O Mercado Novo é um mercado e edifício comercial no Centro de Belo Horizonte, com entrada principal pela Avenida Olegário Maciel. Erguido no terreno de uma antiga garagem e oficina de bondes, abriu em 1963 para receber os comerciantes do antigo Mercado Municipal, que depois passou a se chamar Mercado Central. A transferência não ocorreu, pois os lojistas compraram o terreno que já ocupavam e permaneceram ali, deixando o novo empreendimento sem os compradores esperados e com parte da obra inacabada.

Projetado por Fernando Graça e Sandoval Azevedo Filho, o edifício modernista tem estrutura de concreto, fachadas fechadas por cobogós e corredores de pequenos boxes, ligados por rampas que também recebem veículos. As lojas pertencem a proprietários privados, e a laje superior é do município.

A feira de hortifrutigranjeiros manteve o térreo ativo, junto de lojas de embalagens, oficinas, gráficas e restaurantes, enquanto boa parte dos pisos superiores permaneceu vazia. Esses andares receberam a ocupação cultural Mercado das Borboletas em 2010 e o projeto comercial Velho Mercado Novo em 2018, que levou ao prédio bares, cozinhas, lojas de roupas e artigos para casa. Em março de 2026, 96% dos cerca de 1 200 boxes estavam ocupados.

História

Projeto e abertura

miniaturadaimagem|direita|upright=0.75|alt=Boné branco do Mercado Novo Tupis|Boné do Mercado Novo Tupis.

Os planos para o Mercado Novo começaram no fim da década de 1950, quando a Prefeitura de Belo Horizonte pretendia transferir os feirantes e lojistas do Mercado Municipal para outro entreposto. O local escolhido ficava entre a Avenida Olegário Maciel e as ruas Rio Grande do Sul, dos Tupis e Padre Belchior, num terreno usado pelo serviço de bondes. A Companhia Edificadora Sobrado adquiriu o projeto em leilão e ficou encarregada de construir e vender os boxes do edifício, projetado em 1962 com mais de mil lojas, estacionamento e áreas de carga e descarga.

Quando o mercado abriu, em 1963, ainda faltavam a cobertura definitiva e parte das instalações, os andares superiores estavam vazios e apenas uma feira de hortifrutigranjeiros funcionava no térreo. Em janeiro de 1964, os comerciantes do Mercado Municipal compraram da prefeitura o imóvel onde trabalhavam e financiaram sua reforma, retirando do novo edifício os compradores com os quais a Sobrado contava. A construtora entrou em falência, e os feirantes que haviam se instalado no Mercado Novo formaram a Associação do Novo Mercado para administrar o térreo.

Mudanças no comércio

Durante a madrugada, pequenos comerciantes e vendedores ambulantes compravam frutas e verduras na feira, enquanto os restaurantes serviam os trabalhadores do Centro. Esse comércio perdeu parte de sua função atacadista em 1974, quando a abertura da Ceasa Minas, em Contagem, levou a distribuição de hortifrutigranjeiros para fora da capital. O Mercado Novo passou a vender em menor escala, e seus boxes receberam fábricas de embalagens, gráficas, lojas de letreiros e uniformes, chaveiros, torneiros, luthiers e oficinas de instrumentos musicais.

A empresa imobiliária REGE começou a comprar boxes dos andares superiores em 1975 e controlava quase 70% das unidades em 2019. Muitas permaneceram fechadas, e as dívidas de condomínio deixaram menos dinheiro disponível para reparos. O prédio recebeu um estacionamento em 1977, e a construtora doou a laje superior à prefeitura em 1985. Sem cobertura, o terraço acumulava água da chuva e provocava infiltrações nos andares abaixo.

Na manhã de 4 de maio de 2004, um incêndio iniciado em um depósito de embalagens destruiu pelo menos 32 lojas. As chamas duraram sete horas e mobilizaram cerca de cem bombeiros, mas ninguém ficou ferido.

Mercado das Borboletas

A partir do fim de 2010, o Mercado das Borboletas ocupou cerca de 4 mil metros quadrados dos pisos superiores, onde 309 boxes permaneciam vazios. O plano era montar uma incubadora de artes e negócios sustentáveis, mantida em parte pela renda de concertos, festas e festivais, ao lado de ateliês, brechós, uma galeria e cursos.

Depois de um incêndio em 2011, o Corpo de Bombeiros interrompeu as atividades no andar. Parte do espaço chegou a reabrir, mas o grupo não conseguiu pagar as obras nem preparar o estudo sobre os efeitos no entorno exigido para o licenciamento, e o Mercado das Borboletas fechou em 2015.

Velho Mercado Novo

miniaturadaimagem|direita|alt=Pessoas em um bar do Mercado Novo|Pessoas em um dos bares do Mercado Novo.

Em setembro de 2018, Gabriel Filho, Rafael Quick e Henrique Gilberto abriram a Distribuidora Goitacazes e a Cozinha Tupis em boxes do segundo piso, levando ao mercado a experiência que já tinham com bares e restaurantes de Belo Horizonte. As duas lojas atraíram outros comerciantes, e a ocupação recebeu o nome de Velho Mercado Novo. Em outubro de 2019, quarenta negócios funcionavam no andar.

Para organizar a chegada dos novos locatários, os ocupantes formaram um conselho e adotaram, em fevereiro de 2019, um estatuto para o uso das lojas. Cada negócio deveria ter sua própria especialidade, sem repetir a dos vizinhos, e os letreiros seguiriam o desenho das placas antigas. Os recém-chegados também encomendavam placas, uniformes e impressos às gráficas do mercado, enquanto cozinhas e bares compravam hortaliças, carnes, laticínios e embalagens no térreo, levando novos clientes aos comerciantes que já trabalhavam no prédio.

A ocupação avançou para o terceiro piso em 2021, quando lojas de roupas, móveis e objetos domésticos passaram a dividir o andar com oficinas de tornearia e serralheria. Pela manhã e durante a tarde, o mercado recebia trabalhadores do Centro e vendedores ambulantes. À noite, o movimento se concentrava nos bares dos pisos superiores.

Arquitetura e organização

miniaturadaimagem|esquerda|upright=0.75|alt=Mulher segurando uma garrafa de cerveja no Mercado Novo|Mulher segurando uma garrafa de cerveja na Viela, no interior do Mercado Novo, em 2026.

Com 10 276 metros quadrados, o Mercado Novo ocupa quase todo um quarteirão e combina uma estrutura de concreto armado com painéis de tijolos cerâmicos vazados nas fachadas. Os cobogós deixam a luz e o ar entrarem nos corredores, enquanto as rampas ligam os pisos e permitem a circulação de pedestres e veículos.

No térreo ficam a feira de alimentos, açougues, lojas de laticínios e embalagens, pequenos restaurantes e a sede da Associação do Novo Mercado. O primeiro piso é ocupado por gráficas, lojas de uniformes e letreiros e oficinas de reparo, enquanto os bares e cozinhas se concentram no segundo e as lojas de roupas e artigos para casa, no terceiro.

Os boxes são unidades privadas e autônomas, administradas por dois condomínios, mas a laje do quarto piso pertence à prefeitura. Em 2007, o terraço ainda estava descoberto e deixava a água da chuva vazar para os andares inferiores. Uma licitação aberta em 2020 previa a concessão da área, a instalação da cobertura e o reparo das infiltrações, e em 2023 a laje já estava coberta.

Antigos e novos negócios

Parte dos ingredientes usados nas cozinhas dos pisos superiores vem dos feirantes do térreo, o que põe comerciantes antigos e novos em contato. Essa proximidade não apaga as diferenças de preço, horário e maneira de consumir. Para Luiza Adelaide Lafetá e Candice Vidal e Souza, a comida aproxima circuitos que dividem o mesmo edifício sem se misturar por completo.

Os letreiros e móveis das novas lojas deveriam lembrar armazéns, farmácias e bares antigos, numa escolha que Rachel de Castro Almeida, Ághata Moura Marçal e Sávio Tadeu Guimarães chamaram de "autenticidade calculada". Os pesquisadores encontraram consumidores com maior poder de compra, alimentos mais caros e procura turística, mas não a substituição residencial própria da gentrificação. Lafetá também encontrou marcas conhecidas e preços mais altos entre os novos locatários, embora a proposta inicial favorecesse pequenas lojas especializadas.

Cultura, eventos e turismo

Programação cultural e eventos A ocupação cultural dos pavimentos superiores começou antes da abertura dos bares e restaurantes que passaram a movimentar o prédio a partir de 2018. Em 2010, uma área até então ociosa recebeu o Mercado das Borboletas, onde eram realizados festivais, blocos de Carnaval, shows e festas. A programação permaneceu ativa até meados da década.

O prédio voltou a receber feiras e mostras organizadas por instituições externas e por espaços instalados no próprio mercado. Em 2023, a Feira na Rosenbaum dividiu o edifício com a Quermesse da Mary, reunindo oitenta expositores de arte, artesanato, design, moda e gastronomia. No ano seguinte, o espaço Memória Gráfica Mercado Novo abriu a exposição A Arte de Fazer Livros, com trabalhos de 33 editoras independentes e oficinas dedicadas à produção artesanal de livros.

A Feira Mineira de Cutelaria teve sua primeira edição no Mercado Novo em 2022. O evento passou a voltar ao edifício com exposição e venda de peças, demonstrações de forjamento, oficinas de afiação e competições de corte. A quinta edição foi anunciada para junho de 2026.

Cinema, música e televisão Em 2010, Maria de Fátima Augusto realizou no Mercado Novo o curta documental Armazém de Imagens. O filme, com quinze minutos de duração, parte do encontro com Seu Ildeu, que consertava lâmpadas em uma das lojas, e acompanha trabalhadores e ofícios encontrados no edifício. Em 2020, o curta integrou a mostra Cinema e Patrimônio Histórico de Minas Gerais, organizada pela Fundação Clóvis Salgado por meio do Cine Humberto Mauro, em parceria com o IEPHA-MG e o Arquivo Público Mineiro.

Uma das cenas de O Homem das Multidões (2013), dirigido por Cao Guimarães e Marcelo Gomes, foi filmada no Mercado Novo e traz Eloína Olímpio como a garçonete do local.

Os corredores do mercado foram usados como cenário do videoclipe Nacional Sessions #3, lançado em 2023 pelo Família de Rua em parceria com a Som Livre. A gravação reuniu os participantes do Duelo de MCs Nacional de 2022 e o DJ Cia.

Em 21 de fevereiro de 2026, a TV Globo Minas transmitiu ao vivo do Mercado Novo a edição que abriu as comemorações dos 25 anos do programa Terra de Minas.

Cobertura internacional Em novembro de 2025, a edição internacional da Lonely Planet incluiu o Mercado Novo entre dez programas recomendados em Belo Horizonte, com atenção aos restaurantes, bares e lojas de designers independentes. No mesmo mês, a revista norte-americana Condé Nast Traveler abriu no mercado uma reportagem sobre arquitetura e design em Minas Gerais, com atenção ao átrio modernista, às lojas dos pavimentos superiores e aos negócios ligados à gastronomia e ao design local.

Galeria

Ver também Mercado Central de Belo Horizonte

Ligações externas Mercado Novo no Portal Oficial de Belo Horizonte

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