Rinchen Zangpo, Rinchen Sangpo, Rinchen Tsang Po ou Lochen Rinchen Sangpo (; Khatse Wingir, Ngari, 958 — Khatse Wingir, 1055), também conhecido como Rinchen Wangchuk, Chai Dongpachen e Mahaguru Ratnabhadra, foi um dos principais lotsawas (tradutores de textos budistas em para ) durante o chamado período da "Escola da Nova Tradução" ou "Escola do Novo Mantra", que marcou a segunda difusão do budismo no Tibete. Rinchen Zangpo foi provavelmente a figura mais importante desse período, também conhecido como "Segunda Propagação do Budismo" no Tibete. As suas traduções incluem o Viśeṣastavaṭikā de , um autor budista do .
Juntamente com ( – 1074~1077), é considerado o iniciador da corrente Sarmapa. No entanto, contrariamente a Drokmi, não está inscrito em nenhuma das linhagens das escolas Sarmapa, embora seja comum ligá-lo a posteriori à corrente Kadampa, devido a ter sido brevemente discípulo de Atisha .
Um dos seus associados famosos foi (Lochen) Legpai Sherab. Um dos discípulos de Zangpo, Guge Kyithangpa Yeshepal, escreveu a sua biografia. Segundo a tradição, Rinchen Zangpo construiu 108 mosteiros no Tibete Ocidental e no que é hoje o Ladaque e o Himachal Pradexe, então possessões do reino de Guge, incluindo o célebre mosteiro de Tabo, no vale de Spiti e de , em Kinnaur.
Biografia thumb|left|O Templo Vermelho do , capital do reino de Guge, no Tibete Ocidental, onde viveu Rinchen Zangpo
thumb|left|Mosteiro de Tabo, no vale de Spiti, Himachal Pradexe, um dos mosteiros fundados por Rinchen Zangpo
Rinchen Zangpo nasceu numa cidade chamada Khatse Wingir (khwa tse wing gir), no que é atualmente a prefeitura de Ngari, Tibete Ocidental. Pertencia ao clã Yudra (g.yu sgra), o que pode indicar que não era de etnia tibetana. Os seus pais chamaram-lhe Rinchen Wangchuk (rin chen dbang phyug). Teve uma irmã e dois irmãos, um mais velho e outro mais novo que ele. A irmã e o irmão mais novos fizeram votos religiosos. Embora os seus pais não fossem budistas, segundo a tradição, apoiaram a sua aspiração de criança de seguir a fé budista. Foi ordenado monge quando tinha 13 anos. pelo khenpo Yeshe Zangpo (mkhan po ye shes bzang po, d.u.). Em 975, quando ainda era adolescente, convenceu os pais a autorizarem-no a ir para a Índia estudar budismo. Segundo outras versões, essa sua ida para a Índia, mais precisamente Caxemira, deveu-se a uma ordem rei-monge de Guge , que enviou 21 jovens monges para estudarem em centros budistas indianos e trazerem os seus ensinamentos para o Tibete. Algumas fontes identificam-o ou confundem-o com o seu patrono Yesh-es-od.
Rinchen Zangpo esteve em Caxemira durante treze anos, onde estudou budismo. Depois de algum tempo em Guge, voltou à Índia pelo menos uma vez (algumas fontes referem três idas à Índia), durante seis anos, acompanhado por alguns discípulos. Entre os seus mestres indianos (no total mais de 75, segundo algumas fontes) incluem-se Sradhakavarma (bram ze bde byed go cha), Legpa Zangpo, Gunamitra Pandita, Dharmasanta, Buddhashila e Kamala Gupta Pandita Segundo a lenda, quando voltou ao Tibete após a estadia em Caxemira, Rinchen Zangpo usou os seus conhecimentos budistas para desmascarar um mestre que atraía uma grande multidão levitando. Rinchen Zangpo terá apontado um dedo para ele, fazendo-o cair; o levitador fugiu e nunca mais se ouviu falar dele. Foi este incidente que o tornou conhecido pelo rei Yesh-es-od, algo que contradiz as versões mais comuns da história de Rinchen, segundo as quais ele teria ido para a Índia por ordem do rei ou patrocinado por este.
Yesh-es-od, cujo nome original era Songnge (srong nge) — Yesh-es-od ou Yeshe-Ö é uma abreviatura do seu nome de monge, Lha Lama Yeshe O (lha bla ma ye shes ´od) — estava empenhado em reformar e reavivar o budismo no Tibete, expurgando aquilo que ele considerava corrupções tibetanas da religião, que cresciam desde o colapso da em meados do .
No seu regresso ao Tibete, Rinchen Zangpo levou consigo vários pânditas indianos, com os quais fundou um centro de tradução de textos em sânscrito para , onde foram produzidos mais de 150 textos, dos quais os mais influentes foram o , o (Ârya-Mañjushrî-Nâmasangîti ou Mañjuśrīnāmasamgīti) e o (Discurso de Sri Heruka).
thumb|upright|Thangka do de Atisha, do acervo do Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque, vinda dum mosteiro Kadampa do Tibete
Rinchen Zangpo só conheceu grande mestre bengalês Atisha quando era bastante idoso (85 anos segundo algumas fontes). Atisha foi insistentemente convidado por Yesh-es-od para ensinar o darma budista, mas quando finalmente aceitou deixar o seu mosteiro de (atualmente no estado indiano de Biar) já reinava em Guge (ou Jangchub Ö), o sucessor de Yesh-es-od. Conta-se que quando Atisha chegou a , a capital de Guge, o único monge que não se levantou para o saudar em sinal de respeito foi Rinchen Zangpo, que deve ter ficado muito irritado por se sentir preterido. No entanto, de acordo com a tradição, o velho Rinchen acabou por ser conquistado pelo brilho intelectual do mestre indiano, a cujos pés acabou por se sentar. Atisha passou os últimos doze anos da sua vida no Tibete, primeiro no Tibete Ocidental — esteve dois anos em Tholding — e depois no Tibet Central. É a ele que se deve a introdução do budismo Vajrayana, com o seu esoterismo tântrico, no Tibete, e também a fundação da escola Kadampa, percursora da Gelugpa. Rinchen Zangpo aperfeiçoou com Atisha os seus conhecimentos do Trantra de Chakrasamvara.
Quando esteve em Caxemira, Rinchen Zangpo estou também o tratado de medicina ayurvédica Ashtanga Samhita e o seu comentário Chandrika , além do tratado veterinário sobre cavalos Shalihotra Asvayur Samhita. A sua tradução destes textos contribui para o avanço da medicina tibetana.
Rinchen Zangpo é também conhecido por ter sido o fundador de numerosos mosteiros (108 segundo a tradição, um número sagrado na numerologia budista), situados no Ngari e no que são hoje o Ladaque e o Himachal Pradexe, no norte da Índia. Entre estes figuram o de mosteiro de Tabo, no vale de Spiti, , em Kinnaur, Myarma (ou Nyarma) no Ladaque (então chamado Maryul), Khachar em Burang e mosteiro real de em Guge.
Os seus quatro principais discípulos foram Lochung Legpe Sherap, Gungshing Tsöndru Gyaltsen, Drapa Shönu Sherap e Kyinor Jnana. A sua biografia foi escrita por Gugé Kyithangpa Yeshepal. Segundo a tradição, as suas relíquias foram depositadas num chorten do Lakhang Karpo do mosteiro de Toling, na capital de Guge. É considerado uma encarnação de Rastrapala, um discípulo de Buda.
Notas
Referências Vitali, Roberto in
Bibligrafia
Ligações externas
Categoria:Tibetanos Categoria:Mestres do budismo tibetano Categoria:Filósofos budistas Categoria:Tradutores