A Cidade Imperial de Nuremberga () foi uma cidade imperial livre (cidade-estado independente) dentro do Sacro Império Romano-Germânico. Depois que Nuremberga ganhou, pouco a pouco, a independência do Burgraviato de Nuremberga, na Alta Idade Média, e o considerável território de Baviera, na Guerra de Sucessão de Landshut, ela cresceu até se tornar um das maiores e mais importantes cidades imperiais, a "capital não oficial" do Império, particularmente por causa da Dietas Imperiais (Reichstage), e porque as cortes se reuniam no Castelo de Nuremberga. As Dietas de Nuremberga foram uma parte importante da estrutura administrativa do Império. A Bula Dourada de 1356, emitida pelo Imperador Carlos IV (reinou de 1346-78), nomeou Nuremberga como a cidade onde os recém-eleitos reis da Gêrmania deveriam manter sua primeira Dieta Imperial, tornando Nuremberga em uma das três maiores cidades do Império.
O florescimento cultural de Nuremberga, nos séculos XV e XVI, fez dela o centro do Renascimento Germânico. O aumento das rotas de comércio em outros lugares e a devastação de grandes guerras europeias dos séculos XVII e XVIII, causaram o declínio da cidade e implicaram em consideráveis dívidas, resultando na absorção da cida pelo novo Reino da Baviera, na assinatura da Confederação do Reno, em 1806, tornando-se uma das muitas vítimas territoriais das Guerras Napoleônicas , em um período conhecido como mediatização alemã.
Idade Média esquerda|miniaturadaimagem|Nuremberga em 1493(da Crônica de Nuremberga) esquerda|miniaturadaimagem|Antigas fortificações de Nuremberga miniaturadaimagem|Castelo Imperial em Nuremberga miniaturadaimagem|Igreja de São Lourenço miniaturadaimagem|Antiga prefeitura da cidade A primeira evidência de assentamentos na área de Nuremberga pode ser remontada ao ano de 1050 a.C. Mais tarde, os celtas se estabeleceram na área de Nuremberga, em 400 a.C. A área da cidade de Nuremberga (especialmente, na parte da antiga cidade de hoje) tem vestígios detectáveis de um assentamento já no século IX. Na época, a atual Nuremberga ficava na fronteira entre a baviera Norgdau e o ducado raiz da Francônia. Nuremberga foi provavelmente fundada por volta da virada do século XI, de acordo com a primeira menção documental da cidade, em 1050, como a localização de um castelo imperial entre a Frância Oriental e a Marca de . Entre 1050 e 1571, a cidade se expandiu e cresceu significativamente em importância, devido à sua localização nas principais rotas comerciais.
O Rei Conrad III estabeleceu um burgraviato e a primeira administração e cortes sobre territórios do imperiais ao redor. Os primeiros burgraves eram d Casa Austríaca de Raab, mas com a extinção da linhagem masculina por volta de 1190, o burgraviato foi herdado pelo último genro do Conde, da Casa de Hohenzollern. A partir do final do século XII até o Interregno (1254 - 1273), no entanto, o poder dos burgraves diminuiu à medida que os imperadores Hohenstaufen transferiam a maioria dos poderes não-militares a uma castelão, com a administração da cidade e as cortes municipais entregues a um prefeito imperial () a partir de 1173/1174. Esse castelão não apenas administrava as terras imperias ao redor de Nuremberga, mas cobrava os impostos e constituía a mais alta autoridade judicial em assuntos relacionados à caça e silvicultura; ele também era nomeado protetor de vários estabelecimentos eclesiásticos, igrejas e mosteiros, e até mesmo o Príncipe-Bispado de Bamberga. Os privilégios dessa castelania foram transferidos para a cidade durante fim do século XIV e início do século XV. As relações tensas entre os burgraves e o castelão, finalmente estourou em inimizade aberta, o que muito influenciou a história da cidade.
Nuremberga é frequentemente mencionada como tendo sido o "capital não oficial"do Sacro Império Romano, particularmente por causa das Dietas Imperiais () e porque as cortes se reuniam no Castelo de Nuremberga. A Dietas de Nuremberga foram uma parte importante da estrutura administrativa do império. As crescentes exigências da corte real e a crescente importância da cidade atraiu o aumento de negócios e o comércio para Nuremberga, apoiada pelos imperadores Hohenstaufen. Frederico II (que reinou entre 1212 e 1250) concedeu a ("Carta de Liberdade"), em 1219, incluindo os "direitos municipais" (Stadtrecht), a imediatidade imperial (), o privilégio de cunhar moedas, e política própria independente, removendo a cidade, quase totalmente, do âmbito dos burgraves. Nuremberga logo se tornou, ao lado de Augsburgo, um dos dois grandes centros comerciais na rota da Itália para o Norte da Europa.
Em 1298, os judeus da cidade foram acusados de terem profanado a hostia e 698 foram mortos em um dos muitos massacres Rintfleisch (Rintfleisch-Pogrom). Por trás do massacre em 1298, estava, também, o desejo de fundir as partes norte e sul da cidade, que eram divididas pelo Rio Pegnitz. Os judeus tinham se assentado naquela área, propensa a inundações, mas como os líderes da cidade perceberam, este centro da cidade era fundamental para o seu desenvolvimento futuro. Por isso, eles decidiram que a população judaica tinha que ser removida. Esta área é agora o lugar do mercado municipal, o Frauenkirche e o Rathaus.
Os maiores ganhos de Nuremberga aconteceram no século XIV, com Luís da Baviera (que reinou entre 1314 e 1347) e Carlos IV (que reinou entre 1346 e 1378), expandindo os poderes da cidade e a concedendo melhories privilégios próprios. A Bula Dourada de Carlos, nomeou Nuremberga como a cidade onde o recém-eleitos reis da Germânia deverim manter sua primeira Dieta Imperial, tornando Nuremberga, uma das três maiores cidades do Império, junto com o Francoforte do Meno, onde os reis eram eleitos, e Aachen, onde os Imperadores eram coroados e que tinha sido a capital do antigo Reino Franco. A ligação real e Imperial foi fortalecida quando Sigismundo de Luxemburgo (que reinou entre 1411 e 1437) garantiu que os tarjes imperiais fossem mantidos, permanentemente, em Nuremberga, em 1423. Estes permaneceram em Nuremberga até 1796, quando o avanço das tropas francesas forçaram sua remoção para Ratisbona e, então, para Viena, onde encontraram um novo lar.
Carlos IV tinha fortes laços com Nuremberga, estando na cidade 52 vezes e, assim, reforçando sua reputação entre cidades germânicas. Charles foi o patrono da , construída entre 1352 e 1362 (o arquiteto foi provavelmente Peter Parler), onde a corte Imperial fazia suas rezas durante suas estadias em Nuremberga.
Até meados do século XIII, o Pequeno Conselho Real consistia de 13 de magistrados e 13 conselheiros; no final do século, 8 membros do, praticamente sem importância, Grande Conselho, foram adicionados, e a partir de 1370, 8 guildas representativas. Os membros do conselho eram escolhidos pela classe dos mais ricos: este costume levou ao estabelecimento de um círculo de "elegíveis", do qual a classe artesã era totalmente contrária, pois os excluia politicamente. Com a crescente importância do artesanato, um espírito de independência se desenvolveu entre os artesãos, e eles decidiram ter voz no governo da cidade. Em 1349, os membros das guildas, sem sucesso, se rebelaram contra os patrícios na Handwerkeraufstand ("Revolta dos Artesãos"), apoiada por comerciantes e alguns conselheiros. Esta revolta foi essencialmente política, com os agitadores compactuando com os Wittelsbach na disputa do reino germânico entre os bavieros herdeiros de Luís e os patrícios, que se aliaram ao Imperador Carlos. O resultado desta revolta foi a proibição de qualquer organização de artesãos da cidade, abolindo as guildas, que eram habituais em outros lugares na Europa; as corporações de ofício foram, ent]ao, dissolvidas, e os oligarcas mantiveram-se no poder, enquanto Nuremberga foi uma cidade livre.
Carlos IV conferiu à cidade o direito de fazer alianças de forma independente, colocando-a, assim, politicamente, em pé de igualdade com os príncipes do império. A cidade defendia-se sozinha de ataques hostis, por uma muralha, e protegia, com sucesso, o seu extenso comércio contra os burgraves. Lutas, frequentemente, aconteciam contra os burgraves, sem, contudo, causar danos permanentes à cidade. Depois que o castelo foi destruído por um incêndio, em 1420, durante uma batalha entre Frederico IV e o duque da Baviera-Ingolstadt, as ruínas e a floresta, pertencentes ao castelo, foram comprados pela cidade (1427), resultando na total soberania da cidade dentro de suas fronteiras. O castelo havia sido cedido à cidade pelo Imperador Sigismundo, em 1422, com a única condição de que a suite imperial fosse reservada para o uso Imperador. Através destas e de outras aquisições, a cidade acumulou considerável território.
Em 1431, a população era de cerca de 22.800, incluindo 7146 pessoas qualificadas a portar armas, 381 sacerdotes seculares e regulares, e 744 judeus e não-cidadãos. Como uma emergente potência regional, no entanto, Nuremberga logo entrou em conflito com a velha dinastia, o antigos burgraves, que tiveram grandes áreas da região em torno da cidade sob seus controles, como Margraves de Brandemburgo-Kulmbach e Eleitores de Brandemburgo. Este conflito veio a culminar na Primeira Guerra Margrave, em 1449-1450, quando Alberto IIIde Brandemburgo tentou, em vão, recuperar seus antigos direitos sobre a cidade. As Guerras Hussitas, a recorrência da Peste Negra (em 1437) e a Primeira Guerra Margrave reduziram a população da cidade a 20.800, por volta de 1450.
Início da Idade Moderna miniaturadaimagem|Casa de Albrecht Dürer miniaturadaimagem|Mapa de Nuremberga em 1648 O florescimento cultural de Nuremberga, nos séculos XV e XVI, fez dela o centro do Renascimento Germânico. Os anos entre 1470 e 1530 são geralmente considerados como o apogeu da cidade. Nuremberga comercializava com, praticamente, todo o mundo conhecido. A riqueza de Nuremberga era conhecida como "O Baú do Tesouro Imperial". As receitas da cidade, diziam, eram maiores do que as de todo o Reino da Boêmia. Nuremberga mantinha escritórios comerciais em muitas cidades, como o , em Francoforte. Naquela época, muitos artistas notáveis viviam e trabalhavam em Nuremberga, como Albrecht Dürer (1471-1528), Martin Behaim (1459-1507) construiu o primeiro globo e Peter Henlein (1485-1542) produziu o primeiro relógio de bolso. Também notáveis neste período são o entalhador Veit Stoss (1447-1533), o escultor Adam Kraft (1460-1508/09) e o mestre fundidor e escultor Peter Vischer, o Velho (1460-1529). Somente a literatura não era tão dominante como as outras artes, mas o meistersinger (poeta lírico), dramaturgo e sapateiro, Hans Sachs (1494-1576), proporciona, pelo menos, uma grande figura literária que viveu nessa época, em Nuremberga.
Nuremberg foi um dos 27 territórios fundadores do Círculo da Francônia, na Dieta de Augsburgo, de 2 de julho de 1500. No início do século XVI, ficar ao lado de Alberto IV, Duque da Baviera-Munique, na Guerra de Sucessão de Landshut, levou a cidade a ganhar substancial território, resultando em terras de 25 mi² (65 km²), tornando-se a maior cidade imperial do Império, aquisições mantidas por Maximiliano I, em 1505. Em 1525, Nuremberga aceitou a Reforma Protestante e, em 1532, a religiosa Paz de Nuremberga, pela qual os luteranos ganharam importantes concessões, foi assinada lá. Durante a revolução de 1552, contra Carlos V, na Segunda Guerra Margrave, Nuremberga empenhou-se em comprar sua neutralidade, ao custo de 100.000 florins; mas Alberto Alcibíades, Margrave de Brandemburgo-Kulmbach, um dos líderes da revolta, atacou a cidade sem declarar guerra e forçou a conclusão de uma desvantajoso acordo de paz. Na Paz de Augsburgo, as posses dos protestantes foram confirmadas pelo Imperador, seus direitos religiosos estendidos e sua independência da jurisdição do Bispo de Bamberga confirmada, enquanto que a secularização dos mosteiros, de 1520, também foi aprovada.