Herlander Ribeiro (Lisboa, 1886 - Paris?, Lisboa?, 1967) foi um escritor, romancista, contista, advogado, investigador de temas jurídico-sociais, jornalista e memorialista português, enquanto autor de relatos de viagens.

Biografia Herlander Ribeiro nasceu em Lisboa (dia e mês desconhecidos) em 1886. É em Lisboa que se inicia nas letras, através do jornalismo, escrevendo para o jornal A Lucta. Aos quinze anos, em 1901, vê o seu primeiro livro editado, Casa Amarela, um romance que fora previamente publicado sob a forma de folhetim.

No ano de 1903, figura na fundação da Associação da Imprensa Portuguesa e parte para Coimbra, tendo como finalidade licenciar-se em Direito. Por esta altura, conta com um ensaio jurídico-social publicado, A Vadiagem em Portugal, quando se apresenta na Universidade de Coimbra. Durante os anos de licenciatura, continua a submeter cartas para A Lucta.

Dois anos depois, em 1905 publica Sentires Diversos, uma antologia de contos. Termina o curso três anos mais tarde, em 1908, e deixa de escrever para A Lucta.

Em 1911 é autor de um projeto de Reforma da Polícia de Investigação Criminal. Cinco anos mais tarde, no ano de 1916, ocupa o cargo de juiz substituto, cargo que exerce até 1926. A área da advocacia revela o seu impacto na obra de Ribeiro com Sociologia Criminal. Dos Delitos Políticos e dos Crimes Passionais, em 1919. Trabalha também em dois projetos, Código do Trabalho e Código Agrário, tendo publicado o primeiro em 1926, e o segundo em 1932.

Durante a sua vida adulta revelou-se um viajante infatigável. Viajou por toda a Europa e por todo o Norte de África e realizou duas vezes a volta ao mundo. Visitou também a China e a Rússia por consequência do seu interesse na defesa dos direitos da classe trabalhadora e do proletariado. Destas viagens resulta a sua qualidade de memorialista.

Iniciou-se com Uma Semana em Marrocos,em 1923. Seguiram-se artigos e livros publicados acerca das observações de Ribeiro.

Sobre a Rússia, escreve uma vasta gama de livros: Crónica da Rússia dos Sovietes, Rússia dos Bolchevistas e Estudos Históricos: A Rússia. Apenas uma década mais tarde à publicação destas obras é que revela os resultados da sua viagem à China, com Alma Chinesa, publicado em 1950.

Também é por consequências das suas viagens que escreve um dos seus trabalhos mais frutuosos, Alma Judia, publicado em 1939, e traduzido onze anos mais tarde, em 1950, para francês e inglês.

Em 1940, o irromper da Segunda Guerra Mundial em Tolosa surpreendeu-o, levando-o a fixar-se em Paris. É lá que trabalha e edita as suas obras finais: Alma Chinesa, em 1950, Do Ato ao Pensamento, em 1950, um ensaio social, A Obra de Henri Wallon, em 1950, sobre o trabalho do médico e psicólogo francês Henri Wallon, e A Lei da Vida, em 1951.

Morre em 1967. Arbitra-se ter falecido em Paris ou em Lisboa.

Caracterização da Obra Aparte de Casa Amarela, um romance, e Sentires Diversos, uma coletânea de contos, a obra de Herlander Ribeiro é constituída por ensaios. Uns acerca das suas preocupações sociais e políticas, outros influenciados pela sua experiência na área do direito. Conta também, e em grande peso, com obras escritas na qualidade de memorialista.

Ensaios Político-Sociais Nas suas cartas para A Lucta, que mais tarde lhe causaram diversos problemas, escreve em defesa do povo negro explorado nas colónias portuguesas, denunciando várias fortunas conseguidas graças à venda de escravos. Ribeiro reúne estas cartas em 1936, sob a forma de volume e em edição fora de mercado, Cartas de Uma Tricana.

Mesmo no livro Uma Semana em Marrocos, salienta no capítulo "Pedaços de Portugal" a importância da presença dos portugueses nas áreas da pesca, da indústria conserveira, da construção civil e na área do pequeno comércio. Domingos, P.C. (2015, Dezembro 28). Uma Semana em Marrocos. Frenesi. Consultado a 29 de Dezembro de 2017, em http://frenesilivros.blogspot.pt/2015/12/uma-semana-em-marrocos.html

Apelando aos direitos da classe trabalhadora e do proletariado, escreve O Pensamento do Trabalhador, que teve edições em inglês, hebreu e francês.

Rússia dos Bolchevistas No livro Rússia dos Bolchevistas, aborda o tema do nacional-bolchevismo e abre o livro com:

Alma Judia Também escreve em defesa do povo judeu, ato que lhe causou problemas mais tarde. Em 1939, publica Alma Judia, uma das suas obras mais importantes. Na introdução do livro, Ribeiro explica o seu contexto: Nas páginas "Aos Leitores", Ribeiro explicita as intenções da obra: Com isto, percebe-se o caráter da obra e a distância relativamente às cartas que escreveu anos antes para A Lucta - já não escreve em defesa do povo judeu. No livro, trata de responder a questões como quais seriam as caraterísticas do povo judeu que constituíriam um obstáculo à evolução da Humanidade, se existiam vantagem em isolar fisicamente a raça judia em prol da Humanidade, se a raça judia seria uma ameaça com prejuízo moral, se os seus projetos artísticos revelavam as suas más ou boas intenções, ou se o povo judeu merecia a discriminação que sofria. Nas palavras de Ribeiro:

Obra enquanto memorialista A qualidade de memorialista figura na sua obra como resultado das suas viagens. Publica várias crónicas e livros. Ribeiro abre Crónica da Rússia dos Sovietes com: Nesta área figuram obras como Crónicas da Rússia dos Sovietes, Quadros de Viagens, Rússia Bolchevista, Estudos Históricos: A Rússia e Alma Chinesa.

Obra enquanto romancista e contista

Obras Principiais Casa Amarela, 1901 A Vadiagem em Portugal, 1903 Sentires Diversos, 1905 Reforma da Polícia de Investigação Criminal, 1911 Da Responsabilidade Profissional dos Médicos, memória ao Congresso de Medicina de Madrid, 1919 Uma Semana em Marrocos, 1923 Código de Trabalho, 1926 Crónica da Rússia dos Sovietes, 1927 Quadros de Viagens, 1928 Rússia Bolchevista, 1928 A Acção do Despejo do Clube Monumental, 1930 Código Agrário, 1932 Cartas de uma Tricana, coletânea de cartas para A Lucta, 1936 Alma Judia, 1939 A Arte de Envelhecer, 1939 Estudos Históricos: A Rússia, 1941 O Pensamento do Trabalhador, 1949 Alma Chinesa, 1950 Do Acto ao Pensamento, 1950 A Obra de Henri Wallon, 1950 A Lei da Vida, 1951

Ver também Advogado Jornalista Memorialista

Bibliografia Herlander Ribeiro, in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Publicações Europa-América, 1994, p. 341-343, vol. III

Referências