O Comando da Área Oriental foi um de vários comandos geográficos criados pela Real Força Aérea Australiana (RAAF) durante a Segunda Guerra Mundial. Foi formado em Maio de 1942 e controlava as unidades localizadas em Nova Gales do Sul e no sul de Queensland. Com sede em Sydney, as responsabilidades do Comando da Área Oriental incluíam a defesa aérea, o reconhecimento aéreo e a protecção das rotas marítimas dentro dos seus limites. As suas unidades aéreas operavam caças, bombardeiros de reconhecimento e bombardeiros de mergulho, e concentravam-se na escolta de comboios marítimos, patrulha marítima e guerra anti-submarina. O tamanho da área era tal que a RAAF considerou por duas vezes dividi-la, porém esta ideia nunca se concretizou.

A formação continuou a funcionar após a guerra e a sua sede foi transferida de Sydney para Glenbrook, nas Montanhas Azuis, em 1949. Nesta altura a maioria das unidades operacionais da RAAF – incluindo caças, bombardeiros e asas de transporte – estavam sediadas nos limites do Comando da Área Oriental, e o oficial em comando era responsável pela defesa aérea em toda a Austrália. Em Outubro de 1953 a RAAF começou a reorganizar o seu sistema de comando-e-controlo de um baseado na geografia para um baseado na função; o Comando da Área Oriental foi reformado como Home Command, que seria renomeado para Comando Operacional em 1959 e Comando Aéreo em 1987.

História Segunda Guerra Mundial esquerda|miniaturadaimagem| Comandos de Área conforme planeado em Fevereiro de 1940 Antes da Segunda Guerra Mundial a Real Força Aérea Australiana era pequena o suficiente para que todos os seus elementos fossem controlados directamente pelo quartel-general da RAAF, em Melbourne. Depois de a guerra iniciar em Setembro de 1939 a força aérea começou a descentralizar a sua estrutura de comando, de acordo com os aumentos esperados em termos humanos, materiais e de unidades.Stephens, The Royal Australian Air Force, pp. 111–112 Entre Março de 1940 e Maio de 1941 a RAAF dividiu a Austrália e a Nova Guiné em quatro zonas de comando-e-controlo baseadas na geografia: o Comando da Área Central, o Comando da Área do Sul, o Comando da Área Ocidental e o Comando da Área do Norte.Gillison, Royal Australian Air Force, pp. 91–92 As funções destes comandos eram a defesa aérea, a protecção de rotas marítimas adjacentes e reconhecimento aéreo. Cada uma era liderada por um Air Officer Commanding (AOC) responsável pela administração e operações de todas as bases e unidades aéreas dentro da sua área.

O Comando da Área Central foi dissolvido em Agosto de 1941 e as suas responsabilidades foram divididas entre o Comando da Área do Sul, o Comando da Área do Norte e o recém-formado Grupo de Treino N.º 2.Gillison, Royal Australian Air Force, p. 112 A eclosão da Guerra do Pacífico resultou na divisão do Comando da Área do Norte em Janeiro de 1942 nos comandos noroeste e nordeste, de modo a combater com maior eficácia as ameaças japonesas no norte da Austrália e na Nova Guiné.Stephens, The Royal Australian Air Force, pp. 111–112Gillison, Royal Australian Air Force, p. 311 O Comando da Área do Sul também foi considerado para sofrer uma divisão devido ao seu tamanho, então o comando da força aérea propôs atribuir a responsabilidade pelas unidades operacionais e de manutenção em Nova Gales do Sul a um novo Comando de Área, a oriental, que também assumiria o controlo das unidades no sul de Queensland do Comando da Área Nordeste.Ashworth, How Not to Run an Air Force! Volume One, pp. xxi, 134–135

Com sede no subúrbio de Edgecliff, em Sydney, o Comando da Área Oriental foi formado no dia 15 de Maio de 1942 sob a liderança do vice-marechal do ar Bill Anderson, e o seu efectivo contava com 114 elementos, incluindo 45 oficiais.Eastern Area Headquarters, Operations Record Book, p. 1 As unidades de treino em Nova Gales do Sul permaneceram parte do Grupo N.º 2. O Grupo N.º 5 foi formado em Sydney a 1 de Junho, e assumiu a responsabilidade por todas as unidades de manutenção inicialmente controladas pelo Comando da Área Oriental.Ashworth, How Not to Run an Air Force! Volume One, pp. xxi, 134–135Ashworth, How Not to Run an Air Force! Volume Two, p. 212 Em Setembro o comandante das Forças Aéreas Aliadas na Área do Sudoeste do Pacífico, o major-general George Kenney, formou a maioria das suas unidades de voo dos EUA na Quinta Força Aérea, e a maioria das suas contrapartes australianas no Comando da RAAF, liderado pelo vice-marechal do ar Bill Bostock.Gillison, Royal Australian Air Force, pp. 585–588Odgers, Air War Against Japan, pp. 4–6 Bostock exercia o controlo das operações aéreas australianas através dos comandos, embora a sede da RAAF continuasse a deter autoridade administrativa abrangente, o que significa que Bostock e os seus comandantes dos comandos dependiam do chefe do estado-maior aéreo, o vice-marechal do ar George Jones, para suprimentos e equipamentos.Stephens, The Royal Australian Air Force, pp. 144–145 esquerda|miniaturadaimagem| Vice-marechal do ar Anderson (foto de 1940), o comandante (AOC) inaugural do Comando da Área Oriental Por necessidade geográfica, ambos os comandos do norte da Austrália eram os principais responsáveis pelo bombardeamento e defesa aérea, enquanto os outros comandos concentravam-se na patrulha marítima e na guerra anti-submarina.Stephens, The Royal Australian Air Force, pp. 144–145 Em resposta a um aumento no número de submarinos japoneses em actividade nas águas australianas, a RAAF realizou patrulhas a larga escala ao longo da costa leste durante Janeiro e Fevereiro de 1943. Isso incluiu mais de 400 missões de patrulha, anti-submarino e escolta de comboios marítimos por aeronaves do Comando da Área Oriental em Janeiro.Stevens, A Critical Vulnerability, pp. 221–222 A ameaça submarina contra as embarcações aliadas foi considerada séria o suficiente para justificar a colocação de mais esquadrões da RAAF nos comandos mais a sul do que no norte, desviando recursos de áreas avançadas como a Nova Guiné. Em Abril o Comando da Área Oriental estava a operar sete unidades de combate: o Esquadrão N.º 5, que realizava missões de cooperação do exército com aviões CAC Wirraway a partir de Kingaroy, Queensland; o Esquadrão N.º 23, com missões de bombardeamento de mergulho com aviões Wirraway a partir de Lowood, Queensland; o Esquadrão N.º 24, responsável por missões de bombardeamento de mergulho com aviões Wirraway a partir de Bankstown, Nova Gales do Sul; o Esquadrão N.º 32, que realizava reconhecimento aéreo e missões de bombardeamento com aeronaves Lockheed Hudson a partir de Camden, Nova Gales do Sul; o Esquadrão N.º 71, que fazia reconhecimento marítimo e missões anti-submarino com aviões Avro Anson a partir de Lowood; o Esquadrão N.º 73, que fazia reconhecimento marítimo e missões anti-submarino com aviões Anson a partir de Nowra, Nova Gales do Sul; e o Esquadrão N.º 83, que realizava missões de combate aéreo com caças Wirraway a partir de Strathpine, Queensland.Odgers, Air War Against Japan, p. 141 Os esquadrões 71 e 73 eram formações de reserva rapidamente montadas para aumentar o esforço anti-submarino, tripuladas por funcionários e alunos de unidades de treino operacional.Odgers, Air War Against Japan, p. 140Wilson, The Eagle and the Albatross, pp. 73–74

A actividade submarina japonesa na costa leste australiana atingiu o pico em Abril e Maio de 1943, levando a uma expansão dos esforços da RAAF no que toca à patrulha e escolta e comboios.Stevens, A Critical Vulnerability, p. 237 Como parte das medidas tomadas para aumentar a cobertura aérea durante este período, os voos de trânsito foram ordenados a sobrevoar rotas marítimas sempre que possível.Odgers, Air War Against Japan, p. 148 No final de Abril o pessoal do quartel-general do Comando da Área Oriental contava com 630 elementos, incluindo 105 oficiais.Eastern Area Headquarters, Operations Record Book, p. 319 Os bombardeiros Bristol Beaufort do Esquadrão N.º 32 foram creditados por danificar um submarino japonês a 19 de Junho, mas nem a RAAF, nem a Marinha Real Australiana, conseguiram destruir quaisquer submarinos inimigos em águas costeiras durante 1943.Odgers, Air War Against Japan, pp. 152–153 Os esforços dos dois ramos dentro da região do Comando da Área Oriental foram prejudicados por sistemas de comunicação e comando deficientes, bem pelo facto de a RAAF ter definido uma prioridade relativamente baixa no que toca à protecção da navegação mercante.Stevens, A Critical Vulnerability, p. 241

Anderson entregou o comando do Comando da Área Oriental ao comodoro do ar John Summers em Julho de 1943.Ashworth, How Not to Run an Air Force! Volume One, p. 303 O capitão de grupo Alister Murdoch tornou-se no oficial sénior do estado-maior aéreo (SASO).Dennis et al, The Oxford Companion to Australian Military History, p. 412 A 22 de Outubro o Avro Lancaster Q-for-Queenie, pilotado pelo tenente de voo Peter Isaacson, efectuou um voo muito próximo (conhecido como um "buzzing", inglês para "zumbido") do prédio da sede do Comando da Área Oriental em Edgecliff, antes de voar sob a Ponte da Baía de Sydney, desrespeitando os regulamentos e tornando-se na maior aeronave a realizar tal façanha. No mesmo mês o Conselho da Aeronáutica propôs a criação de um novo comando a partir do Comando da Área Oriental, que até então era considerada grande demais para ser controlada por um quartel-general e, portanto, pronto para ser dividido. O novo comando, a ser conhecido como Comando da Área Central, teria sido responsável pelas unidades de treino e operacionais no sul de Queensland; contudo, o Gabinete de Guerra adiou a sua decisão sobre a proposta. O conceito foi proposto novamente em Agosto de 1944, e desta vez o Comando da Área Central deveria controlar as unidades de manutenção, bem como treino e operações, no sul de Queensland; novamente, nada foi concretizado.Ashworth, How Not to Run an Air Force! Volume One, pp. 214–217, 227–228

Em Dezembro de 1943 o comodoro do ar Alan Charlesworth foi nomeado AOC do Comando da Área Oriental.Ashworth, How Not to Run an Air Force! Volume One, p. 303 A actividade submarina japonesa havia diminuído nos meses anteriores a Charlesworth assumir o comando, e ele apresentava-se preocupado que os navios aliados estivessem a tornar-se complacentes. Ele observou "um afrouxamento geral no procedimento; os navios raramente estão onde deveriam estar, e uma minoria de navios mercantes identifica-se com as aeronaves". As patrulhas da RAAF também haviam-se estabelecido num padrão previsível que um capitão de submarino observador poderia facilmente evitar.Odgers, Air War Against Japan, p. 349Stevens, A Critical Vulnerability, p. 258 Charlesworth renunciou ao comando em Setembro de 1944 para assumir o Comando da Área Noroeste.Ashworth, How Not to Run an Air Force! Volume One, p. 304 Em Dezembro aeronaves do Comando da Área Oriental participaram na busca do submarino alemão U-862, mas não conseguiram impedir que este afundasse o navio da classe Liberty Robert J. Walker no natal; um Beaufort do Esquadrão N.º 15, com base em Camden, localizou o naufrágio. Já o Esquadrão N.º 32 perdeu um Beaufort juntamente com a sua tripulação logo após a descolagem de Lowood durante a busca pelo U-862, que foi cancelada em Janeiro de 1945.Stevens, A Critical Vulnerability, pp. 269–272Odgers, Air War Against Japan, pp. 350–351 Naquele mês, o comodoro do ar Leon Lachal tornou-se no AOC do Comando da Área Oriental, e manteve o comando durante o resto da Guerra do Pacífico. miniaturadaimagem| Leon Lachal (foto em 1940), AOC do Comando da Área Oriental por duas vezes entre 1945 – 1947

Actividade pós-guerra e reorganização