O cerco de Trípoli ocorreu em 1551, quando os otomanos cercaram e derrotaram os Cavaleiros de Malta na fortaleza de Trípoli, atual Líbia. Os espanhóis estabeleceram um forte em Trípoli em 1510 e Carlos V remeteu-o aos Cavaleiros em 1530. O cerco culminou com um bombardeio de seis dias e a rendição da cidade em 15 de agosto.
O cerco de Trípoli sucedeu um ataque anterior a Malta em julho, que foi repelido, e a bem-sucedida invasão de Gozo, na qual cativos cristãos foram levados e trazidos em galés até Trípoli.
O cerco miniaturadaimagem| Embaixador da França Gabriel de Luetz d'Aramont, na Sublime Porta, esteve presente no cerco|esquerda A cidade estava sob o comando do padre Gaspard de Vallier, com 30 cavaleiros e 630 mercenários da Calábria e da Sicília. Os otomanos tinham uma base desde 1531 na cidade de Tajura, 20 quilômetros ao leste, onde Khayr al-Din tinha se estabelecido. Os otomanos cercaram o forte e estabeleceram 3 baterias de 12 canhões cada.
O embaixador francês no Império Otomano, Gabriel d'Aramon , juntou-se à frota otomana em Trípoli, com duas galés e uma galiote. A missão declarada do embaixador era dissuadir os otomanos de capturar a cidade, a pedido do Grão-Mestre de Malta, uma vez que Malta não fora identificado como um inimigo na aliança franco-otomana contra os Habsburgos. De acordo com relatos posteriores, quando os almirantes otomanos Sinane Paxá (Sinanudim Iúçufe Paxá) e Dragute Arrais se recusaram a levantar o cerco, sob a alegação de que eles estavam sob a ordem de erradicar os Cavaleiros de Malta do continente Africano, d'Aramon ameaçou navegar para Constantinopla para apelar para o sultão Solimão, mas ele foi impedido de deixar a cidade até o fim do cerco.
Logo os soldados no forte se amotinaram, e a negociação para rendição começou. A cidade foi capturada em 15 de agosto de 1551 por Sinane Paxá após seis dias de bombardeio. Os cavaleiros, muitos deles franceses, foram devolvidos a Malta após a intervenção do embaixador francês, e embarcados a bordo de suas galés, enquanto os mercenários foram escravizados (alguns autores dizem que 200 homens foram libertados). Murade Aga, o comandante otomano de Tajura desde 1536, foi nomeado como o paxalique da cidade.
Nicolas de Villegagnon, futuro explorador do Brasil, esteve presente no cerco, e escreveu um relato sobre isso em 1553.
Consequências miniaturadaimagem| Mapa histórico de Trípoli por Piri Reis
De Malta, d'Aramon escreveu uma carta sobre sua intervenção a . O papel de d'Aramon foi amplamente criticado por Carlos V e Júlio III pela suspeita de que ele tivesse encorajado os otomanos a tomar a cidade. Parecia que d'Aramon havia participado do banquete de vitória dos otomanos, levantando novas suspeitas sobre seu papel no cerco, o que levou Carlos V a alegar que a França tivera participação no ato. De qualquer modo, d'Aramon tinha uma relação especial com os otomanos, e estava claramente ciente de que a queda de Trípoli representou um grande revés para Carlos V. miniaturadaimagem| Nicolas de Villegagnon estava no cerco de Trípoli como um cavaleiro de Malta|esquerda|208x208px Após seu retorno a Malta, Gaspard de Vallier foi duramente criticado pelo Grão-Mestre Juan de Homedes y Coscon, que desejava atribuir-lhe toda a culpa pela derrota. Ele foi levado perante um tribunal e foi despojado de sua posição além de perder a Cruz da Ordem. Foi defendido firmemente por Nicolas de Villegagnon, que expôs a duplicidade de Homedes.
O cerco foi o primeiro passo da Guerra Italiana de 1551-1559 no teatro europeu, e no Mediterrâneo as galés francesas de Marselha receberam ordens de se juntar à frota otomana.
Em 1553, Dragute Arrais foi nomeado comandante de Trípoli por Solimão, tornando a cidade um alvo de ataques piratas no Mediterrâneo e também capital da província otomana de Tripolitânia. Em um famoso ataque de Trípoli, em 1558, Dragute Arrais atacou Régio e levou todos os seus habitantes como escravos para Trípoli.
Em 1560, uma poderosa força naval foi enviada para recapturar Trípoli, mas essa força foi derrotada na Batalha de Djerba.
Ver também Aliança franco-otomana Batalha de Trípoli 2011
Bibliografia
Categoria:Batalhas envolvendo o Império Otomano Categoria:História de Trípoli