Vivendi SE, grafada pela empresa em letras minúsculas, é uma empresa francesa de investimentos com sede em Paris. É proprietária integral da Gameloft e mantém participações em empresas que atuam principalmente em conteúdo, entretenimento, mídia e telecomunicações.

Em 2000, a Vivendi Universal surgiu da fusão do Groupe Canal+ com a Seagram Company Ltd., proprietária da Universal Studios, e a Vivendi. Em 2004, a Vivendi vendeu 80% da Vivendi Universal Entertainment, que incluía a Universal Studios, à General Electric (GE), proprietária da NBC, dando origem à NBCUniversal. Em 2006, a empresa voltou a usar o nome Vivendi. A GE adquiriu posteriormente a participação de 20% da Vivendi na NBCUniversal durante a aquisição da empresa pela Comcast.

A partir de 2021, a Vivendi passou a separar seus ativos integralmente controlados para se transformar em uma empresa de investimentos. O processo começou com a distribuição e abertura de capital de 60% da Universal Music Group, o maior grupo musical do mundo, que pertencia à Vivendi desde a criação da Vivendi Universal. Em 2024, a reorganização foi concluída com a separação de outros três ativos em empresas independentes: Canal+, no entretenimento, Havas, na publicidade, e Louis Hachette Group, nas áreas de edição, distribuição e comércio varejista de viagens. A Vivendi também mantém participações em empresas como Banijay Group e MediaForEurope.

História

Origens

Em 14 de dezembro de 1853, uma companhia de abastecimento de água chamada Compagnie générale des eaux (CGE) foi criada por decreto imperial de Napoleão III. Em 1854, a CGE recebeu uma concessão para fornecer água à população de Lyon, atividade que exerceu por mais de um século. Em 1861, obteve uma concessão de 50 anos da cidade de Paris. A CGE também forneceu água a Nantes, Veneza a partir de 1880, Istambul a partir de 1882 e Porto a partir de 1883.

Depois que Guy Dejouany assumiu a direção da empresa em 1976, a CGE entrou em outros setores por meio de aquisições. A partir de 1980, passou do abastecimento de água para gestão de resíduos, energia, transportes, construção e imóveis. A empresa comprou a Compagnie générale d'entreprises automobiles (CGEA), especializada em veículos industriais. Suas atividades deram origem à Connex, depois Veolia Transport, em 1999, e à Onyx Environnement, depois Veolia Environmental Services, em 1989. A CGE comprou ainda a Compagnie générale de chauffe e o grupo Montenay. Essas empresas formaram a divisão de serviços de energia da CGE, que passou a se chamar Dalkia em 1998.

Em 1983, a CGE participou da criação do Canal+, primeiro canal francês de televisão por assinatura. Na década de 1990, ampliou seus negócios em telecomunicações e meios de comunicação social. Em 1992, comprou o Studio Babelsberg, na Alemanha. Jean-Marie Messier sucedeu Guy Dejouany em 27 de junho de 1996 e deu maior atenção aos negócios de comunicação. No mesmo ano, a CGE criou a Cegetel, antecipando a liberalização do mercado francês de telecomunicações em 1998. A expansão dos negócios de comunicação culminou, em 2000, na separação entre Vivendi Universal e Vivendi Environnement, mais tarde denominada Veolia Environnement.

Criação da Vivendi

miniatura|direita|Logotipo da Vivendi Universal usado de 2001 a 2006

Em 27 de março de 1998, poucos dias depois de acertar a compra do restante da Havas, a Compagnie Générale des Eaux anunciou que passaria a se chamar Vivendi. Nos anos seguintes, a empresa se desfez progressivamente de atividades imobiliárias e de construção. Em abril de 2000, reduziu a 17% sua participação na Société Générale d'Entreprises, que naquele ano adotou o nome Vinci. A Vivendi também comprou participações ou realizou operações de fusão com a Cendant Software, Grupo Anaya e Maroc Telecom. A partir de 1998, expandiu suas atividades de televisão digital para Itália, Espanha, Polônia, países nórdicos, Bélgica e Países Baixos. Em 2000, a Comissão Europeia registrava operações da Canal+ na França, Bélgica, Países Baixos, Espanha, Itália, Alemanha e países nórdicos.

Em junho de 1999, a Vivendi fundiu-se com a Pathé, na proporção de três ações da Vivendi para cada duas ações da Pathé. O The Wall Street Journal avaliou a operação em €2,5 bilhões, equivalentes na época a US$2,59 bilhões. Após a fusão, a Vivendi manteve as participações da Pathé na British Sky Broadcasting e na CanalSatellite e vendeu os demais ativos à holding familiar Fornier SA, de Jérôme Seydoux, que então passou a usar o nome Pathé.

Vivendi Universal

Em 9 de dezembro de 2000, a Vivendi adquiriu o Groupe Canal+, grupo francês de televisão e produção cinematográfica. Em 11 de dezembro de 2000, surgiu a Vivendi Universal por meio da fusão do Groupe Canal+, da empresa canadense Seagram Company Ltd., proprietária da Universal Studios, e da Vivendi. Na mesma data, a Havas S.A. tornou-se Vivendi Universal Publishing.

A Vivendi Universal comprou a MP3.com e a editora norte-americana Houghton Mifflin em 2001. Para financiar as operações, vendeu aos investidores institucionais sua participação restante de 9,9% na Havas Advertising e seus negócios de publicações comerciais e médicas a um grupo liderado pela Cinven.

Vivendi Environnement

A Vivendi Environnement foi criada em 1999 pela Vivendi para reunir suas divisões ambientais, entre elas CGEA Transport, Onyx Environnement, Dalkia e a divisão de águas da CGE. A CGEA Transport passou a se chamar Connex, posteriormente Veolia Transport, e a divisão de águas tornou-se Vivendi Water, depois Veolia Water. Em julho de 2000, a Vivendi Environnement realizou uma oferta pública inicial em Paris e, em outubro de 2001, em Nova Iorque. A Vivendi Universal ainda possuía 70% da Vivendi Environnement em 2000, participação reduzida a 20,4% até dezembro de 2002. Em 2003, a empresa passou a se chamar Veolia Environnement.

Prejuízo e reestruturação

A Vivendi Universal registrou prejuízo de €23,3 bilhões em seu relatório anual de 2002. A empresa respondeu com uma reestruturação financeira, procurando preservar seus principais negócios de mídia e vendendo participações e outros ativos. Em meio à crise financeira e à forte atenção da imprensa, Jean-Marie Messier, que comandara a fase de expansão mais acelerada do grupo, deixou a presidência em julho de 2002 e foi substituído por Jean-René Fourtou.

Em janeiro de 2011, Messier foi condenado na França por abuso de bens sociais relacionado ao pacote de saída proposto após sua demissão e por divulgação de informações falsas ou enganosas. O pacote de cerca de €20,5 milhões não chegou a ser recebido por Messier. Em 2003, ele renunciou à reivindicação desse pagamento como parte de um acordo com a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos.

A Vivendi reduziu sua participação na Vivendi Environnement e vendeu sua participação na Vinci. A empresa iniciou um programa de venda de ativos não estratégicos para reduzir sua dívida e evitar a falência. Documentos entregues à SEC registraram vendas ou reduções de participação em Vivendi Environnement, Vinci, EchoStar, Houghton Mifflin e outros negócios, dentro de um programa que previa alienações de pelo menos €16 bilhões.

A família de Edgar Bronfman Jr., que dirigia a Seagram quando ocorreu a fusão, era então a maior acionista individual da companhia. A Vivendi vendeu sua participação na Vizzavi à Vodafone, exceto a Vizzavi France. Vendeu ainda 20,4% do capital da Vivendi Environnement a um grupo de investidores e sua participação na operadora norte-americana de satélites EchoStar Communications Corporation.

A Vivendi Universal Publishing foi vendida ao Natexis Banque Populaire, em nome do Grupo Lagardère, operação que resultou na criação da Editis. A Houghton Mifflin foi vendida a um consórcio formado por Thomas H. Lee, Blackstone e Bain Capital por US$1,66 bilhão. Também em 2002, a Vivendi Universal vendeu as atividades belgas e neerlandesas de sua subsidiária Scoot Europe à Kapitol, controladora do diretório on-line Infobel.

Em 2003, a Vivendi Universal vendeu a Canal+ Technologies à Thomson SA, a Tele+ à News Corporation e à Telecom Italia, além de sua participação de 26,3% na Xfera. Também vendeu suas revistas de consumo à Socpresse e seus jornais gratuitos à France Antilles. Em 1 de dezembro, concluiu a venda da MP3.com à CNET.

Apesar das dúvidas sobre sua capacidade de levantar recursos, a Vivendi Universal comprou a participação de um dos dois acionistas minoritários da Cegetel e elevou sua fatia para 60%, enquanto a Vodafone permaneceu com 40%. A direção da Vivendi via a empresa de telefonia móvel como um ativo central depois da venda de grande parte dos negócios de mídia.

Novas aquisições, fusões e vendas

Em 12 de maio de 2004, 80% da Vivendi Universal Entertainment, proprietária da Universal Studios, foram vendidos à General Electric, dona da NBC. A operação criou a NBC Universal, da qual a GE ficou com 80% e a Vivendi com 20%. Na mesma operação, a Vivendi transferiu uma participação de 50% no Canal+ e na StudioCanal à nova companhia. A empresa vendeu ainda suas participações na Kencell, posteriormente Celtel Kenya, na Monaco Telecom e na Sportfive, esta controlada por meio do Canal+ Group. A Newsworld International foi vendida a uma sociedade entre Joel Hyatt e o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore. A Vivendi também vendeu o Studio Babelsberg em 2004.

Em 16 de dezembro de 2005, foi anunciada a fusão do Canal Plus com a Télévision Par Satellite, a segunda maior operadora francesa de televisão por assinatura. A combinação foi concluída no começo de 2007 com a criação da Canal+ France, controlada pela Vivendi por meio do Canal+ Group.

Em 17 de janeiro de 2006, a Vivendi Universal anunciou que encerraria seu programa de recibos depositários americanos e retiraria suas ações da Bolsa de Valores de Nova Iorque até o fim do segundo trimestre daquele ano, em razão do baixo volume de negociação e dos custos da listagem. Em 20 de abril, a companhia anunciou que os acionistas haviam aprovado a mudança do nome para "Vivendi". Em agosto, a Universal Music Group, controlada pela Vivendi, firmou um acordo com a SpiralFrog para disponibilizar músicas gratuitamente, com publicidade, nos Estados Unidos e no Canadá.

Em 2 de dezembro de 2007, a Vivendi anunciou a fusão de sua divisão de jogos, a Vivendi Games, com a Activision, em um negócio avaliado em US$18,8 bilhões. A combinação criou a Activision Blizzard, capaz de competir em escala com a Electronic Arts, então a maior editora de jogos eletrônicos do mundo. A fusão foi concluída em 9 de julho de 2008. A Vivendi passou a possuir aproximadamente 52% da companhia após diluição total e 54% das ações em circulação.

Em 8 de setembro de 2009, a Vivendi anunciou negociações para comprar a operadora brasileira Global Village Telecom (GVT). Em 13 de novembro, assumiu o controle da GVT ao preço de 56 reais por ação, superando a oferta da Telefónica. O Crédit des Alpes, sediado em Genebra, atuou como banco de investimento na operação, originando a proposta de aquisição e assessorando os acionistas majoritários da GVT.

Em 3 de dezembro de 2009, a GE anunciou que compraria a participação da Vivendi na NBC Universal, que se tornaria uma sociedade entre a GE e a Comcast. A Vivendi vendeu sua participação na NBC Universal em 25 de janeiro de 2011.

Em 4 de abril de 2011, a Vodafone vendeu sua participação de 44% na operadora francesa SFR à Vivendi por cerca de US$11 bilhões, dando à Vivendi controle integral de sua maior divisão.

Em junho de 2012, o conselho de supervisão iniciou uma revisão estratégica dos ativos do grupo. O plano previa reduzir a dívida no curto prazo e, em uma etapa posterior, concentrar a Vivendi nos negócios de mídia e conteúdo, valorizando ou vendendo ativos de telecomunicações.