Conservadorismo nacional (também conhecido como nacional-conservadorismo, conservadorismo nacionalista ou nacionalismo conservador) é uma variante nativista do conservadorismo que combina posições sociais e culturais conservadoras com um forte nacionalismo. Os nacional-conservadores tendem a valorizar a ordem social tradicional e, nesse sentido, enfatizam os valores familiares, a religião, a autoridade, a soberania nacional e também a oposição total à imigração.

Contudo, entre eles não há consenso quanto a economia, uns defendendo menor e outros maior intervencionismo estatal. Partidos nacional-conservadores muitas vezes têm raízes em ambientes com uma base rural, tradicionalista ou periférica, contrastando com a base de apoio mais urbana dos partidos conservadores liberais. Em relação a estes, distinguem-se por adotar uma visão menos universalista da sociedade, procurando preservar valores morais que consideram fundamentais para a coesão do país.

Na Europa, a maioria dos nacional-conservadores adotam uma postura eurocética,Traynor, Ian, The EU's weary travellers The Guardian, 4 de abril de 2006 incluindo países da zona central e oriental pós-comunista. O conservadorismo nacional partilha diversos elementos ideológicos com a direita radical, nomeadamente o nacionalismo, o euroceticismo e a rejeição do multiculturalismo.

Segundo o politólogo Cas Mudde, o nacional-conservadorismo pode ser entendido como uma “zona de transição” entre a direita tradicional e a direita radical, ao incorporar temas e discursos que antes eram marginais no debate político europeu. Na prática, partidos nacional-conservadores como o Fidesz na Hungria ou o PiS na Polónia têm sido descritos como casos de “normalização do radicalismo”, ao aproximarem posições conservadoras tradicionais de pautas populistas e antiliberais.

Por outro lado, partidos de direita radical, como o Rassemblement National (França), o Vox (Espanha) ou o Chega (Portugal), partilham com este conservadorismo enquadramentos discursivos, mas mantêm uma retórica ainda mais polarizadora e excludente, que desafia diretamente a legitimidade das instituições liberais.

Ideologia Ideologicamente, além dos nacional-conservadores se inclinarem ao patriotismo, ao nativismo e ao conservadorismo social, por vezes tendem ao monoculturalismo, enquanto se opõem ao internacionalismo e ao globalismo, sendo que os mais radicais condenam o multiculturalismo e o pluralismo cultural. Os nacional-conservadores aderem a uma forma de nacionalismo cultural que enfatiza a preservação da identidade cultural nacional.

Políticas de costumes O conservadorismo nacional não é uma filosofia uniforme, mas os seus adeptos expressaram amplamente o apoio ao nativismo, ao patriotismo, ao assimilacionismo e ao monoculturalismo. Ao mesmo tempo, há oposição expressa ao internacionalismo, à política racial, ao multiculturalismo e ao globalismo. Os conservadores nacionais aderem a uma forma de nacionalismo cultural que enfatiza a preservação da identidade nacional, bem como da identidade cultural. Como resultado, muitos são a favor da assimilação pela cultura dominante, restrições à imigração e políticas rigorosas de lei e ordem.

Os partidos nacional-conservadores apoiam os valores familiares tradicionais, os papéis de gênero e o papel público da religião,Rosenberger, Sieglinde, Europe is swinging towards the right - What are the effects on women? (em inglês), University of Vienna, 2002. Consultado em 6 de dezembro de 2010. sendo críticos da separação entre Igreja e Estado. Segundo a cientista política austríaca Sieglinde Rosenberger, "o conservadorismo nacional elogia a família como um lar e um centro de identidade, solidariedade e tradição".Rosenberger, Sieglinde, Europe is swinging towards the right - What are the effects on women? (em inglês), University of Vienna, 2002. Consultado em 6 December 2010. Opõe-se à "agenda de 1968" de emancipação relacionada com o gênero.

Políticas econômicas Os partidos nacional-conservadore em diferentes países não partilham necessariamente uma posição comum sobre política econômica. As suas opiniões podem variar desde o apoio à economia mista até uma abordagem mais laissez-faire. No primeiro caso, mais comum, os nacional-conservadores podem ser distinguidos dos conservadores liberais,National Questions, National Review (em inglês), Vol. 49, Issue 12, 30 June 1997, pp. 16-17 para os quais as políticas econômicas de mercado livre, a desregulamentação e a restrição de gastos são as principais prioridades. Alguns comentadores identificaram de fato um fosso crescente entre o conservadorismo nacional e o conservadorismo liberalista: "A maioria dos partidos da direita [hoje] são dirigidos por conservadores economicamente liberais que, em vários graus, marginalizaram os conservadores sociais, culturais e nacionais".

O nacional-conservadorismo desenvolveu a sua alternativa ao liberalismo econômico através de representantes políticos na Europa pós-comunista, mais notavelmente na Polônia e na Hungria. Nos anos 1990, os nacional-conservadores eram em grande parte fusionistas.  Os trabalhos de Leo Strauss e Eric Voegelin serviram como blocos de construção para as políticas socioeconômicas do movimento nacional-conservador moderno. A acusação de Strauss do capitalismo como "economicismo" através da redução das necessidades individuais ao consumo desempenhou um papel no pensamento nacional-conservador que defende o solidarismo e um papel crescente do Estado na economia para provocar um "nacionalismo financeiro" moralizante em oposição ao comunismo e o individualismo liberal. Dependendo do país, isso pode incluir maior apoio ao protecionismo, ao aumento dos investimentos sociais, ao conservadorismo "pró-trabalhador" e "pró-família", à nacionalização de bancos e empresas estratégicas e à oposição a incentivos fiscais.

Política externa Os nacional-conservadores geralmente apoiam uma política externa que defende os interesses da sua nação. Inclinam-se para o militarismo, o unilateralismo e o isolacionismo. Rejeitam o internacionalismo e o multilateralismo que caracterizaram a era global moderna. Muitas vezes têm uma visão negativa da ONU, sentindo que a sua agenda globalista corrói a sua identidade nacional, bem como a UE e outras organizações internacionais.

Preocupações democráticas e críticas Diversos cientistas políticos e instituições internacionais têm expressado preocupações quanto ao impacto do conservadorismo nacional sobre o funcionamento das democracias liberais contemporâneas. Autores como Fareed Zakaria, Cas Mudde, Jan-Werner Müller e Yascha Mounk argumentam que, em certos contextos, esta corrente tende a aceitar os mecanismos eleitorais da democracia, mas a questionar os seus princípios liberais fundamentais, como a separação de poderes, os direitos das minorias e a independência judicial.

Relatórios da Freedom House e da Comissão Europeia têm alertado para sinais de enfraquecimento do Estado de direito em países governados por partidos nacional-conservadores, como a Hungria e a Polónia, onde reformas judiciais e restrições à liberdade de imprensa foram criticadas por instituições europeias e organizações de direitos humanos.

Alguns analistas descrevem esta evolução como parte da ascensão de uma “democracia antiliberal”, conceito que designa sistemas políticos nos quais eleições regulares coexistem com a concentração de poder e o enfraquecimento do equilíbrio institucional.

Em contraste, defensores do conservadorismo nacional argumentam que esta corrente procura restaurar a soberania nacional e a primazia dos valores tradicionais face a instituições supranacionais e políticas identitárias consideradas excessivamente abertas e liberais.

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