Utopia (estilizado como utopia) é o nono álbum de estúdio da musicista islandesa Björk, lançado em 24 de Novembro de 2017,https://www.discsjapan.com/en/product/Untitled-Bonus-Track.html?Page=1&catalog=18&idx=21358 através da gravadora One Little Indian Records. Durante um evento no Facebook via Facebook Live em 15 de setembro de 2017 para promover o primeiro single do álbum, Björk falou sobre a visão utópica no álbum, que se daria em um ambiente político incerto: "Temos Trump, nós temos Brexit, temos nossos próprios problemas na Islândia, nós temos problemas ambientais. Penso que se alguma vez houve necessidade ou urgência em apresentar outro modelo utópico, de como viveremos nossas vidas, eu acho que o momento é agora, e estas são as minhas propostas."

Conceito

Björk começou a compor Utopia após o lançamento de Vulnicura em 2015. Ao ganhar o prêmio de Artista Feminino Internacional no Brit Awards de 2016, Björk não compareceu na premiação pois estava gravando o seu novo álbum, até então sem título. Em uma entrevista de março de 2016, declarou que a composição do álbum era "o paraíso", enquanto que a de Vulnicura era "o inferno... como divórcio", tendo composto três músicas com Arca até então.

O álbum foi anunciado via rede social em 2 de agosto de 2017 com uma nota manuscrita por Björk. O anúncio coincidiu com a edição de outono de 2017 da revista Dazed com Björk na capa, que incluiu a divulgação de alguns títulos de músicas, como "Features Creatures" e "Losss". O primeiro single, '"The Gate", foi anunciado em 12 de setembro, porém foi lançado em 15 de setembro. No mesmo dia do lançamento do single, Björk anunciou o título do álbum, Utopia, durante uma entrevista com Nowness, declarando que ela tinha "mil sugestões de títulos" e que "não conseguia pensar em algo melhor", mas estava aberta à mudança. A data de lançamento e a capa foram reveladas no dia seguinte.

Em 15 de novembro de 2017, o segundo single, "Blissing Me", foi lançado como download digital, acompanhado de um clipe, dirigido por Tim Walker e Emma Dalzell.

Ao promover Utopia, Björk revelou que planejava trabalhar em uma versão ao vivo do álbum começando a partir da primavera de 2018. "Há muitas coisas da flauta que não explorei completamente", disse ela, "com mais solistas e coisas de flauta mais misteriosas" e terminou acrescentando, "temos algumas músicas de flauta adicionais".

Para criar o álbum, Björk se inspirou em “A Primavera das Flores de Pêssego”, uma lenda chinesa sobre uma comunidade isolada e idílica onde as pessoas vivem em harmonia com a natureza."E você foge para uma ilha, e lá tem muitas mulheres com crianças, e todo mundo está tocando flauta, e todo mundo está nu, e tem todas essas plantas que você nunca viu antes e todos esses pássaros que você nunca ouviu antes, e orquídeas, e dá aquela sensação de estar explorando um mundo novo."Em 16 de agosto de 2019, quase dois anos do lançado do álbum, Björk anunciou o boxset Utopia Bird Call como uma forma de comemorar o fim da era Utopia, uma coleção que contém 14 flautas de madeira esculpidas à mão que imitam vários cantos de pássaros. Essas flautas foram escolhidas a dedo por Björk, trabalhando em conjunto com uma empresa francesa chamada Quelle Est Belle, e o box vem com um livreto detalhando como usar cada flauta e qual pássaro cada uma imita. Além das flautas, o boxset vem com um pendrive personalizado que contém as faixas do Utopia, os videoclipes e remixes do Utopia e uma faixa instrumental exclusiva chamada "Arpegggio". Em comunicado, Björk explicou, "Utopia é focado em cantos de pássaros e sonoramente é a mutação entre sintetizador/pássaro, pássaro/flauta, flauta/sintetizador... então fiquei muito animada quando descobri essas flautas de madeira feitas à mão que imitam precisamente pássaros específicos". O set custa 500 libras esterlinas e foi lançado em 1 de novembro de 2019.

Composição Com quatorze faixas no total, Utopia possui um tempo de duração de 71 minutos e 38 segundos, sendo o mais longo álbum de estúdio de Björk até o momento. O artigo do site Dazed afirmou também que os sons calmos de pássaros das canções ocorrem entre faixas, de forma similar ao seu álbum de 2007, Volta. Estes sons são provenientes de gravações de campo da própria Björk, porém também foram amostras extraídas do álbum de David Toop, Hekura (1980), o qual a cantora considera como um de seus álbuns favoritos. Björk declarou que o álbum é uma exploração da utopia e que o processo de composição coincidiu com as suas preocupações pessoais, políticas e ambientais. Ela ganhou destaque na mídia ao descrever o álbum como o seu “álbum do Tinder”. Mais tarde, ela esclareceu esse comentário, dizendo que o álbum abordaria um terreno emocional diferente do seu último trabalho, ao qual ela sempre se referia como seu álbum de separação.

A matéria da Dazed revelou o quanto Arca, coprodutora de Vulnicura, esteve envolvida no álbum Utopia. Ao contrário da colaboração anterior, em que Arca se juntou ao projeto depois que todas as músicas e os arranjos de cordas já estavam prontos, sendo que no novo álbum eles trabalharam juntos desde o início. Arca a incentivou a seguir uma direção que ela havia usado em faixas menos conhecidas como “Batabid”, um lado B do single “Pagan Poetry”, e “Ambergris March”, do álbum Drawing Restraint 9. Segundo Björk, a colaboração entre elas foi “uma conversa musical que transcendeu gerações e o Atlântico, com ela me incentivando a explorar essa área que eu havia sugerido há anos, mas que não havia necessariamente levado adiante”.

A escolha do uso de flauta nas músicas foi estilística e consciente após compor arranjos de corda para o seu último álbum: "Comecei uma sessão de flauta com 12 flautistas islandesas e passei alguns meses gravando e ensaiando com elas [...] Decidimos incorporar sintetizadores que têm sons atmosféricos e flautas que soam como sintetizadores". Ela gravou as flautistas em sua cabana à beira do lago na Islândia, assim como as mobelhas-árticas que vivem no lago, cujos sons foram usados na faixa “Body Memory”, que também conta com a participação do coro Hamrahlíðarkórinn, composto por 60 integrantes e regido por Þorgerður Ingólfsdóttir, gravado na cabana de Björk. Björk disse que as melodias foram compostas enquanto andava pela natureza da Islândia, e assim que terminou as melodias, ela compôs os arranjos de flauta, depois sobrepondo as melodias. As letras foram o elemento final no processo de composição.

A matéria da Dazed revelou alguns títulos de músicas, incluindo primeiro single "The Gate". Björk comentou que “‘The Gate’ é essencialmente uma canção de amor, mas eu uso a palavra ‘amor’ num sentido mais transcendente. Vulnicura tratava de uma perda muito pessoal, e acho que este novo álbum é sobre um amor ainda maior. É sobre redescobrir o amor – mas de uma forma espiritual, por falta de uma palavra melhor.” Dois títulos de músicas adicionais foram divulgados pela Dazed: “Losss” e “Features Creatures”. “Losss” foi coproduzida pelo produtor Rabit, do Texas, que afirmou que a música foi o seu primeiro trabalho de produção externa e que ela serve como um lembrete de “como a força de vontade é a força suprema”. “Features Creatures” fala sobre ver alguém com o mesmo sotaque de um amante.

Em uma entrevista publicada no The Creative Independent em 14 de dezembro de 2017, Björk revelou que, inicialmente, havia duas versões diferentes do álbum de estúdio: uma sem cantos de pássaros, com cada música separada por silêncio, como em um álbum de estúdio tradicional, e a versão final, lançada com cantos de pássaros e muitas das faixas se fundindo umas nas outras.

Lista de faixas Nota

O seguimento entre "Blissing Me" e "The Gate" possui um sample de "Guanare/Barinas", de Jean C. Roché.

Categoria:Álbuns de 2017 Categoria:Álbuns de Björk Categoria:Álbuns produzidos por Arca