miniatura|320px|Locais antigos (entre parênteses) e atuais na Península Ibérica com os nomes que contêm os elementos celtas -brigā ou -bris < -brixs “outeiro, castro A toponímia celta da Galiza é a totalidade dos topónimos de locais antigos e atuais, rios (hidrónimos) ou montanhas nomeados na língua celta e que têm etimologia celta, e que situam-se ou situavam-se dentro dos limites da Galiza atual.
Antigos topónimos celtas miniatura|O farol romano conhecido como Torre de Hércules, designado antigamente como “Faro Bregancio”, na Corunha. miniatura|As portas do castro de San Cibrao de Las, anteriormente conhecido como Laniobriga ou Lansbriga. miniatura|O rio Minho visto desde o ópido de Santa Trega, Guarda. miniatura|O rio Tambre, anteriormente designado por Tamaris. miniatura|dereita|O coruto dos “Três Bispos”, na província de Lugo, no extremo mais ocidental das antigas montanhas Vindius. Na Galiza, aproximadamente a metade dos topónimos não latinos transmitidos desde a antiguidade nas obras dos autores e geógrafos clássicos (Pompónio Mela, Plínio, o Velho, Ptolemeu, etc.), ou nas inscrições epigráficas romanas, resultaram ser de origem celta,Curchin (2008) pp. 109, 130-131.Vallejo (2009) pp. 272-273. sendo a outra metade maioritariamente indo-europeia, e em qualquer caso é incontestavelmente não celta ou carece de uma etimologia celta sólida.
Abaixo encontra-se uma lista de topónimos cuja origem é celta.Geralmente, cf. Falileyev (2007), Curchin (2008), Luján (2006). As formas protocélticas são dadas em geral de acordo com as formas propostas por Matasovic (2009). Como no resto do artigo, o asterisco indica uma forma hipotética. A característica mais elementar é -bri(s),Koch (2006) p. 790. do protocelta *brigs,Prósper (2002) p. 358. com a sua derivação *brigā, ambas as duas com o significado de “outeiro” e portanto “castro” e “povoado”. Os assentamentos da Galiza conhecidos durante a Idade do Ferro eram os castros e povoados fortificados, situados em outeiros e penínsulas. Muitos deles foram abandonados logo após a conquista romana.
Aediobri:Prósper (2002) p. 258. De uma inscrição voltada ao deus BANDVE AEDIOBRICO. De *aydu- “fogo” ou *(p)ētu- “prado, terra, território”,cf. Matasovic (2009) s.v. *fētu-. e *brixs “castro”. Cf. Irlandês brí “outeiro”, e o povoado dos éduos na Gália. Asseconia ou Assegonion:Curchin (2008) p.117; Luján (2006) p. 726. Um povoado. Talvez de *Ad-sego- “Muito forte”. Aviliobris:Curchin (2008) p. 117. Castellum (castelo, castro) no noroeste da Galiza. De *Awelyobrixs “outeiro ventoso”. Cf. Bretão awel “vento”. Adrobricam urbem:Curchin (2008) p. 115; Luján (2006) p. 728; Delamarre (2012) p. 41. Cidade dos ártabros. De *brig- “castro”. Albiones (albiões):Luján (2006) p. 723. Um povo que habitava os rios Navia e Eo. De *albiyo- “mundo (superior)” ou “país”.Delamarre (2003) p. 37; Koch (2006) s.v. albio, albiones. Pode ter relação com o antigo nome da ilha da Grã-Bretanha, que era Albion. Arrotrebae (ártabros): Povo costeiro do noroeste da Galiza. De *trebā “assentamento”, e *aryo-, tanto “homem livre”,Delamarre (2003) p. 37. como uma derivação de *(p)are- “em frente de”.Prósper (2008) p. 37. Aunios:Curchin (2008) p. 111.Delamarre (2012) p. 67 Uma ilha no oceano Atlântico, a atual ilha de Ons. Do celta *auni-, de significado e etimologia desconhecidas.Delamarre (2003) p. 61. Idácio de Chaves menciona um povo local denominado Aunonenses, que enfrentou os recém-chegados suevos no . Berisamo:Curchin (2008) p. 118. O castro dos cilenos. Provavelmente do superlativo *Bergisamo- “O mais alto”.Prósper (2002) p. 360. Beriso: O castro dos cibarcos, provavelmente do comparativo *Bergiso- Meirande”. Bonisana:Falileyev (2007) s.v. Um povoado. De *bonu- “alicerce, base”. Cf. Língua irlandesa antiga bun “alicerce, base, esteiro”. Brevis: Um povoado. De *brīwā “ponte”. Brigantia: Cidade antiga, provavelmente a atual Corunha (Faro Bregancio em 971). De *brigant- “relevante, poderoso”.cf. Matasovic (2009) s.v. *brig-, *brigo-. Callaecia (Galécia) “A terra dos galaicos”, de *kallā- “madeira”,cf. Matasovic (2009) s.v. *kallī-. com o sufixo complexo local -āik-. Tornou-se mais tarde a Gallicia, atualmente conhecida como Galiza, Galícia ou Galicia. Calubriga:Curchin (2008) p. 119; Luján (2006) p. 728. Um castro. De *brigā “castro” e um primeiro elemento de significado incerto. Cambetum:Curchin (2008) p. 119. Um povoado. De *kambo- “torcer, retorcer”. Canibri: Um povoado. De *kani- “bo, lindo” e *brigs “castro”. Cf. Língua irlandesa antiga cain “bo, lindo”. Celtici (célticos): Tanto um nome descritivo empregado por geógrafos clássicos a um facto dos povos que habitavam o ocidente da Galiza, como um endónimo celta baseado no *kelt-, numa série de nomes hispânico-celtas: CELTIATUS, CELTIATIS, ARCELTI, CONCELTI, CELTIUS.Cf. Epigraphik-Datenbank Clauss / Slaby . Cistonia:Curchin (2008) p. 120. Um povoado. De *kistā- “canastra entretecida”,cf. Matasovic (2009). s.v. e eventualmente “carro”.Delamarre (2003) p. 117. Coelerni (celernos):Curchin (2008) p.120; Delamarre (2003) s.v. coilos. Povo que habitava o sul da Galiza. De *koyl- “delgado“. Cf. Língua irlandesa antiga cóil “exíguo, fraco”. Coeliobriga: Um ópido perto de Celanova, que provavelmente era a capital dos celernos. De *koyl- e *brigā. Copori (coporos): Povo que habitava a Galiza central, desde a confluência dos rios Sar e Ulla a oeste, até Lugo a leste. O seu nome é provavelmente não celta, mas nota-se o picto *copor- “confluência”,Koch (2006) p. 1593. talvez de *kom-bero- “confluência” (ou “juntar”).cf. Matasovic (2009) p. 214. Ebora:Curchin (2008) p. 121. Porto na foz do rio Tambre. De *eburo- “teixo”. Ebronanto (Valério do Bierzo, Ordo Cerimonialis, c. 650). Um estado perto da atual Rubiá. De *Eburo-nantu “Vale do teixo”. Equaesi (equesos):Plinio, Historia Natural III.28. Um povo que habitava o sul da Galiza. De *ekʷo- “cavalo”.cf. Matasovic (2009) s.v. Cf. Língua irlandesa antiga ech “cavalo”. Ercoriobri:Luján (2006) p. 728. Um castro dos albiones. É uma composição do primeiro elemento *(p)are-koro- “golpe” (cf. Língua bretã ercor “golpe”),cf. Matasovic (2009) s.v. *fare-koro-. ou *Ēri-corio- “exército/tribo do oeste”, e *brixs “castro”. Gigurri (gigurros): Povo que habitava a atual Valdeorras. De *Gigur-yo, talvez “os gansos”. Cf. Língua irlandesa antiga gigrann “ganso”. Sugere E. Bascuas,E. Bascuas (2002) pp. 129-130) embora sem muita convicção e entre outras possibilidades, que é uma forma de *gigur “ganso”, relacionada com uma forma protocelta *giguranosP. Schrijver (1995). "Studies in British Celtic historical phonology". Amsterdam-Atlanta (p. 358). “ganso selvagem” (irlandês antigo Gigren, Giugrann “ganso” e galês Gwyrain “pato selvagem”) com quem este povo seria simplesmente “os gansos”. Glandomirum:Curchin (2008) p. 122. De *glendos- “vale, beira”. Iria: Atualmente Padrón. De *(p)īweryā- “terra fértil”.cf. Curchin (2008) p. 122. Laniobriga:Curchin (2008) p. 123. Provável nome anterior do castro de San Cibrao de Las, San Amaro, embora ainda seja debatida sobre a leitura da inscrição que contém o topónimo.cf. Prósper (2002) p. 258. De *(p)lānyobrigā “castro do chão”.Falileyev (2007) s.v. lān(i)o-. Laniobre: Bispado durante o . De *(p)lānyobrixs. Lemavi (lêmavos):Lujan (2006) p. 725. Povo que habitava o vale de Lemos. De *Lēmawoi “o povo dos ulmeiros”, de *lēmo- “olmo”. Outros autores relacionam esta palavra à raiz indo-europeia Lim-, Lem-, Lym-, que teria a ver com as zonas pantanosas ou lagoas.Delgado Borrajo, Montserrat; Grande Rodríguez, Manuel (2008). Os lêmavos através das fontes literárias e epigráficas, Laboratorio de Arqueoloxía da Universidade de Vigo, pp. 133-162. Limia:Curchin (2008) p. 113.Delamarre (2012) p. 178. Atualmente rio Lima, perto das suas fontes torna-se uma grande lagoa ou zona pantanosa, atualmente seca. De *līmā- “inundação”.cf. Ward (1996) s.v. Cf. Galês llif idem. Lubri: Castro dos célticos. O primeiro elemento, *lū-, pode ser uma evolução de *luw- “libertar, fugir”, ou de *low- “fluir”, entre outras possibilidades. Talvez Lubri “o castro livre”. Medullium: Montanha onde um grande número de combatentes galaicos podem ter sido cercados pelos romanos,Orosio, Historiarum adversum paganos, VI.21. tendo os primeiros se suicidado após a situação ficar desesperada. De *med-o- “juiz”, *med-yo- “metade” ou *medu- “hidromel”.Cf. Falileyev (2007) s.v. Medulli. Cf. topónimos Medulli, Medullis, Medulla, na Gália. Minius:Curchin (2008) p. 113. O rio galego mais longo, atualmente o rio Minho. De *mīno- “sossegado, lene”, cf. Língua irlandesa antiga mín idem. Miobri:Curchin (2008) p. 124. Castro dos célticos. Provavelmente de *Meyobrixs “pequena fortaleza”.cf. Delamarre (2003) s.v. meion. Uma dedicatória a COSO MEOBRIGO (*Meyobri-ko), que pode referir-se também a este castelo, ou a qualquer outro com o mesmo nome. Morodon:Curchin (2008) p. 124; Luján (2006) p. 727. Um povoado ao lado do oceano. De *mor- “mar” e *dūno- “fortaleza”. Cf. o topónimo britânico Moridunum. Navia:Delamarre (2012) p. 204. Rio que atualmente conserva o mesmo nome. De *nāwiā- “bote (jarro, conca)”.Delamarre (2003) s.v. nauson. Nemetobriga: Provavelmente a capital dos tiburos, a sudeste da Galiza. De *nemeto- “santuário” e *brigā “castro”. Nerii:Curchin (2008) p. 112; Luján (2006) p.724. Tribo céltica que habitava os arredores da atual Finisterra. De *nero- “herói”. Novium:Curchin (2008) p.124; Luján (2006) p.727; Delamarre (2012) p. 178. Um povoado considerado a atual Noia. De *nowyo- “novo”. Ocelum:Curchin (2008) p. 125. Um povoado perto de Lugo. De *ok-elo- '”promontório”.cf. Matasovic (2009) s.v. *akro-. Olca:Curchin (2008) p. 125; Lujan (2006) p. 727. Uma fortaleza em Rodeiro, nas terras altas da dorsal galega. De *(p)olkā “terras aráveis”.cf. Matasovic (2009) s.v. *folkā-. Olina:Curchin (2008) p. 125; Luján (2006) p.727. Um povoado. De *olīnā- “côvado, ângulo”. Ontonia:Delamarre (2012) p. 211. Um povoado. De *φonth2-on-yā “(o do) vieiro”. Querquerni (quaquernos): Uma tribo originária do sul galego. Do indo-europeu *perkʷos “carvalho”, com assimilação céltica.Curchin (2008) p.116; Luján (2006) p. 724. Seurri (seurros): Uma tribo que habitava ambos os lados do curso médio do rio Minho. De *seg-ur-yo-, “os poderosos”.Prósper (2008) pp. 38-40. Talabriga:Luján (2006) p. 729. Castro dos límicos. De *talu- “frente, saliente, escudo”Ward (1996) s.v.; Delamarre (2003) p. 288. e *brigā “castro”. Tamaris:Delamarre (2012) p. 246. Atualmente rio Tambre. De *tamo- “escuro”. Trileukon: Um promontório, atualmente ponta dos Aguillóns ou cabo Ortegal. De *trīs- “três” ou “muito”, e *louko- “brilhante, refulgente”. Verubri:Curchin (2008) p. 129; Prósper (2002) p. 259. Nome de um castro, como deduz-se de uma dedicatória ao deus BANDUE VERUBRIGO (*Weru-bri-ko ou *U(p)ero-bri-ko). De *weru- “largo” ou *u(p)er- “superior”, e *brixs “castro”. Vindius: A Cordilheira Cantábrica. De *windo- “branco”, portanto “As Montanhas Brancas”.
Britónia
Nos séculos V e VI uma colónia de bretões assentou-se no norte da Galiza,Koch (2006) s.v. Britonia. e os seus bispos reuniram numerosos concílios, primeiro no Reino Suevo, e depois pelos visigodos em Toledo, até ao . São atribuídos vários topónimos: A Bertonía: Um lugar da paróquia de San Martiño de Anllo, em Sober. Bertoña: Um lugar da paróquia da Capela, no concelho homónimo. Foi o centro da região denominada Britónia até ao , abrangendo os concelhos da Capela e Moeche. Bretoña: Um lugar da paróquia de Curro, em Barro. Bretoña: Uma paróquia da vila da Pastoriça. Provável sé da diocese de Britónia, onde originou-se o bispo Mailoc, assinante nos concílios galaicos de Lugo (569) e Braga (572).
Existiu também uma vila Bretonos perto da cidade de Lugo, na Idade Média.“Inter Bretonos et Sancto Petro de Mera“, 1078, en Flórez, España Sagrada 40: 420.
Topónimos medievais e modernos