João Fernando Cotrim de Figueiredo (Anjos, Lisboa, 24 de junho de 1961) é um gestor, empresário e político português.

Foi, na sequência de anúncio a 13 de agosto de 2025, candidato a Presidente da República, nas eleições presidenciais de 2026. Na votação, realizada a 18 de janeiro desse ano, classificou-se em terceiro lugar, com 15,99% dos votos, entre os 11 candidatos concorrentes.

Líder da Iniciativa Liberal (com a designação de presidente da Comissão Executiva) entre dezembro de 2019 e janeiro de 2023 (o terceiro a exercer o cargo), foi, pelo mesmo partido, eleito deputado à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu.

Na Assembleia da República foi eleito a primeira vez nas eleições legislativas de 2019, sendo então o único deputado da IL. Seria reeleito nas legislativas de 2022 — sendo já líder do partido— sufrágio em que a IL alcançou mais sete deputados do que nas primeiras eleições.

No Parlamento Europeu, foi eleito nas eleições europeias de 9 de junho de 2024, nas quais encabeçou a lista IL. Após tomar posse foi, igualmente, escolhido como vice-presidente do grupo Renovar a Europa (Renew Europe) (grupo onde, a nível europeu, se integra a IL), desde o dia 26 do mesmo mêsSIC Noticias - "João Cotrim Figueiredo eleito vice-presidente dos liberais europeus", 2024. Renunciou a esse mandato para disputar as eleições presidenciais de 2026.

Biografia

Infância e juventude João Cotrim de Figueiredo, que cresceu em Lisboa, estudou na Escola Alemã, aí completando o Abitur, e na London School of Economics, Reino Unido, onde obteve um B.Sc. em EconomiaEntrevista de João Cotrim Figueiredo a Tiago Meireles Ribeiro, no podcast Conversa Regada #010.

De regresso a Lisboa, realizou o programa de MBA conjunto da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa e da Wharton School (Universidade da Pensilvânia), EUA, em Administração, Negócios e Marketing.

Segundo entrevistas dadas por si, o gestor e político nunca "passou dificuldades", mas cresceu "sem luxos".

A decisão de estudar em Londres deveu-se, igualmente de acordo com declarações suas, à situação de instabilidade que o processo revolucionário subsequente ao 25 de Abril criara no ensino e nas universidades em Portugal.

Um dos seus primeiros trabalhos terá sido a venda de cabides da "Manequim", uma casa estabelecida pelo seu bisavô, chamado João como ele, dedicada ao fabrico e comercialização desses artigos.

Durante a estadia em Londres, revelou também ter tido vários empregos, entre os quais a servir cocktails nas Serpentine Galleries de Kensington Gardens.

Um perfil elaborado pela SIC Notícias (20 de novembro de 2025) descreveu o gestor como adepto do SL Benfica, que gosta de andar de mota, do Alentejo e de rock progressivo. É igualmente público o seu gosto por cozinhar.

Carreira profissional Depois de formado em Economia, Cotrim de Figueiredo iniciou a sua vida profissional em 1985, no setor financeiro.

Pouco tempo depois, ingressava no Grupo Nutrinveste, a holding agroalimentar adquirida por Jorge de Mello ao Estado Português numa das primeiras operações de reprivatização de empresas, realizadas no princípio dos anos 1990.

Já o pai desempenhara funções profissionais em empresas da família Mello, antes de assumir a gerência da casa de cabides familiar.

Nos anos 2000 Cotrim de Figueiredo chegaria à administração de empresas daquele Grupo.

Em 2000 foi designado administrador da Compal, função que exerceu até 2006 (ano da venda da empresa a um consórcio liderado por uma sociedade de private equity da Caixa Geral de Depósitos com a Sumolis; Caixa que, por sua vez, veio a alienar a sua participação, em 2008, ao Grupo Sumol).

A decisão de venda, pelo Grupo Nutrinveste, ao consórcio Caixa/ Sumolis prevaleceu, entre outras, sobre uma proposta de compra, do tipo Management Buyout, apresentada pelo então presidente da Comissão Executiva, António Pires de Lima, juntamente com o administrador Cotrim de Figueiredo.

Entrtetanto, em 2003, foi também designado administrador da Nutricafés, detentora das marcas de café Nicola e Chave d'Ouro, posição que também manteve até 2006 (ano da venda da empresa fundo Explorer Investments, que a revendeu, em 2016, à cafeeira italiana Segafredo Zanetti).

Depois do percurso na Nutrinveste, Cotrim de Figueiredo voltaria a ter uma passagem pelo setor financeiro, na Privado Holding, a sociedade dona do Banco Privado Português (BPP), onde, após a saída de João Rendeiro, foi presidente da Comissão Executiva, no ano de 2009.

Nessa função, depois de ter apresentado um plano para a resolução do BPP, o maior ativo da Privado Holding, e este ter sido rejeitado pelos acionistas, voltou a mudar de atividade.

Foi nessa altura que o futuro dirigente político foi escolhido como diretor-geral da TVI, onde permaneceu entre 2009 e 2011.

Segundo a imprensa, durante esse período, Cotrim de Figueiredo lançou a primeira edição do reality show Casa dos Segredos, um formato de grande de sucesso comercial da estação de Queluz (especialmente depois do Big Brother, à entrada dos anos 2000), assim como terá sido o responsável por lançar Cristina Ferreira a solo.

Terá saído da TVI em guerra com os acionistas espanhóis da PRISA, porque estes pretendiam retirar-lhe do orçamento para 2012 uma soma significativa dos lucros do grupo televisivo português, tentando assim fazer face à dívida da empresa editorial do país vizinho (conhecida como dona do El País ou da Cadena SER).

Depois da passagem pela televisão, Cotrim de Figueiredo teria a sua primeira e única experiência de gestão numa entidade pública, quando o Governo de Passos Coelho (sendo Ministro da Economia António Pires de Lima, com quem coincidira em funções de administração na Nutrinveste) o designou como presidente do Conselho Diretivo do Turismo de Portugal em 2013.[Entrevista de João Cotrim Figueiredo a Tiago Meireles Ribeiro, no podcast Conversa Regada #010] Permanecendo no cargo até 2016, pelo meio, em 2015, foi eleito vice-presidente da European Travel Commission.

Nessa qualidade esteve, igualmente, envolvido nas negociações que trouxeram a Web Summit para Lisboa, em 2015.

Parlelamente a estas atividades, Cotrim de Figueiredo foi ainda acionista e administrador de outras duas empresas — desde 2007 até 2018 da Jason Associates e a partir de 2013 da Faber Ventures.

A primeira empresa tratava-se de uma consultora de recursos humanos (com serviços de comunicação, gestão de talento, tecnologia e gamificação na área de recursos humanos) que veio a ser adquirida por outra consultora internacional, a Mercer, em 2018.

A segunda empresa é uma socideade gestora de investmentos de venture capital, através da qual o liberal tem a sua atividade profissional atual, descrita como business angel, ou seja um indivíduo com capital próprio ou acesso a capitais e, geralmente, experiência significativa que suporta o arranque de startups ou PMEs inovadoras com potencial de crescimento.

Carreira política

Presidência da Iniciativa Liberal Militante da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo viria a ser presidente deste partido entre 2019 e 2023.

Segundo justificou à imprensa, a sua entrada na vida política deveu-se sobretudo à constatação da falta de oportunidades de emprego para os jovens.

A , Cotrim de Figueiredo foi eleito deputado, pelo círculo eleitoral de Lisboa, nas legislativas de 2019, tornando-se o primeiro deputado eleito por aquele novo partido, na Assembleia da República.

Em 2022, multiplicou o resultado do partido, levando o mesmo a tornar-se a 4.ª força política, tendo a Iniciativa Liberal conseguido eleger 8 deputados nas eleições desse ano.

Foi proposto para candidato da IL, na qualidade de quarta força política mais representada, a Vice-Presidente da Assembleia da República, não tendo logrado ser eleito. A candidatura foi rejeitada com 108 votos a favor (aquém dos 116 votos necessários correspondentes a maioria absoluta), 110 votos brancos e seis votos nulos. Assumiu a derrota como pessoal e rejeitou apresentar nova candidatura, quer imediatamente, quer durante o decorrer da XV Legislatura.

Em outubro de 2022, anunciou que iria deixar a liderança da IL e que não seria novamente candidato ao cargo, devido ao facto de entender que a estratégia para que o partido continue a crescer deve ser diferente daquela que o fez crescer de forma significativa.

Foi substituído no cargo por Rui Rocha, que foi eleito líder do partido na VII Convenção Nacional da IL, em janeiro de 2023, tendo João Cotrim de Figueiredo apoiado a candidatura de Rui Rocha ao cargo de Presidente da Comissão Executiva do partido.

Candidatura presidencial em 2026 A 13 de agosto de 2025, Cotrim de Figueiredo surgiu como candidato a Presidente da República, nas eleições previstas para janeiro de 2026.

Fê-lo depois de dois veteranos do centro político se terem anunciado como candidatos — Luís Marques Mendes, antigo líder do PSD, e António José Seguro, antigo líder do PS —, e igualmente depois da desistência de Mariana Leitão, a candidata inicialmente apoiada pela Iniciativa Liberal que passou a assumir a liderança dessa estrutura.

Afirmando esperar alcançar um resultado de dois dígitos, apresentou como mandatário nacional José Miguel Júdice.

Conhecido advogado, outrora militante do PSD, Júdice apoiara Marcelo Rebelo de Sousa nas eleições presidenciais de 2016, e fora mandatário da candidatura de António Costa nas eleições de 2007 para a Câmara Municipal Lisboa.

Visto por muitos como um homem de negócios que entrara na política, ao longo da sua candidatura Cotrim foi acusado de ser um candidato elitista, qualificação que veio rejeitar, apontando que "elitistas são aqueles que defendem os interesses das elites em Portugal e que não querem que nada mude" (20 de dezembro de 2025).

A 23 de dezembro de 2025, uma sondagem realizada pela Pictagórica, posicionava Cotrim de Figueiredo com 14,9% das intenções de voto, atrás de Gouveia e Melo, André Ventura, António José Seguro e Luís Marques Mendes, com este último a liderar a sondagem, com 20,7% das intenções de voto.

Já no final da da campanha o candidato registava uma subida considerável nas sonsagens de voto, perspetivando uma passagem à segunda volta da eleição.

Na última semana de campanha eleitoral (12 a 16 de janeiro de 2026) a sua candidatura ficaria, porém, marcada por um conjunto de eventos desfavoráveis a tal objetivo.

Primeiro, o candidato fez declarações polémicas sobre a candidatura de André Ventura, levando a que o interpretassem como eventual apoiante do líder do Chega numa segunda volta.

Segundo, chegava à comunicação social uma suposta denúncia de assédio sexual por uma antiga asessora da IL, com a qual o candidato seria confrontado.

Terceiro, o candidato faria declarações controversas sobre a intervenção do homem perante a decisão da mulher em realizar um aborto.

Na imprensa, houve quem lhe chamasse a "semana negra" de Cotrim.

Entretanto, a 13 de janeiro de 2026, uma outra sondagem realizada pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (CESOP) da Universidade Católica Portuguesa, dava o líder do Chega André Ventura em primeiro lugar, com 24%, mas em empate técnico com António José Seguro, o qual aparecia com 23%; em terceiro surgia Cotrim de Figueiredo, com 19%, ainda com possibilidades de disputar a segunda volta; em quarto lugar, igualmente empatados, Marques Mendes e Gouveia e Melo.

No dia 14 de janeiro de 2026 o candidato presidencial João Cotrim de Figueiredo pediu a Luís Montenegro que recomendasse ao PSD o voto na sua candidatura, em vez da de Luís Marques Mendes, para evitar que André Ventura ou António José Seguro chegassem à Presidência da República.

Na eleição realizada a 19 de janeiro, Cotrim de Figueiredo acabaria classificado em terceiro lugar, com 15,99% dos votos.