é uma personagem da franquia de jogos eletrônicos de luta Street Fighter, da Capcom. Teve sua primeira aparição em Street Fighter II: The World Warrior, lançado em 1991, e é a primeira personagem feminina que podia ser escolhida pelo jogador a conquistar notoriedade de forma ampla. Chun-Li é originalmente apresentada como uma artista marcial e agente da Interpol que busca vingança pela morte de seu pai, assassinado pelo vilão M. Bison. Em jogos futuros ela está aposentada e ensinando luta para defesa pessoal, mas ainda participa de missões para proteger aqueles próximos a ela.
Chun-Li se tornou uma das personagens representativas da série e aparece em praticamente todos os jogos seguintes de Street Fighter, em vários outros títulos da Capcom e até em jogos de outras empresas. Além dos videogames, Chun-Li também marca presença em mídias relacionadas à franquia, como dois filmes live-action, diversos animes, histórias em quadrinhos e outros produtos oficiais. A personagem tem sido amplamente elogiada por fãs e críticos devido à sua trajetória, agilidade e estilo de combate, sendo considerada uma pioneira entre as personagens femininas em jogos de luta e uma figura de destaque no universo dos videogames.
Criação O design de Chun-Li teve como principal inspiração Tong Pooh, vilã de Strider (um dos primeiros jogos da Capcom). Seu designer, Akira Nishitani, ao explicar a criação da personagem, disse: "Antes, não havia mulheres em jogos de luta. No caso de Chun-Li, eu queria uma mulher no jogo. Determinei quais seriam suas habilidades de luta. Então, a China surgiu como uma terra natal possível." Outro proeminente artista da Capcom que trabalhou na personagem, Akira "Akiman" Yasuda, disse que a inspiração inicial para Chun-Li veio do filme de anime de 1983 Harmagedon: Genma Wars, que tinha uma personagem feminina chinesa chamada Tao. Chun-Li era originalmente conhecida apenas como "Garota Chinesa" pela equipe de desenvolvimento. Ela tinha um ataque de salto-mortal para trás que se tornou popular entre os testadores, mas considerado forte demais e teve que ser cortado do jogo antes do prazo final. O nome dela significa "bela primavera" em chinês: Chūn (春) significa "a estação da primavera" e lì (麗) significa "bela" na língua mandarim. Outras tentativas de nomes antes de decidirem pelo definitivo incluíram Chung e Chugoku Musume.
Yasuda revelou que sua equipe teve apenas cinco semanas para criar Chun-Li no jogo e que estava profundamente preocupado tanto com a qualidade estética da personagem quanto com a forma como seria recebida. Chun-Li "usou calças até o final [do desenvolvimento]. Quando fizemos os sprites, achei que ela não estava com a aparência ideal, então troquei por meia-calça." Akiman acrescentou que eles "queriam que Street Fighter II fosse mais divertido do que seu antecessor. Isso também ajuda a explicar como Chun-Li surgiu. Ter uma personagem feminina no jogo muda completamente a dinâmica do jogo, ela ilumina todo o elenco. Precisávamos de um motivo para ela lutar, e então um império maligno [de M. Bison] nos veio à mente." Ele também disse: "Para ser sincero, passei algum tempo preocupado em como colocar Chun-Li, a heroína, em um cenário tão simples. Normalmente não se vê mulheres participando de torneios globais de artes marciais. Só por adicioná-la começamos a levar as coisas para o lado da 'diversão'. Não pensei nisso na época, mas pensando agora, a partir do momento em que colocamos Chun-Li no jogo, já estávamos levando as coisas para o lado do entretenimento completo."
Chun-Li foi criada com um físico excepcionalmente forte por ser a única mulher entre os poderosos personagens masculinos de Street Fighter II. Para evitar a impressão de fragilidade ou desequilíbrio, ela foi caracterizada como uma personagem que dominava artes marciais chinesas e realmente levava seu corpo ao limite para poder competir com um elenco de homens tão grandes e imponentes. O produtor da Capcom, Yoshiki Okamoto, chegou a propor que a barra de vida de Chun-Li fosse mais curta do que a dos outros personagens porque "mulheres não são tão fortes". Nishitani se opôs à ideia até ambos chegarem a um acordo de mantê-la igual aos demais lutadores. Apesar disso, Chun-Li foi projetada como a personagem mais rápida do elenco, embora também fosse facilmente atordoada, já que cada lutador recebeu características próprias de jogabilidade.
Características da personagem Aparência thumb|200px|Street Fighter 6 apresenta um novo visual para refletir o amadurecimento da personagem. Em sua estreia em Street Fighter II e na maioria de suas aparições posteriores, Chun-Li traja um qipao azul, vestido chinês do início do século XX, aberto nas laterais das pernas e com detalhes dourados, mangas bufantes e uma faixa cós branca na cintura. Em Street Fighter 2: The World Warrior, o qipao de Chun-li seria originalmente vermelho. A vestimenta também foi pensada em versões cor-de-rosa ou amarelo, que se tornaram cores alternativas para a personagem em versões futuras. O restante de seu traje inclui um par de botas de combate brancas e meia-calça marrom. Ela costuma prender o cabelo em dois coques laterais amarrados com brocados de seda e fitas. Outro elemento icônico de seu estilo são grandes braceletes com espinhos. Na sub-série Alpha, Chun-Li veste um uniforme de ginástica chinês, inspirado no traje amarelo de Bruce Lee, com um pequeno colete por cima e calça tênis esportivos baseados nos produtos Adidas. Anos depois, em Street Fighter VI, suas roupas foram redesenhadas novamente. O tom de azul do seu novo qipao é mais claro, além de conter suaves padrões de nuvens, pássaros e água corrente, e Chun-Li veste uma calça legging. Não há mais tecido cobrindo seu cabelo e suas pulseiras não tem mais espinhos. De acordo com Kaname Fujioka, diretor de arte do jogo, o novo design enfatiza que a personagem está mais velha e experiente, tendo envelhecido de forma elegante.
Chun-Li é particularmente conhecida por suas pernas musculosas, enquanto as representações do resto do seu corpo são mais variáveis. De acordo com a compositora de Street Fighter II, Yoko Shimomura, as coxas grandes de Chun-Li se originaram de um fetiche pessoal de Akiman. O produtor Yoshinori Ono ressaltou que foi em Street Fighter III que as pernas de Chun-Li começaram a crescer, dizendo "Quando a colocamos no jogo pela primeira vez, seu sprite era apenas um contorno e suas coxas não eram tão grandes... mas conforme os artistas começaram a colori-la, suas pernas ficaram cada vez mais grossas." Tal processo foi mantido por ter aumentado a expressividade da animação da personagem. Em Street Fighter V ela recebeu um traje de Halloween com as roupas e o cabelo de Morrigan Aensland da franquia Darkstalkers. Em Street Fighter 6, ela ganhou as roupas de Yor Forger em uma colaboração com o mangá e anime Spy x Family.
Jogabilidade O estilo de luta de Chun-Li é inspirado em múltiplas vertentes do kung fu, com ênfase no tai chi. A base do seu combate são golpes com chutes, mas também desfere ataques com as mãos e dispara projéteis de energia. Desde a sua primeira aparição, a personagem se destaca por sua velocidade e por comandos que exigem segurar os botões direcionais ao invés de apenas pressioná-los.
Suas duas técnicas mais conhecidas apareceram já em Street Fighter II. O consiste em uma sequência extremamente rápida de chutes com a personagem parada e o Spinning Bird Kick é uma série de chutes giratórios em que Chun-Li navega pela tela de cabeça para baixo. Na edição Street Fighter II Turbo, ela recebeu um disparo de ki pelas mãos chamado . A partir de Street Fighter III: 3rd Strike, a personagem passou a utilizar movimentos com maior destaque para suas habilidades acrobáticas.
História Ainda criança, Chun-Li se interessou por artes marciais assistindo à ópera de Pequim e aos filmes de Bruce Lee. Dorai, seu pai e policial, foi quem começou a treiná-la como lutadora. Ela desenvolveu um estilo próprio de luta a partir do tai chi e incorporando elementos de judô, caratê, capoeira e taekwondo. Quando Dorai desapareceu investigando a organização Shadaloo, Chun-Li decidiu seguir o mesmo caminho que o pai, se tornando detetive aos dezoito anos e depois investigadora da Interpol.
Em Street Fighter Alpha: Warriors' Dreams (1995), ela tenta prender M. Bison, o líder da Shadaloo, por tráfico de drogas, mas é derrotada e descobre que seu pai foi assassinado pelo vilão. A sequência Street Fighter Alpha 2 (1996) expande os acontecimentos do jogo anterior, mostrando que Chun-Li continuou seu treinamento nas artes marciais com um antigo amigo de Dorai chamado Gen e que foi ele quem a deu uma pista sobre o envolvimento de seu pai com a Shadaloo. Em Street Fighter Alpha 3 (1998) ela se junta a Charlie Nash e Guile, militares da Força Aérea dos Estados Unidos, para bombardear uma base de operações inimiga na Tailândia. Em paralelo, Bison é derrotado por Ryu (protagonista da franquia) e Chun-Li finalmente o conhece durante a fuga do local. Nash fica para trás para garantir a explosão e Chun-Li consegue, enfim, encerrar as atividades do império de seu inimigo.
Nos jogos de Street Fighter II (1991) Chun-Li recebe um convite para participar do próximo torneio mundial de luta e logo descobre que se tratava de uma armadilha de Bison em busca de revanche contra seus oponentes. Ela então se alia a Ryu, Guile e outros lutadores para enfrentarem Bison novamente. Na cena final de sua trajetória no jogo, Chun-Li visita o túmulo de seu pai e reza para que sua morte tenha sido vingada. Em Street Fighter IV (2008), Chun-Li se junta a Guile e Cammy para investigar ataques de vandalismo de Juri Han, integrante do grupo S.I.N., descobrindo que se tratava da divisão de armas da Shadaloo. Ao longo da missão, ela encontra a agente Crimson Viper da CIA, que conduzia sua própria operação de espionagem, e também ajuda o lutador com amnésia Abel a buscar lembranças de seu passado. Chun-Li vence Juri no final do jogo, mas não consegue prendê-la. Ela ainda reencontra e recebe auxílio de seu mestre Gen para escapar quando a base da S.I.N. é destruída.
Em Street Fighter V (2016), Chun-Li, Guile e Cammy caçam Bison, que trama um último plano para ampliar seus poderes. Durante a investigação, eles descobrem que Nash havia sobrevivido, embora atuando de forma independente, e depois se reúnem com outros guerreiros para atacar a Shadaloo. Chun-Li deixa a luta contra Bison de lado para defender a menina Li-Fen, uma talentosa hacker sequestrada. Após resgatá-la, passa a cuidar da menina e decide tornar-se sua guardiã. Alguns anos depois, nos acontecimentos de Street Fighter III: 3rd Strike (1999), Chun-Li já está aposentada e ensinando artes marciais para órfãos. Ela volta à ativa quando Li-Fen é raptada pelos Illuminati e enfrenta o vice-presidente do grupo, Urien, para salvá-la. No período de Street Fighter 6, Chun-Li amplia suas aulas de artes marciais para todo o distrito de Hong Hu Lu Chinatown, em Metro City. Ela é uma das mestras que o avatar do jogador pode encontrar para aprender estilos de luta.
Outras aparições Videogames Chun-Li é uma personagem muito famosa e utilizada pela própria Capcom em inúmeros títulos de suas outras franquias. Ela está nos três títulos da subsérie Street Fighter EX, parceria entre a Capcom e a Arika que utiliza gráficos 3D, e aparece nos jogos de luta Capcom Fighting Evolution, e Super Gem Fighter Mini Mix, bem como no jogo de quebra-cabeça Super Puzzle Fighter II Turbo. A duologia Super Fighter apresenta seus personagens desenhados em estilo super deformed.