direita|miniaturadaimagem|Um Peirce 55-B gravador de voz de fio de 1945. miniaturadaimagem|Gravador Poulsen Telegraphone em 1922. Gravação em fio ou gravação magnética em fio foi a primeira tecnologia de gravação magnética analógica de áudio, em que uma gravação era feita em um fio de aço fino. O primeiro gravador de fio foi inventado em 1898 por Valdemar Poulsen.
O fio passa rapidamente através de uma cabeça de leitura e gravação, que magnetiza a cada ponto ao longo do fio de acordo com a intensidade e a polaridade da energia elétrica do sinal de áudio que está sendo enviado para a cabeça. Após, passar o fio por uma cabeça similar irá produzir um sinal elétrico que recria o sinal original, em um nível/volume reduzido.
Gravação magnética em fio foi substituída por fita magnética, mas dispositivos que utilizam uma ou outra mídia foram desenvolvidos simultaneamente muitos anos antes de serem produzidos em escala industrial. Os princípios eletrônicos envolvidos são quase idênticos. Fio de gravação, no primeiro momento, teve vantagem devido a facilidade de produzir fio fino na época, enquanto a tecnologia para produzir fita ainda necessitava de melhorias nos métodos de fabricação e materiais.
História miniaturadaimagem|Primeira patente emitida em 1900 para um gravador magnético inventado por Valdemar Poulsen. O primeiro gravador de fio foi inventado em 1898 pelo engenheiro dinamarquês Valdemar Poulsen, que deu o seu produto o nome comercial Telegraphone. Gravadores de fio eram utilizados para ditado e gravações telefônicas. os dispositivos eram produzidos simultaneamente por várias empresas (principalmente a Americana Telegraphone) entre 1920 e 1930, mas o uso desta nova tecnologia era extremamente limitado. Gravadores Ditafone e Ediphone, os mais populares da época, ainda utilizavam discos cilíndricos com cera.
O breve período de popularidade dos gravadores de fio durou entre 1946 e 1954. A popularidade veio das melhorias técnicas e o barateamento dos projetos, que foram licenciados internacionalmente pela Brush Development Company of Cleveland, Ohio, e a Armour Research FundationMorton (1998) (journal article), p. 213. da Armour Institute of Technology [mais tarde, o IIT Research Institute do Instituto de Tecnologia de Illinois]. As duas organizações licenciaram dezenas de fabricantes nos EUA, Japão e Europa, como por exemplo a Wilcox-Gay, Pierce, Webcor, e King Air. A popularidade incentivou os fabricantes a fonecerem um modelo e alguns autores escreveram manuais técnicos especializados.Sams (1947) (book).Hickman (1958) (book).Judge (1950) (manual).
As melhores nos gravadores de fio não só eram comercializadas para uso em trabalho, mas também como dispositivos de entretenimento doméstico, que oferecia vantagens se comparado com os gravadores de disco que foram se tornando cada vez mais popular para fazer gravações curtas de família e amigos e para a gravação de trechos de transmissões de rádio. Ao contrário de gravadores de discos que permitiam apenas alguns minutos de gravação, os gravadores de fio permitiam gravar muito mais tempo sem interrupções.
Os primeiros gravadores de fita, não disponíveis comercialmente nos EUA em 1948, eram muito caros, complicados, e volumosos para competir com estes gravadores de fio.Morton (1998) (journal article). Durante a primeira metade da década de 1950, no entanto, gravadores de fita começaram a ficar baratos, simples e compactos para serem adequados para uso doméstico e empresarial, depois do surgimento, rapidamente substituiram os gravadores de fio no mercado.
Excepcionalmente, o uso de fio para gravação de som prosseguiu na década de 1960, no Protona o Minifon com gravadores miniaturizados, com ênfase em maximizar o tempo de gravação em um mínimo de espaço. Para um determinado nível de qualidade de áudio, o rolo de fio tinha vantagem de que ele era muito mais compacto do que o meio de armazenamento de fita. O gravador Minifon de fio foi projetado para uso escondido e seus acessórios incluíam um microfone disfarçado como um relógio de pulso.Protona Minifon Special, cryptomuseum.com, Retrieved 2016-01-06.
Fio de gravação também foi usado em algumas aeronaves por registadores de voo , começando no início dos anos 1940, principalmente para a gravação de conversas por rádio entre tripulantes ou com estações em terra. O fio de aço era o mais compacto, robusto e resistente ao calor do que fita magnética (que é de plástico), gravadores de continuaram a ser fabricados para esta finalidade após de 1950 e permaneceu em uso por algum tempo. Havia também gravadores de fio feitos para registrar dados em satélites e outros veículos espaciais não tripulados entre 1950 e 1970.
Formato de gravação miniaturadaimagem|Gravador de fio German Reichhalter Reporter W102 (c. 1950). O gravador original Poulsen telegraphone e outros gravadores das primeiras gerações colocavam os dois pólos da cabeça de gravação/reprodução em lados opostos do fio. O fio é, portanto, magnetizado transversalmente em relação à cabeça. Este método de magnetização foi rapidamente descartado, visto que o fio era torcido durante a reprodução e em alguns momentos o campo magnético formava ângulos retos em relação aos polos da cabeça, o que gerava uma saída de áudio quase imperceptível no momento da leitura.
As versões posteriores passaram a colocar os dois pólos no mesmo lado do fio, de modo que este fosse magnetizado em seu comprimento, de forma longitudinal. Além disso, os pólos foram moldados em um "V" de modo que a cabeça encaixasse no fio. Isso aumentou a magnetização e também aumentou a sensibilidade da cabeça na repetição porque ele consegue assim recolher melhor o fluxo magnético do fio. Este sistema não foi totalmente imune a torção, mas os efeitos foram muito menos percebidos.
O método longitudinal de gravação é utilizado até hoje em fitas magnéticas.
Capacidade de gravação e velocidade Comparado com gravadores de fita, os gravadores de fio possuem uma mídia de velocidade muito mais alta. Isto se faz necessário devido a utilização do metal sólido como suporte. O padrão para a década de 40 era que os gravadores de fio utilizassem em média 61cm por segundo, ou seja, para gravar uma hora de áudio são necessários 2.2Km de fio. Por mais que pareça algo grande, o fio é fino o suficiente para que possa ser acomodade em uma bobina com menos de 8 cm de diâmetro. A espessura dos fios variavam entre 0,10 e 0,15mm. Os fios dos primeiros gravadores costumavam ter 0,25mm de diâmetro, o que permitia carretéis de 15 a 30 minutos. Na década de 40, alguns gravadores maiores tinham bobinas grandes que podiam gravar continuamente por várias horas.
Até a década de 40, a velocidade era medida pela tração exercida pelo carretel que puxava o fio, portanto, a velocidade acabava dependendo da posição em que o fio estava sendo enrolado, gerando distorções temporais ao reproduzir o mesmo fio em outro equipamento ou trocar a posição do fio ou dividir em vários carretéis. Os gravadores mais novos já possuíam mecanismos que evitavam alterações na velocidade, característica esta que já estava presente nos primeiros gravadores de fita.
Manuseio e edição Para facilitar o manuseio, de inserir e passar o fio pela cabeça d eleitura, alguns fabricantes inseriram um fio de plástico ou uma linha em cada ponta do fio, isto era feito para prender em um encaixe próprio no carretel do equipamento. Para evitar que o fio se encontrasse amontoado no carretel, a cabeça faz um movimento lento de subida e descida para distribuir uniformemente o fio em camadas no carretel.
Como o fio passa do carretel para um carretel do equipamento (não removível), para trocar o fio era necessário rebobinar, para o carretel removível, para então poder trocar.
Em caso de ruptura ou quebra do fio, a única forma possível era cortar e amarrar as extremidades. Quando um reparo acontece num fio que já tem uma gravação, há um salto de som, mas devido a alta velocidade do fio, geralmente cortes assim são imperceptíveis. Quando um trecho é danificado, a única solução é cortar o trecho fora e remendar o fio.
Edições e cortes são difíceis de serem realizados. Como o fio é muito fino e cada trecho vai passar pela cabeça, os nós e emendas em grande quantidade ficam perceptíveis, o que torna edição de músicas nesta mídia algo impossível. Editores passaram a dar preferência a trabalhar com fita magnética, que é uma mídia muito mais flexível. O primeiro programa regular de rádio produzido e editado em fio foi o Hear It Now, da CBS, com Edward R. Murrow.
Fidelidade do som A fidelidade de uma gravação em fio feita em equipamentos pós-1945 é comparável a um fonógrafo contemporâneo ou um dos primeiros gravadores de fita, como um microfone ou outra fonte de sinal de igual qualidade. Por causa de sua natureza homogênea e em velocidade muito alta, o arame é relativamente livre de ruídos perceptíveis. Se comparado com as primeiras fitas magnéticas, o fio não apresenta o ruído de fundo, que só foi resolvido nas fitas com o surgimento de sistemas de redução de ruído. O Magnecord Corp. de Chicago fabricava gravadores de fio de alta fidelidade destinados para uso em estúdio, mas logo abandonou o sistema de concentrar-se em gravadores de fita.
Usos notáveis Em 1944-1945, o Sinal 3132 de Empresa de Serviços Especiais do Exército dos estados unidos utilizou gravadores de fio para recriar o som de tropas fictícias na Frente Ocidental na Segunda Guerra Mundial. Vários cenários de batalha foram recriados usando sons gravados em Fort Knox, Kentucky. O gravador de fio foi colocado com amplificadores e alto-falantes de alta potência montados em veículos, foi usada para esconder a localização real dos Aliados.The Washington Post (newspaper), 2006 July 08.
Em 1944, a Estação de Rádio do Cairo, Oriente Médio, o compositor egípcio Halim El-Dabh utilizou gravadores de fio como ferramenta para compor músicas.Gluck, Bob. Conversation with Halim El-Dabh , EMF Institute
Durante as tratativas de Nuremberg (1945-1946) várias gravações em fio foram feitas para o inglês, alemão e outras línguas faladas durante o processo.
Em 1946 David Boder, um professor de psicologia no Instituto de Tecnologia de Illinois, em Chicago, viajou para a Europa para gravar longas entrevistas com "pessoas deslocadas"—a maioria deles sobreviventes do Holocausto. Usando um gravador de fio, Boder voltou com o primeiro registro de depoimentos do Holocausto, o primeiro registro de relatos orais de comprimento significativo.Marziali, Carl (2001-10-26). "Mr. Boder Vanishes". This American Life.
Em 1946, Norman Corwin e de seu assistente técnico, Lee Branda, levou um gravador de fio em seu Vôo ao redor do Mundo, uma volta ao mundo a bordo subsidiada pelos amigos de Wendell Willkie e patenteado após sua volta viagem de 1942. Corwin documentou o mundo pós-guerra e utilizado de suas gravações em uma série de 13 transmissões na CBS—que também estavam entre as primeiras transmissõies de som permitidos pelas redes de rádio.Bannerman (1986) (book).Ehrlich (2006) (journal article).
Em 1947, Maya Deren, um cineasta experimental americano, comprou um gravador de fio para registrar rituais do Vodu Haitiano para o seu documentário: Meditação sobre a Violência.A woman for all seasons for the filmic avant-garde, By David J. Craig, Week of 24 January 2003· Vol. VI, No. 18 , B.U. Bridge: Boston University community's weekly newspaper