A definição de antissemitismo da IHRA é a declaração não juridicamente vinculante, adotada pela Aliança Internacional de Memória do Holocausto (conhecida pelo seu acrônimo em inglês, IHRA), em 2016, que define o antissemitismo. É também conhecida como definição operacional ou definição de trabalho de antissemitismo da IHRA (abreviadamente IHRA-WDA, do inglês International Holocaust Remembrance Alliance - Working Definition of Antisemitism). Foi publicada pela primeira vez em 2005 pelo Observatório Europeu do Racismo e da Xenofobia (EUMC), atual Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia. A definição operacional é acompanhada de 11 exemplos ilustrativos, sete dos quais relacionados à crítica a Israel, que a IHRA descreve como orientadores de seu trabalho sobre antissemitismo.

A definição foi desenvolvida entre 2003 e 2004. Um esboço foi publicado pela primeira vez no site do EUMC, sem revisão, em 28 de janeiro de 2005.Ver:

Great Britain. Department for Communities and Local Government. All-party inquiry into antisemitism: government response, The Stationery Office, 2007, p. 3. Em novembro de 2013, a agência sucessora do EUMC, a Agência de Direitos Fundamentais, removeu-o de seu site em “uma limpeza de documentos não oficiais”."EU anti-racism agency unable to define anti-Semitism, official says". , Jewish Telegraphic Agency. 4 December 2013. Em 26 de maio de 2016, a definição operacional foi adotada pelo Plenário da IHRA (composto por representantes de 31 países) em Bucareste, Romênia. Posteriormente, ela foi adotada pelo Parlamento Europeu e por outros órgãos nacionais e internacionais, embora nem todos tenham incluído os exemplos ilustrativos. Segundo a IHRA, antissemitismo é "fazer alegações mentirosas, desumanizantes, demonizadoras ou estereotipadas sobre os judeus ou sobre o poder dos judeus como grupo" e também é "culpar os judeus por as ‘coisas darem errado'"; é "...uma certa percepção dos judeus, que pode ser expressa como ódio contra os judeus. As manifestações retóricas e físicas do antissemitismo são direcionadas a indivíduos judeus ou não judeus e suas propriedades, a instituições comunitárias judaicas e instalações religiosas." As organizações pró-israelenses têm defendido a adoção legal em todo o mundo da definição operacional da IHRA.

Os exemplos relacionados a Israel têm sido criticados por acadêmicos, inclusive juristas, que afirmam que tais exemplos frequentemente servem para usar o antissemitismo como arma para sufocar a liberdade de expressão relacionada à crítica das ações e políticas do governo de Israel. Controvérsias de alto nível ocorreram no Reino Unido em 2011 com a University and College Union e com o Partido Trabalhista em 2018. Os críticos afirmam que os pontos fracos da definição de trabalho podem se prestar a abusos, que ela pode obstruir a campanha pelos direitos dos palestinos e que é muito vaga. Kenneth S. Stern, que contribuiu para o rascunho original, opôs-se à utilização da definição como arma nos campi universitários de forma a prejudicar a liberdade de expressão. A controvérsia sobre a definição da IHRA levou à criação da Declaração de Jerusalém sobre Antissemitismo e do Documento Nexus, os quais fazem distinções expressas entre antissemitismo e crítica a Israel.

Notas

Ver também Definições de fascismo

Bibliografia

Leitura complementar

Feldman, David. Sub-Report commissioned to assist the All-Party Parliamentary Inquiry into Antisemitism. Institute for Jewish Policy Research. 1 January 2015

"Knesset finally adopts IHRA definition of antisemitism" ; Zvika klein; The Jerusalem Post, 23 de junho de 2022.

Ligação externa da IHRA

Categoria:Antissemitismo na Europa Categoria:Controvérsias religiosas no judaísmo Categoria:Liberdade de expressão