão José Fogaça, do PMDB, e prefeito de 2013 a 2016, também pelos trabalhistas. Melo foi vice-prefeito durante a gestão Fortunati, pelo mesmo período do titular. Marchezan Júnior e Paim são os atuais prefeito e vice-prefeito, respectivamente. Valter Nagelstein, então no PMDB, foi secretário municipal entre 2015 e 2016, durante a gestão Fortunati.
Dos 13 candidatos, cinco já concorreram ao cargo de prefeito: Fortunati (2012), Júlio Flores (2000 e 2016), Manuela (2008 e 2012), Marchezan Júnior (2008 e 2016), Melo (2016) e Nagelstein (2000).
Trocas de legenda José Fortunati, Rodrigo Maroni e Valter Nagelstein aproveitaram a janela partidária para trocar de legenda e lançar suas pré-candidaturas. O primeiro ingressou no PTB em março de 2020, depois de um período sem partido, após se desfiliar do PSB. No mesmo mês, Maroni migrou do Podemos para o PROS. Ainda em março, Nagelstein deixou o MDB, partido no qual militava desde 2003, para se filiar ao PSD.
Configuração ideológica Cogitou-se a formação de uma frente ampla de esquerda, que há 16 anos sem vencer eleições na cidade e há 12 sem chegar ao segundo turno, reunindo PCdoB, PDT, PSOL, PSB e PT em 2019; porém, as conversas não foram adiante. A deputada federal Fernanda Melchionna, depois escolhida como candidata do PSOL, propôs a realização de prévias entre o seu partido, o PCdoB e o PT para a escolha de candidata à prefeitura, mas as duas últimas legendas rechaçaram a proposta. Em março de 2020, uma frente ampla desses partidos estava praticamente descartada, com o desenho de três chapas distintas, mas com a possibilidade de uma adesão num possível segundo turno.
Em relação à política nacional, há cinco candidatos de partidos que fazem oposição ao governo federal: Fernanda Melchionna (PSOL, PCB e UP), Manuela D'Ávila (PCdoB, e PT), Juliana Brizola (PDT, PSB e Rede), Júlio Flores (PSTU) e Luiz Delvair (PCO). Por outro lado, Gustavo Paim e Valter Nagelstein apoiam pautas de conservadorismo moral, liberalismo econômico e armamentismo, vinculando-se à extrema-direita de Jair Bolsonaro. O PSL, ex-partido do presidente que ainda reúne alguns de seus apoiadores, anunciou apoio oficial ao pré-candidato Marchezan Júnior, porém alguns deputados do partido apoiam Sebastião Melo. José Fortunati, ainda que integre o PTB, um dos partidos que convidou o presidente para se filiar e que vê a aproximação de seu presidente, Roberto Jefferson, com Bolsonaro, já afirmou em vídeo que não é nem "esquerdista", nem "direitista". João Derly integra o Republicanos, partido que apoia o governo federal.
Processo de impeachment e CPI da gestão Marchezan Júnior
Duas situações geraram impacto no processo eleitoral em Porto Alegre. Em primeiro lugar, o desfecho de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou irregularidades em sua gestão. Marchezan Júnior também foi alvo de investigação de uma CPI instalada na Câmara Municipal em 3 de outubro de 2019. Em agosto de 2020, o relatório elaborado pela relatoria da comissão recomendou o indiciamento do prefeito pelos crimes de advocacia administrativa, tráfico de influência, improbidade administrativa, dispensa de licitação, corrupção passiva e tráfico de interesses. Por fim, a CPI concluiu os trabalhos recomendando o indiciamento de Marchezan Júnior, do ex-secretário de Relações Institucionais da prefeitura, Christian Lemos, por falso testemunho, e do empresário e ex-diretor da Procempa Michel Costa, por tráfico de influência. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado.
Em segundo lugar, em agosto do ano seguinte, foi aberto um processo de impeachment contra o prefeito, a partir de um pedido protocolado, entre outras pessoas, por uma pré-candidata a vereadora pelo PRTB. A Câmara Municipal o aceitou o pedido e deu início ao processo, ao contrário dos cinco pedidos de impedimento anteriores, com votos de 31 dos 36 vereadores, sob justificativa de uso indevido de R$ 3,1 milhões destinados ao investimento em saúde em ações de publicidade. O relatório elaborado por comissão processante concluiu, em 28 de agosto, pelo prosseguimento da investigação da denúncia de impedimento apresentada. Em caso de impeachment, o prefeito inelegível fica por oito anos. Porém, uma alteração no Código Eleitoral realizada em 2019 prevê que a inelegibilidade ocorreria em impedimentos ocorridos até a data limite de registro das candidaturas; no caso de 2020, até 26 de setembro. Contudo, a constitucionalidade dessa alteração é disputada por juristas.
Candidaturas à prefeitura
Prefeito(a) Vice-prefeito(a) Número eleitoralCargo político anteriorTempo de horário eleitoral Candidato(a)Partido Candidato(a)Partido Fernanda Melchionna PSOL Márcio Chagas PSOL "Porto Alegre pede coragem" 50 Deputada federal pelo Rio Grande do Sul 16 segundos Gustavo Paim PP Carmen Santos Avante "Porto Alegre pra ti" 11 Vice-prefeito de Porto Alegre 54 segundos José Fortunati PTB Dr. André Patriota "Porto Alegre somos todos nós" 14 Prefeito de Porto Alegre 53 segundos João Derly Republicanos Delegado Fernando Republicanos 10 Deputado federal pelo Rio Grande do Sul 37 segundos Juliana Brizola PDT Professora Malu PSB "Porto, Alegre de novo" 12 Deputada estadual do Rio Grande do Sul 1 minuto e 10 segundos Julio Flores PSTU Vera Rosane PSTU 16 Sem tempo Luiz Delvair PCO Delaine Kalikosky PCO 29 Sem tempo Manuela PCdoBRossetto PT "Movimento Muda Porto Alegre" 65 Deputada estadual do Rio Grande do Sul 1 minuto e 14 segundos Montserrat Martins PV Alda Miller PV 43 Sem tempo Nelson Marchezan Júnior PSDB Gustavo Tânger Jardim PSDB "Mais Porto Alegre" 45 Prefeito de Porto Alegre 2 minutos e 9 segundos Rodrigo Maroni PROS Mendonça PROS 90 Deputado estadual do Rio Grande do Sul 14 segundos Sebastião Melo MDB Ricardo Gomes DEM "Estamos juntos Porto Alegre" 15 Deputado estadual do Rio Grande do Sul 1 minuto e 36 segundos Valter Nagelstein PSD Delegado Diogo PSD 55 Vereador de Porto Alegre 43 segundos Pré-candidaturas Linha do tempo A deputada federal Fernanda Melchionna foi confirmada pré-candidata pelo PSOL em novembro de 2019 em reunião ampliada da executiva municipal. No mesmo mês, o PP lançou o vice-prefeito Gustavo Paim, rompido com o prefeito Nelson Marchezan Júnior, como pré-candidato. Em fevereiro de 2020, o PCdoB anunciou a ex-deputada federal e candidata a vice-presidente da República em 2018 Manuela D'Ávila como pré-candidata a prefeita. O Partido Novo anunciou em fevereiro de 2020 que não lançaria candidato para a disputa. O PSL oficializou apoio à reeleição do atual prefeito Nelson Marchezan Júnior também em fevereiro, com acordo para indicar o vice da chapa; Em março, o PDT anunciou a pré-candidatura da deputada estadual Juliana Brizola ao Paço Municipal. Carmen Flores, empresária e candidata ao Senado em 2018 pelo PSL, foi lançada como pré-candidata à prefeitura pelo PSC, em abril. O ex-futebolista e ex-vereador Mazarópi é o vice na chapa. O PT anunciou apoio à candidatura de Manuela D'Ávila (PCdoB) em maio, indicando o ex-vice-governador e candidato a governador em 2018 Miguel Rossetto para vice na chapa; Em 1 de junho, o PSOL anunciou o ex-árbitro de futebol Márcio Chagas da Silva como vice da candidata Fernanda Melchionna. O diretório municipal do MDB aprovou, em 3 de junho, a pré-candidatura do deputado estadual e candidato a prefeito em 2016 Sebastião Melo. Em julho, o PSB anunciou apoio à candidatura de Juliana Brizola (PDT), com acordo para indicar o vice da chapa. O DEM, que apresentara como pré-candidata a vereadora Comandante Nádia, desistiu de lançar candidatura própria em agosto, preferindo apoiar Sebastião Melo (MDB). Em 13 de agosto, a UP retirou a pré-candidatura de Priscila Voigt para apoiar Fernanda Melchionna (PSOL). O Avante anunciou que apoiaria a pré-candidatura de Gustavo Paim (PP) em 20 de agosto. O PSTU anunciou, em 24 de agosto, Júlio Flores e Vera Rosane como pré-candidatos à prefeitura. Chapa é a mesma que concorreu em 2016. No dia 27 do mesmo mês, o Republicanos (antigo PRB) anunciou a pré-candidatura de João Derly, com Fernando Soares, do mesmo partido, como vice. O PROS, em convenção, oficializou a sua chapa com o deputado estadual Rodrigo Maroni como pré-candidato a prefeito e o ex-diretor-geral do Tribunal de Contas do Estado Edelberto Mendonça como vice, em 31 de agosto. No mesmo dia, o PV confirmou em convenção Montserrat Martins como pré-candidato a prefeito, sem escolher vice por ora. Também em 31 de agosto, o pré-candidato Sebastião Melo (MDB) anunciou pela rede social Twitter que o vereador Ricardo Gomes (DEM) seria pré-candidato a vice-prefeito na sua chapa. No dia 5 de setembro, o PSB confirma o apoio a Juliana Brizola (PDT), indicando a professora Maria Luiza Loose como candidata a vice.