Erica Malunguinho da Silva (Recife, 20 de novembro de 1981) é uma educadora, artista plástica e política brasileira. É filiada ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Em 2018 foi eleita deputada estadual por São Paulo, sendo a primeira mulher transgênero da Assembleia Legislativa de São Paulo. Erica é mestra em Estética e História da Arte pela Universidade de São Paulo (USP) e criadora do Aparelha Luzia, um espaço para fomentar produções artísticas e intelectuais na capital paulista.

Biografia Erica nasceu em 20 de novembro de 1981 em Recife. Ela é uma mulher transgênero, foi criada por sua mãe e família e cresceu em Recife, Pernambuco."Érica Malunguinho Da Silva." Eleições. 2018. https://www.eleicoes2018.com/erica-malunguinho/ O sobrenome "Malunguinho" refere-se ao culto a Jurema Sagrada, uma entidade das florestas de Pernambuco, em Catucá - região pela qual passaram seus ancestrais. O termo "malungo" é usado por descendentes de africanos Bantu para significar "camarada" ou "companheiro". É assim que os escravizados referem-se a outra pessoa que, como eles, atravessou o oceano e começou uma nova vida.

Sua mãe, a única educada na família, trabalhava como enfermeira para apoiar Erica, seus irmãos e os demais membros da casa. Erica cresceu imersa na cultura negra e indígena. "Todos nós sabíamos que éramos negros, mas quando você é negro no Brasil, também sofre racismo dentro da família", disse ela. "Estávamos sempre comparando quem tinha o nariz mais largo ou o cabelo mais áspero".Freelon, Kiratiana. "Trans Activist Érica Malunguinho Reps Black Brazil." AFROPUNK. October 04, 2018. http://afropunk.com/2018/10/trans-activist-erica-malunguinho-reps-black-brazil/

Após o ensino médio, Erica sentiu como se "tivesse que viver outra vida". Mudou-se para São Paulo aos dezenove anos com a ideia de se reinventar. Na capital paulista começou a reconhecer melhor sua identidade de gênero silenciada e começou a se entender como uma mulher trans.Gonçalves, Juliana. "Erica Malunguinho: The Woman Who Gave Birth to an Urban Quilombo." Trip. June 3, 2017. https://revistatrip.uol.com.br/tpm/erica-malunguinho-mulher-negra-trans-aparelha-luzia-resistencia-negra-sao-paulo-quilombo-urbano "Eu sempre fui trans. Estava vivendo uma vida gay e uma vida trans ao mesmo tempo". Com o apoio da mãe, Malunguinho escolheu seu novo nome.

Nos anos seguintes, Erica frequentou a Universidade de São Paulo, cursando mestrado em estética e história da arte.Machado, Lívia. "SP Elects Its First Transgender Deputy." G1. October 8, 2018. https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2018/noticia/2018/10/08/sp-elege-sua-primeira-deputada-estadual-transexual.ghtml Ela passou um tempo trabalhando como artista plástica e produziu fotografia, performances, escritos e desenhos. Além de montar seu estúdio no bairro de Campos Elíseos, em São Paulo, Erica também passou os últimos quinze anos trabalhando como ativista e educadora. Trabalhou na formação de professores das esferas pública e privada em temas relacionados à arte, cultura e política.

Em 2023, foi vítima, junto com a rapper Preta Rara, de racismo, xenofobia, misoginia e transfobia em episódio ocorrido no estabelecimento noturno The Docks Club, localizado em Lisboa.

No fim de 2024, esteve na Nigéria para gravar perfomance que fez parte do documentário em longa-metragem Mulheres Negras em Rota de Liberdade, que abordou questões sobre raça, gênero e sexualidade e foi dirigido pela cineasta Urânia Munzuanzu.

Carreira e Formação Formou-se na área da educação e concluiu mestrado em Estética e História da Arte pela Universidade de São Paulo. Atuou como artista plástica, produzindo fotografia, performance, textos e desenhos, e como educadora, dedicando-se por anos à formação de professores das redes pública e privada em temas de arte, cultura e política.

Aparelha Luzia

Em 2016, transformou seu ateliê, no bairro dos Campos Elíseos, em São Paulo, no centro cultural e político Aparelha Luzia, que define como um quilombo urbano. O espaço tornou-se um dos mais reconhecidos centros de resistência negra da cidade, reunindo produção artística e intelectual, festas, cursos e debates, e por ele passaram nomes como Leci Brandão, Conceição Evaristo e Liniker.

Um quilombo é uma sociedade brasileira organizada por pessoas negras que mantém raízes simbolizando o primeiro ato de resistência à escravidão que se mantém como tradição viva até os tempos atuais. Hoje, os quilombos geralmente são comunidades negras rurais que mantêm sua herança e cultura africana e suas lutas contra o racismo.

Aparelha Luzia é visto como um dos mais proeminentes centros de resistência negra, reunindo negros para encontrar abrigo contra o racismo que enfrentam diariamente. Além disso, também é considerado um local para apresentar produções artísticas e intelectuais com o objetivo de difundir a produção cultural e política da negritude. O quilombo também abriga festas, cursos, formações, debates, aniversários e é um local para os negros se conectarem e se concentrarem em questões negras.

Aparelha Luzia está alojado em um armazém de 10.000 pés quadrados e quase todos os dias da semana apresenta música ao vivo, arte e confraternizações. Erica criou para que não haja taxa de entrada, devido ao seu compromisso com o espaço ser aberto ao maior número possível de pessoas. Embora Aparelha Luiza seja gerenciada por meio de um coletivo, é o sonho de Erica que levou mais de 200 mil pessoas ao quilombo nos últimos dois anos. Ela defendeu que pessoas negras de todas as identidades de gênero e sexuais sintam-se incluídas, aceitas e protegidas.

Carreira política Nas eleições de 2018, aos 36 anos, foi eleita deputada estadual por São Paulo pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), com mais de 54 mil votos, tornando-se a primeira mulher transgênero eleita para uma assembleia legislativa no Brasil. Langlois, Jill. "An Indigenous Woman and a Trans Woman Will Hold Office in Brazil for the First Time Amid a Conservative Wave." The Washington Post. October 11, 2018. https://www.washingtonpost.com/news/global-opinions/wp/2018/10/11/an-indigenous-woman-and-a-trans-woman-will-hold-office-in-brazil-for-the-first-time-amid-a-conservative-waveEntre as motivações para a candidatura, citou o assassinato da vereadora Marielle Franco. Referia-se ao próprio mandato no feminino, como "Mandata Quilombo", para enfatizar os fundamentos de raça e de gênero que orientavam sua atuação. "Chorei muito quando soube do Assassinato de Marielle Franco. Seu projeto político acabou de acabar. Foi uma mensagem para nós que não deveríamos estar lá brigando por nossos corpos e resistindo ao genocídio e ao racismo. Eu tinha tanto ódio em mim. Ao mesmo tempo, eu sabia que precisava tomar esse ódio e fazer algo positivo com ele". Erica concorreu como membro do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).Cataño, Adriana. "Meet Érica Malunguinho, the Afro-Brazilian & Trans Politician Who Just Made History." Remezcla. October 08, 2018. http://remezcla.com/culture/erica-malunguinho-first-trans-woman-elected-sao-paulo/ Este partido é um dos partidos mais de esquerda do Brasil. Sua coalizão é "Sem Medo de Mudar São Paulo".

Erica está motivada a combater o racismo por meio do turismo social nos quilombos e territórios indígenas como estratégia para combater a discriminação e advogar pela proteção e visibilidade das minorias, além de promover uma economia sustentável. Ela também prometeu lutar pelos direitos da comunidade LGBTQ e afirmou que se concentraria nos direitos fundamentais das pessoas trans e em sua inclusão na força de trabalho.

Além disso, Erica planeja apoiar propostas que beneficiem pessoas sem-teto e revisar programas de habitação. Ela deseja promover uma recepção compassiva em hospitais e delegacias de polícia para sobreviventes de agressão sexual e defender a garantia de atendimento civil e tolerante para mulheres que procuram abortos.

Plataforma de campanha Erica concorreu ao congresso em uma plataforma com cinco características principais: renovação política, ampliação do debate, ideia do Quilombo, direitos fundamentais e desafios políticos.Da Silva, Vitoria Régia. "New Names: Meet Erica Malunguinho, Pre-Candidate for State Deputy of São Paulo." Gênero E Número. June 14, 2018. http://www.generonumero.media/novos-nomes-conheca-erica-malunguinho-pre-candidata-deputada-estadual-de-sao-paulo/

Atuação parlamentar (projetos e frentes) Empossada em 15 de março de 2019, foi a primeira pessoa negra e trans a assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo em mais de 180 anos de história da Casa. Durante o mandato, propôs a criação de frentes parlamentares em defesa da população LGBTQIA+ e da população em situação de rua.

Em agosto de 2019, apresentou o Projeto de Lei 952, que previa a instituição do Conselho Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais de São Paulo e de um fundo de financiamento para esses grupos; aprovado pela Assembleia em dezembro de 2020, o projeto foi vetado pelo governador João Doria. Também protocolou o Projeto de Lei 491, que propunha a estadualização do programa Transcidadania, voltado a travestis e pessoas trans em situação de vulnerabilidade, e atuou contra o Projeto de Lei 504, que proibiria alusões a orientação sexual e à diversidade em campanhas publicitárias.

Por meio de emendas parlamentares, destinou cerca de 3,3 milhões de reais a grupos ligados à luta LGBTQIA+, 1,3 milhão a comunidades quilombolas e 1,25 milhão a religiões de matriz africana.

Marco Principal e a Atualidade Em 2019, após ser alvo de fala transfóbica do deputado Douglas Garcia, o mandato de Malunguinho protocolou representação no Conselho de Ética da Assembleia. O colegiado deu prosseguimento ao caso e advertiu o parlamentar por quebra de decoro, decisão tratada como histórica por retomar a tramitação desse tipo de processo na Casa.

Em 2022, lançou pré-candidatura a deputada federal pelo PSOL, mas retirou a candidatura em agosto daquele ano, afirmando que seguiria mobilizada politicamente em outros espaços. Concluiu o mandato estadual em 15 de março de 2023 e não voltou a se candidatar nas eleições seguintes.

Ver também Dani Balbi Duda Salabert Erika Hilton Thabatta Pimenta

Ligações externas

Facebook oficial

Categoria:Deputados estaduais de São Paulo Categoria:Naturais do Recife Categoria:Políticos LGBT do Brasil Categoria:Políticas afro-brasileiras Categoria:Feministas afro-brasileiras Categoria:Ativistas antirracismo Categoria:Ativistas do movimento negro do Brasil‎ Categoria:Ativistas dos direitos transgênero Categoria:Ativistas dos direitos LGBT do Brasil Categoria:Candomblecistas do Brasil Categoria:Mulheres de Pernambuco na política Categoria:Membros do Partido Socialismo e Liberdade Categoria:Educadores do estado de São Paulo Categoria:Artistas plásticos de Pernambuco Categoria:Alunos da Universidade de São Paulo Categoria:Pessoas LGBT afro-brasileiras Categoria:Mulheres transgênero do Brasil Categoria:Políticas transgênero Categoria:Afro-brasileiras